Capítulo 21 | Eleanor Calder
[...]
A manhã estava pesada. O café na mesa esfriava rápido, e o silêncio era mais presente do que qualquer conversa animada. A casa de Louis não seria mais a mesma sem Liam e Harry.
Harry, sentado à mesa, girava a colher dentro da xícara sem realmente prestar atenção no que fazia. Seu olhar estava perdido, e a única coisa que o mantinha ali era a presença dos amigos. Liam tentava puxar assunto, falando sobre como o bebê estava chutando mais forte, enquanto Zayn, de vez em quando, soltava alguma piada para aliviar o clima. Mas ninguém estava realmente animado.
Foi então que o celular de Harry vibrou na mesa. Ele franziu a testa ao ver um número desconhecido na tela, hesitou por um momento e, finalmente, atendeu.
No início, sua expressão não mudou. Ele apenas ouviu, os olhos fixos na mesa. Mas então, de repente, sua respiração ficou mais rápida, e seus dedos apertaram o celular com mais força. Quando desligou, piscou algumas vezes como se tentasse absorver a informação antes de finalmente dizer:
— Eu consegui.
Todos na mesa pararam. Liam arregalou os olhos, Zayn inclinou o corpo para frente, e Louis sentiu o coração dar um leve salto.
— Você tá falando sério?– Liam perguntou, como se quisesse confirmar que tinha ouvido direito.
Harry assentiu, ainda parecendo meio atordoado.
— Meu Green Card. Ele saiu.
Dessa vez, Zayn e Liam explodiram em comemoração.
— Cara, isso é incrível!– Zayn exclamou, batendo em seu ombro.
— Agora sim temos um motivo pra comemorar!– Liam brincou, pegando seu copo de suco e erguendo como se fizesse um brinde.
Harry sorriu, mas não era um sorriso completo. Seu olhar encontrou o de Louis do outro lado da mesa. Os dois se encararam por um instante, e ambos souberam que precisavam dizer algo.
Foi Louis quem quebrou o silêncio.
— Temos algo pra contar...
O clima na mesa mudou na hora. O riso de Liam diminuiu, e Zayn franziu a testa. Eles trocaram olhares antes de voltarem a encarar os dois.
E então Louis explicou.
Quando terminou, o silêncio voltou, mas dessa vez era diferente. Liam passou a mão pelo rosto, visivelmente tocado. Zayn soltou um suspiro pesado e apoiou os cotovelos na mesa, encarando os dois.
— Bom... Se foi uma decisão dos dois...– Liam começou, escolhendo as palavras com cuidado.
— Não significa que não seja uma droga.– Zayn completou, direto como sempre.
Louis soltou um riso sem humor.
— É. Foi uma droga.
No final, mesmo tristes, os amigos entenderam. Eles respeitavam a decisão, mas a despedida deixava um gosto amargo no ar.
2 semanas depois
A casa de Louis nunca pareceu tão vazia.
Ele nunca gostou do silêncio, e agora era a única coisa que tinha. Desde que Harry saiu, parecia que as paredes ecoavam o vazio. Nada mais tinha vida. Nem os filmes que assistia sozinho, nem as músicas que colocava para preencher o espaço. O sofá, onde antes os dois ficavam jogados juntos, parecia grande demais.
Era a mesma sensação que teve quando perdeu a mãe. Um buraco no peito, uma falta que não podia ser preenchida.
Ele tentou seguir em frente.
Tentou se convencer de que tinha tomado a decisão certa. Mas, no fim do dia, era sempre ele e seu copo de bebida.
O álcool ajudava a anestesiar. Os aplicativos de relacionamento ajudavam a distrair. Mas nada preenchia o vazio.
Naquela noite, Zayn o arrastou para um bar. Louis já havia bebido mais do que deveria quando o amigo chamou o garçom para pagar a conta.
— Me deixa em paz, cara!– reclamou, afastando a mão de Zayn de seu braço.
O amigo suspirou e o ajudou a se levantar, praticamente o carregando até o carro. Louis não protestou. Ele estava cansado.
Já em casa, depois de um banho gelado forçado e uma refeição decente, Louis sentou-se no sofá, olhando para a parede. Sua voz saiu baixa e quase sem vida.
— Não aguento mais ficar sozinho.
