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Capítulo 11 - Entre o Agora e Nunca Mais

4035 Palavras

Danielle já estava pronta, usando um vestido rosa tomara que caia, com um chalé branco delicadamente posicionado sobre os ombros e brincos grandes. Seu cabelo estava preso em um coque alto, com uma tiara de brilhantes no topo, exalando a aura de uma princesa. Caminhou lentamente em direção ao pátio, cumprimentando algumas pessoas que se dirigiam ao salão de baile, até seus olhos se encontrarem com os do lorde. Ela suspirou, apreciando o simples ato de olhar para ele.

Ver Kira ao lado dele, por outro lado, não lhe agradava tanto.

Ela se aproximou deles, observando discretamente o vestido da menina e se perguntando se ela estava mais bonita. Chegou à conclusão de que, talvez sim. Afinal, os cabelos da rainha estavam soltos, sem nenhum cuidado especial, e ainda tinha os olhos que obviamente, os de Danielle eram muito mais atraentes que os da rainha.

- Gal. – Ela se curvou, com um sorriso formal, observando a rainha com um olhar que denunciava ciúmes, mas também uma leve curiosidade. – Seu vestido é encantador.

Kira, que ainda estava imersa nas lembranças recentes, desviou o olhar, evitando o confronto direto de seus olhos. O sorriso de Danielle parecia tão distante de sua realidade agora, com sua mente marcada pelo beijo com o noivo daquela mulher. Ela respirou fundo, tentando se manter centrada.

- Posso dizer o mesmo do seu. – Kira respondeu, seu sorriso um pouco forçado, sentindo a tensão se arrastar entre elas como uma linha invisível.

Danielle a estudou por um instante, os olhos fixos na rainha, mas sem realmente enxergá-la, como se estivesse calculando algo em sua mente. O silêncio pairava entre elas, até que Agamenon, sentindo a intensidade do momento, interrompeu a breve troca de palavras.

- Kira, por favor, espere aqui. – Ele disse, sua voz grave, quase impessoal, enquanto seus olhos faziam uma varredura rápida pela sala, certificando-se de que ainda estavam sob a observação de outros nobres.

Kira se sentiu ligeiramente aliviada ao ver Agamenon tomar a dianteira, guiando Danielle para uma sala próxima. Ele olhou por cima do ombro para Kira, dando-lhe um leve aceno para que aguardasse. Kira permaneceu ali, com o coração acelerado, seus pensamentos fragmentados entre o desconforto da situação e a saudade de momentos mais simples. A presença de Danielle, tão próxima, agora parecia mais uma ameaça do que uma mera formalidade.

Ela se recostou contra a parede, seus dedos tocando o tecido do vestido, tentando encontrar alguma calma enquanto esperava, sentindo a atmosfera ao seu redor se tornar mais densa, mais carregada de expectativas que ela não sabia se queria atender.

Assim que Agamenon se afastou, uma presença emergiu das sombras. Um homem de terno preto deslizou silenciosamente para perto de Kira, sua aproximação tão sutil que o mundo ao redor pareceu prender a respiração. Por um instante, um arrepio subiu pela espinha dela, instintivo, como um aviso para se afastar. Mas, ao virar levemente o rosto, seu olhar encontrou o dele—e, por um momento, tudo mais se apagou.

Os cabelos loiros caíam sobre os ombros de forma desordenada, rebeldes como o próprio dono, e os olhos verdes a fitavam com uma intensidade perturbadora. Um olhar que parecia arrancar dela cada segredo, cada hesitação. Ela o conhecia. Tinha visto aquele rosto incontáveis vezes, pincelado sobre suas telas, como se sua memória se recusasse a deixá-lo desaparecer.

O pedido de Agamenon ecoou em sua mente: se ele aparecer, corra para mim. Mas não havia para onde correr. Não ali, cercada por tantas pessoas. Além disso, ela sabia que o príncipe não ousaria fazer nada—não naquele momento.

— Ele me avisou que viria. — Kira rompeu o silêncio, mantendo a voz firme, mesmo quando o coração martelava em seu peito. — Só não esperava que fosse tão rápido. Agamenon mal saiu daqui.

