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Capitulo 26 - Depois dos Portões

2566 palavras

A capela não ficava muito longe dos portões dourados. No início, Kira não tinha certeza de para onde deveria ir, mas deixou que o instinto a conduzisse por uma trilha sombreada entre as árvores. Poucos metros adiante, uma construção imponente emergiu entre a folhagem, como se a natureza a tivesse guardado em segredo até aquele momento.

Kira não imaginava que o lugar pudesse ser tão bonito e, ao mesmo tempo, tão simples. As pedras brancas que compunham suas paredes pareciam ter brotado do solo, moldadas pela própria natureza para criar aquela estrutura. Diferente de uma igreja convencional, a capela não ostentava cruzes, imagens ou esculturas sagradas. Sua simplicidade era quase desconcertante. De fora, assemelhava-se a uma modesta casa, mas, ao entrar, a atmosfera era única. O interior era preenchido apenas por fileiras de cadeiras de madeira alinhadas diante de um pequeno altar. Sobre ele, velas acesas lançavam uma luz suave que dançava nas paredes, mas não havia sinais de nenhum deus ou figura divina para ser reverenciada.

O som dos passos da rainha reverberava pelo salão vazio, cada batida ecoando como um sussurro inquieto nas paredes de pedra. Havia algo solene e pesado naquele som, como se cada passo carregasse o peso de mil decisões não tomadas. Seus olhos, sombreados pela inquietação, percorriam o ambiente com intensidade, analisando cada canto, cada sombra que poderia ocultar a presença que ela buscava. O ar carregava o perfume discreto da cera derretida das velas, misturado ao odor frio das pedras úmidas, criando uma atmosfera quase sufocante.

Foi então que ela o viu. Aldrin estava sentado na primeira fileira de cadeiras, imóvel, como se fosse uma extensão do próprio altar. A postura relaxada contrastava com o olhar afiado que a acompanhava desde o momento em que ela entrou. Ele parecia alheio ao significado do lugar, mas a luz trêmula das velas iluminava seu rosto de uma forma que fazia sua expressão parecer mais enigmática. Um leve sorriso curvou seus lábios, mas era um sorriso que escondia mais do que revelava.

Ele se levantou com a graça estampada em cada leve movimento de seu corpo. Os cabelos dourados escorriam pelo pescoço, a leve brisa que entrava pelas janelas da capela movimentava alguns fios, tornando sua presença ainda mais atrativa ao olhar de qualquer ser que o observasse naquele instante. 

Kira interrompeu seus passos no meio do caminho, observando enquanto ele se aproximava com a obediência entusiasmada de um cão que corre ao encontro do dono, uma cena que, para ela, não passava de patética.

Ele se ajoelhou, a cabeça baixa e o sorriso cínico no rosto. Depois se levantou, esperando ver um sorriso que não recebeu. Suas sobrancelhas se uniram e com a clareza tomando posse de sua mente, ele finalmente percebeu que ela estava ardendo de raiva.

— Não era exatamente o que eu esperava — murmurou, a voz vacilando no peso das palavras.

O tapa veio como uma bola de fogo lançada por uma catapulta, queimando o ar com sua rapidez e intensidade. O impacto foi tão brusco que o som seco ecoou, deixando no ambiente um silêncio tão pesado quanto o golpe.

- Eu sei o que você fez. - A voz da rainha emanava desprezo, coisa que doeu mais em Aldrin do que o tapa que havia levado. - Eu odeio você! - Ela gritou e as lagrimas pesadas começaram a derramar.

Kira deixou que toda a sua raiva tomasse conta, manifestando-se em uma série de tapas, socos e chutes, cada movimento carregado de frustração e dor acumulada. O príncipe, no entanto, não esboçou nenhuma reação agressiva. Limitou-se a se defender de maneira precisa, sem nunca contra-atacar ou sequer tentar desviar. Ele permaneceu ali, imóvel, como se suportar os golpes fosse sua penitência silenciosa. A cada impacto, a respiração de Kira se tornava mais pesada, e seus movimentos, embora ainda intensos, começavam a perder a força. Ele não disse uma palavra, apenas esperou pacientemente, deixando que ela despejasse toda sua fúria até que não restasse mais energia em seu corpo.

