CAPÍTULO 14
CAPÍTULO 14
— Você está bem?
— Vou ficar — eu disse depois de um suspiro — você entrou tão rápido que nem te vi.
— Eu vi quando eles chegaram, seu irmão estava tentando fazer aquele maldito se acalmar. Eu ouvi a discussão aqui do carro, porque sabia que se entrasse eu era capaz de matar aquele filho da puta, mas quando percebi que ele ia te atacar, não aguentei.
— Você ouviu tudo do. . . ah, audição de lobo — ele sorriu de canto e eu ri — ás vezes eu me esqueço disso.
— Se quiser eu me transmuto regularmente para você se lembrar.
— Não, muito obrigada pela oferta, mas já tive um pré-enfarto da ultima vez. Vamos deixar os problemas cardíacos para a posterioridade — ele riu.
— Mas aquilo era só meia transformação.
— E podemos ficar assim mesmo, juro que não tenho curiosidade nenhuma sobre a transformação inteira.
Ele riu mais ainda e ligou o carro, nos fazendo sair dali.
Já se sentiu em um divisor de águas? Foi ali que me senti naquele momento.
— Vai ensaiar a tarde? — ele perguntou enquanto passávamos pelo caixa do supermercado.
— Sim, temos pouco tempo antes da apresentação, vamos ensaiar todos os dias.
— Não vai mesmo me falar qual musica vão dançar? — ele perguntou levantando a sobrancelha.
— Não! — eu sorri e ele estreitou os olhos.
— Posso falar com Marcelo para ele convencer a Aninha contar, vocês vão dançar juntas.
— Com a Aninha, a Mony, o Cris, o Ivo e o Lipe.
— Cris, Ivo e Lipe? Desde quando há garotos nessa dança?
— Eu não te contei? — eu me fiz de surpresa — Que cabeça a minha! Sou tão esquecida ás vezes.
— Eve. . .
— Não se preocupe, eu não danço diretamente com eles — ele ainda me olhava desconfiado — só com o Cris, que é meu parceiro.
— Ok, eu vou falar com o Marcelo agora!
— Desista — eu ri — eu convenci a Aninha que o Marcelo ia adorar a surpresa de vê-la daquele jeito sexy no palco. Eu também disse que não ia te contar porque você é um boca aberta e ia acabar falando para o Marcelo, por isso não podíamos contar para nenhum dos meninos da casa — eu sorri vitoriosa.
— Você não presta!
— Nunca disse que prestava — estávamos saindo do mercado, algumas meninas olhavam Theo de cima a baixo, numa analise bem minuciosa do corpo dele. Nem se importavam se ele estava do meu lado, falando comigo, estavam quase se oferecendo. Enlacei meu braço na sua cintura, sendo automaticamente puxada contra ele, que passou seu braço pelo meu ombro — Vamos namorado, estou com fome!
— Primeira vez que me chama de namorado e é pra me dar ordens — ele resmunga, sem entender que eu não o chamei assim para dar ordem e sim para marcar território. Então ele para e me olha desconfiado — você disse "daquele jeito sexy no palco"? Você vai estar assim no palco?
Eu apenas ri.
A rotina da semana era acordar com o Theo me servindo de cobertor, porque, enquanto dormia, ele me abraçava e me puxava, praticamente, para baixo dele (não que eu reclamasse, depois que acostumei com o calor, ficou até que gostoso, o que eu não admitia para ele). Lua já estava recuperada e sorridente, mais do que antes. Agora ela dormia a noite inteira, nenhuma vez acordou no meio da noite como fazia antes. Quando acordava de manhã para mamar, Theo a trazia para cama, ou seja, eu não precisava levantar e confesso que estava ficando mal-acostumada com isso.
Na semana seguinte eu voltaria a trabalhar e Theo estava tentando me convencer a não fazer isso, mas eu não queria depender dele financeiramente. Ele tinha me dito que queria mudar a Lua de escola, o que fez sentido para mim, já que eu também queria o mesmo.
— Eve, olha! — Theo me chamou, ele segurava nas mãozinhas de Lua que estava tentando dar os primeiros passinhos.
— Meu amor, você é muito nova para andar ainda — eu beijei o rosto dela que sorriu para mim, mas não pareceu muito feliz quando viu que eu impedia sua passagem.
— Logo já ta correndo por aí! — Theo disse orgulhoso. Eu achei um exagero, afinal Lua só tinha sete meses, ainda estava aprendendo a ficar de pé.