— Por favor, não falemos sobre ele. — A expressão do príncipe se fechou, como se o próprio nome fosse algo que ele se recusasse a tolerar. — Só vim ver como está, sabe... me preocupo.

Ele sorriu, e aquele sorriso era um veneno doce, feito para confundir, para fazer Kira duvidar do que sabia.

— Sei como é difícil atravessar os mundos. Ficou enjoada?

— Não. — Sua resposta saiu vazia, mas seus olhos não deixaram de segui-lo. Ele movia-se como uma promessa, um encantamento vivo. Os fios loiros caíam sobre o rosto, e ele os afastava com um gesto descuidado, natural, mas carregado de uma sedução inconsciente.

— Gosta do meu cabelo? — A pergunta veio com um riso baixo, sabendo exatamente o efeito que causava. — Sei que gosta. Não precisa ficar acanhada.

Antes que ela pudesse responder, ele tomou sua mão e a guiou até os próprios fios.

— Sinta.

— Eu não deveria... — Kira tentou protestar, mas ele apenas deu de ombros, como se sua relutância não tivesse importância. E então, como se o destino fosse inevitável, seus dedos deslizaram pelos fios macios.

Foi o suficiente.

Com um movimento ágil, ele a puxou para perto, e Kira se viu presa em seu abraço, seus corpos separados apenas pelo peso das emoções não ditas. O perfume dele a envolveu, familiar e, ao mesmo tempo, perigoso. Havia algo ali que a fazia vacilar, como se caminhasse na borda de um precipício. Suas lembranças se misturaram, e por um instante, Agamenon cruzou sua mente.

— Senti tanta falta de ti... — A voz dele era um sussurro contra sua pele, como uma prece, um feitiço que a prendia naquele instante. Então, ele parou. Sua expressão se transformou. Algo em seu toque mudou.

Ele a afastou levemente, como se tivesse sido atingido por algo invisível. O olhar se obscureceu, carregado de uma emoção diferente, um misto de ciúmes e raiva.

— Por que tem deixado ele te tocar?

— Do que está falando? - Kira piscou, confusa.

Ele segurou seus ombros, e naquele momento, tudo ao redor pareceu se dissipar. Só existia ele e aqueles olhos verdes flamejantes, carregados de possessividade. 

— Anda deixando aquele miserável chegar perto de ti. Está apaixonada por ele?

A tensão se instalou entre os dois, tão densa quanto o ar antes de uma tempestade. Kira se afastou, o corpo despertando para um instinto primordial de defesa.

— Isso não é da sua conta. — Sua voz saiu firme, seus braços se cruzaram em desafio. — Nem ao menos deveria estar aqui falando contigo.

Ele riu. Uma risada baixa, quase indulgente, mas sombria.

— Mas não pode evitar...

E ela sabia que ele estava certo. Sua presença era um labirinto do qual Kira tentava escapar, mas suas palavras puxavam-na de volta.

— Sempre foi mais forte que nós dois. Você sempre me pertenceu. - A mão dele subiu até seu rosto, um toque leve, carregado de cuidado. - Eu sou seu. De corpo e alma. — A voz deslizava por sua pele, provocando, desafiando. — O lorde nunca poderia te dar isso. Ele nunca te colocaria no centro de tudo. Mas eu... eu faria um altar para ti. Daria o mundo se quisesses.

O universo ao redor parecia ruir, mas Kira manteve os pés firmes no chão.

— Isso não parece certo...

- Kira? - A voz do lorde soou atrás dela, fazendo-a se virar como uma criança que fez arte. - Com quem estava falando? - Agamenon perguntou olhando por cima do ombro dela, sem ver ninguém.

Agamenon fechou a porta suavemente atrás de si, seus passos ecoando levemente no ambiente silencioso. Danielle o esperava ao lado de uma mesa, os olhos brilhando com uma mistura de expectativa e apreensão. Ele podia ver a tensão em seu rosto, como se já soubesse o que estava prestes a ouvir. Seus olhos marejados refletiam um turbilhão de sentimentos que, de alguma forma, fizeram Agamenon se sentir ainda mais culpado. Ele sempre soubera o quanto ela se entregava a ele, mas jamais imaginou que, depois de tantos anos juntos, a simples fraqueza de um beijo fosse capaz de desfazer todo o vínculo, de abalar algo que, até então, parecia inquebrável. O beijo que ainda o assombrava, que ainda parecia gravado em sua mente, estava agora entre eles como uma parede impossível de transpor.

