Cap.5 - Água
Era uma casa, nao muito engraçada, por falta de condições não tinha nada. Pequena, apertada, quebrada, com velhos móveis doados e a família amontoada.
A mãe trabalhava por pouco, se esforçava para tornar o lugar um lar. O pai, vendendo balinhas, tentava ao máximo ajudar. A avó, ja cansada de andar, passava o dia inteiro sentada tentando costurar; cada peça, feita com carinho, era útil para no inverno a família esquentar.
A vizinhança era agita, todo mundo andando pra la e pra cá. As crianças jogando bola na terra davam espaço para as carroças passarem, sempre em seguida voltando a jogar.
O lugar mais longe da capital, quase considerado interior, ao lado de um barranco e sem chão asfaltado. As pessoas morriam de medo de ir até lá so para serem assaltadas, e a ausência de carros foi substituída pelo uso de carroças, e carrinhos de mão. Algumas pessoas os comparavam aos moradores de séculos passados.
Mas eles tinham culpa? Ruas de terra, um rio poluído, animais morrendo de sede, plantações escassas e cassas miúdas. O objetivo era sobreviver com o mínimo possível e sobreviver a cheia do rio.
De tempos em tempos, chovia um dilúvio. As ruas alagavam e a água corria para o rio com lama e terra, aumentando o nível da água ate que transbordasse. Se a mãe natureza fosse gentil, a água não chegaria a cidadezinha. Entretanto, se ela estivesse furiosa, nao havia nada que pudesse ser feito além de salvar o máximo possível.
Enquanto as pessoas que moravam na cidade grande amavam a chuva, esse povo a via como uma fúria da natureza, destruindo as plantações e invadindo suas casas para levar embora qualquer coisa que achasse importante.
Cauã nunca gostou da chuva, mas um certo dia, ele a amou e ansiou por sua chegada. Quando a chuva veio, formando um rio pelas ruas, milagrosamente sem entrar em casas ou plantações, ele correu para fora de casa, se jogando nesse rio sem se importar com sua roupa ou com todas as doenças que haviam naquela água.
Cauã POV
Eu nunca havia me sentido tão bem, sentia ate como se não fosse ocorrer nada comigo se eu bebesse daquela água. Fora da água minha mãe me chamava, eu nadei e coloquei a cabeça para fora, a enxergando perfeitamente bem mesmo através da grande quantidade de chuva.
"O que você esta fazendo?! Endoidou?! Sai dessa água agora!" - ela gritou brava, que mãe não estaria?
Eu: JA VOU!
Antes de ouvi-la reclamar de novo, entrei na água, tomando coragem e abrindo os olhos. E olha so que surpresa! Eu não estou cego com a lama!
E enxergo muito bem!
Eu não lembrava de ter os olhos tão bons assim!
Sem me importar em respirar, o lhei para todos os lados e não havia nada além de folhas, galhos, pedrinhas e terra. Tudo normal, ate ver algo brilhar. Redondo, grande o suficiente para caber na minha mão, azul marinho quase metalizado, era uma linda jóia!
E que jóia. Era grande e pesada. Espero que valha bastante.
Voltei para cima e sai da água com a jóia. Minha mãe bateu em mim com um sapato, me espancando para dentro de casa.
Eu: ai mãe! Ta doendo!
"Você ta doido menino?! Vai pegar um parasita!" - mais uma sapatada.
Eu: eu to bem!
"Vai logo tomar a MERDA do seu BANHO!!!!"
Corri e o sapato voou. Atingiu minha nuca, tive a certeza que minha visão escureceu, ate tonto eu fiquei meu deus. Morri e voltei nisso ai.
Quando ela ia rumar o outro, fechei a cortina e vi o sapato bater nela e cai. Com uma canequinha eu tomei banho frio com a água que restou do balde, e como um castigo por ter pulado na água suja, fui obrigado a lavar minha roupa na mão com a água pega da chuva.
Ai meus braços. Como elas aguentam isso?!
Esfreguei esfreguei esfreguei. Esfreguei feito um condenado. Ja deu pra notar que esfreguei pra burro ne??? Pois é. Esfreguei. E minha avó ainda ficou sentada tricotando me vendo esfregar e sorrindo.
Maldito sorriso que eu amava.
Eu: fique ai, preciosa — falei para minha jóia, a botando num pote com água para a limpar.
Sim, conversei com a Jóia, me julgue.
Mas sem querer ela caiu.
A DESGRAÇA DA JÓIA CAIU E QUEBROU
SOCORRO AAAAAAAAHHHHHHH
Eu: nao nao nao nao não não nao nao!
Corri pra la, pra ca, acolá, tudo pra ver se tinha algo que eu pudesse usar pra colar de volta. Nao tinha nada! O que eu faço?!
Ja sei! Barro!
Sai correndo para buscar barro na rua, mas minha mãe me impediu e me botou de volta para lavar minha roupa.
Discuti com ela, mas nada a fez mudar de ideia, então saiu para terminar o almoço.
Olhei novamente para a jóia, que estava mais quebrada ainda, e peguei na mão para guarda-la.
Sério, eu esperava qualquer coisa, menos ela abrir no meio e sair um réptil!
Eu olhei pro bichinho azul, o bichinho olhou pra mim...
