CAPÍTULO 6
CAPÍTULO 6
— Agora a porra ficou séria! — Aninha disse rindo — Conheço esse brilho no olhar da Eve, fazia tempo que eu não via, mas tô bem feliz dele ter voltado.
— O que você vai fazer? — Helena perguntou com um sorriso.
— Assista — eu respondi.
Agora sim eu ia dançar, mas de um jeito que ele nunca ia esquecer, já que ele gostava de me observar, que assistisse ao show.
Me joguei na música, sentindo a vibração dela, sua batida. Ia até o chão, rebolava, me mexia, cada movimento sincronizado. Então, para me ajudar, começa "Anita", posso não ser fã, mas é perfeita para o que queria. Não gosto das músicas dela, mas ela saber ser sexy e era isso que eu precisava
Eu sabia a coreografia, eu já tinha me apresentado com aquela musica. Dancei a música por inteira, sentindo aquela adrenalina quando faço apresentações, isso queria dizer que eu estava sendo "assistida", mas não olhei ao redor para ver quem era.
— Arrasando! — Aninha gritou, batendo palmas.
— Alguém está a ponto de ter um ataque do coração! — Helena riu, eu dei meu melhor sorriso malicioso e continuei.
Agora mudou para "The Pussycat Dolls", "Buttons", essa eu também sabia. Um cara começou a dançar comigo, mas sem me tocar. Ele até que era bonitinho, cabelo castanho claro curto, mais alto que eu, dançava bem. Ele foi se aproximando, logo pegou na minha mão, me puxando para mais perto, dançamos juntos, muito perto.
— Eu estava te olhando — ele sussurrou no meu ouvido.
— Estava é?
— Sim, você é gostosa pra. . .
Não ouvi o final da frase, fui arrancada dali com força, me arrastou por uns metros, até o outro lado da pista de dança, quando consegui me soltar.
— Para de ficar me arrastando! Eu já disse! — eu gritei.
— Para de me provocar! Eu já te disse! — Theo retrucou gritando comigo também.
— Eu estava dançando! Quem estava Me provocando, era VOCÊ! — eu bati no peito dele, mas o infeliz abriu aquele sorriso de canto.
— Ciúmes da sua amiguinha? Até que ela é bonitinha. . .
— Você é um idiota mesmo! — eu comecei a estapeá-lo, ele ria e segurou meus pulsos.
— Calma garotinha, não precisa ter ataque ciúmes!
— Ataque? — eu bufei olhando para ele, então abri um sorriso falso — Tem razão, por que perder meu tempo com isso, se eu posso dançar com aquele cara lindo?
— Não comece — Theo disse em tom de aviso, perdendo o humor.
— Começar? Eu já comecei, aquele cara dança muito bem, o que mais será que ela fez bem? Acho que vou voltar para descobrir! — eu disse tentando sair, mas minha tentativa de saída triunfal foi interrompida. Theo me puxou de volta, com força, me fazendo bater em seu peito. Vai parecer ridículo, mas foi como nos filmes, tudo em câmera lenta.
Estávamos encostados um no outro, perto demais para o meu gosto. Eu não ouvia o barulho da balada, não via as luzes coloridas, nada. Estava presa no maldito olhar intenso do Theo, sem conseguir pensar direito em nada. Uma mão sua foi na minha cintura, me puxando ainda mais perto, praticamente me colando a ele. A mão que segurava meu braço, subiu pelo meu ombro, passando pelo meu pescoço, indo para a minha nuca. Ele grudou no meu cabelo, o puxando, me fazendo encara-lo de perto. Nos encaramos por menos de um segundo, então ele me beijou.
Puta que o pariu!
Cacete!
Que beijo foi esse?
