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Capítulo 6 - Passagem entre mundos

3607 palavras

Quando Kira voltou a abrir os olhos e sentiu a consciência retornar ao seu corpo, percebeu que ainda estavam cercados por um espaço completamente branco. Agamenon estava caído sobre ela, inconsciente, e suas roupas haviam mudado. Não vestiam mais os trajes de antes; ambos estavam cobertos por um tipo de manto que brilhava com milhares de fragmentos incrustados, como se cada ponto refletisse uma constelação inteira.

Com cuidado, Kira afastou Agamenon, deitando-o sobre uma superfície que parecia materializar-se ali, sem explicação. Tudo ao redor era branco — sem distinção entre cima ou baixo, entre chão e céu. Não parecia sólido, nem líquido ou gasoso, mas, de alguma forma, era palpável, tangível. Ainda que confusa, Kira não conseguiu desviar a atenção do manto que vestia.

Seus olhos fixaram-se nos pequenos fragmentos brilhantes espalhados pelo tecido, tão fascinantes que por um momento ela esqueceu de onde estava ou do que deveria estar fazendo. Eram hipnotizantes. Levou os dedos aos fragmentos do próprio manto, mas o toque não foi suficiente para saciar sua curiosidade. Algo a chamava, uma urgência silenciosa.

Ela se inclinou sobre Agamenon, os olhos deslizando para os detalhes que reluziam nos ombros dele, como se estivessem sussurrando segredos. Seus dedos começaram a percorrer os pontos brilhantes, descendo lentamente até a altura de sua cintura. Cada toque provocava uma explosão de cores vibrantes — verde, vermelho, amarelo, roxo. Mas, apesar do espetáculo de luzes, Kira continuava a buscar algo específico.

A cor azul.

Ela continuava, fragmento por fragmento, como se traçasse um caminho invisível, esperando pelo momento em que aquele tom de azul surgisse, puro e intenso, iluminando tudo ao redor. O fascínio era tão arrebatador que ela perdeu a noção do tempo. O que pareceu durar apenas segundos, na verdade, se arrastou por horas.

E então, no instante em que seus dedos quase desistiam de explorar o manto, algo começou a mudar no ar ao seu redor, como se o espaço branco reagisse à sua busca, no entanto, era apenas Agamenon, despertando.

- O que está fazendo? – Ele perguntou, mas ela não conseguiu responder, percebendo a verdade irrefutável, nenhum daqueles brilhos do manto encantado brilhariam em azul, porque o seu prêmio, o que ela ansiava em encontrar, estavam fechados.

Aqueles olhos azuis, elegantes, brilhando, convidando ela para chegar mais perto, para tê-los.

Kira avançou para cima de Agamenon sem que ele pudesse evitar, os dedos dela tentaram alcançar sua íris, seu contato é voraz, como se ela tivesse se transformado em uma fera. Agamenon a segurou firme, mas algo pouco a pouco vai nublando sua visão, o rosto apático de Kira passa a ser substituído por um rosto familiar, alguém que ele conhecia muito bem.

Alguém que amava.

Ele sabia que deveria ser uma ilusão, aquela pessoa estava morta, mas sua mente ansiava pela vida, não fez perguntas, queria aproveitar o pouco tempo que tinha com aquele olhar, aquele sorriso meigo, afrouxou o aperto nos pulsos de Kira e a abraçou pela cintura, uniu seus lábios e escolheu fingir que não era a Rainha de Kvinner que estava beijando, mas a mulher que amava.

A cor azul invadiu a mente da menina com o toque em seus lábios, era diferente do primeiro beijo, esse fervia, seu corpo se contorceu em agonia, sua mente rodava e quando ele aprofundou e se aproximou ainda mais, Kira sentiu como se nada no mundo inteiro fosse mais prazeroso do que aquilo.

Os dedos dele percorreram a pele do braço dela, enquanto ela sentia o azul que procurava explodindo em sua boca, mil sensações diferentes em cada espaço de pele em seu corpo, o roçar dos dedos dele, o tecido de seu manto, suas línguas rodopiando e causando a eles a mais profunda satisfação.

- Seja minha. – Ele pediu, abrindo os olhos novamente, encontrando a luz negra dos olhos da rainha, não o prateado brilhante da mulher que queria.

A magia é quebrada, o branco se transforma e eles começam a cair.

Agamenon tenta agarrá-la e puxá-la para perto de seu corpo, para que a colisão faça mais mal a ele, outra vez ele tenta protegê-la, mas o máximo que conseguem são unir as pontas dos dedos, antes que suas costas se choquem com árvores e caiam no chão em um pouso suave, bem diferente do que imaginavam que aconteceria.

