14 - Min Yoongi estava em todos os momentos do meu dia.
☆Nem vou falar muito, boa leitura meus amores, esse capítulo ah esse capítulo... AMO.
Minha mente estava em um verdadeiro turbilhão de pensamentos que iam desde o que o advogado tinha para falar ao Yoongi até o fato de meu coração não conseguir se manter mais calmo perto dele desde ontem e voltava para se auto afirmar, alegando veementemente, que eu não tinha mais nenhum sentimento por ele. Eu não tinha e eu precisava acreditar nisso de alguma forma, porque apenas a hipótese de estragar tudo de novo me apavorava.
-Noona você pode limpar a mesa? - o Jungkook pediu. O melhor lugar para estar agora era no trabalho, era seguro, trazia paz, longe do Yoongi, longe dos pensamentos intensos e confusos, longe dos batimentos irregulares do meu coração, o melhor lugar para que eu pudesse manter a distração e não pensar em coisas que não devia, muito menos sentir coisas que não devia.
-Sim - respondi pegando um pano úmido e o álcool e indo até as mesas limpar. O café estava quase vazio e até o momento o movimento estava fraco, também pudera, bem no meio de uma quarta feira a tarde, os nossos principais cliente deviam estar trabalhando nesse horário.
A porta do cafe abriu e uma jovem passou por ela, tinha os cabelos longos, uma estatura bem mediana, sua pele era alva e ela era muito bonita, tão bonita que não passava desapercebida. Projetei-me para ir ao caixa atendê-la porém o Jungkook tinha sido mais rápido e já estava no caixa esperando por ela.
Seus olhos grandes e bem desenhados miravam a garota, mas quando ela se aproximou e começou o seu pedido eu o vi ficar com as orelhas vermelhas. Jeon Jungkook estava com vergonha de algo ou... ele estava apaixonado?
A garota fez seu pedido e lhe deu um sorriso simpático, depois ela escolheu uma mesa para sentar, pôs seus fones de ouvido e abriu um livro de capa branca. O Jungkook então dedicou -se à fazer a bebida da garota. Caminhei lentamente de volta para o balcão vendo que vez ou outra ele olhava para ela e comecei até mesmo a pensar que isso era fofo.
-Bom gosto - sussurrei quando me aproximei dele, mas ele não pareceu ter ouvido. Na verdade ele até mesmo se assustou quando me viu próxima à ele.
-Noona... - falou com a bebida de chocolate gelado na mão.
-Jeon Jungkook-ah está apaixonado? - depois de duas semanas trabalhando aqui, nós dois estávamos adaptados as personalidades e temperamento um do outro. O Jungkook era um bom garoto, uma boa pessoa e não era difícil de conviver, não no trabalho pelo menos, apesar de por vezes ele ser bem controlador sobre suas coisas, no geral era de fácil convivência.
- Que? - ele perguntou arregalandos os olhos.
-Ela é bem bonita. - falei em um tom zombeteiro, dando-lhe uma piscadela sugestiva.
- Não sei do que a noona está falando - disse finalizando a bebida, me dando as costas e saindo de perto de mim para servir a garota, seus movimentos eram cuidadosos e até mesmo exagerados e ele deixou 3 biscoitinhos amanteigado na bandeja dela. Eu conseguia sentir daqui como ele estava nervoso. Segurei o riso quando ele se aproximou de novo, Jeon Jungkook era fofo e tímido.
- Que fofo... - coloquei a mão na boca para não rir.
-Já conferiu o estoque? - perguntou soando irritado, mas não sei se ele estava mesmo, reprimi o riso.
-Já - respondi prontamente.
-E as mesas?
-Limpas.
-E os banheiros?
-Papel higiênico no lugar. - aleguei. Ele suspirou.
-Só procura outra coisa para fazer - disse por fim e eu ri mais uma vez girando em meus calcanhares e indo até os fundos recolher o lixo acumulado, porque se eu ficasse aqui eu iria zombar de como era fofo vê-lo apaixonado pela garota.
Pelo tempo em que a garota esteve no café, o Jungkook ficou suspirando por ela, era tão óbvio que dava uma certa pena, eu cheguei ao ponto de até mesmo invejar como ela era admirada à distância por um garoto tão bonito e tão cheio de qualidades.
