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CAPÍTULO 9



CAPÍTULO 9

**Odeiem o pai da Eve, pois eu odeio!!!


Acordei num susto, algo errado. Me levantei assustada, nem sabia o que estava procurando. Então ouvi Lua gemer, parecia dor, ascendi a luz, ela se se batia no berço. Coloquei a mão em sua testa, ela estava com febre, ela acordou chorando, só tive tempo de pega-la e vira-la, ela começou a vomitar.

Vomitava, chorava, depois vomitava mais um pouco.

Fique desesperada, aquilo nunca tinha acontecido. Me lembrei do Theo na hora, antes dele ir, me disse que se algo acontecesse, deveria ligar para ele, mas no meio de tanta loucura, eu não tinha pego o numero dele. Como sou Burra!

— Mãe! Mãe! — eu bati na porta do seu quarto — Mãe!

— O que foi? — minha mãe abriu a porta assustada.

— A Lua, ela está doente, preciso leva-la para o hospital! — eu disse com desespero.

— Eu vou me arrumar. . .

— Não — meu pai interferiu — se quiser que ligue para o pai dela.

— Mas. . . — ele estava fazendo mesmo aquilo? Ia negar ajuda para a minha filha que estava doente? — Tudo bem, eu peço para o Edu! — me vire e fui chamar meu irmão, me senti tão humilhada quanto no dia que levei o tapa na cara, mas agora estava morrendo de raiva também, eu não ia esquecer daquilo! — Edu! Edu! Edu!

— O que foi? — ele abriu a porta com cara de sono.

— Me leva para o hospital, a Lua não tá bem, por favor.

— A Lua? — ele olhou para o corredor, meu pai nos olhava feio, eu tinha medo que meu irmão também me negasse ajuda — Claro, vou só me trocar.

— Obrigada! — corri para o meu quarto e arrumei a malinha da Lua, ela ainda chorava. Eu só coloquei um jeans e uma blusa por cima da camiseta do pijama, troquei a Lua e fomos para o hospital, meu pai não estava feliz pelo meu irmão ter me ajudado.

Já fazia mais de uma hora que estávamos lá, era quase três da manhã e não tínhamos sido atendidas ainda. Meu irmão não ficou muito tempo comigo, ele ia trabalhar no outro dia, tinha que dormir um pouco, mas foi o fato que meu pai ficava ligando que pesou. Meu irmão não tem carro, ele usa o da minha mãe e meu pai não queria que ele me ajudasse, ele queria que eu dependesse do Paulo. Qualquer resquício de amor que eu ainda tivesse pelo meu pai morreu ali, me tratar do jeito que ele me tratava, eu até podia perdoar um dia, mas me virar as costas quando a minha filha precisou, era imperdoável!

Lua estava deitada numa pequena e velha maca, no corredor do hospital, ainda esperávamos que nos chamassem, ela só tinha passado pela triagem da enfermaria e viram que não era urgência, por isso poderia esperar, mesmo que a febra ainda continuasse. Agora ela dormia, mas foi de tanto chorar.

Eu estava desesperada, não sabia o que fazer, estava a ponto de armar um barraco. Me sentia desconsolada, sozinha, imprestável, inútil. Segurei as lágrimas, mas algumas rolaram. Eu não tinha mais forças, Lua estava com frio, por isso tirei minha blusa e a enrolei nela, eu tremia de frio e de medo.

Theo tinha me dito para ligar para ele, caso algo acontecesse, mas eu não tinha salvo o seu numero. Aninha tinha pego o numero da Helena, eu poderia ligar para a Aninha, ela ligaria para a Helena, que avisaria Theo. . . será? Peguei meu celular e me lembrei que Theo tinha conseguido desbloqueá-lo, será que ele tinha salvo o próprio numero?

— Obrigada — eu sussurrei, Theo não só tinha salvo seu numero, como o tinha colocado no primeiro numero da discagem rápida.

— O que houve? — ele atendeu assustado no terceiro toque.

— Lua. . . — eu ainda segurava o choro.

— Onde você está?

— Hospital Municipal.

— Estou indo!

Ele desligou e respirei aliviada, ele viria e daria um jeito das coisas ficaram bem.

Eu esfregava meus braços, estava muito frio, mas era eu ou ela, Lua era mais importante. Tinham vários pacientes e poucos funcionários, sei que não era culpa deles, mas eu estava ficando louca, minha filha ainda não tinha sido atendida!