Já se sentiu transportada para outro lugar? Era como se mais nada ao nosso redor existisse, estávamos uma bolha particular, mas essa bolha era bem quente. Aquele beijo mexeu com cada terminação nervosa do meu corpo, me arrepiando e me fazendo desejar por mais, muito mais. Ele me apertava contra ele, mas também puxava o meu cabelo, quase a ponto da dor. Mas aquilo era bom! Joguei meus braços ao redor do seu pescoço, eu também puxei seu cabelo, era impossível não fazer isso. Minha pele queimava, mas eu queria mais do seu toque, mais dele. Eu mordi o seu lábio de leve, ele gemeu contra minha boca e me puxou mais ainda.
Eu estava a ponto de fazer alguma besteira ali mesmo, quando fomos empurrados por uma turminha bêbada que não estava se aguentando em pé, mas tentavam dançar. Isso fez que nos soltássemos um pouco, afastei meu rosto apenas um pouco do seu. Seus olhos estavam na cor do gelo.
— Seus olhos — eu sussurrei, ele os fechou, encostando sua testa na minha. Ainda estávamos ofegantes.
— Você conseguiu liberar meu lobo sem a minha permissão — ele disse baixo.
— O que isso quer dizer?
— Quer dizer — ele abriu os olhos, me encarando. Seus olhos já estavam escuros novamente — que você é minha, aceite isso garotinha.
— Só aceito que você é um idiota — respondi no mesmo tom, ele apenas deu aquele sorriso de canto.
— Estamos indo rápido demais — ele disse fechando os olhos de novo — Achei que fosse ser mais lento esse processo todo.
— Não entendo quase nada do que você fala.
— Eu me sinto muito atraído por você, mais do que pensei. Eu não queria me sentir assim.
— Obrigada por essa! — eu respondi irônica, aquela doeu! Precisava ter dito isso mesmo? Eu me afastei dele, não queria ficar mais ali, mas ele me segurou.
— Você é uma provocadora muito teimosa, garotinha, era por isso que não queria me sentir tão atraído por você.
— E você é um. . .
— Um idiota, inconveniente, estúpido e muito grosso? — ele perguntou com aquele sorriso zombeteiro.
— Você me ouviu mesmo! Você só estava me provocando! — antes que eu batesse nele, ele segurou minha mão.
— Foi divertido e deu resultado, não? Só não contava que você fosse querer pagar na mesma moeda.
— Depois eu que sou provocadora! — eu bufei — Acostume-se, tudo que fizer comigo, vou pagar na mesma moeda!
— Sério? — ele deu um sorriso muito malicioso e voltou a me beijar.
Por que eu não consigo resistir a isso?
Eu sei que tem todo esse lance que vou me apaixonar por ele e tal, mas ele é um idiota! Ele é! Consegue ser estúpido e grosseiro quando quer! Quer decidir as coisas por mim, além de ser um arrogante!
Então por que, raios, eu não resisto a ele?
— Em uma coisa você tem razão — ele sussurrou no meu ouvido — sou muito grosso.
Cretino!
Ele não disse isso!
— Vou acreditar em suas palavras — eu disse e ele riu — Enquanto isso, vou voltar a dançar.
— Eu não vou mais te soltar — ele disse ainda me segurando.
— Medo que eu faça alguma coisa?
— Prevenção, eu diria — ele andava do meu lado, colado em mim.
— Achei que você não sentisse nada por mim, porque, se não me engano, quem não se importa, não sente ciúmes.
— Sinto por você o mesmo que você sente por mim!
— Sua repulsa por mim deve ser muito grande então! — então ele me puxou para si, me fazendo rodopiar — O que você está fazendo?
— Dançar, não é isso que você quer?
— E você sabe dançar? — perguntei com descrença.
— Um pouco, mas quero testar uma coisa sobre marcados — ele estava na minha frente — quero feche seus olhos e que sinta a música, como estava fazendo antes.
— E por que eu tenho que te obedecer?
— Evelyn, você pode ser razoável, por favor? É só fazer o que eu estou pedindo — ele me disse eu revirei os olhos, mas fiz. Fechei os olhos e me deixei levar, curti o momento.