Não ter coragem de confessar seus sentimentos era algo bem complicado, eu mesma já estive nessa posição, não confessei meus sentimentos, perdi minha oportunidade e depois arrependida de não ter falado eu estraguei tudo.
A garota levantou, catou seu livro e saiu, depois de ter bebido toda a sua bebida e gastado um bom tempo lendo, o ambiente do café era bom e convidativo por isso eu entendia o porquê de ela vim ler aqui. A não ser claro que tenham mais motivos!
-Você deveria chamar ela para sair - falei me aproximando dele. Ele assistia ela andar na rua até sumir do nosso campo de visão.
-Ah, que susto! - falou pegando no peito. Ele realmente esquecia do mundo quando olhava para aquela garota? Que fofo!
- Eu estava dizendo que você deveria chamá -la para sair - repeti de forma séria para ele entender que eu não estava zombando dele.
- Que? Nem pensar! - Eu sabia que ele tinha um nível considerado de timidez, mas jamais esperei que fosse tanto. Eu deveria ajudar ele? Porque nesse passo ela nunca saberia dos sentimentos dele.
-Vocês seriam um belo casal - aticei. Ele suspirou baixando a cabeça. Amor unilateral não era legal e definitivamente eu sentia empatia por ele.
De repente minha mente me levou há 10 anos atrás, quando eu amava unilateralmente e suspirava porque imaginava ser impossível igualmente ao que Jeon Jungkook fazia agora. Eu tinha apenas 15 anos e amor não era algo que eu entendesse ou quisesse entender, mas esse sentimento morava dentro de mim, mesmo que fosse difícil de detecta-lo. No começo eu pensava de era apenas um amor de forma fraternal, como se eu tivesse mesmo um irmão, eu queria estar perto dele, queria saber se ele estava bem, queria cuidar dele, queria fazer parte de todos os momentos da vida dele, ficava com raiva quando ele estava com raiva e sorria quando eu o via sorrindo. Eu pensei que isso fosse ser irmão, e que no fundo era apenas um sentimento fraternal, porém evoluiu, tornou-se necessidade até virar amor.
Min Yoongi estava em todos os momentos do meu dia e eu era feliz assim. Era feliz que a atenção dele estava sempre apenas em mim, eu era sua única amiga na escola, sua confidente, sua auxiliadora, eu era dele e ele era meu e isso me bastava.
Até ele se apaixonar. Por uma veterana, dois anos mais velha que nós dois, mais bonita que eu, mais interessante que eu, tinha muito mais peito e muito mais popular entre os garotos, era o sonho de consumo dos adolescentes com os hormônios à flor da pele. E obviamente ele se apaixonou por ela.
Ele me trocou por ela.
Desde o inicio do seu namoro eu gastava meu tempo sozinha, no colégio eu estava sempre sozinha, ele não fazia mais as atividades comigo, portanto eu fazia sozinha e não tinha tempo de fazer confidências, porque ela era mais interessante, então acabei fazendo confidencias para as paredes do meu quarto em Daegu. Meu coração se partiu e nesse dia eu entendi o que eu sentia. O então amor virou amargura, solidão e na cabeça de uma adolescente o amor virou bomba relógio, cheia de hormônios e crises existenciais pronta pra explodir nas mão de quem a segurasse.
Movida pelo ciúme eu armei para a garota, roubei um pertence do professor e coloquei na bolsa dela, me auto intitulei testemunha da infração e ela foi expulsa do colégio a "prova do crime" em sua bolsa e a testemunha cheia de credibilidade, somadas aos sentimentos ruins, trouxe consequências para aquela garota, mas o Yoongi era inteligente, ele percebeu imediatamente que algo estava errado, me confrontou e eu menti, mas depois cedi e desabafei a verdade para ele, sobre como eu me sentia, sobre como ele me abandonou e ele ficou possesso de raiva comigo, me chamando de egoísta por ne por acima de todo mundo, o que até hoje eu acho que foi injusto. As palavras proferidas por ele doeram mais que ser ignorada.
"Nunca mais olhe na minha cara!" Ele exigiu.
O barulho da porta do café abrindo chamou minha atenção e eu acabei deixando que uma lágrima solitária escapasse de meu olho, eu tinha muita vergonha de ter feito coisas que agora eu entendia que eram tão imaturas e desproporcionais, mas que naquela época eu usei como solução para os meus problemas. Esse assunto me deixava emotiva. Amor unilateral era meu calcanhar de Aquiles.
