37 - Min Yoongi não parecia feliz
☆Oie, tenho muito oq falar antes de começarem a leitura. Chegamos na reta final e como muitos de vocês já sabem, já terminei de escrever ITMB, em um surto de inspiração, disponibilidade e planejamento consegui concluir os 4 capítulos finais em um pouco mais de uma semana. E cá estamos nós, postei um cronograma lá no meu insta (daydutral) das atualizações. Todos os domingos de Abril teremos atualização. Hj - 37, dia 10 - 38, dia 17 - 39 e dia 24 o capítulo final. Tô bem ansiosa para saber como vocês irão reagir, por favor comentem muito, hoje temos revelações bombásticas e muitos acontecimentos para um capítulo só. Tô nervosa, mas bora lá, boa leitura.
Passado o susto inicial de descobrir uma gravidez não esperada e me acostumar com a parte mais difícil da gestação, que são os sintomas gestacionais, eu estava curtindo muito a ideia de estar grávida. Pronta acho que de fato nunca estaria, mas abracei a minha nova realidade de bom grado, afinal não daria para mudar algo que já estava acontecendo e eu nem queria mudar, gradativamente me acostumei com a ideia e começava a curtir o momento vivendo cada pequena fase por vez, as coisas gradativamente mudavam em mim e me descobria uma nova mulher que precisava matar um leão a cada dia, mas que no fim evoluía um pouco mais.
No momento me sentia ansiosa, fiz exame de sexagem fetal e entreguei para a senhora Park, para que ela fizesse um bolo com recheio da cor do sexo do bebê. Não contei para Yoongi que seria hoje a revelação, mesmo que o assunto tenha vindo à tona de manhã enquanto eu tentava acordá-lo, queria surpreendê-lo com a revelação uma vez que me tiraram o direito de anunciar a gravidez apropriadamente, então fiz tudo de caso muito bem pensado.
Estava sentada no chão com alguns brinquedos espalhados e uma HyeRin, que brincava distraída com os bloquinhos de montar. Linda, inteligente e muito esperta como só ela conseguia ser, com os cabelos amarrado em duas partes na lateral que não desciam, o cabelo era tão liso que ficava retinho, parecendo a Boo de Monstros S.A. planejava fazer uma festa de um ano para a pequena no fim de semana, para comemorarmos o seu primeiro ano de vida.
— Omma… — com seis dentes na boca, minha filha sorriu mostrando os blocos montados em uma pequena torre. Meu coração ainda palpitava toda vez que a ouvia me chamar de mãe, levou algum tempo porque anteriormente não ensinava ela a me chamar de mãe, mas após assinar os papéis pedindo a sua adoção começamos a estimulá-la e há poucos dias atrás a primeira vez aconteceu, ela me chamou de mãe, chorei tanto porque nunca imaginei que seria ela, logo ela a minha primeira filha. HyeRin foi o melhor acontecimento em minha vida, ter segurado a sua mão gordinha no momento em que mais precisou, só me trouxe coisas boas, jamais imaginei que chegaríamos até aqui quando a peguei nos braços pela primeira vez.
Acho que no fundo é verdade quando dizem que você só recebe aquilo que dá, dei acolhimento, proteção, compreensão e em troca recebi uma família linda que me devolvia tudo isso. Era mãe, esposa, tinha um novo emprego. Não cansava de dizer que nunca fui de me deslumbrar fácil, mas era impossível não sonhar alto com os presentes que a vida estava me dando.
Sorri de volta para ela, batendo palmas e a parabenizando pelo seu trabalho com os blocos. Verifiquei no celular o horário e percebi que Yoongi estava demorando, há um tempo atrás ele tinha mandado uma mensagem avisando que já estava vindo para casa, então comecei a pensar que algo deveria ter acontecido.
— Min AeRa-ssi, você vai esperar o senhor Min chegar para jantar? Já posso dar o jantar da HyeRin-ah? — A babá que contratamos entrou no quarto interrompendo nossa brincadeira.
— Eu darei o jantar dela, após você pode cuidar do banho e encerrar por hoje. Vou esperar o Yoongi para comermos — anuncio, sabendo que dar a refeição de HyeRin me manteria minimamente distraída até Yoongi chegar.
