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Capítulo 26 | Pai do feto

O cheiro forte de antisséptico e medicamentos impregnava o ar estéril do hospital. As luzes brancas e frias lançavam sombras duras contra as paredes, e o som ritmado dos monitores preenchia o silêncio pesado que pairava sobre o quarto onde Harry estava deitado. 

Quando chegou, trazido às pressas nos braços de Louis, sua pele estava pálida demais, e sua roupa—principalmente a parte inferior—manchada de sangue. A urgência no olhar dos enfermeiros e a rapidez com que o levaram para um dos quartos só aumentaram o desespero de Louis, que permaneceu do lado de fora, o corpo tenso, incapaz de se sentar, de respirar direito, de pensar com clareza. 

Ele não sabia quanto tempo havia se passado. Os minutos arrastavam-se como horas enquanto ele encarava a porta fechada, o estômago revirando, o coração martelando dolorosamente no peito.

O sangue—o maldito sangue—continuava impregnado em sua memória, grudado em sua pele como um lembrete cruel de que algo estava errado.

Muito errado. 

Quando o médico finalmente apareceu, Louis se levantou de imediato, a ansiedade queimando em seus olhos inchados de tanto chorar. 

— Olha, ele está bem, está sedado...– começou o homem, a voz profissional, mas carregada de uma certa seriedade.— Infelizmente foi um aborto espontâneo. Não pudemos fazer nada para ajudá-lo... Ele devia ter vindo logo que começou a sentir dores. 

O mundo ao redor de Louis parou

— A-aborto espontâneo?– sua própria voz soou distante, trêmula, carregada de incredulidade. 

Ele sentiu a cabeça girar, como se o impacto daquelas palavras tivesse lhe acertado fisicamente. O sangue. As dores. O choro silencioso de Harry. E agora... Aquilo. 

Seus joelhos fraquejaram, e ele caiu pesadamente na poltrona ao lado, as mãos tremendo enquanto tentava processar o que havia acabado de ouvir. 

Aborto espontâneo. 

Ele perdeu o fôlego.

O bebê.

O filho deles.

O filho que ele nem sabia que existia.

Uma onda de choque percorreu seu corpo, deixando-o momentaneamente paralisado. Seu coração martelava contra o peito, e por um segundo tudo ao seu redor pareceu sumir—o barulho do hospital, as vozes abafadas dos médicos, até mesmo a presença de Liam ao seu lado. Tudo se reduziu a um zumbido distante enquanto a realidade se instalava, pesada e cruel.

Ele piscou, tentando absorver as palavras que acabara de ouvir, mas elas não faziam sentido. Como podia ter perdido algo que nem ao menos soube que tinha? Como podia sentir um luto tão devastador assim?

O médico continuou falando, explicando os procedimentos, mas Louis já não ouvia mais. Sua mente estava um caos, os pensamentos embaralhados, um turbilhão de emoções colidindo dentro de si. 

Quando o médico mencionou que haviam removido a placenta e que Harry precisaria de repouso, Louis piscou algumas vezes, tentando voltar para o presente. 

— Sem relações sexuais e atividades físicas pesadas.– prosseguiu o médico, escrevendo no prontuário.— Ele precisa se alimentar bem, e vou prescrever um antidepressivo. 

Houve uma pausa antes da próxima pergunta, e Louis sentiu o olhar do médico sobre si. 

— O senhor era o pai do feto

Louis engoliu em seco, sua garganta queimando. Seu peito se apertou com força, como se o ar tivesse sido arrancado de seus pulmões. 

— Sim... Eu era. 

A confissão escapou em um sussurro quebrado, e foi nesse momento que as lágrimas voltaram a cair, deslizando silenciosas por seu rosto. Ele não conseguia impedir. Nem sequer tentou. 

Não havia nada que pudesse prepará-lo para aquela dor. Era como se algo dentro dele tivesse sido arrancado à força, deixando um vazio irreparável. Seu coração batia de forma errática, uma mistura de luto, culpa e um amor sufocante por Harry, que estava naquele quarto, sedado, sem saber que ao acordar, teria que lidar com essa perda sozinho. 

Louis passou as mãos trêmulas pelo rosto, tentando recuperar o controle, mas o peso daquele momento era esmagador. 

