Vida injusta
Alice Narrando
- Não Eduardo, ta machucando. - Ele ri enquanto se joga em cima de mim, o elefante em cima da formiga. -Eduardo para.
- Nem acredito que vocês voltaram, depois do que você me contou sobre esse namoro nada mais justo de vocês voltarem né, sem dizer que esse tal de Gabriel é uma delícia. - Caio na risada, ele estava apaixonado pelo Gabriel desde que viu uma foto minha e dele juntos. Estou deitada na cama com minha cabeça pra baixo, quando vejo uma foto do Gabriel na televisão, levanto e pego o controle aumentando.
- O que foi?
- Quieto Edu. - Sento na beira da cama e presto total atenção.
- Preso em operação especial da polícia Cívil, dono do morro do Vidigal, Gabriel Queiroz mais conhecido como Biel ou príncipe do crime, por conta da sua pouca idade.
Com ele foi encontrado duas pistolas de alto calibre. Rafael Melo e Iago Júnior mais conhecido como pretinho também foram presos no fim da noite de segunda-feira... - Já não escutava mais nada, meu Deus isso não pode ser verdade o que eu mais temia aconteceu ele foi preso, não consigo acreditar quando tudo está dando certo essa merda acontece.
- Amiga, você está bem? - Balanço minha cabeça sinalizando que não e abraço ele.
- Edu, não acredito nisso. - Ele passa a mão pelo meu cabelo e me aperta forte.
- Caramba e agora?
- E agora o quê? Acabou Eduardo, a merda está toda acabada quantos anos ele deve pegar? Meu Deus por que isso tem que acontecer? Logo agora que tínhamos voltado. - Sento na cama e passo a mão pelo meu cabelo, nessa merda de vida nada da certo, maldita vida injusta. Dentre tantas pessoas eu fui me apaixonar pelo mais problemático dos caras, eu poderia amar o Felipe ou o Igor mas não, fui me apaixonar por um vagabundo, lindo e perfeito.
- Você vai visitar ele?
- Claro que não, ta doido? - Eu odiava cadeia e os presos, tudo ligado a essas coisas. Acho que foi por isso que me apaixonei por um deles essa é a prova de que tudo é possível.
- Já sei o que vou fazer. - Saio da cama e desço correndo, minha mãe estava falando ao celular sentada na poltrona da sala.
- Quero falar com você. - Falei e ela sinalizou pra mim esperar, concordei e sentei no sofá o Edu sentou ao meu lado enquanto segurava a Mel.
- Pode deixar.. Tchau. - Finalmente
-Diga Alice.
- A senhora já sabe que o Gabriel foi preso né? - Ela assentiu e apontou pro celular.
- Seu pai acabou de me falar. - Engoli em seco e fechei os olhos bem apertados.
- Por que a senhora não pega o caso dele mãe? - Ela levanta e balança a cabeça.
- Nem pense nisso Alice, ele tem que pagar pelo que fez. - Oi? Jura que ela estava falando isso? Mas que porra é essa?
- Pagar? Não foi isso que a senhora pensou a alguns meses atrás quando me jogou na casa dele né? - Ela respirou fundo e passou a mão pelo rosto.
- Agora é diferente.
- Mãe, a senhora não pode deixar ele lá. - minha voz deu uma tremida e eu limpo a garganta antes de continuar a falar. - Você é uma das melhores advogadas desse país nunca perdeu nenhum caso, por favor mãe, você não pode deixar ele mofar naquele lugar. - Ela me olha por um momento, e balança a cabeça como se não acreditasse no que ia falar a seguir.
- Ta bom, agora pare de chorar pelo amor de Deus. - Abro um sorriso e abraço ela, nisso eu caio no choro como uma criança que acabou de perder o doce, ela me abraça e passa a mão nas minhas costas.
Ela foi a primeira pessoa que eu conversei depois que tinha terminado com o Gabriel, contei tudo o que aconteceu entre nós obviamente ocultando alguns detalhes né.
Eu não podia deixar ele lá naquele lugar.
- Você sabe que não tenho muito o que fazer né?
- Só tenta mãe, eu amo muito ele. - Ela sorrir e passa a mão pelo meu rosto.
- Quem diria, Alice Rodrigues quase me implorando pra não deixar um fora da lei preso, se alguém me falasse isso a alguns anos atrás eu iria ri e duvidaria dessa façanha. - Nem eu mesma estou me reconhecendo nesses últimos meses, acho que o amor me deixou meia tapada e com o coração mole.
- ia o amor faz isso com as pessoas né. - o Edu falou e levantou abraçando nós duas. - Você acha que quantos anos ele vai pegar? - Perguntou, eu me afastei deles e prestei atenção na minha mãe.
- Ainda não sei no máximo uns dez anos. - Não é possível.
- Dez anos?
- Calma, ainda tem o bom comportamento, serviços sociais e outras coisas que podem reduzir sua pena e em até cinco anos ele pode está respondendo em liberdade sem direito a deixar o país. - Cinco anos ainda era muita coisa, imagina ficar cinco malditos anos sem ver ele?
Porra isso me dá uma grande agonia, eu amo tanto o Gabriel que é quase impossível pensar em ficar cinco anos sem ver o rostinho bonito dele e beijar aquela boca gostosa dele.
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