O que pareceu ser um choque elétrico percorreu meu corpo, abri os olhos assustada, mas Theo sorria daquele jeito. Ele estava com uma mão no meu pescoço, em cima da minha marca, uma de suas pernas estava entre as minhas. Então colocou sua outra mão na minha cintura e começou a se mover, me levando com ele. Coloquei minha mão em seu ombro, para me equilibrar, mas também para acompanha-lo melhor. Fiquei surpresa no começo, mas aquilo foi incrível. Theo tinha aquele sorriso de canto e mantinha seus olhos nos meus. Não desviei meu olhar e acabei sorrindo, do mesmo jeito que ele.
Dançávamos juntos como se fossemos um só, eu sentia eletricidade passar de mim para ele e voltar a mim. Nunca senti aquela conexão antes, eu estava maravilhada. Me perdi na musica de novo, mas dessa vez era diferente, não importava qual era o meu movimento, Theo me acompanhava como se soubesse exatamente o que eu faria. Isso também acontecia ao contrario, eu sabia que ele me viraria naquele momento, no outro eu sabia que ele me puxaria. Eu dançava a muito tempo, já tinha me apresentado algumas vezes, mas nunca tive um parceiro tão incrível quanto Theo.
— Meu Deus! Vocês arrasaram! — Aninha pulou em nós quando a música acabou, fazendo que Theo me soltasse e, confesso, que senti falta do toque dele, mas não se engane, isso durou só alguns segundos (pelo menos era o que estava disposta a confessar).
— Minha parceira que arrasou, eu só acompanhei — ele piscou para mim, acho que eu ainda estava meio abobalhada com o que tinha acontecido.
— Amiga! — Ana disse da sua forma exagerada — Tem gente se mordendo de raiva e inveja! — eu olhei para onde ela apontou e minhas "amigas" nos observavam boquiabertas.
— Então vamos melhorar o show — Theo disse me puxando e me beijando de novo. Desnecessário detalhar tudo o que senti, tudo ia bem, até ouvir uma voz atrás de mim.
— Mas é uma vadia mesmo! Paga de boa moça, mas na primeira oportunidade já está se agarrando com outro!
Me virei rapidamente, largando Theo na hora. Mesmo com aquela música alta, eu reconheci aquela voz. Paulo me olhava de cima a baixo, ele tinha uma garota com os cabelos vermelhos a tiracolo.
— O que você está fazendo aqui? — eu perguntei assustada.
— O que VOCÊ está fazendo aqui? — ele retrucou — Você não entendeu que esses lugares não são mais para você?
— Paulo — eu disse pausadamente, chegando mais perto — cadê a minha filha?
— Agora você lembrou dela? — ele estava sendo irônico comigo e a garota ria — Não pensou nela quando ficou se agarrando com esse aí!
— Eve, quem é ele? — Theo perguntou, segurando no meu braço.
— Eve? Que fofo! — Paulo riu com escárnio de mim — Você me dá nojo, sabia Evelyn? Diz o tempo todo que precisa de dinheiro, que só pensa na sua bebê, mas é só ter a primeira oportunidade, que vem gastar dinheiro numa balada.
— E entrou como VIP — a garota ruiva apontou para o meu pulso, rindo de mim.
— Gastando o dinheiro da pensão da filha. . .você é ridícula! — Paulo falou, não me pergunte porque, mas eu estava em choque. Mesmo sendo o babaca de sempre, ele nunca tinha me tratado assim.
— Fui eu quem convidou — Theo disse, colocando a mão na minha cintura.
— Ih cara, já te aviso — Paulo disse — já gastei muito com essa aí, mas ela não vale a pena! — Paulo riu de mim outra vez, sua acompanhante ruiva gargalhou e eu senti meu rosto queimar — Ela nunca valeu a pena mesmo, pergunta para a família dela!
Fiquei paralisada, nunca senti tanta vergonha na vida. Eu apenas fiquei olhando Paulo jogar todo o pior de mim na minha cara, ele continuou falando coisas, mas eu não escutava mais, me senti observando aquilo como uma mera espectadora e não a protagonista.