A terra estava molhada, e ainda caíam algumas gotas de chuva. Árvores cercavam tudo ao redor, preenchendo o horizonte em todas as direções. Ambos se levantaram ofegantes. Kira o encarou nos olhos, tentando compreender se o que havia acontecido era real ou apenas uma vaga alucinação. Ele abriu a boca para dizer algo, mas suas pernas não suportaram a dor que começou a irradiar pelas costas, braços e barriga. Era uma sensação que o desestabilizou, fazendo-o cair de joelhos.

Kira se aproximou rapidamente, ajudando-o a se escorar em uma árvore. Em seguida, retirou a camisa ensanguentada, observando as feridas horríveis que ele tinha. Mas não foi apenas isso que chamou sua atenção. Havia inúmeras cicatrizes espalhadas por todo o corpo dele. Ela se lembrou das menções a batalhas e fechou os olhos com força, sem saber como agir.

Ele ergueu o braço, tentando tocá-la, ainda entorpecido pela visão que tivera. Agora, conseguia ver que era Kira ali, mas, mesmo assim, desejava que ela se transformasse novamente e lhe concedesse mais tempo com a outra.

– Ei. – Ele a chamou de forma carinhosa. – Está tudo bem. – Sorriu, mal acreditando que ele, o Lorde Agamenon, estava sendo meigo com alguém novamente.

– Você vai morrer? – Ela perguntou, chorando, enquanto se apoiava cuidadosamente no ombro menos ferido dele.

– Existe uma coisa sobre mim que você deve saber. – Ele disse, com a voz baixa e vacilante, engolindo em seco. O calor dela era suficiente para aquecê-lo. – Sou duro na queda. – Essas palavras a fizeram rir.

Estava tudo tão estranho entre eles. O universo inteiro parecia estranho. Aquele lugar onde estavam era leve, parecia seguro, parecia livre. Kira não sentia que precisava controlar o que sentia ou quem era, mas, no fundo, sabia que deveria. Ela tentou se recompor, jurou para si mesma que estava tentando, mas lá no fundo, nem mesmo sabia por que deveria.

Ficaram ali, lado a lado, vivos e, por um tempo, seguros, sentindo as gotas de chuva deslizarem pelos rostos e a terra molhada amenizar as feridas. Até que, exaustos por terem transpassado os mundos, acabaram adormecendo.

Agamenon foi o primeiro a acordar, suas feridas pareciam melhores, mas ainda sentia arderem como se estivessem em chamas, ele sabia que outros homens atacados pelas mesmas criaturas tinham relatado os mesmos sintomas. E infelizmente não eram ferimentos que a magia do mundo fosse capaz de curar rapidamente, era como se as garras dos bestiais retardassem a cura, fazendo com que o processo de cicatrização demorasse dias para se restabelecer e não apenas algumas horas como costumava ser em outros casos.

Assim que ele resolveu se levantar, acabou por acordar Kira que estava ao seu lado, a menina se espreguiçou, enquanto ele já estava de pé andando com um pouco de dificuldade até uma árvore, arrancando algumas folhas, raspando a superfície no próprio tronco e depois as colocando nas feridas. Kira observou aquilo de longe, o sono tinha trago algum tipo de sanidade para sua mente, passou a perceber mais objetivamente o que tinha se sucedido desde a noite anterior até o momento presente, levando a um estado de pânico.

- Nós... estamos no seu... mundo? – Ela perguntou devagar, não gostando do gosto que deixava em sua boca.

Ele olhou para ela, colocando a última folha no seu ombro rasgado, apenas concordando com a cabeça, permanecendo onde estava, deixando que a informação penetrasse em sua mente e que ela mesma organizasse o que estava sentido, ele não poderia intervir.

Kira permaneceu sentada, sentindo suas nádegas ardendo pelo tempo na mesma posição, ela ignorou a dor, preferia ficar inerte do que se mexer e perceber que não era um sonho, que estava sendo tudo real, que estava mesmo duas dimensões acima da sua, em um mundo completamente novo e... Lindo.

As cores e os cheiros estavam por toda parte, radiantes, intensos, igual suas pinturas, inevitavelmente ela se pegou admirando o local onde estavam, os raios solares adentrando por entre as frestas das copas das árvores, o marrom dos troncos, a grama verde por debaixo de seus pés, misturados a lama que já havia endurecido, os contornos das sombras do ambiente, o cheiro de terra molhada e verde, tudo isso a deixou mais calma, aquele lugar era tudo o que sempre havia sonhado, tudo que sempre havia pintado.

