Capítulo 10 | Leilão
O sol mal havia nascido completamente quando Harry sentiu um calor diferente percorrendo seu corpo. No começo, ainda preso ao torpor do sono, ele achou que estava sonhando. Seus sentidos despertavam lentamente, primeiro sentindo a suavidade dos lençóis contra sua pele desnuda, depois o cheiro amadeirado e viciante de Louis tão perto. Só quando um arrepio percorreu sua espinha e um gemido escapou involuntariamente de seus lábios, ele percebeu que aquilo era muito real.
Ele abriu os olhos, ainda sonolento, e se deparou com a cena mais pecaminosa que poderia imaginar: Louis entre suas pernas, os olhos azuis brilhando com um misto de diversão e desejo enquanto a boca fazia um trabalho cuidadoso e delicioso. Harry arquejou, o corpo se contraindo pelo prazer inesperado.
— Bom dia...– murmurou Louis contra sua pele, a voz arrastada e rouca de quem também acabara de acordar.
Harry não conseguiu responder, apenas soltou um gemido manhoso, jogando a cabeça para trás contra o travesseiro. Seus dedos automaticamente se enroscaram nos cabelos desgrenhados de Louis, guiando-o instintivamente, mesmo que ele não precisasse de direção.
O prazer foi crescendo rápido, quase avassalador. Louis sabia exatamente o que estava fazendo, alternando entre toques suaves e intensos, entre provocação e precisão. Harry sentiu os músculos da barriga se contraírem e sua respiração acelerar descontroladamente.
— Louis...– murmurou, a voz falha e entrecortada.
O mais velho apenas apertou mais suas coxas, segurando-o firmemente no lugar, intensificando os movimentos até que Harry arqueou as costas e se desfez com um gemido rouco, seu corpo inteiro tremendo.
Ele ficou ofegante por longos segundos, ainda sentindo o calor do êxtase percorrendo sua pele. Louis subiu pelo seu corpo com um sorriso satisfeito nos lábios, capturando sua boca em um beijo preguiçoso e repleto de luxúria.
— Agora sim, bom dia.– murmurou contra seus lábios, fazendo Harry rir fraco e esconder o rosto no travesseiro.
A verdade era que ele nunca havia sentido tanto prazer na vida. Estar com Louis era viciante. O jeito como ele tocava, como explorava cada pedacinho de seu corpo, como sabia exatamente onde provocar tudo isso estava ocupando cada vez mais a mente de Harry. Ele queria mais, o tempo todo.
E não demorou muito para que Louis percebesse.
A manhã seguiu com os dois trocando beijos preguiçosos no banho, as mãos deslizando pelo corpo um do outro em uma intimidade que já começava a se tornar natural. O vapor quente da água tornava a experiência ainda mais intensa, e Harry não se importou de se atrasar um pouco só para sentir Louis pressioná-lo contra o azulejo frio, explorando seu corpo uma vez mais.
Depois de finalmente conseguirem sair do banheiro, vestiram-se de forma casual e foram até a cozinha para tomar café da manhã. Harry estava faminto, e Louis ria enquanto o observava devorar a comida com entusiasmo.
— Você nunca comia tanto quando eu te levava para jantar.– Louis comentou, servindo mais café para si mesmo.
Harry deu de ombros, mastigando um pedaço de croissant antes de responder:
— Acho que nunca precisei repor tantas energias antes...
Louis riu, satisfeito com a resposta, e estendeu a mão para acariciar de leve a coxa de Harry por baixo da mesa. O toque era casual, mas carregava um peso que ambos entenderam perfeitamente.
Não demorou muito para que a tranquilidade da manhã fosse interrompida pela chegada de um visitante inesperado.
A campainha tocou, e Louis se levantou para atender. Quando a porta se abriu, um homem alto e bem vestido entrou, segurando uma arara de roupas coberta por um tecido preto de proteção.
— Bom dia, Tomlinson. Trouxe algumas opções para o evento de hoje à noite.
Harry observou com curiosidade enquanto o estilista se aproximava, analisando-o com um olhar atento.
— E você deve ser Harry... Muito prazer. Vamos te deixar absolutamente impecável para hoje.
Harry engoliu em seco, sorriu sem mostrar os dentes, sentindo que o resto do seu dia seria tão intenso quanto aquela manhã havia sido.
[...]