Zayn o observou por um momento antes de suspirar.
— Quem sabe você não sai um pouco? Eleanor está na cidade...
Louis virou a cabeça devagar para encará-lo. Aquilo parecia ridículo.
— Você acha mesmo?
Zayn deu de ombros.
— Acho. Pelo que Liam me disse, Harry também está tentando seguir em frente.
Louis apertou os lábios. Ele já deveria saber. Harry era jovem, tinha toda a vida pela frente. Ele era lindo, doce, tinha um futuro brilhante esperando por ele. Era óbvio que encontraria alguém logo.
Sem dizer mais nada, pegou o celular e deslizou os dedos pela lista de contatos. Encontrou o nome de Eleanor. Hesitou por um momento, mas no final, enviou a mensagem.
Talvez fosse hora de seguir em frente. Ou pelo menos fingir que estava tentando. E Harry, consequentemente pensava a mesma coisa.
Harry caminhava ao lado de George, ambos com casquinhas de sorvete nas mãos. O calor do dia fazia o sorvete derreter rapidamente, mas Harry estava mais focado na presença de George do que na temperatura.
Eles conversavam e riam juntos, a leveza da amizade entre eles oferecendo-lhe um alívio temporário. Harry não havia contado para George todos os detalhes de sua vida, mas já se sentia à vontade. Ultimamente o cacheado só conseguia pensar em Louis e nas notícias que circulavam pela internet.
Estava tão distante de Louis, e parecia que a distância também estava se expandindo para seus outros relacionamentos.
— Estou com a mandíbula doendo de tanto rir.– George disse, ainda entre risadas.
O calor os obrigou a procurar sombra, então se sentaram em um banco sob uma árvore, os dois tentando saborear seus sorvetes antes que derretessem.
— Eu sei, eu imito a Oprah muito bem!
George, ainda rindo, olhou para ele com os olhos brilhando de diversão. Mas quando Harry olhou de volta, algo no jeito em que George o olhava fez sua risada desaparecer um pouco.
A amizade que parecia tão confortável agora se misturava com uma sensação desconcertante. George não tinha os olhos de Louis.
Por um momento, Harry sentiu um vazio.
— Eu amo a cor dos seus olhos.– disse George, quebrando o silêncio. Harry, um pouco surpreso, baixou o olhar para o sorvete, tentando se recuperar da sensação estranha.
— Obrigado.– Harry murmurou, sua voz baixa, quase sem saber como reagir. Ele não esperava aquelas palavras.
George se aproximou mais, e Harry sentiu uma onda de nervosismo. O que estava acontecendo? Por que ele estava tão nervoso?
Quando George finalmente tentou algo, Harry foi mais rápido e encostou o seu sorvete na boca dele, ao invés de um beijo.
— Tudo bem, agora você descontou o meu fora daquele dia.– disse George, sorrindo travesso.
Harry riu, sentindo o peso da situação se dissipando um pouco.
— Ótimo, você me deixou com cara de tacho.
— Já que estamos quites, da próxima vez que eu tentar, você vai retribuir?– George perguntou, com uma expressão de desafio, enquanto limpava os lábios com os dedos, os lambendo em seguida.
— Não sei.– a resposta saiu de sua boca sem pensar muito. Harry estava confuso. Não sabia o que estava acontecendo, mas sabia que algo estava mudando.
— Eu esperava ouvir um sim.
Harry respirou fundo e olhou para os olhos de George. Ele sabia o que deveria fazer, sabia o que sentia em seu peito, mas algo ainda o segurava. Sua mente estava dividida entre o momento presente e os sentimentos por Louis, que ainda pesavam sobre ele.
— Então... sim.– disse Harry, com uma leveza estranha, quase como se estivesse se entregando a algo que ele não podia controlar.
Ele se inclinou para frente, e os dois se beijaram.
Ecaaaaaaa! Eu realmente não merecia ter que escrever isso, não merecia!
O momento, finalmente, aconteceu. O beijo foi suave, como se ambos estivessem tentando descobrir algo novo um no outro. Mas enquanto seus lábios se tocavam, Harry não pôde evitar o pensamento que atravessou sua mente. Louis.
[...]
Louis estava sentado diante de Eleanor Calder em um restaurante elegante, um ambiente que parecia contrastar com o turbilhão de emoções que ele sentia por dentro.