Senti meus olhos arderem, Paulo ainda fazia piadas de mim, ria do tapa que levei do meu pai e do jeito que minha família me tratava.
Me virei e sai correndo dali, empurrei quem apareceu no meu caminho, corri até do lado de fora, nem sei como passei pelo segurança, mas quando dei por mim estava na rua. Algumas pessoas ainda entravam na balada, ainda tinha uma pequena fila. A noite estava fria, já devia ser madrugada agora, minha pele se arrepiava com a brisa noturna. Senti as lágrimas escorrendo pelo meu rosto, eu não podia deixar ninguém me ver daquele jeito. Tive a impressão de ouvir alguém chamar o meu nome, então corri.
Eu nem sabia em que rua estava, apenas corri. Meus olhos embaçados de lágrimas, tudo o que eu sentia a tanto tempo, a solidão, o medo, a vergonha. . . tudo veio a tona de uma vez só. Segurei aquilo por meses, não podia me dar o luxo de chorar, não podia! Mas agora, sem minha permissão, as lágrimas vieram. Chorava tanto que eu não conseguia ver meu caminho, me encostei num muro qualquer e me entreguei de vez ao choro.
— Eve — alguém me puxou para um abraço e me deixei levar. Reconheci o calor da pele, minha pele também estava quente, queimava, mas eu não conseguia parar de chorar.
Theo me abraçou forte, acariciava meus cabelos, quase me ninava, mas não falou nada, deixou que eu chorasse. E eu chorei!
Chorei muito, compulsivamente. De soluçar e fazer aqueles barulhos bizarros e constrangedores, chorei tanto que fiquei com a cara inchada, chorei tanto que molhei a camiseta do Theo. Ele não me apressou, não falou nada, não me soltou ou tentou me acalmar, apenas me deixou chorar.
— Eve — ele me fez olha-lo depois que me acalmei, mas ainda soluçava de tanto choro — deixei você chorar tudo o que precisava, porque depois não vai chorar mais por isso, entendeu?
— Si. . .si. . .sim. . . — eu gaguejei, ainda efeito do choro.
— Depois vamos conversar e você vai me explicar direito toda essa história. Agora me diz quem é aquele que vou matar?
— Paulo. . . o pai da. . .Lua. . .— eu disse suspirando.
— Então eu não posso mata-lo — Theo ponderou — mas vamos até ele e você vai falar que ele nunca mais vai te tratar desse jeito.
— Não, eu quero ir embora.
— Eve — Theo levantou meu rosto, me fazendo encara-lo — desde que te conheci, percebi que você é a garota mais arisca, esperta, língua afiada, independente, teimosa e guerreira que já conheci na minha vida inteira. E olha que fui criado numa alcateia de lobisomens! — eu dei um sorriso vacilante, não me sentia nada daquilo que ele falou.
— Theo. . .eu. . .estou cansada. . .eu tenho que fazer tudo. . . não sei se aguento. . .eu. . .a Lua depende de mim. . .estou sozinha nessa. . .
— Evelyn — ele falou sério — por mais que nossa relação seja estranha e conturbada, ela existe! Você não está sozinha, você não vai passar por mais nada disso. Essa merda toda acabou hoje!
— Como assim? — perguntei confusa.
— Eu te contei sobre nós, sobre minha espécie, sobre como será eu e você daqui a frente. Eu não menti quando disse não queria te encontrar, mas nos encontramos e já nos reconhecemos — ele dedilhou minha marca — Agora eu assumo essa vida, assumo você e sua filha. Assumo qualquer coisa que venha com você! Você nunca mais estará sozinha, a partir de agora, eu vou cuidar de vocês!
Senti o peso das palavras. Aquilo deveria me assustar e muito! Até então ele era um desconhecido, o que eu realmente sabia sobre o Theo? Tirando o fato de que ele era um lobisomem e minha, aparentemente, alma-gema? Nada!