-Boa noite - o Jungkook disse ao cliente e eu foquei no que estava acontecendo no presente. Tomei um susto e não pude evitar a expressão de surpresa com quem estava diante de mim.
-Yoongi-ah? - falei embasbacada sentindo meu coração bater na garganta com a surpresa de vê-lo diante de meus olhos bem depois de estar pensando nele. - O que faz aqui? - a pergunta mais óbvia não poderia deixar de sair da minha boca.
-Você esqueceu o seu telefone em casa - falou de forma simples e casual. - Eu achei que talvez você fosse precisar. - novamente ele me surpreendia com seu jeito, no fundo o Yoongi só tinha crescido, ele permanecia sendo uma boa pessoa, estressado as vezes, chato quase sempre, insuportável em algumas ocasiões, mas ele era uma boa pessoa e preservava bem o tipo de criação que nós tivemos.
-Você veio até aqui só para trazer o meu celular? - a pergunta era obviamente retórica. - E a...? - me lembrei da HyeRin imediatamente vendo que ela não estava com ele.
-Deixei ela com a sua tia - ele falou calmamente unindo os lábios logo em seguida. Sorri para ele.
-Quer um café? Americano! Eu sei que é o seu favorito - falei. Olhei para o Jungkook que nos assistia esse tempo todo sem falar nada e completei: - É por minha conta. - Ele ascentiu silenciosamente e fui até a máquina preparar um americano com creme para ele.
O movimento ainda estava fraco então eu disse para ele sentar e beber o seu café calmamente. O cabelo dele estava grande, maior do que eu jamais tinha visto, mas eu achava bonito assim, estava diferente do habitual, por sair pouco de casa, ele estava com a pele bem mais pálida que o normal e tinha algumas pequenas marcas de olheiras debaixo dos olhos, mesmo que dormisse muito. Ele era muito bonito e combinava em um ambiente decolado como o do café.
-Então... - dei um pigarro. - Como foi lá no advogado? - essa manhã ele tinha saído para encontrar o advogado e saber das novidades, porque o advogado disse qur tinha novidades.
-Segundo ele, em no máximo duas semanas, eu vou recuperar os meus bens. - falou da forma mansa com sempre costuma falar seja sobre problemas ou seja sobre coisas boas, ele quase nunca muda sua entonação.
-Sério? - o entusiasmo em minha voz entregava o quanto eu me sentia aliviada de ouvir isso.
- Ele disse que meus bens estão bloqueados de forma irregular, que tem algo muito errado em toda essa história de bloquear bens e que ele vai liberar para mim. - depois de falar ele tomou um gole grande do café parecendo saborear a bebida. Fiquei feliz em perceber que podia preparar algo que ele gostava de beber.
- Como assim irregular? - perguntei. Ele suspirou.
- Não é novidade AeRa-ah, alguém está fazendo de tudo para me incriminar e dificultar a minha vida - explicou. Para mim soava tão estranho pensar que alguém estava tramando contra ele, porque tramas e planos malignos pareciam apenas coisa de filme.
-Você sabe quem é? - Eu não podia deixar de perguntar. Ele ficou de pé de repente pegando o seu café.
-Em casa a gente conversa. Eu prometi voltar logo por causa da menina e a história é longa demais - concluiu.
-Tudo bem. Nos vemos mais tarde - sorri para ele, mas não olhei verdadeiramente para o seu rosto, eu meio que estava tentando evitar contato visual com ele. Ele me deu as costas e começou a sair, fiquei em pé arrumando as cadeiras.
- Ah! - ele falou e eu me virei para ver o que ele queria. - O seu celular - o Yoongi tirou o celular do bolso e deu alguns passos na minha direção com o aparelho estendido.
-Obrigada - falei pegando o aparelho e vendo ele sair do estabelecimento até que ele sumisse do meu campo de visão. Não consegui conter o suspiro que me escapou. Eu não conseguia olhar nos olhos dele por me sentir culpada por estar confusa, eu jurei para mim mesma que isso não aconteceria, mas nesse momento eu estava em euforia por dentro apenas com a atitude dele de trazer o celular para mim e isso era um pessimo sinal.
