CAPÍTULO 4
CAPÍTULO 4
— Sair? Vocês querem ir dançar? — Caio perguntou surpreso.
— Sim! — Helena respondeu sorridente.
— Mas você acabou de saber a verdade, temos muita coisa para te explicar ainda. . . você não quer saber de tudo? — ele me perguntou.
— Já tive informação demais por um dia — respondi — Tudo o que eu preciso é encher a cara!
— Eu não vou para uma "balada" — Theo cruzou os braços.
— Querido, você pode fazer o que quiser, eu vou — eu falei.
— E se eu não deixar? — ele levantou uma sobrancelha
— Isso — eu apontei para nós — ainda não está acontecendo e mesmo que estivesse, eu não sigo ordens de ninguém, muito menos as suas.
— Não me desfie Evelyn — ele falou.
— Não é um desafio lobinho, é um aviso. Você não manda em mim, nem agora, nem nunca!
— Quero ver como esses dois vão ser — Caio disse para Helena.
— Será bem divertido! — foi a resposta dela — Mas voltando, vamos sair para dançar, vocês vem ou não?
— Não! — Theo respondeu.
— Melhor pra mim, já tive muito de você por hoje! — eu disse dando de ombros e ele estreitou os olhos para mim.
— Acho que vou me divertir muito a partir de agora — Helena sorriu, ela parecia se divertir mesmo com aquilo.
— Você. . .— Theo começou a dizer, mas meu celular tocou na hora.
— Com licença — eu disse, mas saí de perto deles sem esperar pela resposta — Oi Aninha.
— Eve, achei que você fosse sair mais cedo do trabalho hoje! Mas enfim, você vai, né? Estou indo para a casa da Andresa, você vai conosco ou a gente se encontra lá?
— Acho que. . .vou encontrar com vocês lá — eu olhei no relógio da parede, já passava das oito horas da noite.
— Tá tudo bem? Sua voz está estranha — ela disse.
— Está sim, só uns problemas para resolver — eu respondi vagamente.
— Foi o Paulo, né? — ela já disse com raiva — Ele aprontou de novo? Ele fez algo pra você ou pra Lua?
— Não Aninha, não é isso!
— O que é então? Evelyn, eu te conheço — realmente, Aninha sempre me conheceu muito bem. Isso é um saco às vezes.
— Só. . .dinheiro. Questão financeira, mas eu me resolvo.
— O Paulo não pagou a pensão de novo?
— Não, mas eu já disse, eu me viro. E vamos mudar de assunto que de coisas sérias, já to cheia por hoje!
— OK — ela respondeu — Mas depois conversamos sobre isso! Não se esqueça. Até mais tarde! Beijos!
— Beijos! — eu respondi e desligamos. Suspirei, não podia me deixar cair agora. Segurei a barra de viver tudo isso sozinha até agora, já fazia mais um de ano, contando com a minha gravidez. Não podia ficar triste ou surtar, mesmo com toda essa história bizarra de "marcada", a Lua depende de mim, não posso cair! Respire! Respire!
— O que você tem? — Theo falou de trás de mim e eu dei um pulo de susto.
— Nada! — respondi me virando para ele. Ele era bem mais alto que eu — Eu vou para casa, depois encontro com a Helena no "Hangar".
— Você não vai para casa — ele disse bloqueando minha passagem.
— Não vou discutir isso com você, eu já disse. . .
— Que não vai se mudar para cá, depois resolvemos isso. Acho que precisamos conversar melhor.
— Agora você quer conversar? Você podia ter pensado nisso antes de vomitar tudo isso na minha cara. Agora eu não tô afim, marcamos outro dia.
— Não funciona assim Evelyn — ele disse.
— Theo, eu não dou a mínima do como funciona. Já basta por hoje. Eu vou para a minha casa, vou me arrumar e vou para balada dançar e beber até esquecer de tudo isso.
— Você não vai para casa — ele disse — Se arrume aqui com a Helena e vamos todos juntos depois — ele completou antes que eu falasse algo — Faça por ela, Helena estava contando com essa noite.
— Tudo bem — eu disse a contragosto.
— Tô tão empolgada! — Helena disse. Eu estava sentada na cama dela, vendo-a escolher sua roupa — Faz muito tempo que eu não saio assim. Quando eu vivia com a minha família humana, não saia muito, nem tinha para onde ir. Agora que eu moro com os meninos até saímos, mas eu nunca tenho uma amiga para sair junto. Isso faz muita falta.