Quando apenas as lagrimas restaram e os soluços ecoaram pela capela, o príncipe a envolveu em seus braços, tentando consolar uma dor que ele causou. Apesar de sua mente gritar pedindo que ela se afastasse dele, seu corpo não era capaz de obedecer, a rainha permitiu sem envolvida pelo calor que emanava do corpo dele, pois, por mais ódio que sentisse naquele momento, também havia uma afeição que a impedia de ir embora.

- Me diga o motivo! - Exigiu, olhando-o tão de perto que a íris dele parecia brilhar como um sol esverdeado e magico. 

- Eu amo você. 

As palavras dele a fizeram se afastar alguns passos. As lagrimas pararam de escorrer e uma linha dura tomou posse dos lábios dela.

- Sabe como eu me senti? - Um arrepio subiu por suas costas e braços. - Você mentiu pra mim Aldrin, fez meu coração ser despedaçado e se aproveitou disso para unir os pedaços, tomando um lugar que não era seu!

- Esse lugar sempre foi meu. - Ousou dizer. - Era para ter sido eu desde o principio! Agamenon nunca mereceu o seu amor, ele nunca foi digno de você!

- E você realmente achava que era? - A voz de Kira cortou o silêncio, carregada de uma frieza que parecia mais afiada que qualquer lâmina. Ela deu um passo à frente, sua postura mudando, cada movimento irradiando uma presença imponente. A rainha brilhava em seus olhos, um lembrete silencioso do poder que ela carregava. - Um príncipe trapaceiro, tão vazio de virtudes, que só conseguiu conquistar o coração de uma mulher porque ele já estava partido, necessitado de consolo e cura? Diga-me, Aldrin, existe algo mais inadequado, mais indigno, do que isso? - Sua voz era um chicote, cada palavra carregada de desprezo, ferindo mais profundamente do que qualquer golpe físico.

- Eu não me arrependo do que fiz. - A resposta veio firme, mas o tom de Aldrin denunciava algo mais sombrio, um conflito interno que ele se recusava a admitir. Ainda assim, suas palavras saíram com a força de uma confissão irônica, os olhos enfrentando os dela como se tentassem recuperar terreno. - Eu faria de novo, sem hesitar. Foi isso que garantiu que me amasse, mesmo que por um momento, e que agora, fosse incapaz de me matar. Porque se o fizesse, Kira, estaria condenando a si mesma. Seria o fim de nós dois.

Ele deu um passo adiante, aproximando-se dela com um movimento calculado, quase predatório. Sua mão envolveu a dela com firmeza, mas sem força suficiente para ser invasiva, apenas o bastante para que ela sentisse o calor de sua pele. Os olhos dele brilhavam com algo perigoso, uma combinação de sedução e desafio que parecia refletir um desejo de controlá-la e provocá-la ao mesmo tempo. 

- E talvez, só talvez, você saiba que estou certo. - O tom era sussurrado, como se as palavras fossem um segredo íntimo compartilhado apenas entre eles.

Kira puxou a mão com um movimento brusco, como se o simples toque dele queimasse sua pele. Seu olhar, antes cheio de desprezo, agora reluzia com algo mais profundo: uma mistura de raiva e mágoa que ela não conseguia esconder.

- Certo? - Ela riu, mas o som era seco, amargo, como se zombasse tanto dele quanto de si mesma. - Você realmente acredita que há razão ou justiça no que fez? - Ela deu mais um passo, diminuindo a distância entre eles, mas desta vez sua presença era como uma tempestade prestes a explodir. - O que você chama de amor é uma mentira, Aldrin. Uma prisão que você construiu ao redor de mim. Mas sabe o que é pior? - Sua voz caiu para um tom quase inaudível, os olhos fixos nos dele, um brilho perigoso dançando em suas íris. - É que, por um momento, eu quis acreditar nela.