Harry estava esperando um filho. 

O filho deles. 

E agora... Ele se foi.

[...]

O trajeto de volta para casa foi silencioso. No banco de trás, Harry estava deitado, ainda fraco, o olhar perdido na janela. Seu corpo parecia mais leve por conta da sedação, mas o peso dentro dele ainda era esmagador. 

Louis dirigia sem dizer uma palavra, os dedos apertando o volante com força. Seus pensamentos estavam caóticos, um turbilhão de emoções que ele mal conseguia processar. Ao seu lado, Liam mantinha a expressão fechada, ciente de que qualquer palavra naquele momento soaria vazia. 

George, sentado ao lado de Harry, parecia preocupado, mas sem desconfiar da gravidade da situação. Para ele, aquilo não passava de um mal-estar que precisava de descanso e cuidado. Ele tentou perguntar algumas vezes se Harry precisava de algo, mas recebeu apenas um aceno de cabeça vago em resposta. 

Louis sentia um nó na garganta cada vez que olhava pelo retrovisor e via Harry daquela forma. Ele queria dizer algo. Perguntar se ele sabia. Perguntar por que ele não contou nada. Mas o medo de pressioná-lo enquanto ainda estava tão fragilizado o impediu. 

Quando chegaram à casa de Zayn, George foi o primeiro a ajudar Harry a sair do carro, apoiando-o pelos ombros com carinho, completamente alheio à verdadeira razão por trás de seu abatimento. 

Liam e Louis trocaram um olhar significativo antes de descerem também. 

Só os dois sabiam a verdade. 

E essa verdade queimava dentro deles.

[...]

O céu começava a se tingir com os tons alaranjados do entardecer, e o som das ondas quebrando contra a areia enchia o silêncio entre os dois. O cheiro de sal e maresia estava forte no ar, mas nada parecia capaz de aliviar o nó sufocante que Louis sentia no peito. Ele estava sentado no banco ao lado de Liam, mas sua mente estava em outro lugar—presa na dor, na revolta, no vazio que agora parecia irreversível. 

Seu coração pulsava com força contra as costelas, um misto de raiva e impotência que fazia suas mãos tremerem levemente. Ele queria gritar. Queria culpar alguém. Queria culpar o próprio destino, como se fosse justo que uma força maior tivesse decidido arrancar isso dele sem sequer lhe dar tempo de entender. 

Ele havia perdido um filho. 

Uma vida que começou dentro de Harry, que fazia parte dele, que era dele. E ninguém sequer havia lhe dado a chance de saber, de sentir, de lutar por aquilo. 

Liam estava ao seu lado, uma presença estável e compreensiva, mas Louis sentia como se ninguém pudesse realmente entender a tempestade que se formava dentro dele. 

Quando Liam quebrou o silêncio, sua voz era firme, mas não agressiva. Ele não estava ali para machucar Louis, mas suas palavras entravam como navalhas afiadas. 

— Harry também ama você, e muito... Mas vocês não podem ser egoístas um com o outro. Entende isso, não é? Sei que seriam uma ótima família. Ter um bebê jovem tem seus altos e baixos, mas sinto que ainda não seja o momento certo para Harry. Louis, ele ao menos me contou que estava grávido, bem... Se é que ele sabia. 

Louis virou a cabeça para encará-lo, seus olhos azuis marejados, mas carregados de um brilho intenso. Um brilho de frustração, de incredulidade, de dor. 

— Eu sei que Harry merece mais. Sei que ele tem sonhos, Liam... — Sua voz saiu embargada, mas havia uma dureza nela que denunciava sua revolta reprimida. — Por isso eu o deixei ir. Por isso concordei em abrir mão do que tínhamos. Não posso ser egoísta com ele, mas também não posso não me chatear com essa perda... Não seria um filho planejado, mas ainda era o nosso filho. 

Ele respirou fundo, tentando conter o tremor que ameaçava dominá-lo, mas falhou. Seu maxilar travou quando a dúvida surgiu em sua mente, uma dúvida que ele nem queria cogitar, mas que agora queimava como uma ferida exposta. 

— Acha mesmo que ele não sabia sobre essa gestação? 

Liam hesitou por um momento antes de responder. 