— São quantos "meninos"? — eu perguntei.
— Que moram aqui? — ela escolhia um vestido — Seis. Caio é o mais velho, então é o líder por enquanto. Depois dele tem o Theo e Arthur, ambos tem vinte e três. Então vem o Marcelo com vinte e dois, que é irmão do Caio, e o Hugo e o Henrique, que são gêmeos e tem vinte e um, eles são irmãos do Arthur.
— Nossa, tanto cara morando na mesma casa deve dar um problema. . .
— Nem me fale, as vezes quero esgana-los, mas eu me viro com eles, cada um é responsável por sua parte e todos ajudam na organização da casa. Se alguém desobedece alguma regra, o Caio que resolve.
— Que regras?
— Tipo nunca podem trazer garotas para passar a noite aqui, nunca entrar no quarto do outro sem permissão. Regras de convivência — ela disse distraída — qual você acha melhor, vestido verde ou o floral?
— Sinceramente? Nenhum deles, eu iria com aquela saia preta ali — apontei para o guarda-roupa — e colocaria uma blusa solta. Eu tenho uma na minha mochila, acho que você vai gostar — eu disse procurando na minha mochila — Aqui.
— Que linda! — Helena experimentou e ficou muito bonita nela, bem melhor que em mim — Obrigada, é muito bom ter uma garota aqui! — ela sorriu.
— Imagina, pode ficar para você. Ficou linda em você!
— Obrigada! — ela me abraçou — Que roupa você vai?
Ficamos ali com coisas de meninas, vendo roupas, maquiagens e acessórios. Confesso que me diverti e ri um pouco, poder me distrair com uma coisa tão boba, me fez bem.
— Você pode tomar banho aqui no meu quarto ou no seu. . .quer dizer, no do Theo, só será seu quando você vir morar aqui — ela corrigiu vendo a minha careta.
— Tem duas suítes aqui? — perguntei.
— Todos os quartos são suítes, são cinco. Os gêmeos dividem um quarto, mas não são muito felizes com isso.
— Caramba! Como vocês mantem tudo isso?
— Dinheiro de lobo — ela respondeu misteriosamente — Vamos nos arrumar, se não vamos nos atrasar.
Por fim fui tomar banho no quarto do "Idiota", obvio que tranquei muito bem a porta do banheiro! O banheiro era legal, branco e preto, bem limpo, um box grande com portas de vidro fumê. Minha intenção era tomar um banho rápido, nem lavar o cabelo eu ia. Mas sentir aquela água quente, naquela quantidade, podendo demorar o quanto eu quisesse, sem ninguém me enchendo o saco, sem bebê chorando. . . Só quem é mãe vai entender do que eu estou falando.
Eu ri com a quantidade de shampoos que tinha na prateleira, muitos. Me diverti os abrindo e cheirando, tinha uns muito cheirosos. Eu mal conseguia lavar a cabelo normalmente e o Theo tinha uma meia dúzia de shampoos, sem contar os cremes para pentear, gel, pomadas para cabelo. . . Me diverti com aquilo.
Me arrumei no banheiro mesmo, nem ferrando que eu ia sair de toalha dali. Deixei o cabelo solto e que secasse naturalmente, se eu ficasse com muito calor, eu prendia num rabo de cavalo. Fiz a maquiagem como fazia antes, destacando bem os olhos e usava só um batom para dar com "corzinha" na boca. Minha roupa era confortável, eu tinha escolhido na noite anterior pensando em como eu queria dançar sem parar. Eu estava com um short jeans escuro e desfiado, uma blusa frente única preta e uma bota de cano curto. Simples, mas eu gostei do visual.
— Demorou, hein? — Theo falou assim que eu sai do banheiro. Ele estava deitado na cama dele, olhando para o teto.
— Talvez um pouco — eu respondi revirando os olhos.
— Deu tempo de eu tomar banho no quarto do Arthur, me vestir e ficar esperando aqui. Eu. . . — ele se levantou e me olhou, nessa hora ele parou de falar e ficou me olhando.
— Você o que? — eu perguntei.
— Você vai assim? — ele perguntou.
