Capítulo 2
Hi :)
— Mas você está se saindo muito bem — ele insistiu enchendo o meu copo e o dele.
— É claro que você vai dizer isso, para você quanto mais pessoas eu matar, melhor — revirei os olhos.
— Sim, isso também — ele riu e tomou um gole da bebida — mas eu quis dizer com todo o resto também. Não é todo mundo que morre, volta do mundo dos mortos e descobre que é uma rainha do mundo sobrenatural. Você está se saindo melhor do que pensei que seria.
— Obrigada pela confiança — o provoquei e bebi um pouco do líquido do meu copo — Caramba, como isso pode ser tão bom? Ainda mais considerando que isso está acontecendo em uma espécie de sonho.
— Não é um simples sonho, é uma ligação mental que nós, os originais, temos. Estamos dividindo uma experiência extracorpórea em um plano alternativo. Tudo o que temos aqui é uma cópia exata do que conhecemos, então tudo aqui é real.
— Que seja — bufei, eu não ia conversar sobre metafisica naquela hora.
— Enfim, você gosta dessa bebida porque ela sempre foi a sua favorita, bem, pelo menos antes de você e seu lobo irem "descansar" — ele disse reabastecendo nossos copos — inclusive ela foi criada em sua homenagem.
— Sério? Eu sempre tive bom gosto — dei de ombros e bebi mais — o lado de bom de ser mais um sonho que eu posso beber o quanto quiser que não fico bêbada — eu o ignorei bufando — Tenho uma criança para cuidar.
— Eu me lembro de tudo o que você gosta, sabe aquela torta que te trouxe semana passada?
— Sim — fiz careta — sinceramente, aquilo era horrível, só terminei de comer porque você falou que sempre era servida nos banquetes antigos — meu estomago embrulhava só de pensar. Para começar o ingrediente principal da tal torta era sangue, então já deu para ter uma ideia de porque meu estomago se revoltava só de lembrar. E eu nem sei de qual tipo de animal era aquele sangue.
— Sim, mas eu nunca disse que era servida nos seus banquetes — ele me respondeu com aquele sorriso maldoso nos lábios.
— O que? Seu vampiro estúpido!
— Você sempre odiou aquilo, nunca suportou nem o cheiro — ele ri de mim. Isso Eve, confia no Conde Drácula, o que pode dar errado?
— Você é um imbecil — falei brava, o que só o fez rir ainda mais.
— Mas foi divertido te ver comer, quando sua expressão deixava claro o quanto você estava odiando.
— Eu não acredito, só tem dois seres que andam pela Terra que conhecem todo o meu passado e podem me ajudar a lembrar das coisas que eu gosto ou não, dos meus poderes, das minhas capacidades e me ajudar a lidar com tudo. Um desses seres é confiável, tranquilo e me ajudaria com prazer, sem zombar de mim. Mas ele sumiu, então estou presa a você.
— Assim você machuca meu coração — ele se fez de ofendido, colocando a mão sobre o peito.
— E você tem coração?
— Metaforicamente ou fisicamente? — ele perguntou bebendo e eu bufei.
— E faz diferença?
— Fisicamente tenho, ele só não funciona há alguns milênios. Metaforicamente, sim, eu tenho, amo Allegra.
— Você não tem filhos?
— Os pais dedicados aqui são você e seu lobo — ele deu de ombros bebendo o resto do líquido e colocando o copo na mesa.
O que eu sabia da história dos vampiros é que Vlad transformou sete guerreiros em vampiros, eles eram considerados seus filhos, mas um deles tinha morrido há muito tempo. Os seis que sobreviveram deram origem aos seis principais clãs dos vampiros e depois deles vieram as ramificações. Ou seja, qualquer vampiro existente tem a raiz da sua existência em Vlad.
— Viajou em seus pensamentos de novo — ele me provocou.
— Só estava me lembrando que todos os vampiros que têm pelo mundo só existem por sua causa, então de algum jeito, todos seriam seus descendentes. Sabia que muitos filmes dizem que se matarmos um vampiro, todos que ele transformou morrem também? Então se eu te matasse, acabaria com todos os vampiros no planeta.
— Por favor, eu já li cada barbaridade sobre a "mitologia vampírica" — ele respondeu com desprezo — Como que me matar iria influenciar na existência de outra criatura? Isso nem faz sentido.