— Não sei te dizer. Mas... Isso agora não muda nada. É duro, mas vamos precisar encarar a realidade. Harry está tentando começar um relacionamento que a mãe dele aprova. E você está tentando engravidar a sua mulher que nem mesmo está aqui. 

Aquela frase foi a gota d'água. 

Louis sentiu algo estalar dentro de si—uma fúria cega, descontrolada, impulsionada pelo luto e pela exaustão emocional. Ele virou-se de forma brusca, olhando diretamente para Liam, os olhos inflamados com uma raiva que ele sequer sabia que estava acumulando. 

— Não me venha falar sobre George e me pedir para aceitá-lo logo agora que eu perdi um filho!– sua voz saiu mais alta do que pretendia, carregada de um peso que fez até mesmo Liam piscar algumas vezes antes de responder. 

Louis continuou, os punhos cerrados sobre os joelhos, o peito subindo e descendo rapidamente. 

— Será que você não entende o quanto isso dói? Eu sei que não vai mudar nada, mas dói, e dói muito, Liam. 

Liam suspirou, desviando o olhar por um instante, mas Louis não estava disposto a recuar. 

— Eu já deixei Harry partir. Já deixei ele seguir em frente e estar com alguém que você e a mãe dele aprovam. Não fiz nada para impedir. Eu estou apenas sentindo... Será que nem mesmo isso eu posso? 

Liam balançou a cabeça, os ombros tensos. 

— Claro que pode... — Sua voz agora era baixa, quase um sussurro. — Não gostaria de ser insensível... 

Ele estendeu a mão para o ombro de Louis, apertando-o de leve em um gesto de conforto. 

— Eu sinto muito. 

Louis soltou um suspiro trêmulo, passando as mãos pelo rosto. Seu corpo estava exausto, sua mente em frangalhos, mas havia algo dentro dele que ainda precisava de respostas. 

— Eu preciso conversar com Harry, a sós... Me ajude nisso. 

Sua voz falhou no final, um reflexo da exaustão que o dominava, mas ele não desviou o olhar do mar à sua frente. O som das ondas quebrando na areia era a única coisa que preenchia o silêncio pesado entre ele e Liam, mas nem mesmo isso parecia capaz de acalmá-lo. 

Louis sentia como se estivesse preso dentro do próprio corpo, sufocado por uma dor que não conseguia extravasar de maneira alguma. Ele já havia chorado, já havia sentido a revolta pulsar em cada fibra do seu ser, mas nada disso aliviava o buraco que se abria dentro dele. Era uma dor crua, latente, algo que não poderia ser expresso em palavras, porque parecia grande demais para ser compreendido. 

Precisava falar com Harry. Precisava entender. 

Seu coração pesava com perguntas que talvez nunca tivessem resposta. Harry sabia? Ele escondeu isso de propósito? Ou foi mais um fardo que carregou sozinho, com medo de dizer em voz alta? Louis tentava se convencer de que a última opção era a mais provável, porque a alternativa—de que Harry sabia e simplesmente não contou—era algo que ele não queria enfrentar agora. 

O pensamento o consumia, o corroía por dentro. Seu peito se apertava só de lembrar do jeito que encontrou Harry naquela manhã: encolhido, frágil, sufocado por algo muito maior do que ele próprio. Louis não sabia dizer se era a dor ou o medo que o impedia de falar, mas agora tudo parecia fazer sentido. As últimas semanas, os olhares distantes, o jeito que Harry parecia sempre preso dentro da própria mente, lutando contra algo invisível. 

Ele queria odiá-lo por não ter contado. Queria despejar toda sua frustração, gritar que isso não era algo que se guardava, que ele tinha o direito de saber. Mas, ao mesmo tempo, parte dele apenas queria abraçá-lo, protegê-lo, garantir que ele não precisaria enfrentar essa dor sozinho. 

Louis respirou fundo, os olhos fixos no horizonte, mas a única coisa que via era o rosto de Harry, as lágrimas escorrendo silenciosas enquanto ele tremia em seus braços. 

Ele precisava saber. Precisava entender por que tinha sido mantido no escuro até o momento em que não havia mais nada que pudesse fazer. 

E, acima de tudo, precisava saber se aquela dor que sentia agora algum dia diminuiria. 

Porque, naquele momento, parecia impossível.

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