38 - Min Yoongi parece arrependido
☆Roi, as i promisse, estou aqui com mais uma atualização pra vocês. Chegamos ao desenrolar do ápice do último ato, onde nossos queridos protagonistas encaram as consequências dos seus erros u.u. A vida é feita de escolhas e eles terão que fazer as deles. Boa leitura 💜
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Acho que a primeira coisa que temos que fazer quando estamos errados, é assumir. Esse é o primeiro passo para fazer a coisa certa, mas me vi em cima de uma linha tênue onde assumir ou manter segredo eram questões de vida ou morte, meus princípios e tudo no que sempre acreditei foram expostos a uma situação que era muito mais que apenas certo ou errado, muito mais que apenas ética. Era uma questão humana, de errar por amor, de fazer a coisa errada ser a mais certa. Não era bonito, nem louvável, mas eu compreendia.
— Você não podia ter mentido assim para mim, consegue perceber tudo o que colocou em risco? — o advogado Kim estava nesse momento de pé, andando de um lado para o outro completamente consternado, após ouvir Yoongi confessar o que havia feito. Foi a primeira coisa que decidimos fazer diante da situação em que fomos colocados. — Eu entreguei um documento falsificado para um juiz — ele coloca as mãos na cintura e nos encara. — Nunca fiz isso, usar documentos falsos em um processo, mesmo um processo simples de reconhecimento de paternidade. Aish isso poderia acabar com a minha carreira.
— Não pensei que alguém fosse descobrir, porque para mim a genitora estava morta ou morrendo, como iria imaginar que ela apareceria aqui do nada? — Encaro meu marido enquanto ele tenta se explicar para o advogado, Min Yoongi parece arrependido, deduzo que não por ter ajudado a pequena, mas por ter envolvido outras pessoas nisso.
— Você se certificou de que a funcionária do laboratório vai ficar calada sobre? — pergunta se debruçando sobre a mesa de seu escritório encarando meu marido.
— A moça do laboratório não vai falar nada, porque ela pediu demissão e provavelmente nem vive mais em Seoul — tenta acalmar o advogado.
— Você sabe que nesse caso eu não posso fazer nada, não é? Se ela quiser a criança de volta pode pedir revisão do teste e vai dar negativo, você não é o pai e dificilmente ganharíamos o processo de adoção e guarda — o advogado senta em sua cadeira e afrouxa a gravata. — Se a mulher quiser mesmo a menina pode brigar na justiça e dependendo de algumas circunstâncias, vou ser sincero, a justiça vai preferir a família biológica.
Solto o ar que prendo enquanto ouço toda aquela conversa. Tudo parecia bem demais para ser verdade até ontem, até o momento em que descobrimos o sexo do nosso bebê e estávamos plenamente felizes, de repente o tempo virou e estávamos diante de um advogado consternado falando sobre nosso maior medo, perder a nossa filha.
Acho que Yoongi não pensou em todos os detalhes ou em todas as variantes, mas quem cogitaria que a tal Choi reapareceria? Há 24 horas atrás eu nem pensava nela, nem lembrava de sua existência e estava totalmente desinteressada sobre. Agora sua figura — que ainda me era estranha — assombrava meus pensamentos e me arrancava do meu momento de paz.
— Então nós teremos que impedir que ela brigue na justiça — solto alheia, interrompendo o silêncio que se fez após as palavras finais do advogado Kim SeokJin. — Eu quero falar com ela pessoalmente, de mulher para mulher — estava decidida a literalmente brigar pela minha filha se fosse preciso.
— Não, nem pensar, você está grávida não quero que se exalte mais do que já está — Yoongi nem me deixa terminar a sentença direito e já se opõe.
— Não estou pedindo a sua permissão Yoongi, assim como não me consultou sobre mentir, não estou te consultando sobre isso. Eu irei ao encontro dela assim que a mesma nos procurar — um plano já se formava em minha mente e a convicção de que dessa vez eu não perderia o controle da situação, tomaria as rédeas das decisões por um bem maior, nossa filha, as escolhas erradas poderiam custar o nosso bem mais precioso e eu não correria nenhum risco. — Assim que ela ligar marque o encontro.