— Bem, não faz sentido você existir, mas você está aqui na minha frente, não? — perguntei e ele sorriu maldoso — Existiam outros vampiros quando você foi criado, não é?
— Sim, depois que Samael viu que seu experimento deu certo comigo, criou mais alguns. Todos eram desprezíveis e descontrolados, impulsivos e chamavam a atenção demais. Matei todos — ele deu de ombros.
— Isso não me surpreende.
— Quando vencemos a guerra, eu disse para seu lobo fazer o mesmo e matar as outras espécies de lobos, mas não, ele ficou nessa de "vamos dar uma chance aos outros" — Vlad disse zombando — Convenhamos, teria evitado muita dor de cabeça.
— É muito estranho eu dizer que até faz sentido? — perguntei e ele deu seu sorriso de canto.
— E sobre todos da minha espécie serem meus descentes, pode se colocar nessa também, afinal todos os lobos marcados descendem de Theo e você. Vocês tiveram filhos, que tiveram filho e assim por diante, até termos essas longas linhagens.
— Ok, vamos mudar de assunto — esse era um dos limites das conversas que eu queria ter, o que o fez rir.
— Claro, quando chegam ao meu castelo? Estou ansioso para que participem da Caçada Negra, foi uma pena que não puderam vir nas férias de Ano Novo.
— Perdão se tiramos um tempo para ter uma vida normal — sorri debochada e ele riu de mim.
Quando chegou o Natal, fizemos questão de passar só nossa família, sem Alfa Supremo, sem vampiros intrometidos ou qualquer outra criatura. Minha ideia original era ser em casa mesmo, mas Ezra nos convocou para irmos para a dele.
Até os avós de Theo vieram e como Lua era a única criança pequena, tirando Kit, que também estava conosco, porque sua família tinha ficado próxima da nossa, minha filha foi mimada e a encheram de brinquedos. Foi algo tranquilo, só nós, comemos muito, relaxamos, comparado aos meus últimos meses, aquilo foi o paraíso. Eu só tinha que ficar de olho para nenhum Acker tentar roubar a minha filha, que era uma coisa que eles tentavam muito.
Nós ficamos na casa de Ezra até metade de janeiro e apesar de Wong ficar me ameaçando que eu tinha que ir à festa de virada de ano da casa dele, eu ri e não fui. Tinha que ter alguma vantagem eu ser a Marcada Original.
Enfim, quando voltamos eu precisei voltar ao trabalho e viajei com Theo para verificar os Centros de Treinamento. Dois já estavam funcionando e mais três seriam inaugurados em breve, minha ideia é que tivesse pelo menos um em cada continente, já que não sei se seria viável ter um na Antártida. E, também, qual seria o motivo? Existem lobos lá?
— Por que você não abandona a faculdade logo? Você sabe que não precisa disso — Vlad reclamou.
— Me deixa com meus objetivos de humana.
— Você nunca foi humana.
— Mas eu não sabia disso — revirei os olhos — quando eu era criança eu sonhava com minha formatura da graduação, então me deixa realizar isso antes de precisar assumir o trono dos lobos.
— Blablabla — ele revirou os olhos e eu tive que segurar o riso pensando no Conde Drácula de "Hotel Transilvânia" — o que foi?
— Nada — respondi rindo e ele cerrou os olhos para mim.
— Você não respondeu a minha pergunta.
— Eu tenho que visitar uma pessoa que me ajudou, queria ter ido vê-la antes, mas acabei ficando presa nos projetos. Depois disso vamos para o seu castelo mal-assombrado.
— Ele não é mal-assombrado, eu já te disse isso várias vezes.
— Clara, só é habitado pelo filhote do diabo — o provoquei, mas ele sorriu de canto maldoso.
— Isso me traz tantas lembranças — ele disse saudosista.
— E eu não quero saber de nenhuma delas — retruquei.
— Assim que você voltar da casa da bruxa, te cobrarei a visita.
— Como que... Theo! Vocês dois são duas velhas fofoqueiras — revirei os olhos.
— Temos milênios de assuntos para pôr em dia — ele deu de ombros, se divertindo com aquilo.
— Que seja, preciso acordar, tenho que levar Lua para a escolinha, depois treinar e ainda tenho um trabalho da faculdade para finalizar.