Faziam uns quinze minutos que eu tinha ligado para o Theo quando ouvi uma confusão na porta que dava na recepção

— Você não pode passar — eu ouvi um funcionário gritar.

— Estou pedindo educadamente que saia da minha frente! — Theo respondeu, nada educado. Ouvir a voz dele fez meu coração disparar, ele tinha vindo!

— Você não pode entrar aqui! É só para pacientes e um acompanhante por paciente!

— O caralho que não vou entrar! Minha mulher e minha filha estão ai! — ele respondeu, aumentando o tom de voz. Oi? Ele disse o que?

— O senhor vai ter que esperar lá fora! — as vozes se aproximavam pelo corredor, mais de um funcionário discutia com ele, mas duvido que qualquer um fosse capaz de segura-lo

— Não grite comigo e não toque em mim! Saia da minha frente!

— Não dê mais um passo — acho que foi a enfermaria que gritou

— Quero ver quem é que vai me impedir! — Theo respondeu — Eve! — ele veio caminhando na minha direção, ignorando os protestos dos funcionários.

— Theo — eu disse debilmente e agradeci pelo seu abraço.

— Como ela está?

— Eu não sei, ela não foi atendida ainda, ela vomitou e chorou muito. Eu to com medo. . .

— Não — ele me interrompeu — não pense nenhum tipo de besteiras, eu estou aqui!

— O senhor vai ter que sair — um enfermeiro mal humorado falou para Theo — ou eu chamo a segurança.

— Eu vou sair, mas vou levar minha filha comigo! — ele disse pegando Lua no colo — Vamos Eve!

— Você não pode — a enfermeira gritou com ele — Ela não foi atendida ainda!

— Não grite comigo e eu percebi que ela não foi atendida! Alias, acho que ninguém aqui foi, então, volte a fingir que trabalhe e saia da minha frente!

— Você não vai. . . — enfermeiro fez a besteira de encostar no Theo, o barrando. Theo o jogou contra a parede usando uma mão só, mas o grito de susto da outra enfermeira acordou Lua, que acordou chorando.

— Já disse para não gritar, porra! Eu vou sair daqui sim e vou leva-las comigo, na próxima não vou ser nem um pouco gentil, caralho!

Sim, o fato do Theo ter quase batido num enfermeiro e invadido um hospital não foi o que me deixou mais em choque, foi ele ter chamado a Lua de filha.

— Entra — ele abriu a porta do carro e me passou a Lua. Ele ligou o carro e partiu rápido, dirigia rápido mesmo. Eu não percebi aonde estávamos indo, até ele estacionar o carro, estávamos num hospital particular, um muito caro. Eu nunca teria condições de pagar por aquilo, mas nem tive a chance de dizer nada, Theo pegou Lua no colo e já foi em direção a recepção — Minha filha não está bem, vomitou muito e parece estar com dor.

Na hora apareceu uma enfermaria já com uma maca, Theo pegou a bolsa do meu ombro e disse que era para eu ir com Lua, ele iria fazer a ficha dela e já nos encontraria. Eu ainda estava meio atordoada, ele me deu um selinho nos lábios e me disse que tudo ficaria bem, então a enfermeira me chamou, pedindo que a acompanhasse.

Lua foi atendida quase que instantaneamente, um pediatra a examinou na hora e pediu uma série de exames, fui levada para outra sala, onde uma moça muito simpática colheu o sangue dela.

— Fique aqui mãe — a enfermaria boazinha me disse, estávamos num pequeno quarto, Lua estava deitada na maca, ela dormia, mas tomava soro — Assim que os resultados chegarem, o doutor vem vê-los. Seu marido já deve subir.

— Ele vai poder ficar aqui? — eu perguntei, estava cansada demais para desmentir e ia fazer o que? Explicar tudo pra ela? "Na verdade, senhora, ele não é meu marido, nem é o pai dela. Ele é um lobisomem e eu sou a humana marcada como dele. Mesmo que não nos amemos ainda, vamos nos amar e, no dia do nosso casamento, iremos trocar nossos corações". Muito bom, não?

— Sim — ela sorriu pra mim e saiu. Eu me sentei na poltrona do lado da maca da minha filha e apoiei minha cabeça nas minhas mãos, esse final de semana não ia acabar nunca?