Ele a abraçou, sentindo o calor de seu corpo contra o seu, mas sem a força ou a certeza que costumava ter em seus gestos. Não podia dizer o que realmente sentia, não podia simplesmente despejar sobre ela a verdade de que, apesar de sua afeição genuína, o amor profundo que ela procurava nunca tinha surgido entre eles. Ela sempre foi alguém importante, alguém que ele respeitava e se importava, mas nunca foi mais do que isso. Ele sabia que não podia mais continuar com a farsa, mas também não tinha coragem de cortar todos os laços que ainda os uniam. Naquele momento, ele desejava mais do que tudo poder voltar atrás, poder sentir algo mais por ela, mas sabia que seria impossível.

- Eu sinto muito. – Ele sussurrou, a voz baixa, cheia de arrependimento. Seus dedos passaram pelo cabelo dela, enquanto as lágrimas molhavam sua roupa. – Você merece alguém melhor, alguém que te faça feliz de verdade.

Ela levantou a cabeça, os olhos vermelhos de tanto chorar, mas sem conseguir se afastar dele. 

- Eu não quero mais ninguém. – Ela disse, a voz embargada, mas firme. – Eu te amo, Agamenon.

- Eu sei. – Ele respondeu com uma tristeza quase imperceptível, mas cheia de peso. – Mas isso não é o suficiente, não mais.

O silêncio entre eles ficou denso, como uma parede que se erguia lentamente. Ele a segurava, mas parecia que estava se afastando a cada segundo. Ele continuava ali, os dedos deslizavam pela nuca dela, como se ainda tentasse reconectar, mas sabia que era em vão. Quando ele finalmente se afastou, o frio a invadiu com força, a sensação de vazio tomou conta de seu corpo.

Agamenon olhou para ela uma última vez, como se se despedisse, antes de virar as costas. Danielle ficou ali, imóvel, observando-o partir, sabendo exatamente para onde ele estava indo. A raiva começou a inflar em seu peito como uma chama que se alimentava de cada pensamento. Ela desejou, com todas as forças, que Kira desaparecesse, que algo a afastasse dele para sempre.

Mesmo que ele a amasse, Danielle sabia que o amor dele não bastava para mudar o que estava em jogo. Ele nunca aceitaria viver em uma dimensão tão primitiva quanto a que ela havia vindo. As raízes do lorde estavam muito mais profundas, e isso sempre ficaria acima de qualquer paixão. Ela olhou para a porta, onde ele acabara de sair, e soube que, enquanto Kira fosse uma ameaça, ele nunca se entregaria de fato. Mas isso não a abalava. Assim que a rainha estivesse fora do caminho, ela poderia finalmente reconquistá-lo. E ela sabia que, com o tempo, a paciência a levaria de volta aos braços dele. Ela sabia esperar.

Kira só havia mentido uma vez, e foi por Agamenon. Agora, mais uma vez, sentia a tentação de mentir — desta vez, por Aldrin. Queria esconder o que acontecera com o príncipe, temendo que o lorde ficasse furioso, mas sua língua não lhe obedecia. Ela sentia uma necessidade de contar a verdade, de não apenas relatar o que acontecera, mas também explicar cada palavra dita, cada toque que o príncipe lhe deu, e, principalmente, o que sentiu naquele momento.

- Sabe quem. - Ela respondeu com os olhos fixos nos orbes que se contornavam em vermelho, o fogo invadindo e secando a água azul das pupilas, o rosto do lorde se avermelhando.

Ele não disse uma palavra, apenas a olhou de corpo inteiro, certificando-se de que estava intacta, procurando sinais de que algo nela tivesse mudado, buscando a certeza de que ainda era pura e boa. Enquanto o lorde a secava, Danielle se aproximava, seus olhos inchados, mas o sorriso disfarçava bem sua dor. Ela percebeu a fúria do lorde assim que chegou perto, e se manteve em silêncio, esperando descobrir o que havia acontecido e como poderia usar aquilo a seu favor.