Quando enfim chegaram ao leilão, Louis com seu instinto paternal, protegeu Harry dos milhares de flashes que ambos foram atingidos.
Caminharam para dentro de mãos dadas, e o mais velho foi cumprimentando algumas pessoas durante o caminho.
— Você está deslumbrante.... Todos estão nos achando um lindo casal.
Harry sorriu, se sentindo genuinamente feliz.
— Obrigado.– Harry murmurou assim que se sentaram a mesa.— Agora que estamos aqui... O que vai ser leiloado?
Louis apenas suspirou e bem na hora o leilão enfim começou e aquilo fez Harry olhar diretamente para o palco.
Estavam leiloando encontros com mulheres, socialites para ser mais exata.
Harry tentava ignorar a sensação incômoda que aquele evento lhe causava. O salão estava elegantemente decorado, com lustres imponentes e mesas dispostas ao redor de um palco iluminado. Havia um burburinho constante, taças tilintando, risadas abafadas e olhares que, mesmo disfarçados, eram avaliativos.
Ele sabia que precisava se acostumar com aquele ambiente. Era o mundo de Louis, afinal.
Mas a forma como tudo ali parecia ser movido por dinheiro e status o deixava inquieto.
Ainda assim, estar sentado ao lado de Louis tornava tudo mais suportável. A presença dele era quente, reconfortante, e o modo como sua mão repousava possessivamente sobre sua coxa lhe dava uma estranha sensação de pertencimento.
Quando Harry Kane chegou, no entanto, toda a tensão que sentia foi temporariamente esquecida.
O jogador era um ícone no futebol, e Harry sempre o admirara. Ver-se diante dele, recebendo um abraço e uma saudação calorosa, fez com que seu cérebro parasse de processar qualquer outra coisa.
— Meu Deus...– o garoto murmurou baixinho, ainda sem acreditar.
Louis, percebendo sua reação, riu de leve e apertou sua coxa.
— Você deveria ver sua cara agora.– sussurrou, claramente se divertindo com o encanto de Harry.
O mais novo pigarreou, tentando recuperar a compostura, e se virou para o jogador, agora participando da conversa de forma mais consciente.
— Então você está no último ano do curso?– Kane perguntou, parecendo genuinamente interessado.
Harry assentiu.
— Sim. Quero trabalhar na reabilitação de atletas, principalmente jogadores de futebol.
— Ótima escolha. Lesões são um pesadelo no nosso meio. Se precisar de alguma recomendação futuramente, podemos conversar.
Harry piscou, surpreso.
— Você está falando sério?
Kane riu.
— Claro. Você está se casando com um Tomlinson. O mínimo que posso fazer é ajudar.
Harry sentiu Louis se inclinar ainda mais contra ele, apertando sua cintura de leve, como se quisesse marcar território.
— Exatamente.– Louis murmurou contra sua pele.
A conversa seguiu de forma agradável. Louis e Kane pareciam ter uma amizade de longa data, e Harry gostou de observá-los interagindo. Mesmo que sua relação com Louis fosse baseada em um contrato, naquele momento ele sentiu que fazia parte de algo maior.
Então, de repente, a voz do leiloeiro ecoou pelo salão.
— E agora, senhoras e senhores, vamos ao próximo item do nosso leilão beneficente!
Harry desviou o olhar de Kane e voltou-se para o palco, engolindo em seco ao ver mais uma mulher deslumbrante sendo apresentada como "prêmio" para o maior lance.
A sensação incômoda retornou com força total.
Ele apertou os lábios, observando os números subindo rapidamente. Os homens ao redor faziam lances como se aquilo fosse um jogo divertido, como se estivessem escolhendo um prato caro no cardápio de um restaurante sofisticado.
E Louis... bom, Louis simplesmente permanecia relaxado ao seu lado, segurando sua taça de champanhe sem parecer minimamente desconfortável.
Harry respirou fundo, forçando-se a manter uma expressão neutra. Não era da sua conta. Não era seu problema.
Mas, por dentro, ele sentia que aquele evento reafirmava algo que vinha tentando ignorar desde o início.
Nada entre ele e Louis era real.
Por mais que os toques, os olhares e os momentos íntimos fossem carregados de desejo, no fim das contas, Louis pertencia a esse mundo. Um mundo onde pessoas eram leiloadas por uma noite de companhia, onde tudo girava em torno de dinheiro, influência e interesses.