-Cha AeRa noona está apaixonada? - o Jungkook de detrás do balcão imitavam a minha entonação de voz, repetindo a mesma frase que eu tinha falado hoje cedo e o mais impressionante é que ele realmente parecia comigo na forma de falar.
-Já limpou as mesas? - perguntei, mas tentei meu melhor tom de diversão.
-Vocês combinam tanto! A Noona deveria chamar ele para sair - continuou me imitando e eu joguei a flanela de limpar as mesas nele. Idiota!
-Cala a boca Jeon Jungkook! - falei. Ele soltou um riso despreocupado.
- Ele é seu namorado? A Noona falou tão informalmente com ele - observou. Caladinho, mas observador. Tsc!
- Não, ele não é meu namorado! - respondi.
-Sei - ironizou e me senti desconfortável com isso, na vida o maior rótulo que colocavam em mim, sempre era a de namorada do Yoongi, eu não gostava disso porque não éramos, então não fazia sentido nenhum.
-É verdade, ele é o meu chefe! - na verdade eu não precisava estar me explicando, mas no final de tudo eu sempre acabava tentando convencer as pessoas de que eu e ele não tínhamos nada.
- Como que ele é seu chefe, se meu pai é o seu chefe? - questionou-me. Touché.
-Longa história - resumi. Obviamente essa não era a resposta que ele queria, porém Jeon Jungkook era educado demais para insistir.
-Independente dê... eu não brinquei sobre vocês dois combinarem. - concluiu.
-E eu não brinquei quando perguntei se você já tinha limpado as mesas. - desfiz minha expressão relaxada e encarei o jovem a minha frente.
-Hey, eu sou o chefe aqui - disse parecendo ofendido, mas eu sabia que no fundo ele não estava verdadeiramente ofendido.
-Desculpe, é verdade - falei. Era normal que eu agisse como se ainda mandasse em algo, afinal antigamente eu mandava, estava acostumada a delegar e não a ser delegada e mesmo que já estivesse adaptada aqui, ainda era tudo muito novo e ainda mais porque Jeon Jungkook era mais jovem que eu, a hierarquia aqui era um pouco estranha para mim.
■
Subi as escadas da vila em direção ao telhado preguiçosamente, porque o movimento tinha sido fraco hoje, o dia acabou passando ainda mais devagar do que o normal, mesmo com a visita do Yoongi, ainda assim demorou para chegar a hora de fecharmos, ainda mais porque eu me sentia levemente ansiosa para saber quais coisas eram importantes de serem contadas e que não dava para serem contadas lá no café.
Digitei a senha da porta da casa e entrei, largando meus sapatos na entrada. A primeira coisa que vi foi a pequena Hyerin segurando a mamadeira sozinha, deitada na manta branca em que dormiamos, ela me olhou largando a mamadeira imediatamente e fazendo força para sentar sozinha.
-Yah, nossa pequena Hyerin está crescendo bem - falei indo direto para Ela sentindo meu coração imediatamente leve ao ver seu rostinho lindo, a peguei no colo. - Como foi seu dia? - perguntei para ela. - Seu pai se comportou? - no momento em que sussurrei essas palavras finais o Yoongi abriu a porta do banheiro.
- Você chegou. - falou.
-Hmmm, acabei saindo mais cedo por falta de movimento - expliquei, ele estava com os cabelos negros molhados pendendo sobre seu rosto. Isso acabava dando um destaque absurdo para a boca rosada dele. Desviei o olhar dele, voltando-me para a pequena em meu colo. - Yah, cada vez que eu olho para você, você está maior. O que vamos fazer hein? - ela sorriu para mim mostrando os dois dentinhos que já tinham nascido, fechando os olhinhos pequenos formando duas linhas, as bochechas tão grandes, era tão fofa, a abracei aproveitando seu cheirinho gostoso de bebê.
Fiquei fazendo sons e caretas para fazê-la rir, até que percebi que o Yoongi permanecia parado no mesmo lugar desde que eu cheguei. Levei meu olhar até ele, que estava de braços cruzados olhando para a nossa direção, mas parecia ter seus pensamentos em outro lugar.
- Que foi? - perguntei. Ele suspirou, sentando no chão na sequência. Ajeitei a menina em meu colo para poder prestar atenção nele.
-Acho que o SungDae é a pessoa por trás de tudo isso - explicou sem rodeios o que se passava em sua mente.