— Vou! Tem algo errado? — fui na frente do espelho do guarda-roupa e me olhei, até dei uma volta para ver se tinha algo com a minha roupa, mas estava tudo bem.
Theo me olhava pelo meu reflexo, ele estava bem bonito. Uma blusa preta de mangas compridas e com um decote V, ele tinha puxado as mangas até o cotovelo. Jeans escuros e botas pretas. Uau! Estava bem bonito mesmo! Se a Nathaly ou a Lucia o vissem assim. . .
Percebi que ele também estava me examinando, me olhando e cima abaixo. Exatamente como eu estava fazendo com ele. Então nossos olhos se encontraram no reflexo. Eu respirei fundo com a intensidade do olhar dele, eu não tinha resposta sarcástica, na verdade, eu nem queria falar nada, apenas me sentia presa no olhar dele. Minha marca se aqueceu.
— Está sentindo isso? — perguntei num sussurro, colocando minha mão sobre minha marca no meu pescoço. Ele apenas balançou a cabeça, afirmando, ainda me olhando daquele jeito. Me virei para ele, ficando de frente e olhando diretamente em seus olhos — O que isso significa?
— Pode ser muita coisa — a voz dele também era baixa.
— O que você acha?
— Nossas marcas nos reconheceram. Somos um do outro agora.
Ficamos em silêncio, o peso daquilo pesou sobre nós. Só podia ser bruxaria, mas eu não conseguia desviar do olhar dele. Eu ainda tinha a mão sobre minha marca. Na verdade, estávamos imóveis, apenas nos encarando, a alguns passos de distancia um do outro. Distância que ele encurtou, estávamos mais próximos.
— Vamos? — Helena entrou no quarto com o Caio.
— Vamos logo antes que eu desista! — Caio resmungou.
— Claro — eu disse me virando para eles, acho que eles não perceberam o clima que estava no quarto.
— Já que não tem outro jeito — Theo resmungou, ele pegou minha mochila, jogou sobre o ombro e saiu do quarto.
— Sempre tão educado — Helena falou.
— Vamos com o meu carro? — Caio perguntou.
— Eve e eu vamos com a minha moto — Theo respondeu.
— Oi? — estávamos na garagem prestes a sair.
— Tudo bem, vou deixar sua mochila no nosso carro — Helena pegou a minha mochila, que estava com Theo, e guardou no carro.
— Não! Eu não quero andar nessa moto! — eu reclamei.
— Sem dramas — Theo respondeu me dando um capacete.
— Onde vocês vão? — um garoto sem camisa apareceu, vindo de um corredor que dava onde eu achava que era o quintal.
— Dançar! — Helena disse alegre.
— E nem convidam? — o cara cruzou o braço, ele era forte, parecia ser bem novo, talvez um pouco mais que eu — Hugo! — ele chamou alguém — Estão saindo sem a gente!
— Como assim? — outro apareceu, igual ao que já estava. A diferença é que esse tinha o cabelo um pouco mais comprido e estava usando um short branco. Meu deus! Eles são dois! Uau! Babei! Cadê a Aninha quando eu preciso dela?
— Estão saindo! Estão indo pra balada sem a gente! — o primeiro reclamou.
Então o Theo entrou na minha frente e estreitou os olhos pra mim. Fui pega!
— Parem de graça! — Caio falou — Nós já tínhamos falado sobre isso. Íamos por causa da Marcada do Theo, mas já que ela já está aqui, não entendo porque ainda temos que ir!
— Aqui? — os gêmeos perguntaram juntos, que fofo!
— Eu — eu sai de trás do Theo, nossa, eles eram bonitos mesmo!
— Nossa, se deu bem Theo! — o primeiro gêmeo bateu no braço do Theo (por lógica ele devia ser o Henrique).
— Nem tanto assim — Theo respondeu e eu olhei feio pra ele.
— O papo tá legal, mas podemos ir? — Helena pediu.
— Sem a gente? Nem pensar! Podem passar o endereço da balada, que nós já vamos também!
— Vamos aonde? — outro surgiu, ele parecia um pouco com os gêmeos, só que era um pouco mais alto.
— Ótimo, virou reunião — Theo reclamou. Só tem cara lindo nesse lugar? Caramba!
— Balada Arthur! — Helena repetiu.