HyeRin comeu, tomou banho, dormiu e só então Yoongi chegou, já perto das 22, desci as escadas indo encontrá-lo no escritório que foi para onde ele foi assim que chegou.
— O que aconteceu? Eu estava preocupada, você mandou mensagem às 19 falando que já estava vindo para casa, me deixou aflita — questiono. Yoongi está sentado no sofá do escritório, com a cabeça recostada no encosto do sofá de olhos fechados. Vejo seu pomo de Adão subir e descer e lentamente ele abre os olhos para me olhar. — Aconteceu alguma coisa?
— O advogado Kim acabou me chamando de novo porque tinha visto algumas coisas nos papéis que eram relevantes para discutirmos, aí entramos no assunto da empresa e acabei perdendo a hora. Me desculpe — explica tudo rapidamente. O encaro enquanto absorvo as explicações que me dá e me dou por satisfeita.
— Da próxima vez uma mensagenzinha avisando que vai demorar evita tantas explicações, tá? — sei como ele detesta se explicar. — Você comeu alguma coisa? Vamos jantar, mandei preparar algo legal para hoje — o convido pegando em sua mão e o puxando para ficar de pé. Me aproximo de seu corpo e espero que seus lábios encontrem os meus. Meu marido sela nossos lábios brevemente.
— Vou só me lavar, tô cansado — conclui e concordo brevemente.
{...}
O jantar foi mais silencioso e apático do que eu gostaria que fosse, seria um bom momento para revelar o sexo do bebê? Yoongi parecia distante, cansado e abatido, algo não parecia certo e temi que não houvesse clima para o momento, mas depois de ponderar um pouco fui buscar o bolo na cozinha e o coloquei diante do meu marido. Se ele estava cansado e abatido, talvez descobrir o sexo do bebê o animasse mais, foi o que me ocorreu.
— O que é isso? Um bolo? Estou esquecendo de algo? — pergunta me encarando.
— O sexo do bebê, recebi o resultado e podemos descobrir juntos agora — respondo animada.
— Sério? Achei que ia demorar uns dias — diz pensativo.
— É que não quis contar nada para fazer uma surpresa, já que não pude te surpreender com o anúncio da gravidez — me explico. — Vai, corta o bolo, vamos descobrir — bato palmas baixinho, ansiosa.
— Não quer fazer? Se quiser… — sugere e pego a faca concordando. Meu coração bate acelerado com a expectativa da descoberta, rapidamente lembro-me, para não gerar expectativas tolas, que não importa o sexo, o que importa é ter saúde.
Passo a faca no bolo e causo alguma expectativa entre nós, antes de puxar a fatia, abro a boca surpresa e logo depois sorrio para Yoongi, azul, o recheio é azul. Estamos esperando um menino?
— Menino? — pergunta e sorri fazendo com que seus olhos virem uma única linha.
— Parabéns — digo empolga o abraçando. — Vem aí um menininho para formarmos um casal de filhos bem como você queria — pelo visto o que o Yoongi queria, Yoongi conseguia. Ele sorri novamente para mim concordando, mas seu sorriso não era exatamente o que eu esperava, Min Yoongi não parecia feliz o que me fez ficar em alerta, algo estava errado.
Arrumei a cama para que pudéssemos deitar, enquanto meu marido estava escovando os dentes, esperávamos um menino, não podia crer que seria um menino. Que nome daríamos?
Teríamos que discutir isso em breve, mas antes dessa discussão vinha uma outra, o que estava acontecendo, ele parecia distante desde que chegou e se fosse mais que apenas cansaço, eu gostaria de ajudá-lo de alguma forma, por isso já estava decidia a perguntá-lo o que houve.
— Precisamos conversar — Yoongi sai do banheiro com as pontas da franja molhadas e me encara. Ok, não esperava que ele tomasse a atitude de iniciar uma conversa, o que significava que eu não estava errada, tinha mesmo algo de errado acontecendo. Sento na beirada da cama esperando que fale — Aconteceu algo hoje e não sei como começar a falar, então vou ser direto e objetivo sobre.
— Meu Deus, só fala, tô começando a ficar nervosa — peço sentindo meu coração bater na jugular e a ansiedade me correr rapidamente.