E mesmo assim eu estava aceitando entregar e minha vida de bom grado para as suas mãos.
— Você é minha! Eu já disse, aceite isso! — ele disse, passando as pontas dos dedos no meu rosto.
— Eu até posso aceitar, mas e minha filha? — eu perguntei — Não posso. . .
— Lua agora também é minha, vou cria-la como minha filha — ele disse com uma certeza que me fez acreditar em alguma possibilidade daquilo dar certo.
Eu e fechei os olhos e senti aquela brisa noturna, senti o toque dos dedos no meu rosto, minha vida ia virar uma bagunça pior do que já era, eu sentia isso. Mas também sentia que aquilo era certo. Aquela porção de mim que sentia que eu vivia do jeito errado, que aquela não era minha vida de verdade, gritava pedindo liberdade. Theo me dava isso, a chance de viver de verdade, de me permitir pensar em mim e ser feliz, de verdade, do lado da minha filha.
— Quer ir embora? — ele me perguntou e eu abri os olhos, sentindo que a verdadeira Evelyn estava no comando.
— Sim, mas quero fazer algo antes.
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Segui reto na direção dele, ele estava sentado em uma mesa, com amigos em volta, a falsa ruiva estava ao seu lado.
— Paulo — eu disse me aproximando dele — Vamos ter uma conversinha!
— Você não se toca? — A ruiva me falou, se levantando, ela era ligeiramente mais alta que eu — Você que quis engravidar, tem que ficar em casa cuidando da. . . — eu simplesmente a empurrei, com força, de volta para cadeira.
— Não tô falando com você — eu disse para ela que me olhava estupefata — Então, Paulo, onde a minha filha está?
— Estou no momento com os amigos e você vem me encher o saco? Não se cansa de ser patética e. . .
— Me responda! — eu bati na mesa com as duas mãos, fazendo as bebidas virarem e todos se assustarem comigo, Theo ria atrás de mim — Aonde minha filha está e com quem?
— Com a minha mãe. . . foram para a casa da minha avó. . . — ele respondeu me olhando surpreso, nunca ele me viu tendo um ataque de raiva.
— Quer dizer que você mentiu para mim e levaram minha filha para outra cidade, sem a minha permissão? — eu perguntei com raiva — Eu vou buscar a Lua na sua casa amanhã de manhã, é bom que a Lua já esteja lá! Entendeu?
— Quem você acha que é para me ameaçar? — ele se levantou.
— Não estou ameaçando, ainda! Isso é um aviso! — eu apontei o dedo na cara dele — Esqueça qualquer visita não monitorada e quero a pensão em dia!
— Você. . . — ele puxou meu braço, mas Theo já estava do meu lado.
— É bom que solte-a agora — Theo quase rosnou para ele.
— Vai mandar seu cão de guarda me atacar? — Paulo desdenhou, mas me soltou.
— Não precisa — eu disse para Theo, colocando a mão em seu peito, impedindo que ele fosse para cima do meu insuportável ex — eu resolvo! — então me virei para o Paulo — Tem uma coisa que eu já devia ter feito!
— O que? — ele perguntou, então eu o soquei. Ele caiu de volta na sua cadeira, Paulo colocou a mão no maxilar, ele não acreditava que eu tinha feito aquilo. Com satisfação que vi um filete de sangue escorrendo da sua boca.
— Estou extremamente cansada de você! — eu apontei o dedo na cara dele — Você é um fraco, covarde, inútil, mimado e imbecil. Não me provoque de novo que não serei tão boazinha com você! — então me virei para a ruiva, que ainda estava assustada — Só para você saber, ele é ruim de cama, muito ruim — ela olhou de canto para ele — Eu sei, parece que é bom, mas na hora não da conta do recado — eu dei de ombros — achei que seria bom você saber.
Theo ria sem parar, os amigos do Paulo seguravam a risada, ele me olhava com raiva.
— Vamos — peguei na mão de Theo e o puxei para longe dali, voltando até os nossos amigos estavam.