Ao decorrer do leilão, Louis havia dado alguns lances, mas sua intenção nunca foi realmente arrematar algo. Ele parecia apenas seguir o fluxo, com um padrão claro: sempre as mulheres loiras, magras e baixas.
Harry, observando cada lance de Louis, não pôde deixar de se perguntar por que ele, então, se atraiu por ele, um rapaz moreno, mais corpulento, com uma altura superior à de Louis. O pensamento se instalou como uma pontada no peito de Harry.
Aquela sensação desconfortável foi crescendo à medida que o leilão continuava, depois de mais um lance e um flash de câmeras que quase cegou seus olhos, ele não pôde mais suportar.
Sentindo-se sufocado, se levantou sem dizer uma palavra a Louis.
Harry se dirigiu até o banheiro. Assim que entrou no pequeno espaço, sentiu uma onda de frescor e alívio, um pequeno oásis em meio ao caos do leilão. Fechou a porta atrás de si, respirando fundo. O som abafado da música e dos risos ao longe era agora um eco distante.
Ele puxou o celular do bolso, quase que mecanicamente, e discou o número de Liam.
— Harry? O que aconteceu? Está tudo bem?– Liam perguntou, já ciente de que Harry estava com Louis, e um telefonema àquela hora não era normal.
Harry se apoiou na pia, sua respiração ainda acelerada. Não sabia exatamente como começar, mas uma onda de excitação tomou conta de seu corpo ao pensar em compartilhar com Liam o que tinha acontecido mais cedo.
— Liam... Eu conheci o Harry Kane!– Harry exclamou, um sorriso impulsivo surgindo em seu rosto, mas logo em seguida o sorriso murchou. Ele se deixou cair no chão frio do banheiro, sentindo a solidão pesar mais do que gostaria de admitir.
Liam, por um momento, parecia perdido em meio à euforia do amigo, mas logo notou a mudança na voz de Harry.
— Ah, que bom, Hazza, você deve estar super empolgado. Mas você... Você está bem?
Harry mordeu o lábio, a empolgação inicial se desvanecendo quando ele se lembrou da dúvida crescente que o atormentava.
— Liam...– ele falou baixo, sem força, deixando a tensão no ar.— Acho que estou me apegando a Louis mais do que deveria.
A palavra "deveria" saiu com um peso inesperado, como se tivesse se permitido ser vulnerável demais.
Liam não demorou para entender que havia algo mais.
— Hazza, nós conversamos sobre isso antes, lembra? Vocês vão se casar, vão passar meses grudados. O tempo pode mudar as coisas, pode mudar ele.
Harry sentiu o calor subindo a sua face, mas não se importou com o rubor em suas bochechas.
— Não, Liam. Eu... Eu não sou igual às outras pessoas com quem ele fica. Ele nunca vai me ver assim. Eu não sou suficiente, entende?– sua voz falhou quando ele disse isso, e ele se sentiu bobo.
Liam, do outro lado da linha, soltou um longo suspiro.
— Harry, você é incrível. Não deixe essa diferença de classe social te afetar. Eu sei que você está passando por isso, mas... Você tem que entender que ele te escolheu. Ele quer estar com você.
A voz de Liam tinha um tom de incentivo, mas Harry ainda sentia que algo estava errado.
— Eu sei... Eu sei que ele me escolheu, mas é tudo tão... Diferente do que imaginei.– Harry murmurou, sentindo-se desorientado.— Eu estou tentando não me apegar, mas é mais difícil do que pensei. Acho que, no fundo, ele só me vê como um passatempo, Liam. E isso me dói. Eu não sou o tipo dele.
Houve um longo silêncio, mas enfim Liam suspirou.
— Se ele te escolheu, Hazza, ele te escolheu. Não se diminua. Você é muito mais do que pensa. Não tome decisões precipitadas.
Harry secou os olhos, sentindo uma dor surda no peito.
Quando desligou, ele se levantou do chão e se olhou no espelho por alguns minutos e então voltou para a mesa onde Louis o aguardava.
Harry se inclinou um pouco ao ouvido do mais velho e pediu enfim que ele o levasse para casa.
Louis suspirou baixo, um tanto frustrado pois eles haviam combinado de dormir juntos aquela noite.
Mas obviamente assentiu.
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