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Cap.14 - Castelo

POV Talia.
Após minha crise de raiva eu já estava andando a um bom tempo. Eu chamei Drago e Matt para seguirem comigo, mas eles não ouviram. Devem ter dormido.

Meu caminho fazia curvas e mais curvas, eu já estava cansada e minha garrafinha de água ja esvaziou. ALÉM DE ESTAR UM CALOR DA PESTE!

Eu: só pode estar de sacanagem com a minha cara. Sozinha, com calor e sem água.

Por um bom tempo eu continuei a andar, o silêncio estava me tirando a tranquilidade que restou até que comecei a escutar o som de pingos.

Aquele som lindo e delicado de água pingando em água sabe?

Curiosa e sedenta eu segui em direção ao som e encontrei uma grande árvore com o tronco repleto de cogumelos e grandes folhas de coloração rosa escuro, sendo algumas mesclado com o vinho e o laranja.

As raízes da árvore se juntavam formando uma piscina, que armazenava toda a água que pingava das folhas.

A água era brilhante em branco e azul, mas não deixava de ser transparente o suficiente para ver o chão e que não havia impurezas.

Eu: água *-*

Me deixei cair de joelhos na frente da pequena poça e enfiei minha cabeça na água, molhando meus cabelos e derramando a água por meu pescoço e roupas. Quando o ar se fez necessário eu tirei o rosto deixando todo o líquido pingar de volta na bacia e peguei minha garrafinha a enchendo até a boca.

Eu realmente pensei em beber logo aquilo tudo, mas algo me fez parar. Talvez seja porque a água é bonita e esteja brilhando dentro da garrafa.

Eu: que saco.

Guardei minha garrafa a pendurando no cinto e sai andando continuando meu caminho.

Andei por uns bons minutos, fui e voltei várias vezes nos caminhos errados até ver que os meus muros acabavam, era o fim do labirinto.

Acelerei o passo quase correndo e quando finalmente saio, me deparo com a entrada de um grande e sombrio castelo abandonado.

Como nao tem nenhum outro caminho para seguir, trato de ir por esse mesmo desconfiada.

POV Matt.
QUE SACOOOOOO

EU NUNCA PEGO O CAMINHO CERTO!

Sério! Estou andando a um baita tempo e até agora SO ACHEI RUA SEM SAIDA! QUE MERDA!

Calma Matt, relaxa.

Tenha paciência.

Respira
Inspira
Não pira

Eu continuei dando voltas e mais voltas ate ir parar em um caminho reto. Obviamente eu segui por ele, era o único caminho que tinha.

Andei, andei e andei até que o labirinto finalmente chegou ao fim. Quando vi o final eu apenas comecei a correr, até que fui recebido por uma névoa densa, a mesma da praia.

Diminui o passo com a espada na mão em posição de alerta, estava tudo tão quieto que eu podia ouvir a pedrinhas estalando sobre as solas dos meus sapatos.

Quando o nevoeiro começou a se dissipar eu comecei a ver as coisas ao redor mais claramente, e dei de cara com a entrada de um castelo aparentemente abandonado, afinal, tinha uma torre caída e as paredes estavam rachadas e cobertas por teias de aranha.

Entrei cautelosamente e vi tochas acesas presas nas paredes.

Havia uma figura parada na frente da entrada, e eu reconheci logo. Abri um sorriso e corri até ela.

Eu: mãe, você também conseguiu passar. Você viu o Drago?

Pergunto, mas ela não me responde, nem se move.
Quando me aproximo mais pude ver os detalhes que antes me passavam despercebidos. Ela não se movia, suas roupas estavam cinzas e pesadas, sua pele estava dura e rachada, seus cabelos aparentemente estavam molhados quando ela foi presa nessa posição. Ela era uma estátua. E pela posição em que está, com os punhos cerrados e as sombrancelhas franzidas, ela havia encarado alguém com ódio.

Por um instante Minhas pernas vacilaram e eu não consegui me mover.

Nesse intervalo de tempo passos ecoaram e alguém saiu do castelo, parando atrás da minha mãe e apoiando o braço em seu ombro, se encostando nela de forma relaxada.

