Capítulo 18 | Doces
[...]
O aeroporto estava lotado e barulhento, mas nada disso parecia importar. Harry caminhava ao lado de Louis, as mãos entrelaçadas, sentindo o frio cortante do inverno russo. Seu nariz e bochechas já estavam vermelhos, denunciando o quanto aquele clima lhe atingia.
Louis, por sua vez, o puxou ainda mais para perto, envolvendo-o em um meio abraço protetor.
— Está congelando, né?– murmurou, beijando de leve sua testa.
Harry assentiu, apertando os dedos contra os dele.
Foram rapidamente escoltados por seguranças até um carro preto que os aguardava na saída. O veículo os levaria ao hotel onde todas as figuras importantes do evento estavam hospedadas. Assim que entraram, Harry se encolheu contra Louis, buscando qualquer vestígio de calor que pudesse encontrar.
O caminho até o hotel foi silencioso, mas confortável. Harry ficou observando a cidade pela janela, impressionado com a arquitetura e a neve que cobria as ruas e prédios.
— Que lindo...– murmurou, sem desviar o olhar.— Mas eu estou congelando!
Louis sorriu de lado e o apertou mais uma vez contra si.
— Vamos ficar bem quentinhos daqui a pouco.
Assim que chegaram ao hotel, foram direto para a cobertura. Harry ainda estava deslumbrado com tudo aquilo. Sabia que Louis era rico, mas estar em um lugar como aquele o fazia perceber o real nível da fortuna do outro.
— Eu amei...– murmurou, girando nos calcanhares para olhar cada detalhe do ambiente.
Louis sorriu ao vê-lo tão encantado.
— Fico feliz que tenha gostado... Mesmo que eu tenha vindo a trabalho, quero que aproveite essa viagem.
Aproximou-se por trás e o abraçou, seu queixo roçando na curva do pescoço de Harry, que se arrepiou com o contato. O quarto estava bem aquecido, e ambos já haviam se livrado das pesadas roupas de frio.
Harry caminhou até a enorme janela de vidro que dava uma vista panorâmica da cidade.
— É a minha primeira vez na Rússia e é... Lindo. Muito frio, mas lindo!
Riu fraco e se virou para Louis.
— Obrigado por me trazer.
— Fico feliz em te mostrar mais um novo lugar. Sei que você falou que gostaria de visitar a Itália com o seu próprio dinheiro, mas eu viajo muito por causa do trabalho e adoraria que você me acompanhasse sempre que possível.
Louis o olhou nos olhos, a sinceridade transbordando em sua expressão.
— Quero te mostrar o mundo.
Harry suspirou, sentindo algo quente e apertado se formar em seu peito. Sem pensar muito, apenas se inclinou e o beijou.
Louis retribuiu no mesmo instante, envolvendo seus braços firmemente ao redor da cintura dele. Aos poucos, foram se encaminhando para a cama, trocando beijos preguiçosos e carícias suaves.
Não iriam transar — estavam cansados demais para isso —, mas ficaram ali, abraçados, curtindo a presença um do outro.
Harry fechou os olhos por um instante, sentindo o calor do corpo de Louis contra o seu. Era estranho como, mesmo depois de tanto tempo vivendo na casa dele, ainda parecia surreal estarem assim, tão próximos, tão... juntos. Ele nunca imaginou que Louis corresponderia aos seus sentimentos, muito menos que os dois estariam compartilhando um momento tão íntimo sem precisar de sexo para justificar a proximidade.
Dizer o que sentia ainda parecia assustador. Era uma vulnerabilidade que Harry não sabia se podia permitir. E se Louis se assustasse? E se, por mais que estivesse apegado, não quisesse algo tão sério quanto ele queria? Mas, ao mesmo tempo, ali, nos braços dele, sentia que talvez não precisasse dizer nada. Talvez Louis já soubesse. Talvez ele sentisse o mesmo.
Suspirou baixo e apertou os braços ao redor da cintura dele, aninhando-se ainda mais. Não queria pensar demais agora. Só queria aproveitar aquele momento, onde tudo parecia simples.
— Eu... Amo estar com você.
ATACANTE!
Harry sussurrou, os dedos acariciando suavemente a nuca dele.
— Eu também amo estar com você.– Louis respondeu no mesmo tom, os olhos presos aos dele.— Não quero que saia da minha casa. Ela pode continuar sendo sua também.