— Suas habilidades estão melhorando, até consegue saber quando nosso tempo está acabando.
— Na verdade, é esperança de não precisar ficar mais tempo olhando para a sua cara.
— Ah, Allegra e eu estamos chegando para sua festa de aniversário. Mal posso esperar — ele disse maldoso.
— Espera, o que?
Vlad começou a rir e foi a última imagem que tive dele, ante de piscar e acordar na minha cama.
— Ela podia pelo menos fingir que vai sentir minha falta, não é? — resmunguei quando a professora de creche levou Lua para a sala de aula. Minha filha nem olhava para trás.
Finalmente Theo foi convencido que Lua deveria frequentar uma escola. Para evitar problemas, como o fato dela ser bem mais desenvolvida que as outras crianças já que era uma criatura sobrenatural, como os pais, tivemos que colocá-la em uma escola que tivesse ligação com os lobos. Não é que todo mundo que trabalhasse lá soubesse de nós ou que todas as crianças fossem sobrenaturais, mas todos os funcionários eram muito bem pagos para não fazerem perguntas.
— Quando ela crescer irá para uma escola de lobos, aí fica mais fácil — Theo deu de ombros e me abraçou.
— Tios! — Kit correu nos abraçar antes fugindo da sua sala.
— Como que está lobinho? — meu namorado perguntou bagunçado o cabelo do menino.
— Bem — ele sorria com seus dentinhos brancos — mamãe disse que vou viajar com a Lua.
— É, em breve vai — Theo suspirou, me fazendo rir. A situação "Lua sendo a Marcada do Kit" ainda era um ponto sensível para ele.
— Acho que sua professora está te chamando, depois nos vemos em casa, tudo bem? — perguntei para o menino que sorria inocente e concordou comigo.
— Ainda não acredito nisso, que merda — o lobo do meu lado reclamou quando voltamos para o carro.
— Se acostume, porque é disso para pior — brinquei e ele me olhou feio.
O fato é que Marcus tinha assumido como Chefe da Guarda de Wong, então para deixar sua família protegida, Silvia e os filhos sempre estavam conosco. Então Kit e Lua se viam todos os dias, seja na escola ou em como nossas famílias estavam sempre juntas.
Ninguém, nem mesmo os Acker's fora os que estavam naquele quarto de hotel no dia que descobrimos nossa verdadeira identidade, sabiam sobre quem Theo e eu éramos. Nem para seus pais James quis contar, Ezra desconfiava, mas não tocava no assunto. Então Marcus e Silvia também não sabiam, por isso tomávamos muito cuidado e ninguém citava o assunto na frente de outra pessoa.
— Vou pegar mais pesado no seu treino só por isso — Theo bufou e eu ri.
Paramos em uma pequena cafeteria, ela era simples e meio escondida. Tínhamos a descoberto sem querer, mas eu amava aquele lugar. Ela ficava em uma rua paralela a uma importante avenida, mas ali era tão calmo que eu me sentia transportada para outro mundo.
— Tudo bem? — Theo me perguntou segurando a minha mão. Aqueles eram nossos minutos de paz no meio de um turbilhão de coisas que estávamos vivendo.
— Sim, o de sempre, muita coisa ao mesmo tempo.
— Se a sua mente está como a sua resposta, você deve estar bem confusa.
— Idiota — bati no seu ombro e ele riu.
— Aqui, queridos — a senhora dona do lugar deixou nosso pedido de sempre na nossa mesa e se afastou.
Como aconteciam nas últimas semanas, desde que começamos a frequentar aquele, Theo tomou café expresso e eu um cappuccino de chocolate. Ele comeu um sanduiche de presunto e queijo e eu um pedaço de bolo.
— Vai contar o que foi? — ele insistiu no assunto minutos depois.
— A conversa de sempre com Vlad, ele quer que voemos para o castelo o quanto antes — revirei os olhos — aliás, como que ele sabia que eu quero ir atrás da bruxa?
— Então... — meu namorado riu — nós estávamos treinando, fomos conversando e acabei falando.
— Vocês sãos dois fofoqueiros — falei e ele riu de mim — ele também disse que está vindo para o meu aniversário.
— Sim, ele já tinha me dito isso — meu namorado respondeu calmamente e eu cerrei os olhos para ele — o que?