{...}
Encarei a água translúcida do Cheonggyecheon, uma riqueza da natureza bem no meio da cidade, um local de frescor e paz, eu só não me sentia assim nesse momento. Meu coração batia rápido, minhas mãos suavam, minha mente estava agitada cheia de pensamentos que se contrapunham e brigavam entre si. Escolhi um local estratégico para encontrar a mulher que queria tirar a minha filha de mim. Sei que meus pensamentos tornavam-se cada vez mais egoístas sobre toda essa história, mas não podia me sentir de outra forma, não sentia que HyeRin pertencia a nenhum outro lugar senão em nossos braços.
— Min AeRa? — ouço uma voz feminina que chama a minha atenção e então me viro para encarar a mulher que me olha com um sorriso ameno no rosto. Infelizmente devo admitir que HyeRin tem muitos de seus traços e que estive errada sobre sua semelhança com o pai, HyeRin e Yoongi podiam até ser parecidos, só que nem tanto assim pelo visto, mas com certeza a pequena será uma versão muito melhor e mais bonita do que a mulher que está diante de mim.
Não consigo sentir empatia por alguém que abandonou uma criança na casa de um estranho, Min Yoongi literalmente não era nada da criança naquela época, como ela pôde? E se a HyeRin tivesse caído nas mãos de alguém ruim? Ela não pensou nas consequências de seus atos? Essa era mesmo a única saída?
— Hm — me limito. Não quero que ela pense que podemos ser amigas, porque se ela quer levar algo que eu amo, então não tem como.
— Pensei que haveriam mais pessoas… — Dou um passo para o lado antes mesmo que ela termine de falar e deixo que veja do outro lado do rio Yoongi e a babá brincando com a menina na margem do rio. Cheonggyecheon foi pensando estrategicamente para não dar-lhe uma chance de tentar algo inesperado já que a mesma exigiu ver HyeRin, eu aceitei claro, só não especifiquei que seria a distância, eu e ela estávamos em uma margem do rio e Yoongi e HyeRin na outra margem. — Como ela cresceu… — observa simplesmente.
— É uma menina muito inteligente, tudo para nós — me apresso em deixar claro o quanto a amamos.
— Estou louca para segura-la em meus braços — diz, mas não parece muito empolgada com a idéia. — Estou curiosa para saber porque quis me encontrar, até onde me lembro Yoongi não era casado naquela noite em que deixei a HyeRin lá — semicerro os olhos ouvindo o que diz enquanto analiso cada mínimo gesto seu, irei usar tudo o que puder ao nosso favor.
— Então não foi aleatório, digo, a casa que você escolheu? — questiono e ela sorri minimamente.
— Não, deixei uma carta direcionada ao dono da casa, obviamente sabia com quem a minha filha estava ficando — responde, impondo uma postura desafiadora.
— E a tal doença? Também era mentira? — não posso perder a oportunidade de controlá-la.
— Eu estava realmente doente e…
— Se curou magicamente? — preciso respirar fundo e me acalmar, sinto meu sangue ferver e o controle se esvair a medida em que penso que nada foi por acaso, tenho as minhas suspeitas. Ela sorri mais abertamente erguendo as mãos.
— Calma, você está bem na defensiva — solta levantando as mãos para o ar como quem se rende.
— Como quer que eu fique sabendo que você quer tirar a minha filha de mim? — ela bufa ao ouvir o que digo.
— Só quero o que é meu de volta — concluiu. Aquiesço, tinha uma forte suspeita de que a mulher em questão fazia parte de um esquema de venda de crianças. Pesquisei na Internet sobre após o advogado Kim levantar a suspeita, elas tinham bebês, abandonavam na porta de pessoas ricas e depois as extorquiam. Conversei com o Yoongi sobre a possibilidade e ele concordou que talvez tudo não passasse de um golpe e como não teríamos a justiça do nosso lado, uma vez que Yoongi falsificou um documento oficial, não nos restava muito a não ser dar o que ela realmente queria.
— Quanto você quer? — pergunto sem rodeios tentando fisgá-la.
— Yah! Assim você me ofende — reclama. Rolo os olhos.
— Vamos pular a parte em que você finge ser a mãe que se preocupa com a criança, porque você e eu sabemos que não. Quanto você quer para sumir das nossas vidas? — repito a pergunta olhando em seus olhos. Ela engole em seco, dá uma olhada rápida na direção da minha família e se volta novamente para mim, sua expressão se transfigura de amena a inexpressiva em questão de segundos e percebo que estava certa, ela realmente não se importava.