Ele não recuou, nem desviou o olhar. Em vez disso, inclinou-se ligeiramente para ela, como se as palavras dela fossem uma corrente de vento que o empurrava para mais perto.

- Porque você sabe que, mesmo que tenha começado como uma mentira, o que sentimos agora é real. - A voz de Aldrin era baixa, intensa, quase suplicante, mas ainda mantinha o tom de desafio. - Você pode me odiar, Kira. Pode até tentar me destruir. Mas não pode negar o que há entre nós. É mais forte do que nós dois, e você sabe disso.

Ela ficou imóvel, o coração martelando no peito como se tentasse escapar de suas próprias emoções. O silêncio entre eles parecia gritar, carregado de tudo o que não ousavam dizer.

- O que há entre nós, Aldrin, é um abismo. - Kira finalmente quebrou o silêncio, sua voz firme, mas carregada de uma tristeza contida. - E não importa o quanto você tente, nunca será capaz de me puxar para o seu lado.

Antes que ele pudesse responder, Kira se virou, o tecido de seu vestido esvoaçando como uma despedida silenciosa. Mas Aldrin não estava disposto a permitir que ela partisse. Num ato desesperado, agarrou o braço dela e puxou para si. Fechou os olhos e uniu os lábios ao dela, esperando pela rejeição. 

Ele havia prometido a si mesmo que não a beijaria a menos que ela pedisse. Mas ali estava ele, quebrando sua promessa, tomando posse daquilo que acreditava que era seu, daquilo que sabia ser a única coisa capaz de quebrar seu coração.

Todavia, ao contrario de seu pensamento, ela não recuou.

Kira permaneceu imóvel por um instante, como se o mundo tivesse parado junto com ela. O toque dos lábios de Aldrin era intenso, carregado de um desespero que ela podia sentir até a alma. Seus olhos se fecharam involuntariamente, e, por um momento, ela permitiu que a dor e o desejo que compartilhavam se misturassem, criando algo impossível de ignorar.

Mas então, como uma onda fria que invade um coração aquecido, a consciência tomou conta dela. Kira afastou-se abruptamente, os olhos queimando de raiva e confusão.

- Não diga nada. - Aldrin ergueu a voz antes que ela pudesse falar, os olhos fixos nos dela, quase suplicantes, mas carregados de um tom desafiador. - Não está aqui apenas por causa do que eu fiz... Pense, minha rainha. Se sair por aquela porta, para onde estará voltando?

- Me solte. - A ordem veio firme, mas não menos carregada de dor. Ele obedeceu, afastando as mãos dela com uma reverência quase teatral, mas seus olhos nunca desviaram.

- Não devo acreditar em mais nenhuma palavra que saia da sua boca.

- Ah, mas você sempre soube quando alguém mentia. - Ele arqueou uma sobrancelha, um sorriso sarcástico curvando seus lábios. - Lembre-se disso, Kira. Você esteve ao meu lado na guerra, não ao lado do comandante. E definitivamente não foi por mentiras que permaneceu ali.

- Eu me arrependi! - As palavras saíram como um grito, carregadas de emoção reprimida, como se cada letra fosse um tijolo caindo de uma muralha que ela havia erguido.

- Ah, sim, claro. - Aldrin deu um passo à frente, sua voz baixando, mas carregada de ironia. - E quer saber por que me aprisionou naquela maldita magia do sono?

Ele inclinou-se, aproximando o rosto a poucos centímetros do dela, suas palavras vindo em sussurros afiados como lâminas:

- Porque teve medo. Medo de me perder. Mais do que isso, sabia que um lado sairia vitorioso naquele dia, e você não conseguiu escolher. Entre mim e ele... Quem deveria morrer? Seu antigo amor ou sua nova paixão?