- E o que mais? - A voz do lorde era grossa e ofensiva, parecia outro homem.

- Ele disse que me ama. - Kira abaixou a cabeça se lembrando da declaração.

- Espero que não tenha acreditado nas mentiras dele.

- Não acredito nas suas. - Ela o encarou, o nariz empinado fitando os orbes sangrentos. - Ele não parecia estar mentindo.

- Deixe-me ver se entendi, Aldrin esteve aqui? - Danielle perguntou, tendo a confirmação de Agamenon. - Céus! - Exclamou olhando para todos os lados, sentindo seu corpo tremer, o medo subindo por suas pernas e invadindo seu coração, ela se aproximou do lorde e o abraçou, buscando apoio.

- Fique perto. - Sussurrou no ouvido de Danielle e permaneceu olhando para Kira que virava o rosto, Aldrin não pareceu cruel como todos diziam ser.

- Ele não veio atrás da sua noiva. - Kira tentou tranquiliza-los. - Creio que ela está muito mais segura.

- Eu não tenho sua convicção. - O lorde comentou revirando os olhos, e afastando Danielle de si, não a deixando longe, apenas o suficiente para não estarem mais abraçados. - Apenas ter um vínculo comigo já é o suficiente para que ele possa fazer algo.

- Então eu deveria me afastar. - Kira tinha o olhar erguido, cada vez mais se parecendo com uma rainha. - Ou talvez, o mundo dele não gire ao seu redor. - Ela deu as costas aos dois, Agamenon a puxou de volta com o olhar sério, mas ela o ignorou, puxou seu braço para si, o encarou por alguns segundos e voltou a se virar, andando para o salão de baile, sem que o mesmo a impedisse novamente.

Agamenon xingou mentalmente. Como uma visita de minutos de Aldrin tinha conseguido transformar a rainha daquela maneira? Seus punhos se fecharam. Ele não podia permitir que ela e Aldrin ficassem juntos novamente, se perdessem a rainha de Kvinner como aliada, perderiam tudo.

- Não deveria permanecer ao lado dela? - A voz de Ayla soou atrás do lorde, Danielle se virou para vê-la também.

- Ayla. - Danielle disse descontente, detestava aquela mulher, talvez mais do que começava detestar a rainha, a história de ódio entre as duas era antiga, tanto quanto as guerras. - Ela obviamente não deseja tê-lo por perto. 

 Comunicou, escondendo entre as palavras uma raiva contida em seu peito, profunda e voraz que sempre que olhava os olhos daquela mulher, rugia em sua mente, querendo atacá-la como um animal, uma fera que se escondia entre o violeta dos olhos de Danielle, disfarçada e encoberta pelas camadas de roupa, por baixo do chemise, entre a epiderme.

- Isso é você falando ou seu ego ferido pela derrota? - Ayla sorriu debochada.

Agamenon passou a mão no rosto, seus olhos não conseguiam voltar a tonalidade habitual, estava tenso, olhava em volta esperando ver Aldrin escondido pelos cantos, observando-o de longe ou mesmo indo atrás da rainha, enquanto ela se afastava com passos rápidos, chegando à porta do outro lado, atravessando-a e sumindo de vista. Nesse momento o príncipe já poderia tê-la levado e Agamenon estaria ali, feito um bobo sem saber como agir.

- Nem tem motivos para gostar dela. - Danielle devolveu para a feiticeira. - Só está sendo legal para me provocar. - Estar na presença de Ayla, tornava Danielle outra pessoa, alguém que não se importaria em ser cruel ou se estaria agindo de acordo com os códigos de conduta, tudo que ela pensava era em estar por cima, em vencer aquela disputa de palavras, em mostrar para a adversária que, uma das duas era a melhor e que certamente só poderia se tratar dela mesma.

- Qualquer pessoa que seja sua inimiga, é minha amiga. - Ayla lançou um olhar para as escadas, vendo Zaki descer acompanhado de alguns nobres guerreiros. - Agamenon. - Ela chamou interrompendo uma frase que Danielle estava prestes a dizer. - Pare de tentar ser racional. - Ele tirou os olhos da passagem de onde Kira tinha entrado e olhou para feiticeira. - O que o seu coração está dizendo? - Zaki os viu e estava vindo na direção dos três.