Ele era alto e usava unicamente um sobretudo preto com os botões do peito abertos e, na cintura, um cinto com crânios pendurados. Ele levou sua mão cujas unhas eram garras e acaricia o rosto petrificado da minha mãe

"Ela é bem estressada. Tentei falar com ela diplomaticamente, mas ela quis do jeito difícil." - Ele da ds ombros. - "Precisei a petrificar. O que é uma pena, ela tem potencial."

Eu: quem é você?

"Por favor, não me diga que não sabe quem está o perseguindo"

Eu rosno.

Eu: Devourer.

"O próprio." - ele ri interno e a mão que acariciava o rosto da Talia é descida para sua cintura a apertando fazendo a rocha começar a rachar. - "Você realmente ama muito sua mãe, assim como ela te ama. Eu conheço o sentimento, ja sofri por ele, mas então percebi que ele se torna nulo rapidamente. Se ela morrer, você deixará de ama-la em pouco tempo, afinal, qual o sentido de amar algo ou alguém quebrado?"

Ele parecia estar fazendo uma auto reflexão ao invés de falar comigo, que bizarro.

Eu: como se libertou?

Devourer: boa pergunta. Mas a resposta é até bem fácil.- enquanto ele falava, uma imagem começou a se passar em preto e branco em minha mente. Era um cristal e ele estava dentro de uma caverna. Havia uma estátua deitada no chão, mas nao reconheço quem é, e havia um homem em pé com o cristal flutuando nas mãos. A peça sugava toda a vida e maldade do homem robusto, sua pele começou a se deteriorar ate Todo seu corpo se tornar pó, então, o cristal rachou sobrecarregado e se quebrou. - O Cristal do Caos não aguentou mais sustentar a maldade de ambas as dimensões e rachou, perdendo seu poder e libertando a mim.

Eu não quero saber o que você veio buscar aqui, poha!

Eu: solte-a

Devourer: claro. - ele estende sua mao para mim. - Entregue-se então.

"Nao faça isso." - Diz a voz em minha mente, eu me lembro dela, me dava conselhos quando era criança.

Eu não posso deixar ela ser pedra.

"Matt, é isso que ele quer, que você ponha o bem estar dela antes do seu. Lembre-se que você prometeu que entre vocês dois, você daria preferência a si mesmo"

Sim, eu prometi...

"Bom saber que você manterá sua promessa e..."

Mas eu cruzei os dedos.

"Que?! Não! Não faça isso!"

Devourer; não se entregará? Tudo bem então. - ele dá de ombros e derruba a estátua

Eu: EU ACEITO!

Com um sorriso ele segura o pulso da estátua a impedindo de cair e a põe de pe a segurando pelo ombro.

Devourer: Sou um dragão de palavra.

"Não Matt, não ouse fazer isso!"

Sem dar ouvidos a voz eu permiti que ele se aproximasse de mim e posso concluir que ele é bem alto, afinal, eu, com meus 1,80 bato no seu ombro.

Ele ergueu a mão até minha testa e arrancou a bandana que eu deixo amarrada para esconder minha cicatriz. Algo começou a brilhar na cor roxa e logo senti como se milhares de agulhas perfurassem minha testa, me fazendo gritar.

Pude escutar Devourer dizendo "logo não sentirá mais nada" e a dor se intensificou. Não conseguia mais me manter de pé, minhas pernas se dobraram até eu estar ajoelhado no chão.

Minha visão começou a embasar mas eu pude ver que a estátua da minha mae começou a descascar e ela forçou os movimentos, acelerando o processo e se libertando.

Eu sorri e subitamente toda a dor que eu sentia desapareceu e eu não vi mais nada.

POV Drago.
Após voltas e voltas minha draconia começou a brilhar com força, a Mana do Matt está agitada e agressiva enquanto a da Talia está totalmente apagada. Droga, aconteceu alguma coisa.

Comecei a correr pelo resto do caminho enquanto procuro uma saída, até que a bendita névoa de antes voltou muito densa. Eu não vejo nem um palmo a minha frente.

Ignorei totalmente as minhas costas e continuei a correr, eu preciso chegar até eles mas essas paredes são protegidas por algum tipo de magia. Sim, já tentei quebrar as paredes, mas a proteção delas me repeliu.