Ele continuou, sua voz se tornando um sussurro cruel:

- Você não conseguiu me matar para salvá-lo, assim como não seria capaz de matá-lo para me salvar. Então, você recuou. O sangue e os gritos te fizeram desistir da guerra. Porque, na sua mente, era o meu sangue ou os gritos dele. E você sabia que não conseguiria viver com nenhum desses cenários.

Ele deu mais um passo, o olhar intenso, como se quisesse perfurar as defesas dela:

- Essa é a verdade, Kira. Por mais que tente fugir, por mais que olhe para os lados em busca de uma saída, sabe que não estou mentindo.

- Ainda que seja verdade... - O olhar dela, carregado de uma imponência inabalável, trazia à sua memória Lídia nos momentos em que suas palavras eram verdades absolutas, impossíveis de serem contestadas. - Não vou a lugar nenhum com você. A guerra que eu irei lutar é contra qualquer um que se colocou no meu caminho, incluindo você.

- Então lute, Kira. - A voz dele era um sussurro cheio de mágoa, o tipo de ferida que o orgulho não conseguia esconder. - Mas não se engane... - Ele deu um passo à frente, seus olhos fixos nos dela, carregados de amor e rancor. - Eu queria que estivesse ao meu lado, mas escolheu seguir com Agamenon. Também vai ajudar o meu pai a tomar o seu reino? Pense bem antes de levar o inimigo até os portões de Kvinner.

- Não preciso dos seus conselhos. - Ela se virou para sair. - Não fique no meu caminho.

Ao se virar completamente, Kira avistou Zaki parado na entrada da capela. A espada em sua mão refletia a luz trêmula das velas, enquanto as veias saltavam em sua testa, pulsando com a raiva prestes a explodir. Seu olhar intenso e carregado de julgamento revelava que ele não sabia o suficiente para entender a verdade. Ele não podia enxergar que ela não estava ali para compactuar com o inimigo. Por um breve momento, Kira acreditara que ele chegaria a tempo, que escutaria a conversa e, finalmente, perceberia de que lado ela realmente estava. Mas agora, ali diante dela, estava um homem consumido pelo ódio, pronto para tomar sua vida sem hesitar.

Foi quando sentiu sua carne ser atravessada por uma lâmina fina. No início, a dor parecia a picada de uma agulha, mas, em segundos, expandiu-se como fogo líquido, separando sua pele e queimando cada fibra em seu caminho. Um arrepio gélido percorreu sua espinha, e seus lábios se abriram involuntariamente, deixando escapar um sussurro de desespero abafado, como se implorasse pelo alívio que jamais viria.

— Espero que me perdoe, mas não poderia permitir que ele a machucasse. — A voz de Aldrin soou próxima, como uma confissão sombria em seu ouvido. — Sinto muito, minha rainha, mas se não fosse assim, você não estaria segura... Ele nunca acreditaria em você.

A respiração dela falhou, entrecortada, enquanto sentia o peso dele se afastando, deixando-a sozinha com a ferida que pulsava como um tambor descompassado. O sangue jorrava de sua barriga, quente e viscoso, escorrendo entre seus dedos trêmulos quando instintivamente pressionou a mão contra a ferida, tentando, em vão, deter o fluxo incessante. Suas pernas fraquejaram, e, antes que pudesse lutar contra a gravidade, desabou de joelhos.

O mundo parecia girar ao seu redor, cada detalhe distorcido pela dor que a consumia. A capela estava sufocantemente fria, mas seu corpo queimava, cada vez mais fraco. Ela ainda viu Zaki correndo em sua direção, sua espada guardada na bainha, e o desespero estampado em seu rosto era tão vívido quanto o próprio sofrimento dela. Ele gritou algo, mas as palavras não chegaram até ela; estavam perdidas em um véu de ruído surdo que dominava seus sentidos.

Por fim, seus olhos se voltaram para o teto da capela. O mundo ao redor parecia desbotar enquanto o vermelho que tingia sua visão crescia, obscurecendo tudo. E então, antes que a escuridão a tomasse, a última coisa que viu foi a dança das sombras no teto, como se o próprio destino zombasse de sua queda.


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