Harry ficou em silêncio por um momento antes de falar baixo.
— Não... Não gostaria de te ver com outro alguém em nosso lar.
Louis suspirou.
Não esperava ouvir aquilo de Harry. Durante todo esse tempo, sempre achou que ele fosse o mais desapegado entre os dois, que ele estava ali apenas porque era confortável, porque gostava da companhia e do sexo, mas sem grandes expectativas. E, no entanto, ali estava ele, deixando claro, quase sem perceber, que via a casa como "nosso lar". Que se importava. Que não queria vê-lo com mais ninguém.
Sentiu um aperto estranho no peito — não ruim, só... intenso. Desde que Harry apareceu na sua vida, ele vinha derrubando uma por uma todas as certezas que Louis achava que tinha sobre o amor, sobre compromisso, sobre o que queria para si. E agora, estava ali, sentindo um calor inesperado no peito por uma frase que, até pouco tempo atrás, teria sido motivo de pânico.
Ele queria responder de imediato, dizer algo inteligente ou, pelo menos, reconfortante, mas percebeu que precisava de um segundo para processar. Olhou para Harry, que parecia não ter percebido o impacto de suas palavras, e sorriu pequeno, tentando aliviar a tensão dentro de si.
— Se essa for a condição para que você continue morando comigo, eu jamais vou levar alguém para o nosso lar.– disse, sentindo o peso daquelas palavras se acomodar dentro dele de um jeito quase confortável.
— Se eu soubesse que isso iria bastar, teria te dito há muito tempo.
E, pela primeira vez em muito tempo, Louis percebeu que não estava mais com medo de se apegar.
Harry mordeu o lábio, processando suas palavras.
— Então... Quer que... Que tenhamos algo aberto?
Louis franziu o cenho, parecendo pensativo.
— Não é isso. Quer dizer, eu não sei... Ontem você queria dormir com aquele garoto que levou à nossa casa. Você quer que tenhamos algo aberto?
Harry viu ali uma oportunidade de testar o que Louis realmente sentia por ele.
— Você diz que... Não temos nada, mas estamos tendo algo.– baixou o olhar, respirando fundo antes de continuar.— Eu quis ficar com outro cara porque não posso me apegar a você... Como me pediu.
Louis suspirou, esfregando o rosto com as mãos.
— Eu não disse que não temos nada...
Houve um silêncio tenso antes que ele voltasse a falar.
— Você quis ficar com outro cara porque quis mesmo. Não diga que foi por minha causa. Eu não te pedi para não se apegar, mas tudo esteve sempre tão claro desde o começo do nosso envolvimento. Mas depois de tudo o que já passamos, eu também estou apegado.
Harry piscou, surpreso.
— Está apegado? A mim?
— Achei que isso tinha ficado um pouco óbvio depois da minha crise de ciúmes com o Harry Kane...
Louis murmurou, envergonhado.
A verdade era que ele nem queria admitir aquilo em voz alta. Mas agora, olhando para Harry, percebendo que ele realmente não havia entendido o que estava na cara de qualquer um que tivesse testemunhado sua explosão de ciúmes no jogo, Louis se sentiu... vulnerável.
Seu rosto esquentou. Ele desviou o olhar por um instante, passando a mão na nuca, desconfortável com a ideia de ter sido tão transparente sem querer. Afinal, ele sempre se orgulhou de manter a postura, de não demonstrar tanto suas emoções, mas, com Harry, era uma verdadeira missão impossível.
Enquanto isso, Harry franziu as sobrancelhas, confuso.
— Não é óbvio.– respondeu, sincero, e Louis percebeu que ele realmente acreditava nisso.
Harry nunca imaginou que Louis pudesse sentir algo tão forte por ele, nunca considerou a ideia de que poderia ser mais do que uma relação casual. Desde o começo, foi lembrado de que aquilo não era sério, que não deveria se apegar, que tudo tinha um prazo de validade. Então, claro que nunca veria sinais onde achava que não existiam.
Louis soltou um suspiro, meio incrédulo. Como Harry podia ser tão atento a algumas coisas, mas tão ingênuo em outras? Como ele não percebia que Louis já estava completamente envolvido?
— Bom... agora você sabe.– disse, finalmente encontrando coragem para encará-lo de novo, mesmo que ainda sentisse o rosto quente.