— Não pensou em me contar? Que tal algo como "Amor, como foi o seu dia? A propósito, Conde Drácula vem para sua festa de aniversário"? — ele quase se engasgou com seu café de tanto rir.
— Você adora o chamar assim — ele sorria para mim.
— De Conde Drácula? Por que será? Só porque ele inspirou um dos maiores contos de terror do mundo? — dei de ombros tomando meu cappuccino — Se bem que se as pessoas o conhecem, veriam que ele é muito pior.
— Você implica tanto, mas sei que gosta dele. Você fazia o mesmo comigo e me ama — Theo disse presunçoso.
— Te amo porque sou obrigada, não confunda as coisas — o provoquei e foi ele que cerrou os olhos para mim.
— E o idiota sou eu? — ele falou tão sério que eu comecei a rir.
— Mas se eu implicar com ele é sinal de que sinto o mesmo por ele que sinto por você, também devo transar com ele várias e várias vezes? — sorri cínica e Theo inspirou fundo.
— Evelyn, você está tão, mas tão ferrada no treino hoje.
Ele cumpriu a promessa, lobo rancoroso.
Treinamos durante a manhã toda, eu fiquei o tempo todo no tatame com ele. Ele me ensinava a lutar, só que comigo, diferente dos outros marcados, ele não precisava tomar cuidado. Eu conseguia aguentar os golpes e muitas das vezes eu me sentia como se estivesse relembrando algo que eu já sabia, mas tinha me esquecido há muito tempo.
O centro de treinamento estava funcionando muito bem, atualmente atendíamos cerca de cem marcados. Diferentes clãs tinham se aproximado e muitos marcados estavam tendo aulas de defesa pessoal, praticando artes marciais, estratégias militares, participando de aulas de tiros e aprendendo a lidar com diferentes armas. Também tinha o acompanhamento psicológico, porque só Deus sabe como todo mundo ali precisava disso.
— Theo pegou pesado hoje, hein? — Bernardo perguntou.
— Ele não aprecia meu senso de humor — eu ri. Estava deitada no chão ao lado do tatame, Bernardo e Ana vieram ficar um pouco comigo depois que a aula deles acabou.
— Gata, beba isso porque você precisa, parece que vai morrer desidratada — Aninha disse me entregando uma garrafa de água.
— Obrigada — me obriguei a me sentar e bebi o líquido gelado.
— Tudo certo para sexta? — meu amigo me perguntou, porque era meu aniversário e todos decidiram fazer uma festa para comemorar, mesmo que EU fosse contra.
— Vlad vem — eu os avisei e os dois tremeram.
— Ele me dá calafrios — Aninha falou — É gato pra caramba, do tipo que da vontade de lamber, mas tem aquele olhar que pode te comer vivo e não do jeito bom.
— Gata, ele é o Rei dos Vampiros, obvio que ele pode te comer viva — Bernardo respondeu — a esposa dele parece ser simpática, mas prefiro não criar intimidade, porque sei que ele vem junto.
— Sinto em te dizer, mas como meu assistente você tem que lidar com todos os líderes, inclusive alfas e vampiros — eu disse me deitando de novo no chão gelado.
— Lidar com um bando de cachorro latindo é fácil, espirro água na cara deles e mando todo mundo calar a boca. Agora com a criatura mais poderosa do mundo, que pode me cortar em picadinhos em um piscar de olhos, é outra história — ele resmungou, mas Ana e eu estávamos rindo.
— Desculpa, estou imaginando você usando aqueles borrifadores para espirrar água na cara do Pietro — minha amiga falou e eu ri mais ainda, porque estava imaginando a mesma coisa.
— A parte que eu posso morrer vocês ignoram? — Bernardo se fez de ofendido.
— Vlad não vai matar ninguém — falei do chão e os dois levantaram a sobrancelha para mim — eu quis dizer ninguém daqui. Nenhum vampiro pode fazer nada contra um Marcado.
— Pergunta — Ana exclamou e Bernardo e eu nos assustamos — com o Theo, sabe, sendo quem é, o Lorde Tepes ainda é o ser mais poderoso do mundo? Porque todo mundo acha que ele é o único original.
— Sim, ele e Theo chegaram à conclusão de que Theo não recuperou todas as suas forças ainda, por isso que treinam juntos quando podem.
— Então você também não recuperou toda a sua força? — Bernardo perguntou.