— Verdade, a Marcada. Vou tomar um banho rápido e encontro vocês lá!
— Meu irmão não voltou com você? — Caio perguntou.
— Não, ele ficou ajudando o seu pai, falou que deve voltar na segunda.
— Legal, agora podemos ir? — Helena pediu de novo.
— Vamos — Caio disse a contragosto — Até depois então.
— Vem — Theo me puxou para perto da moto dele.
— Você não está mesmo achando que eu vou subir nesse negócio de novo, né?
— Você não está achando que tem outra opção, né? — ele vestiu uma jaqueta preta de couro, que eu não tinha reparado que ele estava segurando (também, com aquelas belas paisagens a mostra!) e subiu na moto. Mantive a cara de paisagem, mas aquilo era uma ótima visão — Suba logo!
— Por que? — eu teimei.
— Por que a sua outra carona seria o Caio, que acabou de sair — olhei para o portão aberto, o carro do Caio já estava indo mesmo, droga!
— Ou eu posso esperar um dos seus amigos e ir com eles.
— Evelyn, não me provoque ou eu te levo para lá de outro jeito! — os olhos dele ficaram na cor gelo e eu entendi o recado. Bufando, coloquei o capacete e subi na moto. Tentei manter uma distância dele, mas ele puxou minhas mãos, me fazendo abraça-lo.
Um detalhe sobre motos: o dia pode até estar quente, mas pegar moto a noite só de short e uma blusa frente única dá frio! Muito Frio!
— Tremendo? — ele me perguntou, o palhaço estava achando graça.
— Não enche! — foi minha resposta educada.
Óbvio que chegamos muito rápido, antes mesmo que o Caio e a Helena. Paramos na frente da balada, um lugar que parecia um galpão antigo e tinha uma fila gigantesca para entrar. Fui descer, mas Theo colocou a mão na minha perna, não me deixando.
— Espere aí — ele disse tirando o capacete — acho que Caio vai querer colocar o carro no estacionamento, colocamos a moto lá junto.
— Tudo bem — eu respondi, ainda meio aturdida em como a mão dele é quente e o toque me arrepiou. Mão que, por acaso, ele não tirou da minha perna.
Theo estava no melhor estilo motoqueiro bad boy, jaqueta de couro, camiseta preta, calça escura, bota e aquele cabelo bagunçado sexy. Obvio que as garotas da fila ficaram o encarando. Todas loucas para chamar sua atenção. Aquilo me incomodou muito, sério. Eu estava com ele na moto, a mão dele estava na minha perna e elas ainda estavam tentando dar em cima dele. Mandando risinho e olhares nada discretos. Cara, que falta de noção!
— Está tudo bem? — ele me perguntou me tirando dos meus devaneios.
— Claro, sim — eu disse.
— Vamos? — Caio passou com o carro apontando o estacionamento. Colocamos o capacete e o seguimos. Confesso que abracei Theo mais do que o necessário e as garotas da fila me xingaram. Foi divertido.
— Tô feliz — Helena me disse enquanto esperávamos os rapazes manobrarem o carro, eu esperava que Theo lembrasse de pegar minha carteira, como eu pedi que ele fizesse.
— Mas tem algum motivo ou você só adora dançar?
— É que na minha cidade não tinha muito para onde ir e desde que eu descobri. . .sabe, toda a verdade, eu moro com eles e não tem outra marcada que possa me entender e sair comigo. Tipo. . .
— Amigas? — eu completei a frase e ela pareceu um pouco envergonhada. Olhando bem para Helena, além do fato dela ser bem bonita, ela era tão doce e sincera. Eu seria amiga dela facilmente — Por mim não vejo motivos para não sermos amigas.
— Jura? — ela sorriu ainda mais — Não sabe como isso me deixa feliz. Finalmente ter com quem conversar sobre tudo isso, essa transformação! Só uma marcada para entender a outra!
— Podemos não falar disso por enquanto, vamos deixar esse papo para outro dia.
— Claro! Mas você não precisa se preocupar, as mudanças só ocorrem depois que a marca reconhece vocês.
— Como assim? — senti uma leve pontada de pânico no meu peito.
— Não precisa se preocupar, é algo mais simbólico. É quando a marca de vocês dois os reconhece como sendo um do outro, Aí que começa as transformações e tal, depois desse ponto que não da mais como voltar atrás.