- Ele não é confiável. - Foi a resposta que o lorde deu e logo depois o tio chegou até eles. - Está tudo certo? - Perguntou ignorando todos os sentimentos que tinha surgido em seu peito, fazendo-os regressar.

- As tropas estão retidas. - Zaki balançou a cabeça, depois cumprimentou Danielle beijando sua mão. - Está encantadora. - Lhe disse com um sorriso, depois se virou para o lorde. - Onde ela está?

- No baile. - Foi Ayla que respondeu, olhando torto para Danielle.

- Melhor ficar perto dela, estive com o comandante, Aldrin o visitou. - Agamenon não respondeu, ao invés disso começou a andar para as escadas, ignorando o pedido do tio que apenas suspirou.

Zaki detestava as vezes que Agamenon era evasivo e reservado, ele nunca conseguia prever o que o sobrinho faria em seguida e isso sempre passou a impressão de ser impotente.

Antes da primeira guerra, ele teve um vislumbre. Era só uma conversa casual com o lorde, mas, naquele momento, algo pareceu diferente – algo estava acontecendo. Zaki quis ajudar, tentou encontrar uma forma de apoiar o parente. Mas, com o tempo, perdeu a chance de entender o que realmente se passava.

Ele jurava para si mesmo que tentou, que fez as perguntas certas, que agiu da maneira coerente, mas no fundo, bem onde existe um cofre, em um lugar de difícil acesso onde são guardados tanto nossas certezas e convicções quanto nossos fracassos, estava o peso de uma verdade incômoda: ele poderia ter feito mais. Poderia ter insistido, poderia ter mudado o rumo de tudo.

 Se uma palavra fosse mudada, apenas uma palavra, tudo já teria sido diferente, ele só precisava dizer "dádiva"... e não "maldição". Quando pensava nisso, quando se perguntava os motivos do sobrinho agir daquela forma, aquele dia sempre volta em sua cabeça, o único momento que viu o lorde vulnerável perante si. O único momento em que o sobrinho lhe foi sincero... o momento em que Zaki falhou com ele.

 "Algo tem afetado minha magia. - Foi o que Agamenon disse, arrancando uma flor amarela do solo, despedaçando-a em seus dedos. - E não sei como resolver." 

 "Não deve ser tão difícil." - Zaki admirava o céu, sem perceber as formas nos olhos de Agamenon, se tivesse olhado talvez teria dito a coisa certa. - "Só precisa acabar com o que está te afetando, sabe o nosso lema, reduza a cinzas..." 

 "O que tenta te destruir." - Agamenon completou. - "Mesmo um amor?" 

Se Zaki tivesse olhado para ele por apenas alguns segundos – se tivesse tirado os olhos do céu e os posto no rosto de Agamenon, se tivesse visto a lágrima furtiva que caía pelo canto do olho do lorde – talvez tivesse entendido. Talvez soubesse que aquela não era uma pergunta qualquer, que ele precisava mesmo da resposta. Então, não teria dito o que disse.

 "Mesmo o amor amaldiçoa o homem."

— Zaki? — Ayla chamou. Num instante, ele voltou ao presente; seu sobrinho já havia sumido pelas escadas. Guardou mais uma vez aquela falha no fundo do cofre de suas memórias, e voltou-se para as duas damas ao seu lado.

 - Vamos. - Ele tomou o braço da feiticeira e de Danielle, seguindo com as duas rivais para a passagem do salão de baile.

O salão abrigava inúmeras pessoas, vestidas com as roupas mais extravagantes, conversando sobre as mais fúteis coisas, cada um se esforçando para ignorar a guerra aos seus pés, o sangue que teriam em suas mãos quando o confronto chegasse até onde estavam. As luzes espalhadas pelo salão tentavam criar uma atmosfera suave, contudo a tensão se estendia pelos dedos que seguravam taças, pelos sorrisos amarelos e até mesmo entre os pés que dançavam no meio do salão. Tentavam se divertir, afastando os pensamentos negativos para o fundo da gaveta, entupindo-as de comida, afogando a pressão com glacê e vinho, tudo para que aquela noite os distraísse de seus próprios terrores. 