Parei de correr quando senti o chão tremer sobre meus pés, olhei por cima do ombro e um rugido irrompeu a névoa a mandando pros ares.

Um dragão azul estava em pé diante de mim, eu o reconheço, é Neon, um dos seguidores de meu irmão. Talia o matou a anos atrás, enfiando a espada em sua draconia.

Mas havia um porém, ele não parecia nada vivo. O pulso da sua pata dianteira direita estava cortado fundo o suficiente para seu osso estar a mostra, seus olhos estavam igualmente mortos e sua draconia em suas costas rachada e apagada.

Eu: que droga...

POV Talia.
Enquanto eu estava petrificada, eu podia sentir, ver e ouvir tudo ao redor. Vi Matt aceitar um acordo com o desgraçado que me petrificou pelas costas, e ele se revelou ser Devourer.

Matt, que já havia apagado, estava ajoelhado na frente de Devourer, que estava com suas garras enfiadas em sua draconia.

Eu: larga ele! - eu puxei minha adaga da cintura e avancei em suas costas a enfiando. Devourer rugiu e com o braço livre ele tentou me tirar de suas costas, mas eu me segurei lhe dando uma chave de braço no pescoço e comecei a apertar. - eu vou te matar seu desgraçado!

Quando eu puxei a adaga para enfiar em seu pescoço ele segurou meu braço e me puxou com força conseguindo me tirar dali, então, me jogou com tudo contra a parede fazendo minha garrafa de água voar longe.

A draconia de Matt brilhava como nunca, Devourer Estava tirando um brilho branco de dentro dela. Esse brilho saiu da draconia do meu filho e assumiu a forma de uma esfera brilhante como a pérola de uma ostra. Matt caiu deitado, suas pálpebras lutando para se abrirem.

Devourer: finalmente...

Um sorriso de satisfação surgiu em seu rosto revelando os dentes afiados. Eu me levantei e quando joguei minha adaga extra nele, um tipo de campo de força mágico se ativou na frente dele e prendeu a lâmina antes que pudesse acerta-lo.

Devourer: boa sorte, Dragonjin.

Ele sorriu e saiu.

Fui até Matt e me ajoelhei ao seu lado, tocando nele em vários pontos tentando o fazer acordar. Sua pele estava fria, sua draconia apagada e ele estava começando a suar.

Eu: Matt, por favor filhote, acorda.

Seus olhos se abriram com lentidão e ele me olhou, conheço esse olhar, é o mesmo que ele sempre fazia quando sentia dor mas não queria falar nada.

Eu: vai ficar tudo bem, mamãe vai cuidar de você. - começo a procurar minha garrafa. - cadê...

Passos foram ouviram e ao olhar pra fora do campo de força havia um ser reptiliano. Com sua longa cauda escamosa arrastando no chão. Ele se abaixou e pegou a garrafa de água que estava perto dele.

Eu: por favor, me de isso.

A criatura riu de forma gutural e afastou mais de mim, a abrindo e bebendo a água que estava nela.

Eu: filho da... - paro de falar quando ele começa a se engasgar. - o que...

Ele começou a encolher, até que... Puff! Ele é um ovo!

Eu: sorte que não bebi isso.

Voltei a ficar no Matt, agora ele estava tremendo e batendo os dentes, sua pele estava tanto fria quanto um bloco de gelo. Eu o abracei tentando transmitir pra ele o calor do meu corpo, mas o que estava ocorrendo era o contrário, o frio dele que estava sendo transmitido pra mim e meus pulmões começaram a doer enquanto respiro.

Os minutos se passaram e Matt se encolheu em meu colo. Ele começou a rosnar e se revirar como se sentisse mais dor.

Eu o abracei, mas senti sua mão em meu peito e ele me empurrou com força me afastando dele.

Senti algo escorrendo e quando olhei onde ele tocou, minha roupa estava rasgada e minha pele profundamente cortada por quatro marcas de garras.

Olhei para Matt e ele estava rosnando, suas unhas estavam crescendo para se tornarem garras, seus dentes se tornavam pontiagudos e seus olhos agora eram roxos com as pupilas verticais.

Continua...

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