- Levarei a senhorita de volta assim que o príncipe for derrotado. – Agamenon falou quando percebeu que o olhar de pânico dela parecia mais calmo.

- Meu pai. – A menina falou finalmente se levantando com certo esforço. – Ele está bem?

- Deve estar. – Agamenon deu de ombros, agora isso pouco lhe importava, a garota já estava ali, não tinha mais que se preocupar com os civis de outra dimensão.

- Deve? – Kira repetiu sentindo o descaso na voz dele. – Ele vai sentir minha falta, vai perceber que sumi! – Seu tom soou mais alto do que ela esperava.

- Escuta, infelizmente mesmo que você quisesse voltar e avisar a ele sobre sua viagem, não seria possível. – Ele revirou os olhos. – Seu pai vai ficar bem, não vai demorar para que esqueça sua ausência, sua dimensão vai cuidar das coisas, quando voltar vai ser como se não tivesse partido.

Kira não esperava tamanho orgulho e desprezo da parte dele, mas esse era o Agamenon de verdade, ele não era um príncipe encantado, muito menos o homem mais gentil daquele mundo, tudo aquilo que ela sabia dele antes era apenas um reflexo de baixa qualidade que a dimensão dela impôs sobre ele assim que o mesmo atravessou as dimensões. Logo ela perceberia que também não se conhecia.

- O senhor é um espurco! - Ela gritou, batendo o pé na terra, para depois colocar as mãos sujas na boca se arrependendo da palavra de baixo calão que havia usado. – Perdoe-me. – Agamenon só a ignorou, começando a andar por entre os troncos. – Aonde vai? – Perguntou e o viu apenas apontar para frente.

Ela o seguiu insegura, até a margem de um rio, onde o viu se limpar do sangue e lavar o pescoço, rosto e cabelos, ela se aproximou para fazer o mesmo. A água era tão clara e limpa, a luz do sol a fazia ter alguns pequenos arco íris nadando por aqui e ali de uma margem a outra. Kira limpou seus braços e lavou o rosto, fez uma trança no cabelo e deu uma olhada em sua roupa, que estava imunda, a terra cobria todo o tecido da camisola, poderia facilmente ser confundida com uma moradora de rua, se seu pai a visse daquele jeito, teria um infarto.

Por instinto, ela tentou limpar a sujeira com a mão úmida, mas tudo que conseguiu foi tornar a camisola ainda mais transparente. O gesto a fez lembrar do momento em que estiveram naquele espaço em branco e do beijo que compartilharam. Seu rosto esquentou imediatamente com a lembrança.

- O que foi? – Ele perguntou, inclinando a cabeça para observá-la. No entanto, seus olhos acabaram traindo sua intenção ao deslizarem pelo corpo da garota, trazendo à tona a mesma imagem da noite anterior. Sentindo o peso do momento, desviou o olhar rapidamente. – Não significou nada. – A voz soou firme, mas ele sabia, no fundo, que estava mentindo. Precisava repetir aquela mentira para si mesmo, como se isso pudesse torná-la verdade.

- O senhor é um péssimo mentiroso, me impressiona que em meu mundo tenham acreditado em suas mentiras, mas deve saber que comigo elas não surtem efeito. – Kira desviou o olhar, mergulhou os pés no rio e fixou-se na margem oposta, onde árvores exibiam folhas de um verde intenso. – Se não está confortável em admitir que sentiu algo por mim, saiba que eu não serei quem irá negar que senti pelo senhor.

- Está dizendo que gosta de mim? – Ele se sentou, afastado dela, colocando os pés na água imitando-a.

- Estou dizendo que gostei do beijo. – Ela rolou os olhos e depois se virou para ele. – Porque sua personalidade mudou um tanto em uma noite. – Dito isso, ela manteve o silêncio.

Ele não disse mais nada, apenas engoliu saliva, ninguém nunca falava daquela maneira com ele, afinal de contas, todos o conheciam como um lorde que herdaria todas as terras da alvorada quando o comandante morresse, mas Kira conhecia ele de verdade, talvez mais do que qualquer outro já que ela não caia em suas mentiras, talvez Kira soubesse mais dele que sua própria noiva.

Danielle.