 Talvez seja o último momento de tranquilidade que teriam antes do fim da guerra.

 Kira navegava pelos cantos, buscando não se enturmar ou ser tirada para dançar, sentia os olhos de águia de Zaki sob ela o tempo todo, analisando seus passos, não a deixando fugir de sua vista e nem permitindo que aproveitasse aquela noite, que curtisse seu primeiro e talvez único baile naquelas terras. Ela se arrependia de ter dispensado o lorde; talvez, ao lado dele, a diversão fosse maior e não precisaria se preocupar em cometer qualquer deslize. Se estivesse ao lado dele, Zaki não estaria em sua cola, observando onde ela pisava ou para quem sorria.

 Ela desejou que o lorde aparecesse. 

 Olhava constantemente para porta, tentando imaginar os cabelos negros surgindo por ali, com os olhos azuis penetrantes vindo até ela, com um sorriso malicioso no rosto. Imaginou ele a guiando até o centro do salão, puxando-a para uma valsa, dando-lhe a oportunidade de mostrar o quão boa era como dançarina, rodopiando pelo salão com seu vestido escuro. Se vistos de cima poderiam ser duas bolas de cores, duas flores, quem sabe duas luas, uma sendo constantemente puxada pela outra. 

 Ela quis pintar isso. Percorrer os pincéis nas tintas especiais, recriar os contornos dos lábios do lorde, tentar e falhar na hora de pintar o declive do azul de seus olhos, mexer as cores dentro da tela para se inserir ao lado dele, criando uma contradição, de um lado o forte desejo e do outro o acalento de uma decepção. Ele não a amava, e como poderia? Mal se conheciam... Então como ela mesma se sentia tão entorpecida por ele?

Talvez Aldrin estivesse certo, o lorde não poderia dar a ela o que ela precisava.

Devoção. 

E talvez apenas Aldrin pudesse oferecer isso. Eles tinham uma história juntos, um amor, ainda que perdido nas sombras da memória. Havia sido mais do que qualquer coisa que ela e o lorde compartilhavam agora.

Ela quis acreditar que o príncipe tinha razão: que o verdadeiro amor só existia quando ambos se entregavam um ao outro, tomando posse um do outro, preenchendo-se em um amor que era, ao mesmo tempo, loucura e alívio.

 Quando o lorde surgiu no salão, Kira percebeu a sua presença antes de realmente enxergá-lo, uma tensão no ar que fazia o ambiente ao redor parecer menos importante. A distância entre eles fazia com que seus olhos ainda não se encontrassem, mas o modo como ele avançava em direção a ela era inconfundível. Ele ignorou completamente os nobres que o cumprimentavam, como se sua presença fosse um fardo, como se nada mais importasse naquele momento. Quando passou pelo tio, nem o olhou, como se aquele homem não fosse mais nada para ele. Sua mandíbula estava rígida, o queixo tenso de raiva, e seus punhos fechados de tal forma que seus dedos brancos denunciam o controle que ele tentava exercer sobre si mesmo. A fúria transparecia em cada passo que ele dava, e ele não desviou o olhar de Kira, como se ela fosse a única pessoa naquele salão, como se todo o resto tivesse desaparecido. Ela sentiu o peso de seu olhar, um peso que a fazia tremer, mas ao mesmo tempo a prendia, inevitavelmente.

Kira queria aproveitar o tempo que tinha, pois sabia que, mais cedo ou mais tarde, teria que partir.

Foi nesse instante que percebeu que não poderia se perder nas promessas do príncipe, nem se deixar moldar pelos desejos de outra pessoa. Seus sentimentos precisavam ser genuínos, equilibrados—nem uma entrega absoluta, nem uma reserva fria. E foi por isso que, ao ver o lorde à sua frente, a expressão marcada por irritação, ela apenas sorriu. No fundo, estava grata por ele ter voltado.

Acreditava que seu tempo naquele mundo era breve, e ela viveria cada instante como se fosse o último. Um dia, ao olhar para trás, lembraria daquela jornada sem arrependimentos—não como um fardo, mas como uma história que valia a pena ser vivida.

No entanto, enganava-se ao pensar que seu laço com aquele mundo já havia se perdido.

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