— Eve? — eu levantei minha cabeça e vi Theo entrando no quarto, a luz estava apagada, apenas um abajur estava aceso — Desculpa a demora, tive que ligar para o Caio, Helena estava em pânico, todos eles estavam quase vindo pra cá. Tive que convence-los que não era necessário — fiquei imaginando a confusão que seria aquilo. Theo andou até mim, se ajoelhando no chão e ficando entre minhas pernas — Você está bem?

— Não, nem um pouco — eu disse sinceramente e ele me abraçou.

— Você está gelada, onde está sua blusa?

— Eu usei para enrolar na Lua, no outro hospital.

— Vista — ele disse tirando sua jaqueta. Enquanto eu a vestia, ele foi até o armário e pegou dois cobertores. Cobriu Lua com um e veio até mim, ele me levantou da poltrona e sentou nela, me trazendo para o seu colo, então nos enrolou no cobertor que estava na sua mão.

— Não importa o que passou, vai ficar tudo bem agora — ele me disse, afagando meu cabelo. Theo tinha me virado, me fazendo ficar de frente com ele — Estamos juntos em tudo.

— Eu tive tanto medo. . .me senti sozinha. . . — algumas lágrimas rolaram, mas Theo as secou.

— Que seja a ultima vez que tenha se sentido assim. Não vou deixar que nada aconteça com vocês duas! — ele me beijou de leve e eu nunca me senti tão amada na minha vida.

— Obrigada — eu sussurrei, minha cabeça estava na curva do seu pescoço, eu o abraçava forte — nós mal nos conhecemos e parece que eu já dependo de você.

— Isso é ruim?

— É estranho e muito confuso. Eu não sei o que sinto por você, não sei o que vai acontecer. . . eu tenho medo. . . é muita coisa ao mesmo tempo. . .

— Tudo bem, também me sinto assim, não achei que seria tão rápido, mas nos envolvemos numa velocidade incrível.

— Você a chamou de filha. . . — eu disse ainda mais baixo que um sussurro.

— Você não gostou?

— Eu. . .fiquei um pouco chocada. . .eu não esperava. . . mas você fez isso por mim ou por ela?

— Eu não sei, eu fiz sem pensar. . . acho que na minha cabeça vocês já são minhas. . .

— Suas? — eu o encarei.

— Sim, quando eu disse que assumia você e sua vida, eu falei sério. É como se você realmente fosse minha a muito tempo e ela fosse minha filha. Mesmo que você e eu não nos demos muito bem ainda e tenha muita coisa a acertar.

— Isso é loucura demais pra mim. . . — eu disse — o estranho é que não consigo imaginar nós duas sem você e eu te conheço a dias. . .— Theo sorriu quando eu falei aquilo, mas, se ele estava sendo sincero comigo, eu também deveria ser com ele — é sempre assim? Com as outras marcadas?

— Não posso dizer das outras, as outras tem tendências a serem normais, com você é sempre do jeito menos esperado — ele deu ombro, sorrindo debochado de mim.

— Normais? — eu estreitei os olhos e ele riu, me puxando e me beijou — sua sorte é que estou cansada demais para chutar seu traseiro — ele riu ainda mais.

— Descanse garotinha, quando o médico vier, eu te chamo — eu iria protestar, mas meus olhos estavam pesados demais.

— Theo. . . obrigada. . .eu sei que tem esse lance de marcada. . . que você tem que cuidar de mim, mas. . .

— Eu não estou aqui porque é minha obrigação, eu estou aqui, com vocês, porque eu quero estar. Agora descanse, eu vou cuidar de vocês.

Ele fazia carinho no meu cabelo, eu estava quase dormindo, já de olhos fechados e Theo sussurrou algo, mas eu já estava no mundo dos sonhos, não consegui entender o que ele disse. O que importa era a sensação que ele me causava, com ele eu tive paz.

Andei pela floresta escura, tentava ver pelas sombras, mas era difícil. O topo das arvores era muito cerrado, filtrando a luz da enorme lua cheia lá em cima. Andei com muito medo, tateando as arvores do meu lado, com medo de cair.

Ele surgiu de trás de uma arvore, apenas alguns metros de mim, um grande lobo cinza de olhos cor de gelo, respirei aliviada e fui até ele. Cheguei perto e passei minha mão por seu focinho, ele esfregou seu rosto na minha mão, uivou e saiu correndo em dispara.