— Como sabe o que eu quero? — questiona-me.
— Conheço o seu tipo — quase cuspo as palavras.
— Você é durona — elogia. — Confesso que achei que fosse ser mais difícil… Sabe, justiça e essas coisas, achar uma família que queira me pagar o que ela vale… Mas que bom que você está facilitando AeRa-ssi.
— Não me chame assim — digo rapidamente. Ela dá de ombros, minhas pernas tremem após ouvir o que diz, como assim uma família que pague o que ela vale? Que tipo de pessoa fala isso de uma criança?
— Dois… Milhões… de dólares — diz vagarosamente, palavra por palavra com desdém e prazer na voz — é o preço pra ficarem com a menina.
Sinto vontade de xingá-la de todos os palavrões que podem existir, brigar, arrancar seus cabelos, destruí-la só por tratar minha pequena menina com um objeto, mas tento manter a postura e também a expressão, não quero que ela perceba o tamanho do poder de manipulação que tem.
— Não temos esse dinheiro — digo de pronto, não esperávamos que ela fosse pedir tanto.
— Não tem problema, você me dá ela que tem gente interessada e que realmente pode pagar 2 milhões — debocha, sinto minhas pernas fraquejarem, é tão injusto e cruel. Nada pode realmente ser feito? Temos que ceder? Minhas mãos tremem e respiro com dificuldade, o sol do fim da tarde parece arder mais que o normal em minha pele. Engulo em seco.
— Vamos precisar de um tempo para conseguir o valor — explico sem conseguir raciocinar direito.
— Uma semana, dou uma semana. Nesse mesmo horário, nesse mesmo lugar daqui a sete dias. Você me trás o dinheiro e aí a menina é sua, faça bom proveito — queria vomitar, como ela falava assim de uma bebê? Tão desprezível que não conseguia mais nem olhá-la, era pior do que tudo o que eu imaginei na vida. Nunca pensei topar na vida com alguém assim — Dois milhõezinhos — cantarola e depois ri.
— Tudo bem — me limito a dizer me segurando para não surtar de pura raiva. Que é o que sinto nesse momento, ódio, desprezo, nojo e raiva, muita raiva.
— Vai ser um prazer te rever — será que valeria a pena gastar o meu réu primário? A sorte dela é que infelizmente nada que eu tentasse seria vantajoso, essa era a sorte dela porque o ódio que corria em minhas veias nesse momento era perturbador. Nunca senti tanta repulsa e raiva em minha vida. Nojo, simplesmente nojo.
{...}
— É muito dinheiro, não tenho tudo isso assim — Yoongi não reagiu muito bem à notícia dos dois milhões, havíamos cogitado a possibilidade desde o início dela querer dinheiro, mas não tanto.
— Eu sei que é muito dinheiro, mas não podemos fazer nada, infelizmente é pagar ou pagar, estamos de mãos atadas — sinto vontade de chorar agarrada a minha filha, tentando protegê-la dessa situação perturbadora, nunca imaginei ter que ceder a uma chantagem na vida e a sensação era de extrema vulnerabilidade e impotência.
— Não é assim que funciona — explica sentando no chão ao meu lado e segurando a pequena mão gordinha da nossa filha enquanto me encara. — É muito dinheiro, não tenho tudo isso disponível assim, gastei quase tudo comprando o prédio da produtora. O problema mesmo não é ter bens para vender e sim conseguir vendê-lo em tempo hábil. Uma semana é pouquíssimo tempo para levantar tanto dinheiro.
— Tem como vender os bens de Daegu? Suas ações na fábrica do seu pai? Pedir a sua mãe? Acho que a sua mãe deve ter dois milhões — tento achar opções. Ele nega lentamente.
— Posso vender algumas coisas em Daegu, mas não acho que conseguiria em uma semana, as ações da empresa não valem tudo isso, minha mãe falou que nunca daria nenhum won dela para mim depois que brigamos por causa dos romances dela, se ela soubesse de tudo tenho certeza que ligaria para polícia para tirar a HyeRin de nós — divaga em pensamentos, era difícil ver Yoongi fora do tom, nesso momento mesmo ele parecia muito mais calmo do que deveria realmente estar. Duvido que não estivesse angustiado, só era o jeito dele de lidar com as situações.
— A sua coleção de relógios, eles valem um bom dinheiro — sugiro.