Agamenon percebeu que ela provavelmente já estaria ciente de sua falha, mas não ficou triste, talvez seja melhor assim. Ele não poderia dizer que a amava, o máximo que sempre pode dar a ela foi um sentimento de carinho e proteção, mas amor, ele nunca havia sido capaz de dar, por esse motivo, mesmo depois de anos em noivado ele não conseguia chegar ao casamento. Adiar sempre tinha sido sua solução até ali, mas naquele momento qualquer promessa já havia sido desfeita e ele não mais precisava se segurar para não quebrar seu voto de fidelidade, visto que já o tinha feito.

Ele só não sabia como iria encará-la quando chegassem, jogou mais água no rosto, tentando não pensar nisso.

- Perdoe-me por como agi antes. – Ele se aproximou um pouco. – Para que saiba, não era assim que eu imaginava que chegaríamos aqui. – Suspirou, exausto. – Posso ser bruto às vezes, uma característica que não consigo evitar.

- Não quer evitar. – Ela o corrigiu. – Essa pose de grosseiro que não liga para ninguém é só mais uma máscara, igual às suas mentiras.

- Como se você não fosse grosseira também. Ainda lembro muito bem de como tratou suas primas de forma cruel. Não devia ter sido tão insensível. – Ele retrucou, olhando para o céu.

- É evidente que as situações são diferentes! – Ela elevou a voz, sentindo a raiva crescer. – O senhor estava brincando com elas só para me atingir. Fiz o que precisava para protegê-las de uma paixão que jamais seria correspondida!

- Diz isso só para não admitir que somos iguais. – Ele afirmou, frio. Ela abriu a boca para responder, mas nenhuma palavra veio, e acabou fechando-a novamente. Tirou os pés da água e abraçou os joelhos, sem olhar para ele.

- Assim como eu, não consegue esconder o que pensa e acaba dizendo. – Ele completou o que ambos já sabiam. – Precisamos ir.

Agamenon se levantou e estendeu a mão para ajudá-la. Kira hesitou por alguns segundos, mas decidiu ignorar o gesto, levantando-se sozinha. Ele deu uma risada seca e começou a atravessar o rio, saltando de pedra em pedra, enquanto ela o seguia, mais lenta e cautelosa.

Do outro lado da margem, Kira conseguiu perceber que as árvores ali eram diferentes, seus troncos tinham um brilho dourado estranho que nunca vira antes, bem como as folhas que apesar de verdes quando se olhava de perto parecia mudar para um azul intenso que sem dúvidas a deixou encantada.

Eles continuaram andando pela floresta, Agamenon buscava uma saída, sabia que a floresta que veio parar tinha um tipo de portal para entrar e para sair, mas ele não sabia exatamente onde era. Só havia ido até a floresta das extremidades quando era bem novo, deixado com o tio para treinar a magia e o corpo, acabou por se deixando levar em memórias antigas, quando a vida era bem mais fácil e o único sangue que existia em suas mãos, eram os de animais que matou para não morrer de fome.

Eles andaram por horas até Kira se sentar no chão, ofegante, não estava mais conseguindo prosseguir, seus pés doíam de uma forma que estremecia seu corpo todo, sua barriga roncava e estava com sede. Agamenon mesmo ferido sabia que poderia continuar mais, sua força e resistência eram deveras superiores a pobre rainha que nunca havia passado por algo assim. Ele a encarou, pensando no que poderia fazer, se suas costas não estivessem feridas, a carregaria, mas a ideia não entrava em questão, poderia tentar ensinar ela algum feitiço, mas duvidava que teria sucesso dentro da floresta, aquele lugar era projetada para capturar energia mágica para as árvores, por isso treinar magia ali o tornava ainda mais forte, pois tinha que lutar por ela com as moradoras da floresta.

Ela implorou por tempo, a voz ofegante e entrecortada, quase um sussurro perdido entre as árvores.

Agamenon cedeu, soltando um suspiro exausto antes de se escorar em uma árvore. Sentado, aproveitou para trocar as folhas que cobriam suas feridas, pegando outras frescas ao redor. Observou, com alívio, que a cicatrização estava surpreendentemente rápida; a floresta parecia realizar milagres silenciosos.

Enquanto isso, Kira se deitou no chão, os olhos fixos no alto, onde as folhas alaranjadas das árvores emolduravam pequenas brechas do céu. O contraste de cores parecia distante, quase irreal. Seus pensamentos, no entanto, a puxaram de volta para casa. Ela sentiu saudades do colo do pai, da rotina familiar que, por mais monótona que fosse, oferecia segurança.