— Espero que não, porque se essa é toda minha força — indiquei a mim mesma largada no chão, molhada de suor e cansada — sou uma péssima rainha.
— Besteira, você faz mais do que qualquer um de nós — Ana exclamou — até mais do que muito lobo. Às vezes parece até que sua força é igual do Theo.
— Que? — olhei confusa e Bernardo concordou — Com certeza não.
— Mas você fez um monte de coisas loucas nos últimos meses, você enfrentou vários lobos e deu uma surra em todos.
— Matou a maioria — Bernardo completou e eu revirei os olhos.
— Não foi isso — me sentei para conversar com eles, Theo e outros Ackers estavam no tatame "brincando", o que se resumia a eles se socando até um cair — eu sei que tem gente que fala como seu fosse "mais foda" que o Theo, mas eu não entendo por que pensam isso.
— Preciso enumerar mesmo? — Bê perguntou irônico.
— Ok, eu sei que fiz coisas, mas o Theo sempre foi superior em força em agilidade. Da primeira vez que eu fui sequestrada ele conseguiu me achar pelo cheiro, independente da distância que eu estava, enquanto todos os outros precisaram da localização que ele enviou. Ele partiu lobos ao meio só com as mãos,. E as coisas, digamos, agressivas que eu fiz, foi quando o lobo dele estava comigo.
— Agressivas? — Aninha levantou a sobrancelha de novo.
— Detalhes — respondi como se não fosse nada — da segunda vez ele foi o primeiro a chegar, muito antes que o próprio Wong e antes se saber de tudo. Ele conseguiu enfrentar os lobos que eu não consegui, tirou as marcadas de lá e segurou tudo sozinho. Quando eu "acordei" eu ajudei, mas ele já tinha feito muito sozinho.
— Com "acordar" você quer dizer "ressuscitar"? — Bernardo me provocou.
— Vamos focar no que eu estou falando? — pedi e eles riram — O fato é que todo mundo se prende no que eu fiz e nunca enxergam o que Theo fez. Sei que tem o lance de eu ser marcada, por isso era menos esperado de mim, mas se prestarem atenção, ele fez muito mais do que eu. Além de que Theo morreu antes de mim com a espada e, também, voltou.
— Ela tem um ponto — meu amigo concordou comigo.
— Não é fofo que ela sempre tenta jogar o mérito em outras pessoas, diminuindo o dela? — Aninha perguntou rindo.
— O que? — dessa vez eu realmente fiquei confusa.
— Eu não sei se na sua cabeça tudo o que você faz é normal, mas para as outras não é. Então toda vez que alguém começa a falar das suas proezas, você joga o foco em outra pessoa.
— Não faço não! — respondi indignada.
— Você acabou de fazer — os dois disseram juntos e eu revirei os olhos.
— Eve, vamos? — James me chamou.
— Já? Eu nem tomei banho ainda — choraminguei me levantando.
— É até melhor, porque você sempre termina suada mesmo — Corey riu.
— Tem certeza? — Theo me perguntou chegando até mim e eu concordei.
— Vamos para o vestiário, te encontramos depois para almoçar — Bernardo me avisou, saindo com Ana que se despediu com a mão.
Respirei fundo e acompanhei os lobos para a parte traseira do centro de treinamento, onde a área era restrita para lobos, porque poderia ser prejudicial para marcados.
Menos para mim, aquilo nunca me machucaria.
Passamos pelo corredor e por três portas, precaução nunca era demais. Chegamos em uma sala com várias telas e dois lobos já estavam lá, monitorando as informações. No centro tinha uma mesa circular e desenhado nela tinha um mapa-múndi com um vão no meio. Do lado esquerdo tinha apenas uma prateleira, nela um baú escuro de madeira maciça.
— Se você estiver muito cansada, podemos fazer isso mais tarde — Theo sussurrou preocupado, com a mão nas minhas costas.
— Não, eu quero fazer isso agora, só que a tarde talvez eu precise de um cochilo — brinquei e ele sorriu, mas a preocupação ainda estava lá — vai ficar tudo bem, você sabe.
James abriu o baú e o cristal brilhou azulado, ele me reconhecia. O peguei e ele tinha a mesma sensação fria de sempre, mesmo que sabendo que logo mudaria. Theo me ajudou a subir na mesa e desci no vão, ficando bem no centro dela.
