Capítulo 1
Zayn
Entro em meu escritório jogando o paletó em cima do sofá de couro escuro e me apresso a sentar em minha poltrona confortável, assim que o faço me permito afrouxar a gravata cinza que vinha incomodando a pele do meu pescoço desde a reunião com os empresários estadunidenses. Pego um maço de cigarro e o isqueiro na gaveta da escrivaninha, o acendo e levo até meus lábios o sugando calmamente, solto sua fumaça devagar e suspiro longamente de alívio ao deitar minha cabeça no estofado macio da poltrona, fecho meus olhos fazendo com que as memórias do passado voltem, e céus elas sempre voltam.
...
─ Angel volta aqui! ─ pedi rindo enquanto corria atrás dela pelo grande parque.
Era um belo dia de verão e estávamos aproveitando da melhor forma possível, fazendo um piquinique e curtindo um ao outro o máximo possível. Quando consegui alcança-la a puxei pelo braço, o que nos fez cair na grama por estarmos correndo.
Me lembro de apreciar o som da sua risada totalmente contagiante e quando ela parou de rir, fiquei por cima dela apoiando meu peso sobre a grama para não machuca-la, tirei alguns fios do seu cabelo castanho espalhado pelo seu belo rosto e os coloquei atrás de sua orelha. Ainda podia sentir o cheiro do seu perfume doce de frutas vermelhas, o cheiro do seu xampu de rosas e até mesmo o cheiro de morango do seu batom.
─ Eu te amo! ─ eu disse tão genuinamente e olhando diretamente em seus grandes olhos castanhos, que brilhavam refletindo nos meus.
Observei um belo sorriso surgir em seus lábios rosados enquanto ela não deixava de me olhar nos olhos, o que me fez sorrir.
─ Eu também te amo Zayn! ─ respondeu sorrindo enquanto levava sua mão fria ao meu rosto para acariciar minha bochecha com seu polegar e o gesto de carrinho me fez fechar os olhos.
Houve um tempo em que eu pensei que nunca conseguiria amar alguém, mas eu estava errado e a Angel tinha o meu coração por completo.
O mesmo sorriso lindo ainda permanecia em seus lábios e meu olhar pairou sobre eles. Senti nossas respirações se misturarem, virando praticamente uma só, assim que passei meus lábios sobre os seus vagarosamente a observei fechar os olhos para logo em seguida juntar meu lábios ao seus por completo em um beijo caloroso, suas mãos acariciavam minha nuca enquanto uma de minhas mãos fazia um trajeto de sua cintura a sua coxa, apertando a mesma com certa força. Nossas línguas se movimentam devagar, deslizando uma sobre a outra da mesma sincronia, terminei o beijo puxando seu lábio inferior a fazendo sorrir logo em seguida.
─ Promete ser minha para sempre? ─ perguntei ofegante encostando minha testa a sua.
─ Não rir do que eu vou dizer? É meio brega ─ ela mordeu a ponta do seu lábio inferior com certa vergonha.
─ Claro que é uma coisa para o futuro, mas um dia eu quero ter filhos com você ─ o rubor cresceu em suas bochechas a fazendo rir de si mesma.
─ Eu estaria honrado em conceber filhos com você ─ o jeito que eu falei a fez rir e seus lindos olhos não paravam de brilhar, sua mão puxou o tecido fino da minha blusa juntando nossos lábios novamente.
...
É tão engraçado como as coisas mudam e as palavras são levadas pelo vento e pelo tempo, como se nunca tivessem realmente significado algo. Só precisou de dois meses para ela me deixar depois de ter feito essa promessa, nem sequer me disse o motivo de ter ido embora. Depois de todas as coisas que passamos juntos, ela simplesmente se foi para bem longe de mim, como se eu não tivesse significado nada para ela e talvez eu realmente não tenha. Meu orgulho sempre me impediu de ir atrás dela e a questionar, mas eu realmente espero que ela tenha sofrido como eu sofri.
As duas batidas na porta ecoam pelo escritório me dispersando dos meus pensamentos e suspiro antes de jogar o resto do cigarro no lixo.
─ Pode entrar! ─ mando alto o suficiente para que possam me ouvir do outro lado da porta.
Vejo o senhor Jaques entrar no escritório com uma pasta amarela em mãos.
─ Desculpe interromper senhor Malik, mas eu vim lhe entrar o relatório que o senhor pediu, ficou pronto hoje de manhã e como você estava em reunião só tive tempo de o entregar agora ─ explica ao deixar a pasta amarelo em cima da minha mesa.
─ Obrigado Jaques ─ agradeço e ele concorda sem dizer nada antes de sair do escritório fechando novamente a porta.
Respiro fundo, não tenho realmente certeza se deveria me envolver na vida dela, o correto seria tentar esquecer a Angel como fiz durante todos esses anos, mas isso o que eu ainda sinto dentro de mim é bem mais forte do que qualquer pensamento momentâneo que eu possa ter por agora.
Abro a pasta e tiro a pequena pesquisa de dentro dela.