Agora, tudo à sua volta parecia esmagador. O medo crescia, apertando seu peito. A imprevisibilidade daquele mundo a apavorava. No outro lugar, sua antiga vida, ela sabia o que esperar; os dias podiam ser incertos, mas nunca mortais. Lá, o perigo maior era ela mesma. Aqui, no entanto, havia guerra, morte, destruição. Criaturas como aquela besta que os atacara vagavam livres, consumindo tudo que cruzava seu caminho.

Como poderia fazer alguma diferença em meio a tanto caos? A pergunta ecoava em sua mente, como um grito abafado pela imensidão do desconhecido.

Ela precisava ser forte, não poderia se deixar render por um sentimento de tristeza como aquele, não iria se permitir chorar até que estivesse de volta em sua casa, até lá, se manteria intacta como aquele mundo precisava que ela fosse, forte e destemida, assim a rainha de Kvinner reapareceu entre um rodopio e outro de seus pensamentos.

- Certo. – Ela se virou na direção dele. – Não podemos ficar aqui para sempre, quando chegaremos ao fim? – Agamenon desviou o olhar, não queria dizer que a única maneira de sair era encontrando um portal que ficava em um local incerto que ele desconhecia.

- Estamos próximos. – Mentiu, esquecendo-se que sua lábia não surtia efeito na rainha.

- Quantas vezes terei de repetir que detesto mentiras, senhor? – Ela perguntou se levantando um tanto irritada. – Eu não entendo sua necessidade de mentir o tempo todo, quais são suas injúrias com a verdade?

- Diz como se eu gostasse de mentir. – Ele revirou os olhos. – Não sabe nada sobre mim.

- De fato. – Ela começa a esticar a coluna e os braços, massageando em seguida seus ombros. – Acontece que seu comportamento revela muito de seu interior, se eu fosse deduzir, diria que mente para encobrir uma insegurança. – Ele não respondeu nada e ela apenas deu de ombros, voltando a se sentar escorada na árvore a frente da dele. – Ao menos sabe onde fica a saída?

- Claro que sei. – Ele bufou irritado. – Ela muda de direção, só não sei onde deve estar agora e estou fraco demais para usar os meus poderes, essas feridas desgraçadas... – Ele não continuou falando, sabia que diria coisas que certamente não seriam agradáveis para os ouvidos de uma jovem como ela. – Só vamos continuar andando sem perder tempo.

- Não sei como consegue, eu estou morta, meus pés doem dentro dessas pantufas, não são adequadas para isso. – Ela as tirou para massagear os pés que estavam avermelhados pelo esforço. – Tínhamos que vir tão de repente?

- Eu não conseguiria matar aquela coisa sem minha espada. – Ele disse sem poder encará-la. – Melhor largar essas coisas felpudas aí e seguir descalça. – Kira concordou com a cabeça.

Ficaram em silêncio por um período considerável. Agamenon sabia que o portal podia estar tanto a quilômetros de distância, quanto a dois passos à frente, ele só precisava se concentrar um pouco. Lembrava-se vagamente de como o tio fez para encontrar, sabia que Zaki tinha fechado seus olhos, colocado a mão na terra e depois disso só soube onde o portal estaria, todo o processo mental tinha mantido em segredo e Agamenon nunca tinha pensado em perguntar, pois acreditou fielmente que nunca mais entraria naquele lugar. Agora lá estava ele tentando de alguma forma encontrar a porcaria da porta de saída, sem ter ideia do que pensar com suas pálpebras fechadas e apenas o som das folhas se mexendo.

Kira fechou os olhos, concentrando-se apenas na própria respiração, enquanto sentia a brisa suave que vinha pela frente. O cheiro era agradável, uma mistura de rosas e açúcar. O aroma inebriante invadiu seus sentidos, despertando uma vontade ávida de provar o que quer que estivesse exalando aquele perfume tão delicioso. Seu estômago roncou, produzindo um som audível, e ela riu, imaginando o sabor: doce e macio.

De repente, Agamenon a puxou pela mão com um aperto firme, desequilibrando-a enquanto a erguia rapidamente. Ele a amparou antes de apontar para frente, onde um mosaico em tons diferentes de rosa se estendia diante deles.

Sem dizer nada, ele tomou a dianteira, caminhando até lá com uma urgência perceptível. Ao chegar, tocou a superfície da parede à sua frente, que parecia gelatinosa. Não demorou muito para que fosse sugado para dentro.

Kira, sem saber como reagir, apenas o imitou, esperando que aquela tivesse sido a escolha certa.

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