— Fiquei até surpresa com a sua mensagem...– Eleanor comentou, rindo de forma leve, como se aquilo fosse quase inesperado, mas agradável.
Louis forçou um sorriso, tentando manter a conversa fluindo enquanto seu olhar se desviava para o cardápio. A verdade era que ele não estava realmente focado no que estava à sua frente. Suas memórias, como um filme incessante, continuavam a trazer à tona imagens e sentimentos de Harry.
— Soube que tinha se casado...– Eleanor continuou, com uma leve surpresa na voz, como se estivesse tentando entender os passos que ele havia dado desde que se afastaram.
Louis suspirou ao ouvir as palavras dela. Era difícil falar sobre isso. Cada vez que alguém mencionava seu casamento, ele sentia como se estivesse revisitando algo que já estava enterrado no fundo de sua mente.
— Eu me casei, estava apaixonado...– Louis começou.— Mas... Nós tínhamos planos diferentes para o futuro, então decidimos nos separar antes que as coisas ficassem mais sérias.
Ele passou a língua entre os lábios, tentando desviar os pensamentos de Harry, ele olhou para Eleanor, tentando se concentrar nela, e colocou uma de suas mãos sobre a dela, um gesto de carinho, talvez uma tentativa de relembrar o conforto que ela sempre representou em sua vida.
— Zayn me contou que você estava na cidade e eu pensei que seria bom te reencontrar. Sempre tivemos boas conversas e eu estava precisando de companhia. Sempre admirei a sua.– Louis falou com sinceridade.
Eleanor, que sempre teve uma aura de compreensão, suspirou suavemente, e Louis percebeu que ela também estava passando por algo semelhante.
— Sei como é...– Eleanor disse, com a voz baixa e reflexiva.— Eu também estava perto de noivar e então, quando ele me disse que não queria uma família, aquilo me fez repensar tudo e terminar...
Louis a olhou, tentando compreender o que ela estava dizendo. Eleanor sempre teve uma visão clara do que queria para sua vida, e ele sabia que aquilo tinha sido difícil para ela, assim como tinha sido para ele.
— Eu... Eu quero mesmo filhos, acho que é o momento.– o olhar de Eleanor era firme, mas havia uma vulnerabilidade ali, um desejo de algo mais profundo que ela sentia agora.
Louis respirou fundo, a conversa agora tomando um rumo mais pessoal, mais íntimo.
— Harry é um garoto maravilhoso, ele me fazia feliz...– Louis começou, mas a tristeza de suas palavras não passou despercebida. Ele não estava falando de forma fria; havia um toque de nostalgia e arrependimento em sua voz.— Mas é muito jovem, ele precisa viver a sua própria vida. Ainda está na faculdade, ainda terá as experiências que eu já tive... E, bem, eu estou mais velho. Já passei por essa fase, e agora também desejo ter filhos.
Louis olhou para Eleanor enquanto falava, os olhos fixos nos dela, tentando se concentrar na conversa que estavam tendo. Ele suspirou, como se uma parte de sua alma estivesse se entregando a um peso que ele não poderia carregar sozinho.
— Já conquistei tudo profissionalmente...– ele continuou, com a voz mais baixa agora, como se estivesse compartilhando uma parte muito pessoal de si mesmo.— Me resta ser realizado apenas na minha vida pessoal.
Eleanor sorriu, mas era um sorriso suave, compreensivo. Ela tocou sua mão novamente, acariciando-a de forma reconfortante.
— Certo, então acho que fez bem em me ligar.
Louis olhou para ela, sorrindo de lado, mas ainda com o olhar distante. Ele percebeu suas mãos entrelaçadas na mesa, os dedos de Eleanor tocando os seus, e por um momento, o simples toque parecia uma âncora. A presença dela ainda era confortável, mas ele sabia que estava começando a questionar tudo o que estava acontecendo em sua vida.
Ele voltou a olhar para o prato, pegando um pedaço da comida e levando até a boca, mas não podia negar que o vazio que sentia em seu peito não estava sendo preenchido por nada, nem por Eleanor, nem pelo jantar, nem pela companhia. Ele sabia que a única coisa que ele realmente queria estava distante demais para alcançar.
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