-Mas o SungDae é seu amigo, ele... - parei um momento para pensar nisso. O Yoongi e o SungDae tinha erguido a empresa juntos quando ainda estavam na faculdade o Yoongi na de música e o SungDae na de administração, eles se juntaram e solidificaram o negócio que hoje era uma empresa bem estruturada no mercado da música. O SungDae parecia boa pessoa, não fazia o estilo "não confiável" era dificil de pensar que ele pudesse trair a pessoa que ele próprio chamava de melhor amigo. - Ele faria isso? - perguntei completando meu pensamento. O Yoongi olhou para o chão.
-Esse é o problema, não sei - Seu olhar se voltou para mim. - Mas quem mais poderia ser? O SungDae não atende as minhas ligações e quando eu liguei para ele do celular do advogado que eu contratei, ele desligou assim que ouviu minha voz. Por que? Por que ele não pode falar comigo? Por que não pode me contar o que está acontecendo na nossa empresa? O advogado falou que o valor de mercado caiu muito desde que eu saí, porque meu nome é o principal nome da empresa, eu sou o maior produtor deles, sem mim, sem música. O que uma produtora vai fazer sem música? - o Yoongi não considerava muitas pessoas, ele sempre tinha sido assim, sempre era educado com todos na medida do possível, porém ele não se apegava a qualquer um. E o SungDae era um amigo próximo dele, alguém que eu arriscava dizer que era considerado um irmão para o mesmo.
Provavelmente ele estava muito decepcionado com o SungDae.
-Você não pode voltar para a empresa mesmo? - perguntei. Ele negou com a cabeça.
-Mas quando eu recuperar meus bens, eu vou lá, eu vou confrontar ele, eu quero saber da verdade! - disse de forma confiante. Eu sorri com isso.
-É bom ver que você está disposto a correr atrás, você mudou muito desde que chegamos aqui - observei. Ele me encarou e eu encarei ele de volta, mas obviamente isso era um erro, o silêncio do momento fazia com que eu sentisse como se ele pudesse ouvir meu coração. Ajeitei a HyeRin no braço como uma desculpa para desviar o olhar do dele, coloquei ela em cima da manta.
-Aquele garoto é o seu chefe? - perguntou quando eu estava começando a me levantar para poder ir tomar banho.
-Quem? O Jungkook-ah? É o filho do meu chefe - falei.
- Ele ficou olhando tanto pra você enquanto eu estava lá - falou e eu realmente não entendi onde ele queria chegar com essa observação tão aleatória.
-Nada a ver - falei. - Eu e o Jungkook somos só amigos.
- Tipo, como a gente? - olhei para ele confusa e depois eu ri, "a gente" soava estranho demais em uma frase direcionada à mim.
-A gente é amigo? - perguntei de forma irônica, indo até a cozinha pegar água, meu coração vacilando tantas batidas que eu não conseguia ficar de pé. Não podíamos esquecer que a palavra amigos não definia muito bem a nossa relação, se é que existia uma.
-Não somos? - retrucou e quando eu me virei ele estava do lado da menina de costas para mim, ajeitando ela para que voltasse a tomar o seu leite. Que papo todo era aquele do Yoongi? Isso estava sendo tão de repente e aleatório.
-Somos? - retruquei meio que querendo uma resposta vindo dele. Ele demorou um pouco para responder.
-Por mim somos! - respondeu por fim. Encarei as costas dele e de repente ele se virou, me encarou e sorriu, não era um sorriso aberto, era apenas um sorriso contido que criava uma pequena ruga de bigode chinês nele e que fazia meu coração derreter. Seus olhos negros me olhavam de novo e brilhavam.
Pisquei atônita virando bruscamente para dar as costas à ele, levei minha mão ao coração e tentei segurar as lágrimas que queriam sair, eu estava sendo fortemente afetada por ele.
Era impossível.
Era impossível não voltar a me apaixonar pelo Yoongi quando ele me olhava assim, quando ele se aproximava de mim e me fazia acreditar que de alguma forma existia um "a gente", era impossível ficar no mesmo ambiente que ele não morrer de amores por ele, mas eu precisava lutar contra isso, ou eu estragaria tudo mais uma vez e eu não queria mais estragar o que estavamos construindo aqui.
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