─ Vamos ver o que aconteceu com você nesses quatro anos Angel ─ digo para mim mesmo enquanto observo a foto dela que quase chega a cobrir toda a primeira página.
Angel Orly Dorevon
Angel está morando em Nova York, onde é dona de um estúdio de fotografia. Casada há quatro anos com o advogado Walter que juntos tiveram uma filha chamada Missy.
• Nascimento: 23 de maio de 1989
• Cônjuge: Walter Dorevon
• Filha: Missy Orly
Vejo as várias fotos dela com a garota e seu marido, sua família. A família que ela iria ter comigo, acho que nada nunca doeu tanto ou me machucou como ler isso e saber que ela tem tudo: felicidade, uma filha, família, enquanto eu não tenho nenhuma dessas coisas doía muito.
Eu deveria tentar ser pelo menos feliz e focar na minha vida, mas eu não consigo superá-la, não consigo nem ao menos transar com alguém sem pensar no seu maldito rosto, no seu toque e nas expressões no seu rosto quando eu a dava um orgasmo. Queria que ela ficasse sem chão assim como fez comigo, sem pensar duas vezes ou me dar o direito de saber pelo menos por que estava sendo deixado.
─ Como ela conseguiu ser feliz sem mim? ─ pergunto a mim mesmo, sentindo meu coração bater acelerado e o sangue fervendo em minhas veias.
Vou para frente do espelho e observo meu reflexo através dele, me tornei uma pessoa vazia e sozinha, não tenho a droga de uma família, não tenho a pessoa que eu mais amei no mundo, só tenho todo esse dinheiro que só pode me oferecer prazer por uma noite e depois eu continuo me sentindo um nada.
Estava com inveja da Angel, estava com inveja dela ter conseguido ser feliz sem mim e céus como isso doía.
─ Que inferno! ─ espraguejo jogando o abajur no chão e levo as mãos aos cabelos os puxando com força.
Eu não quero ficar calmo, quero que ela me pague por tudo que fez comigo e é exatamente isso que eu vou fazer, eu quero fazer a Angel se sentir do mesmo jeito que me faz sentir todas as noites.
[...]
As gotas frias escorrem pelo meu abdômen enquanto termino de fechar o zíper da minha calça, assim que termino de me arrumar abro meu armário e pego minha mala, colocando varias peças de roupas e tudo o que irei precisar levar para Nova York. Pego o notebook e me sento na cama com o mesmo, abro em um site de viagens e compro uma passagem de primeira classe para daqui quatro horas rumo a Nova York.
─ Pode entrar! ─ mando quando as batidas na porta alcançam meus ouvidos.
─ Precisamos ir daqui a alguns minutos, para o senhor não se atrasar. ─ Jaques avisa e concordo antes de guardar meu notebook na mala.
─ Ok, já terminei tudo o que tinha para fazer ─ respondo vestindo minha jaqueta de couro.
Jaques liga o alarme da casa antes de irmos para o carro, e olho pela última vez minha casa antes de entrar no carro e fechar por completo o vidro.
[...]
Depois de horas intermináveis o avião finalmente pousa em Nova York, estou me sentindo exausto! Foram horas de viagem.
Acho que não estava fazendo tudo isso só para atormentar a Angel, não queria admitir, mas estava empolgar em poder olhar para ela novamente, poderei continuar trabalhando daqui e sair daquela cidade seria algo bom.
─ Eu cheguei ─ Falo para mim mesmo assim que já estou fora do aeroporto e levo a ponta do cigarro a boca o sugando para logo jogar sua fumaça ao vento.
Angel
─ Vem brincar mamãe ─ me chama enquanto puxa a barra do meu vestido florido.
Acabo não resistindo e vou atrás do pequeno anjo de cabelos castanhos até ao jardim.
─ Só um pouco princesa, você tem que tomar banho, sua porquinha! ─ brinco fazendo cócegas nela que rir me fazendo rir junto, assim que paro com as cócegas me sento sobre a grama e ela me abraça me dando vários beijos na bochecha.
─ Cadê a Babie? ─ dou uma risada com sua tentativa de falar Barbie.
─ Deixa eu ver se está por aqui ─ a coloco sentada na grama e procuro por sua Barbie entre os brinquedos, mas não a encontro.
─ Não está aqui Missy ─ assim que digo a ela uma expressão triste toma conta do seu rosto angelical.
─ Pega para mim mamãe? ─ pede meiga, fazendo sua cara fofa e que sabe muito bem que eu nunca resisto.
─ Não sai daqui que eu vou lá dentro procurar ─ aviso a vendo sorrir balançando a cabeça positivamente
Entro dentro de casa e reviro a sala e acabo por encontrar a boneca debaixo do sofá, volto para o jardim e deixo a boneca no chão quando não vejo a Missy em lugar nenhum.
─ Missy? ─ Chamo seu nome e não recebo nenhuma resposta, vejo que o portão agora está aberto e me desespero.
Corro em direção a ele e passo pelo mesmo, olho em volta e não a vejo em lugar algum. Meu deus onde ela se meteu? Eu só fui lá dentro e voltei, não deveria ter deixado ela sozinha.