Respirei fundo e fechei os olhos, aquilo era um pouco cansativo, por isso que precisava ficar mais forte e controlar melhor meus dons. Vlad disse que Azzare também teve dificuldade no começo, porque, ao contrário de mim que tenho pessoas a minha volta que me ajudam e sabem o que estamos fazendo, na minha última vida o Arcanjo Miguel só jogou na minha mão sem explicar e me deixou me virar sozinha.
— Podemos começar — ouvi a voz de James, isso quer dizer que a sala estava levemente escura e todos ficaram em silêncio.
Pensei em mim mesma, mas na outra forma, quando eu era Azzare. As minhas lembranças usando o cristal em desenhos cartográficos feitos em peles de animais. Assim como naquela vida, nessa o meu lobo estava perto de mim, preocupado e pronto para me socorrer em qualquer situação.
Me lembrei do ambiente, do cheiro do bosque, o vento nos meus cabelos, a sensação de liberdade. O cristal foi esquentando na minha mão, pouco a pouco, até estar quente como fogo, mas sem me queimar. Quase a mesma sensação de quando The me tocava, mas um pouco concentrada.
Assim como eu fazia como Azzare na visão, eu pensei em Marcados. Pensei em cada um que eu conhecia, no sorriso de Helena, na Mony dançando, na risada da Aninha, nas carinhas fofas de Hannah, no Bernardo revirando os olhos, no meu irmão arregalando os olhos a cada nova surpresa...
Inspirei fundo e ergui o cristal com a mão, eu o sentia puxando minhas energias, sentindo minha força vital fluindo de mim para ele, o fazendo ainda mais quente. Eu sabia que ele estava iluminado e feches de luz batiam na mesa, mostrando lugares onde poderíamos encontrar outros marcados. Era assim que os resgatávamos, mas isso quase me consumia.
— Só mais um pouco — James disse com calma e ouvi as folhas de papel, onde estavam os mapas detalhados de cada lugar.
Mesmo sentindo que estava enfraquecendo, eu podia aguentar mais, era a vida de mais marcados que estava em jogo. O cristal não fazia nada contra mim até que eu tivesse que usar seus poderes. Não era como seria se fosse com outro marcado, o sugando tanto que o faria sangrar e morrer, comigo era mais como se me drenasse um pouco, mas eu ficaria bem se descansasse.
— Pronto — James avisou e antes mesmo que eu abaixasse a mão, Theo já estava em cima da mesa.
— Te peguei — ele falou me segurando, porque eu sentia que não conseguiria ficar de pé sem ajuda.
— E quando não pega? — brinquei sorrindo, me sentindo muito cansada.
— Venha — ele tirou o cristal de mim e o deixou na mesa. Ele era o único, fora eu, que poderia encostar no cristal sem nenhuma proteção, mas ele não conseguia ativá-lo, só eu.
Theo me puxou para o seu colo, onde eu me aconcheguei. Ele não ia me soltar no chão, meu lobo nunca arriscaria que eu caísse e tudo bem, eu também não queria.
— Aqui, se hidrate — Corey me fez tomar um grande copo de água de coco.
— Quantos foram? — perguntei para James que observava os mapas marcados com os outros lobos.
— Temos sete novos marcados — ele respondeu alegre e eu sorri orgulhosa — estamos anotando as localizações e mandaremos os batedores procurarem por eles.
— Isso é bom — concordei, encostando minha cabeça no pescoço de Theo e sentindo meus olhos pesados.
— Vou te levar para tomarmos banho, depois te alimentar e aí você pode dormir — meu lobo me avisou já saindo da sala, mal me dando tempo para me despedir dos outros, que apenas riram enquanto eu bufava "Idiota".
Oie
Eu só queria dizer que no ebook (que está disponível na Amazon, só lembrando, sem nenhuma intenção por trás...), os nome Mony e Thalita mudaram para Mônica e Thalia. Foi um chatice minha, porque achei que soava melhor e combinava melhor com o contexto da história. Não se sei notaram a mudança, mas foi isso
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Não se esqueçam de me seguir nas minhas redes sociais, porque facilita falar com vocês e "Despertar" está a venda na Amazon, quem comprou, por favor, faz uma avaliação (cof cof positiva cof cof) lá, isso ajuda a crescer o livro nos rankings
Até mais :*
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