Eu: AH — sim, eu taquei a coisa longe e lavei as mãos
Juro que ouvi um berrinho meio agudo e fofo vindo da coisa.
Peguei um chinelo e usei de arma, indo ate a coisa que estava largada no chão. Será que morreu?
Cutuquei com a ponta do chinelo e o bicho abriu os olhos. Eram azuis e verticais, me olhando com curiosidade e admiração.
O pequeno animal era bem maior que uma lagartixa, mas se parecia mais com uma fusão de cobra e lagartixa, com suas quatro pequenas patas e a língua pendurada de forma patética para fora da boca.
Eu:... Eh...oi?
O bichinho virou a cabeça e respondeu com um som bonitinho de filhote.
Muito mais rápido do que pensei, o trequinho escalou meu braço. Tentei faze-lo cair, mas continuou firme, e foi até meu pescoço, onde deitou em meu ombro e fechou os olhos, se aninhando me meu pescoço.
Ai meu deus o que eu faço...
***
Bocejei caminhando pela terra, passando pelo mato e me sentando numa pedra a beira do rio. Deitei a cabeça na mão e fechei os olhos, começando a cair em um cochilo gostoso, ate alguém me perturbar.
"Cauã! Não é hora de dormir!"
Ah, claro, tinha de ser ela.
Eu: oi Alice — bocejo, cumprimentando a serpente marinha com patas de jacaré que veio até mim.
Ela botou sua cabeça azul para fora da água. Como ela ficou tão grande em tão pouco tempo?!
Alice: desculpa te chamar tão cedo, mas eu precisava te mostrar algo.
Eu: tudo bem. O que você quer me mostrar?
Alice: sobe em mim — ela tentou sorrir...
Espero que ela não faça mais isso, é assustador.
Eu: não. Na última vez você tentou me afogar.
Alice: eu nao tentei te afogar! Tava tentando provar que você respira debaixo da água!
Eu: eu nao respiro, estrupicia!
Alice: claro que respira! É meu pai.
Eu: não sou seu pai, sou seu colega de quarto
Alice: você me nomeou!
E vamos nessa história de novo.
Eu: sem querer! Eu confundi! Tava falando contigo e com minha namorada ao mesmo tempo, e acabei te chamando de Alice. Ai você ficou se chamando de Alice!
Alice: e como você queria me chamar então?
Eu: Nessy.
Nós dois ficamos em um silêncio constrangedor, quase dava pra ouvir o vento.
Alice estreitou os olhos, olhando bem no fundo da minha alma...
Alice: que brega.
Eu: ta ta, ta bom. O que você quer mostrar?
Alice: vem comigo
Eu: não.
"
E por que não?!" — berra uma mulher que simplesmente cai do céu de pé do meu lado.
Eu: AH!!!
Sim, gritei de susto.
Admito, não foi muito másculo.
— Entrada triunfal! — a negra diz, se sentando do meu lado. Eu me recuperando do quase ataque cardíaco. — Me chamo Hanna, prazer. Sei quem você é, Cauã.
Um bicho brilhoso pousou e um cara com cara de riquinho desceu da garupa, vindo ate mim.
Hanna: esse é o Colin. O pirimpimpim do grupo.
Colin: sou Colin — ele ignora completamente a negra — um dragonjin da luz.
Que?
Que porra é um dragonjin?
— É um prazer conhece-lo. — o bicho brilhoso disse, fechando as asas e parando de brilhar. Era um dragão muito bonito, mais bonito do que irado, bruto ou ameaçador — Sua dragonesa falou bem de você. Eu sou Lust, um dragão da luz.
Olhei para Alice, que sorria de forma muito humana pro meu gosto. Parecia ate um dragão da disney sorrindo. Assustador! Eu nem sabia que era possível!
Alice: era isso que eu queria mostrar! — ela me olha — eles são que nem nós! E tem mais de nós!
Hanna: e vocês precisam vir conosco.
Eu: meus brodi. Não rola.
Alice POV
Meu sorriso desaparece e fiquei o encarando.
Qualé! Desde que eu nasci que ele me leva pra la e pra ca nos bolsos, quando cresci ele me largou nesse rio, sempre vivi escondida camuflada no fundo, e agora que eu quero sair simplesmente nao rola?!
Eu: nós vamos sim!
Cauã: nem sabemos se podemos confiar neles!
Eu: é um dragão! Eu nunca vi outro dragão na vida!
Colin: estão enrolando demais.
Outro dragão desceu num rasante, esse era preto. Ele veio ate mim e me pegou, batendo as asas e me tirando da água.
Eu: SOCORRO!
Cauã: ALICE!
Do alto vi Hanna e Colin o imobilizarem e o jogarem na garupa do Lust. Eles dois subiram e o dragão de luz levantou vôo, nos seguindo.
Lust: eu podia ter a carregado, Orfeu.
O dragão preto, chamado Orfeu, o olha.
Orfeu: e perder uma chance de caçar um peixe tão grande? - ele ri - Nunca.
Eu: eu to enjoada...quero meu rio...
Notas da Autora:
Dragonjin 3:
Roger - 54 anos
Hanna - 24 anos.
Colin - 23 anos
Cauã - 21 anos
Este capitulo:
Roger - 50 anos
Hanna -20 anos.
Colin - 19 anos
Cauã - 17 anos
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