— Amiga, o que foi aquilo? — Aninha veio me abraçar — Não sei o que você disse para ele, mas pela cara, eu queria ter visto!
— Avisou ele, do nosso jeito, do que vai acontecer se mexer de novo com ela? — Caio perguntou para Theo.
— Não precisei — Theo disse ainda rindo — ela mesma fez isso!
— Isso aí, mostrando quem é que manda! — um dos gêmeos falou.
— Mostrando que as Marcadas não são indefesas! — o outro falou.
— As o que? — Aninha perguntou sem entender.
— Seu burro! — Arthur bateu no irmão — Nada não, meu irmão é meio lesado!
— Que tal irmos embora? — Caio sugeriu e Helena estreitou os olhos para ele.
— Que tal dançamos um pouco mais, depois vamos — eu disse — já to ficando com fome e aqui não tem nada decente para comer!
— Eu super topo! — Aninha disse alegre — Tem aquela lanchonete vinte e quatro horas que a gente adora!
— Matanza! — nós gritamos juntas e começamos a rir.
— O que? — Helena perguntou rindo.
— Nessa lanchonete tem uns lanches especiais com nomes de bandas, somos viciadas no Matanza! — expliquei.
— Melhor lanche do mundo! — Aninha disse.
— Quero experimentar, mas depois de dançar um pouco mais!
— Então vamos esperar vocês lá em cima, depois subam lá — Caio falou.
— Isso, humilha a amiga pobre que não tem pulseirinha VIP! — Aninha se fingiu de ofendida.
— Aqui — ele estendeu para ela uma pulseirinha — já que você vai ser minha cunhada, como você disse várias vezes, melhor cuidar da família, né?
Já disse que Aninha é uma loira, branquinha que quando fica com vergonha fica vermelha?
Nesse momento ela estava roxa.
Mas voltamos a dançar, nós três. Eu amo dançar, amo muito, mas o dia tinha tido emoções demais. Depois de mais meia hora na pista de dança, nos juntamos aos meninos. Acabamos ficando lá por mais quase uma hora. Eu me sentia parte da família deles, como se fosse sempre assim.
— Você não consegue! — Arthur desafiou Aninha.
— Meu amor, assista — ela virou o copo de vodca, nos fazendo rir — Agora só aviso que se eu ficar bêbada, vocês que vão ter que me levar para casa!
— Cara, se você não fosse do Marcelo, eu até te beijava — um dos gêmeos falou, eu precisava aprender a diferencia-los.
— Respeito com a minha cunhada! — Caio bateu na cabeça dele, riamos sem parar.
— Meu Deus! Parem com isso — Aninha escondeu o rosto com as mãos, depois apontou para a Helena — Amiga muito má! Não precisava contar as coisas que eu falei para o seu boy!
— Com esses caras, privacidade é algo que não acontece— Helena riu — Se acostume — ela falou para mim.
Estávamos saindo da balada, Caio e Arthur tinham ido buscar os carros e Theo sua moto, percebi que ele falava algo sério com os dois. Arthur apenas escutava e acenava com a cabeça, Caio respondia. No final os três concordaram com algo.
— Por que eu tenho a impressão que estão aprontando algo? — perguntei para Helena, Aninha ria de algo com os gêmeos.
— Por que eles estão — Helena disse simplesmente.
Os gêmeos entraram no carro de Arthur, Aninha foi com Caio e Helena, dando as coordenadas. Eu queria ir com ela, mas Theo me deu aquela olhada e, só dessa vez, achei melhor ficar quieta. Ele me deu a jaqueta dele para vestir e me ajudou a subir na moto.
Mas o caminho que Theo pegou estava completamente errado, ele não foi para a lanchonete, ele voltou para a casa dele.
— O que estamos fazendo aqui? — perguntei.
— Já que estamos sozinhos, vamos aproveitar para resolver as coisas — ele me disse, me conduzindo para dentro da casa escura.
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