— A genitora da HyeRin apareceu — revela imediatamente, levo as mãos à boca surpresa — A tal Choi SeunGi.
— O advogado Kim achou ela? — pergunto porque sei que eles estavam tentando localizá-la para saber se havia morrido mesmo ou se precisava de alguma ajuda, Yoongi teve a ideia de tentar um contato para mantermos perto quem poderia tentar nos prejudicar de alguma forma, ou pior, prejudicar a HyeRin. Ele negou com a cabeça.
— Ela veio até mim, me seguiu e esperou um momento em que eu estava só para me abordar — explica encostado na soleira da porta do banheiro de braços cruzados.
— Tô com medo de perguntar o que ela quer — Confesso. Um milhão de coisas passa em minha mente nesse momento. Não sei quem ela é, como é, que tipo de pessoa costuma ser, amizades, comportamentos. Não dá para prever nenhum movimento seu e isso me assusta. Nem preciso ouvir nada para sentir uma vontade alucinante de agarrar HyeRin e fugir com ela daqui, para bem longe, porque a expressão de Yoongi já entrega que pelo visto não era coisa boa.
— Sentei para ouvir o que ela queria — um sorriso muxoxo brota em seus lábios. — Quer ver a HyeRin, quis saber como ela está e também disse que a queria de volta. — Yoongi nem termina de falar e eu já estou em pé andando de um lado para o outro do quarto, meu coração acelera e sinto as costas arderem na altura da lombar, sei que minha pressão subiu e que é muito ruim para o bebê, mas o que posso fazer? O pânico se instalou quase que imediatamente ao ouvi-lo falar.
— Mas ela não pode querer de volta, a HyeRin não é um objeto que ela joga no lixo e volta pra pegar depois que o caminhão já recolheu, faça-me o favor! É claro que você negou, né? — Encaro meu esposo que encara a parede com um olhar vazio e distante em silêncio — Yoongi, Min Yoongi — chamo e ele me olha — você negou, não é?
— Eu não disse nada — responde honestamente.
— Como assim não disse nada? Ela quer pegar a nossa filha de nós, depois de tê-la abandonado, largado aqui em uma noite muito fria. Deixou essa criança para sofrer na mão de estranhos, sem saber se iria se adaptar ou ser feliz e agora quer pegar de volta? Não, não… Ah não, mas ela não vai mesmo e você tinha que ter deixado isso muito claro — gesticulo e me movimento tentando desesperadamente extravasar o que sinto, raiva? Ansiedade? Horror ao que pode acontecer com minha filha? Está tudo misturado nesse momento dentro de mim.
— Ela me ameaçou usando minha prisão contra mim e não tinha muito o que falar, tentei enrolar para pensar em algo com mais clareza, falar com o advogado Kim e ver se ele tem uma saída, não sei, ganhei tempo — a aparente calmaria na voz de Yoongi só denota o quanto ele está abalado, Min Yoongi sempre se vestia de rocha inabalável quando as coisas iam mal, mas eu já o conhecia o suficiente para saber disso, podia até parecer, mas nada estava bem.
— Ganhar tempo pra que? Ela não pode fazer isso, você é o pai biológico, essa tal de SeungGi abandonou a criança, nós estamos dentro da lei, tá na certidão da HyeRin. Se ela vier com ameaças, deixa, nós temos como provar tudo, imagens, o bilhete que deixou, temos como vencer — raciocínio rapidamente, não entendo muito de leis, mas não é difícil saber que a justiça ficaria ao lado de Yoongi, apesar dos pesares ele tinha condição financeira e psicológica para cuidar da filha muito melhor que essa mulher que a abandonou à própria sorte, mesmo que com a justificativa de uma doença.
Vejo Yoongi negando com a cabeça de novo e na sequência me olhar quase como se me pedisse desculpas antecipadamente.
— Eu menti — diz simplesmente e sinto minhas pernas fraquejarem, o sentimento de que algo ruim está preste a acontecer me toma. — Enganei todo mundo e cometi um crime de verdade que somente eu e ela sabemos. — Vinco as sobrancelhas preocupada sem entender o que quer dizer, a angústia me toma com força. — A HyeRin não é minha filha biológica — encaro meu marido tentando absorver o que acaba de falar. O que diz não faz sentido por inúmeros motivos que já começam a jorrar em meu subconsciente como vozes gritando e me deixando ainda mais confusa e perdida.