— É uma boa ideia, vendendo com pressa devo conseguir um milhão e meio de dólares por aí mais ou menos, amanhã mesmo vou procurar os compradores.
— Vou dar o dinheiro que os meus pais deixaram, deve dar em torno de 300 mil dólares — decido rapidamente.
— Não, é a sua aposentadoria, deixaram para você — meu marido se opõe imediatamente à ideia.
— Eles deixaram para que eu usasse no futuro, não disseram para o que. Tenho certeza que nenhum dos dois seria contra. É para manter a minha filha aqui, a neta deles — meus olhos enchem d'água só de imaginar o quanto meus pais se sacrificaram para juntar esse dinheiro, quanto trabalharam, o quanto me deram amor, me apoiaram em todas as minhas decisões, me educaram bem e se hoje eu estava decidindo manter HyeRin conosco passando por cima de todas as minhas convicções, era porque eles me ensinaram muito sobre amor. Me abraçaram e me acolheram no momento mais frágil da minha vida, então porque seria diferente agora? Tenho plena certeza que minha mãe estaria segurando em minha mão nesse momento e me mandando usar todo o dinheiro, pela minha filha. Pelos meus filhos.
— Eu vou devolver tudo assim que vender alguns imóveis — assegura
— Eu não quero, é pela minha filha — digo.
— A culpa é minha, se eu não tivesse falsificado o teste…
— A HyeRin não estaria aqui agora — o interrompi. — Não vou aprovar a sua atitude e dizer que fez o certo, mas também não vou dizer que fez errado. São escolhas e agora temos que arcar com a consequência dessa escolha e por mim, tudo bem. O preço vale a pena.
— Obrigado — os olhos que me encaram brilham marejados. Sei que ele gosta do apoio que dou e que sempre darei, não era hora para julgamentos, até porque não resolveria os nossos problemas. — Você sempre sabe dizer o que preciso ouvir. — Damos as mãos e nos encaramos. Naquele silêncio que nos unia em um momento de aflição, já passamos por dificuldades antes e tenho plena convicção olhando em seus olhos que vamos conseguir superar mais essa. — Mesmo com o seu dinheiro ainda não fechamos os dois milhões. Vou precisar verificar a chance de um empréstimo no banco ou vender meu carro de passeio, só não tenho certeza se consigo o dinheiro a tempo — murcho um pouco percebendo que ainda não temos a solução para essa situação.
— Também vou pensar em outras soluções, não tenho mais nada de valor para vender ou dar, mas posso ajudar pensando — sinto-me completamente impotente, não posso fazer muito mais que não seja pensar em formas de ajudar, gostaria de ter todo o dinheiro e o daria de bom grado se isso significasse ficar com a minha filha, mas o que juntei a vida toda nem chegava perto disso mesmo somando com o dinheiro dos meus pais.
— Com licença — dirigimos o nosso olhar para a senhora que está na soleira da porta do quarto da HyeRin, a senhora Park nos encara. — Gostaria de pedir desculpas, mas acabei ouvindo a conversa de vocês sobre o dinheiro e quero ajudar.
— Não precisa senhora Park, nós daremos um jeito — asseguro imediatamente.
— Precisa sim, venho poupando há alguns bons anos para minha aposentadoria e não vou precisar agora, nesse momento do dinheiro, por isso posso ceder para vocês e quando puderem me devolvam, não é muito dinheiro, mas é um valor significativo. A menina tem que ficar conosco, eu amo ela como se fosse a minha netinha e por isso quero ajudar — se prontifica. Sento a pequena no chão e fico de pé para abraçar a mulher que está diante de nós. A senhora Park era sim como uma espécie de avó para HyeRin e mesmo que ela nunca falasse isso em voz alta, sempre achei isso.
— Obrigada — a abraço rapidamente deixando lágrimas escorrerem. Não queria envolver mais pessoas nisso, mas não tínhamos nenhuma outra opção e toda ajuda nesse momento seria bem vinda.
— Nós iremos devolver tudo — Yoongi fica de pé e no segundo seguinte se curva para a mulher mais velha que cuidou de nós dois desde que éramos bebês. Ela sorri materna assentindo.
Não tínhamos ainda o dinheiro todo, mas tínhamos amor e esperança entre nós, no fim era somente isso o que importava para manter HyeRin aqui, a salvo, em nossos braços.
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