Vejo que a porta da casa ao lado estavs aberta e vou até lá, mas quase não acredito no que vejo.
Zayn
Jogo o resto de cigarro na rua assim que vejo a pequena garota entrando na minha casa e vou até a ela. Era a filha da Angel, sim eu estava morando em frente sua casa, mas não sabia que as coisas seriam tão fáceis assim. A garotinha me olhava com seus grandes olhos castanhos, é extremamente parecida com a Angel o nariz delicado, as sobrancelhas grossas e os lindos cabelos castanhos.
─ O que você está fazendo aqui? Cadê sua mãe? ─ chamo sua atenção e agacho para ficar da sua altura.
─ Estou escondendo da minha mamãe ─ faz sinal para que eu fique em silêncio .
─ Ela não vai gostar de saber que você está entrando na casa de estranho ─ sorrio a pegando no colo e a deixando sentada no sofá.
─ Qual seu nome? ─ pergunto me sentando ao seu lado.
─ Missy ─ responde sorrindo.
─ Missy! ─ a voz desesperada da Angel preenche a minha sala o que faz a menina sair correndo para Angel que a pega no colo a apertando firme contra seus braços, percebo que seus olhos estavam vermelhos e logo seu olhar confuso e assustado paira sobre mim.
Chego mais perto dela e observo como ela ficou ainda mais bonita, se tornou uma mulher elegante deixou de ser minha garota que usava blusas com estampas de ursinhos.
─ O que você está fazendo aqui Zayn? ─ pergunta confusa acariciando os cabelos da pequena criança.
─ Vim trabalhar em Nova York ─ respondo sério.
─ E minha filha como ela veio parar aqui? ─ pergunta parecendo nervosa.
─ Não sabia que era sua filha, ela entrou correndo para dentro da minha casa ─ tento explicar, mas ela me interrompe.
─ Nem sei o que eu faria se a perdesse. Obrigado, mas eu tenho que ir agora ─ agradece já se virando de costas, mas antes dela sair vou até a mesma.
─ Nós podemos ser amigos não é? ─ pergunto a fazendo se virar para mim sem entender.
─ Tudo bem Zayn, eu realmente tenho que ir agora ─ sorrir fraco antes de ir.
Angel parecia desconfortável, será que a sua consciência estava pesada?
Angel
Céus minha cabeça parecia que iria explodir, caramba passou longos quatro anos desde que vi o Zayn pela última vez e agora ele está aqui morando em frente a minha casa, está tão diferente, como se tivesse virado outra pessoa. Abano minha cabeça tentando parar de pensar nele.
─ Você não pode sair assim meu amor, Missy você não faz ideia de como me deixou preocupada ─ dou uma bronca enquanto tiro a sua roupa e a levo para debaixo do chuveiro.
─ Desculpa! ─ pede triste e sinto meu coração se apertar.
Como eu posso estar culpando uma criança de quatro anos? A culpa é minha por ter deixado ela sozinha.
─ Eu te amo tanto Missy! ─ digo acariciando seu rosto e recebo seu abraço me deixando completamente molhada.
Acabo tomando banho também e depois nos vestimos e a coloco para dormir.
─ Minha princesa! ─ sussurro acariciando o rosto da pequena garotinha que já dormia e beijo sua testa antes de voltar para o meu quarto.
Pego o pente e começo a pentear meus cabelos e minutos depois sinto os braços do Walter se envolverem em minha cintura.
─ Oi ─ sussurra beijando meu pescoço e me viro para ele que me beija docemente.
─ Oi amor! ─ sorrio enquanto começo a tirar sua gravata azul.
─ Como foi seu dia? ─ pergunta abraçando minha cintura.
─ Foi um pouco agitado, você acredita que a Missy foi parar na casa de um vizinho? Ainda bem que eu o conhecia. ─ conto enquanto termino de tirar sua gravata.
─ Ela está bem não é?─ pergunta preocupado .
─ Sim, está dormindo agora. ─ sorrio beijando sua bochecha.
─ Eu te amo sabia? ─ pergunta levando uma de suas mãos ao meu rosto.
─ Eu te amo mais ─ respondo sorrindo e ele me beija calmamente.
─ Vou tomar banho e já volto ─ sorrir malicioso e sorrio.
Walter deixa um tapa em minha bunda antes de ir para o banheiro e acabo me assustando com seu ato e dou uma risada. Vejo em cima do criado mudo um cartão vermelho e sorrio, achei que o Walter tinha parado de me dar esses cartões, pego o pedaço de papel e o abro para ler:
" Felicidade não dura para sempre "
Leio em voz alta a frase e observo que não à nenhuma assinatura. Aposto que foi o bobo do Harry querendo me assustar, jogo o cartão na lixeira do quarto e espero o Walter sair do banheiro e ele não demora muito. Walter sai do banheiro vestindo apenas uma cueca box preta e sorrir vindo até a mim, ele sobe na cama ficando por cima de mim e sorrio quando sinto suas mãos quentes entrarem por debaixo da minha camisola e a puxa para cima, tirando ela por completo do meu corpo, Walter sorrir observando meu corpo e leva seus lábios macios aos meus...
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