— O que? O-o q-que você acabou de falar? — questiono entorpecida e preciso sentar na beirada da cama para não desabar. Minha cabeça gira e não sei lidar com tudo isso com meus hormônios à flor da pele agindo como loucos. — O teste de DNA, você me mostrou, mostrou ao juiz, mostrou para todo mundo, compatível em 99,9% eu mesma li naquele dia no hotel, como?
— No dia em que eu fui buscar o teste, me sentia muito mal, conversei com o advogado Kim e perguntei o que aconteceria com a HyeRin se desse negativo e ele falou que ela iria para uma instituição aguardar o processo de adoção, mas que dificilmente eu ganharia sendo solteiro e ainda com uma recente prisão e um processo em andamento, só havia um jeito dela ficar conosco, positivo ou positivo, não tinha outra saída. Bateu o desespero de perdê-la, lá no fundo eu sabia que não tinha como a HyeRin ser minha filha porque vi e revi as imagens muitas vezes e nunca tinha me deitado com aquela mulher e eu tinha certeza disso, poucos coisas eram tão certas como essa para mim — minha mente gira e gira com tantas informações e não sei o que falar ou fazer. — Eu fui pro carro abri o envelope e dizia incompatível, sentenciando a menina a um futuro totalmente incerto longe de nós, sem pensar duas vezes voltei na clínica e paguei muito dinheiro para refazerem o teste com duas amostras minhas e ter um teste positivo autenticado. Eu comprei um positivo, o dinheiro me dava isso, me dava a chance de dar uma vida melhor a ela e não hesitei. Simplesmente o fiz — após falar tudo se cala e o silêncio no quarto é tão profundo que meus ouvidos zumbem.
Não era muito de falar palavrões, mas todos os que conhecia proferi mentalmente totalmente consternada. Ferrou, isso era muito mais complicado do que poderia ser. Saímos de, totalmente prontos para o embate, para reféns desarmados de uma mulher desconhecida que sabia demais e queria tirar algo importante de nós com isso.
— Eu não sei o que dizer — consigo formular uma frase que descreve como me sinto nesse momento. — Não acredito que você fez isso e escondeu de todo mundo, é muito grave… — As lágrimas finalmente se esvaem dos meus olhos transbordando todo o medo que sinto nesse momento ao perceber a gravidade de tudo o que Yoongi me falou e todas as consequências que podemos vim à ter.
Não sei se posso julgá-lo porque no fim eu também seria capaz de tudo por HyeRin, entendo o seu desespero e não imaginava o quanto ele a amava. Yoongi não costumava proferir palavras assim tão profundas com frequência e naquela época era mais difícil ainda de imaginar que ele se sentia assim, como pai dela, capaz de tudo mesmo que não fosse sangue de seu sangue. Uma atitude muito nobre e que me pegou de surpresa, mas que não poderia ser louvada pois era mediante circunstâncias, ilegais, irresponsáveis e com consequências que poderiam ser severas.
Por mim, pelo meu bem estar ou por qualquer outra coisa eu não ligaria, meu medo todo se concentrava na menina de um ano, indefesa e incapaz de cuidar de si mesma e que poderia cair nas mãos de alguém que supostamente a amava.
— Tô perdido de verdade, não sei o que fazer — confessa e o encaro. É a primeira vez em muito tempo que vejo os olhos de Min Yoongi marejados, seus sentimentos pela filha são os mais genuínos e sinceros que podem existir e sinto isso apenas ao olhá-lo. Quem diria?
Levanto e vou até ele o puxando para um abraço, meu marido passa os braços em volta da minha cintura e descansa o queixo na curva do meu pescoço dando um suspiro longo e pesado.
— Tudo bem, a gente vai resolver, sempre resolvemos tudo, agora não vai ser diferente — tento acalmá-lo sabendo que partindo de toda essa situação, a partir de agora tínhamos um grande problema em mãos para resolver e nenhuma certeza do futuro.
Bạn đang đọc truyện trên: Truyen247.Pro