— Theo! — eu gritei e tentei ir atrás dele, mas a floresta era muito densa, eu quase caí várias vezes. Eu estava perdida e totalmente desorientada, algo se mexeu atrás de mim e, pelo canto do meu olho, vi uma enorme figura negra se aproximando. Fiquei paralisada, senti uma respiração animalesca na minha nuca, então, bem devagar, me virei e quase morri de susto e pavor.

Ele era gigante, quase três metros de altura, estava sob suas patas traseiras, seu pelo era uma mistura de cinza bem escuro, com um cinza um pouco mais claro. Uma mistura perfeita entre um humano e lobo, mas muito assustador. Seus "braços" (ou patas) eram longos e terminavam em dedos bem compridos com garras muito afiadas, seu corpo inteiro era muito forte, ele todo era muito corpulento. Seu focinho era longo e deixava a mostra aquelas presas que fariam um estrago em qualquer coisa.

Eu podia ter entrado em pânico, gritado tentado correr, mas seus olhos eram da cor do gelo, por mais que ele tivesse me assustado, eu não tinha medo dele. Ele nunca faria nada contra mim.

Ele estendeu um braço e passou um dos seus dedos no meu rosto, o acariciando, eu não tinha medo nenhum, até gostei do carinho. Mesmo em sua forma mais assustador, mais animalesca, ele conseguia fazer com que eu me sentisse daquele jeito, única e especial.

Por ele estar tão perto, consegui ver em seus olhos da cor do gelo, pequenas linhas brancas, partindo da íris negra. Aquilo dava um ar de mistério e poder, mas eu achei lindo.

"Temos que ir", sua voz soou na minha mente e eu não entendi como aquilo era possível, "Vamos!".

— Ok — eu disse ainda sem entender, ele me estendeu a mão e eu aceitei. Ele me puxou e quando dei por mim, eu estava em suas costas, segurando em seu pescoço. "Se segure bem" — Mais do que já estou?

Ele começou a correr e eu quase o estrangulei de tanto que me agarrei a ele. Theo começou a usar as quatro patas para correr, aí sim eu conheci o verdadeiro significado da palavra Velocidade.

Em pouco tempo chegamos a uma caverna, nos esperando na entrada estava uma senhora segurando uma tocha. Ela sorriu quando nos viu e entrou na caverna, nos fazendo segui-la, a caverna era escura e cheia de desenhos. Eu desci das costas dele e fui andando na frente, logo após a senhora. Theo ainda estava em sua forma animalesca, ele me seguia de perto.

A senhora parou em frente um paredão de pedra, lá tinha milhares desenhos, pareciam aqueles desenhos rupestres que aprendemos na escola. O paredão era quase inteiramente coberto por esses desenhos. Ela sorriu pra mim e apontou para uma das marcas, algo parecida com a letra "e" deitada e com uma gota no meio, ela afastou meu cabelo e apontou para minha marca e depois para Theo.

— Sim, sou uma marcada — eu disse.

— Não — ela me corrigiu — você é uma Predestinada.

— Uma o que? — eu perguntei.

Ela pegou uma pedra branca e desenhou uma lua crescente em volta do desenho que era igual minha marca, então se voltou para nós, colocou uma mão sob meu peito e a outra sob o peito de Theo, mesmo ele ainda sendo um lobisomem.

Eu não vou conseguir por em palavras o que senti naquele momento, meu corpo formigou, minha respiração falhou e senti palpitações. Theo segurou minha mão com sua enorme pata/mão, então, como sempre acontecia, eu não tive medo. Logo depois me senti forte, poderosa, meu coração estava disparado, parecia que eu tinha corrido uma maratona.

— Eve — Theo grunhiu, ele estava voltando a ser humano, ele parou na minha frente, me abraçou e me beijou.

Um choque percorreu meu corpo. . .

Acordei num susto, como se realmente tivesse levado um choque. Eu estava no quarto do hospital, deitada na poltrona. Theo não estava quarto, Lua ainda dormia. Me levantei para olha-la, mas quase cai, me senti fraca, me apoiei na maca e fiquei a observando, ela parecia tranquila, estava calma.

— Tudo bem com vocês? — Theo perguntou, entrando no quarto.

— Sim, acordei assustada — eu ia na sua direção, mas minha perna falhou e ele teve que segurar — desculpa, to me sentindo um pouco fraca.

— Eve, qual foi a ultima vez que comeu? — ele me segurava contra ele.

— Foi a pizza na sua casa — eu respondi — acho que não comer e todo esse nervoso dessa noite não me fizeram bem. Onde você estava?