— E como isso acontece? — fingi pouco interesse, mas estava ficando uma pilha já.
— Não sei bem te explicar, depois do primeiro contato, vocês vão tocar um a marca do outro e vão ter uma visão de vocês. Em algum momento depois disso, vocês vão sentir a marca quente e quando se olharem, vão perceber que já estão atraídos um pelo outro. Isso é a marca os reconhecendo. Aí que começa tudo de verdade, as crises de ciúmes e tal — ela disse como se não fosse nada.
— Ciúmes? — eu perguntei.
— Sim, começa com coisas bobas, vai aumentando aos pouco. O deles é bem pior que o nosso, porque a gente vai conseguindo disfarçar, eles não. Lobos são passionais, quando ficam cegos de raiva, sai de perto — ela riu.
— Vamos? — Caio perguntou abraçando Helena.
— Vamos! — ela respondeu sorrindo.
— Tudo bem? — Theo me perguntou.
— Defina bem — eu respondi.
Será mesmo que nossas marcas tinham nos reconhecido no quarto do Theo?
— Que fila! — Caio resmungou — Não entendo por que se matam numa fila desse tamanho.
— Para de ser chato! — Helena falou sorridente — Nem vamos pegar fila, o lado VIP é o outro.
— VIP? — perguntei, caramba! Ser lobisomem tem suas vantagens. . . Juro que nunca pensei que diria uma coisa dessas a sério! — Eu vou ter que pegar a fila, então nos vemos lá dentro — eu disse.
— E por que você vai pegar essa fila? — Theo me olhou como se eu fosse louca.
— Eu não tenho dinheiro, vou entrar na balada pela lista de aniversário de um conhecido. Então tenho que pegar fila.
— Você vai entrar pela parte VIP comigo — ele disse, já me puxando pelo braço.
— Qual a parte do "eu não tenho dinheiro" você não entendeu? — eu perguntei irônica, a parte VIP era cara.
— Qual a parte do "você vai entrar comigo" você não entendeu? — ele respondeu do mesmo jeito.
— Theo! — eu parei e o puxei para perto, não queria falar em voz alta aquilo — é sério, eu não tenho grana, meu dinheiro para passar o mês está contado, não tenho como pagar a. . .
— Eu disse que você iria pagar alguma coisa? — ele me interrompeu — O que eu disse é que você vai entrar comigo, eu odeio pegar fila e não vou te deixar solta por aí, então você vem comigo! — ele disse se aproximando, dando ênfase nas ultimas palavras.
— Ok. . .— foi o que eu consegui responder.
Me chamem de pobre (até porque eu sou mesmo) mas eu nunca tinha entrado como VIP numa balada. Fomos atendidos bem rápido por recepcionistas muito sorridentes (uma delas sorriu um pouco demais para o Caio e o Theo, Helena não gostou muito e não posso julga-la, garota sem noção). Ganhamos pulseirinhas verde neon e os meninos pediram uma mesa no mezanino, bem de frente com a pista de dança. Theo pediu para que tudo que fosse gasto na minha comanda, caísse na dele, assim teria uma única conta no fim.
Finalmente alguma vantagem nessa história toda!
— Vamos para a mesa? — Caio perguntou.
— Caio, eu não vim aqui para ficar sentada — Helena disse sorrindo — Se quiserem ir, tudo bem, mas quero dançar um pouco antes.
— Vão na mesa os dois e a Helena vai comigo procurar minhas amigas depois vamos dançar. Daqui a pouco vamos lá em cima encontrar vocês — eu sugeri.
— Certo — Caio olhou desconfiado para nós e eu revirei os olhos — Vou ficar de olho na senhorita — ele disse para Helena, nisso seus olhos mudaram de cor. Ela riu e ele a puxou para um beijo digno de cinema.
— Não pense que vai escapar de mim — Theo me disse, então ele me puxou pela nuca, colou seu nariz no meu pescoço e inspirou fundo. Mas daquele jeito que arrepia até a alma, sabe? — Agora eu posso te encontrar em qualquer lugar pelo seu cheiro — ele disse se distanciando, seus olhos da cor de gelo.
— Ta bom — eu disse ainda me recuperando daquilo.
— Vamos? — Helena me chamou.
— Vamos. . .
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