Harry o olhou por um instante, como se estivesse processando tudo. E então, para a surpresa de Louis, sorriu pequeno, quase como se estivesse gostando de ouvir aquilo.
— Eu... Bem, eu estou apegado a você.
Louis o olhou por alguns segundos antes de soltar um suspiro.
— Eu pensei que não estivesse, depois de querer estar com aquele garoto... E você sempre dizia que voltaria a morar com sua mãe. Achei que não quisesse que isso entre nós durasse por muito tempo.
Harry respirou fundo.
— Bem... Você disse que não podíamos confundir as coisas, e então logo depois me falou sobre o quarto. Achei que não me quisesse, bem...
Fez uma pausa antes de continuar:
— Acho que deveríamos rotular isso.
Louis passou a mão pelos cabelos, pensativo.
— Eu também estou confuso com tudo isso... Mas como você gostaria de rotular o que estamos tendo?
Harry deu de ombros.
— Eu não sei. Gostaria de saber o que você gostaria que fosse... Somos casados no papel, vivemos como casados...
Louis o encarou por um instante antes de perguntar:
— Você... Acha que devemos levar esse casamento a sério, então?
— Só acho que devemos definir o que somos.
Louis assentiu devagar.
— Estamos juntos, isso está claro... Quero estar com você e não quero te dividir. Para as outras pessoas, estamos casados. Mas entre nós dois, podemos levar isso como um namoro. Afinal, ainda estamos nos conhecendo direito... Eu nem sei, por exemplo, se você prefere salgado ou doce.
Louis soltou um riso curto e nervoso, tentando aliviar a tensão daquele momento. Era assustador admitir tudo aquilo em voz alta, mas, ao mesmo tempo, sentia um peso sair de seus ombros. Ele queria Harry. Queria estar com ele de verdade, sem jogos ou incertezas.
Harry piscou algumas vezes, absorvendo cada palavra. Era surreal ouvir aquilo de Louis. Durante tanto tempo, ele acreditou que o sentimento entre eles era unilateral, que Louis nunca se permitiria sentir o mesmo. Mas agora... agora ele estava ali, olhando nos olhos de Harry, abrindo espaço para algo real.
O peito de Harry apertou de uma maneira boa, como se algo dentro dele estivesse finalmente se encaixando no lugar.
— Mas eu gosto de você.– Louis confessou, com um sorrisinho pequeno, meio hesitante, mas sincero.
Harry sentiu o coração dar um salto tão forte que teve certeza de que Louis conseguia ouvir. O calor subiu por seu corpo de forma involuntária, arrepiando sua pele. Ele mordeu o lábio, tentando conter um sorriso bobo, mas falhando completamente.
— Doces. Com certeza.
Ele respondeu como se aquele detalhe importasse tanto quanto o que haviam acabado de admitir.
— Também gosto de você. Gosto muito.
Dessa vez, foi Louis quem sentiu o coração bater forte.
— Então agora somos namorados. Mas te peço que tenha paciência, não tive muitos relacionamentos.
Harry deslizou os dedos pelos cabelos dele.
— Não se preocupe... Já está sendo um bom namorado.
Louis suspirou, hesitando antes de falar.
— Eu preciso confessar uma coisa...
Harry arqueou a sobrancelha.
— O quê?
Louis fechou os olhos por um momento antes de murmurar:
— O garoto que foi à nossa casa... Ele queria mesmo ficar com você. Mas quando você nos deixou sozinhos, eu o ameacei porque estava com ciúmes.– ele riu, sem graça.— Falei que, se ele tocasse em você, eu arrancaria o pinto dele.
Harry arregalou os olhos.
— Vagabundo!
Começou a rir e bateu de leve no peito de Louis.
— Não acredito que empatou a minha foda dizendo isso! Ele praticamente correu de mim!
Louis cruzou os braços, emburrado.
— Então você queria mesmo ter fodido com ele?
Harry apenas riu mais e se jogou ao lado dele.
— Não. Eu só achei que devia ficar com alguém para não me apegar.
Louis revirou os olhos e se virou de costas.
— Que tal irmos descansar um pouco na hidromassagem antes da sua reunião?
Louis soltou um sorriso de lado.
— Parece uma ótima ideia.
E com isso, deixaram todas as incertezas para trás — ao menos por enquanto.
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