— O médico veio falar conosco, mas como você estava dormindo, fui conversar com ele no corredor.

— E aí? Já sabe o que ela tem?

— Sim, Lua está com gastroenterite. Não é grave, em um dia ou dois ela já deve estar bem, mas vai tomar remédio e tem que ficar sem comer nada sólido por hoje.

— Gastroenterite? Mas como ela pegou isso? — perguntei confusa.

— Tem vários jeitos, mas achamos que foi alguma coisa que deram para ela comer. . . ela passou o dia com a família do verme, eles podem ter dado alguma coisa pra ela. . .

— Se fizeram isso, eu vou mata-los! — eu disse.

— Não, porque esse prazer será meu — ele falou sério.

— Mas ela está bem? — eu perguntei ansiosa.

— Sim, já vai ter alta, vou leva-las para minha casa, sem discussão!

— Tudo bem, não to muito afim de ir para a minha casa mesmo — eu concordei, desviando meu olhar do dele.

— O que houve?

— Nada, só não to afim. . .

— Evelyn — ele me fez olha-lo — Nunca minta pra mim! O que houve?

— Meu pai. . . ele não queria que ninguém me ajudasse, que eu pedisse ajuda ao Paulo. . .

— Ele sabia que a Lua estava mal e se recusou a te ajudar? — Theo preguntou sério, eu concordei com a cabeça — E sua família o obedeceu?

— Meu irmão não. . .

— Mas também não ficou com você lá. Eles te deixaram sozinha, com a Lua doente?

— Sim. . .

— Foda-se essa porra de dois meses, eu quero que você se mude hoje mesmo! — ele grunhiu.

— Theo. . .

— Eve! Não quero vocês morando com essa bosta de família que você tem! Se eu pudesse eu ia até o seu pai e. . .

— Theo! Agora não, por favor!

— Tudo bem, me desculpe — ele disse a contragosto, mas me abraçou e beijou o topo da minha cabeça.



— Como está a gatinha? — Helena perguntou entrando no quarto, eu estava arrumando as coisas da Lua, que já estava no colo do Theo, brincando com o cabelo dele.

— Bem melhor — eu respondi sorrindo. Devia ser umas oito ou nove da manhã, Helena nem deveria ter dormido direito para já estar lá.

— Trouxemos isso — Caio me estendeu um unicórnio de pelúcia.

— Unicórnio? — Theo fez careta.

— Eu sei, ela que gostou desse — Caio falou e Helena mostrou a língua pra ele.

— Que horas ela vai ter alta? — Helena perguntou.

— Daqui a pouco — eu respondi — O médico está esperando os resultados do ultimo exame, mas ele falou que é quase certeza que ela já está bem. Foi só um susto.

— E que susto! — ela disse — Ficamos todos preocupados. Quase que os meninos foram atrás do Theo, ele saiu dirigindo como louco.

— Imagino, ele chegou muito rápido — eu falei — e já chegou arrumando confusão — eu ri me lembrando da cena.

— Típico de lobo — ela revirou os olhos — vocês vão pra casa, né? Duvido que o Theo vá querer tirar os olhos de vocês duas agora.

— Sim, nós vamos. Ele quer que nos mudemos imediatamente — eu disse em voz baixa, Theo e Caio conversavam entre si — mas não sei, to muito confusa ainda.

— Uma coisa de cada vez — Helena disse — quando foi a minha vez eu também fiquei assim. Quando soube de toda a verdade sobre nós e os lobos, tive que decidir se ia embora com o Caio ou ficava com a minha família, foi muito difícil, mas no fim, era como se eu apenas estivesse lutando contra o inevitável. Por isso eu fui com ele.

— Alguma vez você já se arrependeu? — eu perguntei.

— Nunca — ela sorriu — as vezes eu tenho saudade da minha família, mas quando vamos visita-los, eu ando pela cidade que nasci, revejo os amigos com que cresci e sinto que não faço mais parte daquilo. Não que eu tenha deixado de amar meu pai, minha mãe e meus irmãos, eu só não sou mais como eles, na verdade, acho que nunca fui, só demorei para ver isso.

— Eu já sinto que não sou parte da minha família faz tempo — eu suspirei.

— Se você já está sem família, faz tempo, já está na hora de entrar definitivamente na nossa — ela sorriu e me fez pensar, porque não?


:*

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