— Isso quer dizer que temos que espalhar câmeras pela casa — Helena disse empolgada — não podemos deixar de registrar os primeiros passinhos!
— Logo depois dos passos, vem as aulas de judô! — Henrique disse, também empolgado.
— Minha filha não vai lutar judô, nada de ficar se agarrando com ninguém por aí. Vai lutar Muay Thay, no máximo um Kung Fu para complementar — Theo respondeu sem nem olhar pra ele, apenas focado em Lua que dava a volta na mesa do café do manhã.
— E se ela quiser fazer dança igual a mãe dela? — eu perguntei levantando a sobrancelha.
— Pode, desde que seja faixa preta em algum tipo de luta — Theo sorriu convencido e eu revirei os olhos.
— Homens passando — Arthur grita passando carregando vários sacos de cimentos, logo atrás Hugo e Marcelo passam carregando várias tabuas (obvio que tudo em uma quantidade muito maior do que ser humano conseguiria carregar.
— Theo, vamos? — Caio está segurando sacolas de lonas cheias com coisas que eu não tenho a menor ideia do que seja.
— Vamos — Theo me entrega Lua e me beija — Henrique, vamos logo que isso também é do seu interesse!
— Com certeza! — Henrique sorri e se afasta, eles sobem as escadas até o andar de cima.
— Caio te contou que, raios, de projeto secreto é esse?
— Não, mas imagino o que seja — Helena fala calmamente.
— E vai me contar o que é?
— Não, vou esperar para ver a surpresa — ela sorri, estou cercada de cobras!
Theo resolveu que queria trocar os moveis do quarto e incumbiu Helena e eu de escolher a nova mobília, o que acabou sendo bem divertido. Mesmo achando aquilo desnecessário, sai com Helena e Lua. Fazer comprar sem precisar olhar o preço das coisas é muito estranho. Sempre fui do tipo que precisava economizar durante muito tempo para comprar algo, eu tinha que me planejar com muita antecedência.
— Com o tempo você se acostuma — Helena me disse, estávamos esperando Aninha no shopping para almoçar, ela tinha saído da faculdade e estava indo nos encontrar.
— Não vejo como, até porque esse dinheiro não é meu — eu respondi dando suco pra Lua.
— A questão é que, na verdade, o dinheiro é seu — ela riu da minha cara confusa — quando um lobo nasce, os pais fazem uma poupança em nome dele, mas esse dinheiro deve ser usado para a Marcada.
— Como assim? Essas regras me deixam muito confusa, eu não entendo nada!
— Vamos por assim, James e Luana são os pais do Theo. Quando Theo nasceu eles abriram uma poupança com uma boa quantia de dinheiro no nome dele. Esse dinheiro é para ser usado com a sua marcada, para garantir conforto a vida dela, você no caso. É uma tradição muito antiga, de muito séculos.
— Mas os lobos não são ricos?
— A grande maioria sim, principalmente o Clã Acker, que é o dos meninos.
— Sinto que vou ter uma dor de cabeça forte — eu disse passando a mão pelo cabelo — me explica melhor, por favor.
— Vou tentar resumir, sabe que os meninos são da mesma família, né? — sim, eu lembrava disso, Corey o pai do Arthur e dos gêmeos é primo do James (meu sogros) e Jonathan (sogro da Helena) — Nós chamamos as famílias sobrenaturais de "Clãs", o Acker, que é o nosso, é bem importante porque três deles fazem parte do Conselho do Lobos, que cuida da Alcateia.
— Conselhos dos Lobos? Tipo aquelas reuniões de lobos gigantes que vemos nos filmes, numa floresta sob a luz da lua?
— Não — ela ri — são lobisomens em forma humana mesmo, é feita numa sala de reuniões. Cada membro é responsável por uma parte fundamental da Alcateia, como segurança, educação, saúde.
— Tipo uma nação?
— Sim, como se fosse um país a parte, mas que responde por todos os lobos da espécie, de todo o mundo. Quem governa é o Alfa Supremo, ele é o lobo mais forte e poderoso atualmente. O atual Alfa é o Wong.
— Atual? Não é sempre o mesmo?
— Cada Alfa fica no seu posto por muito tempo, muito mesmo. Ele só deixa de ser Alfa quando outro Alfa se revela — eu devo ter feito uma cara muito engraçada, porque ela riu de mim — Ninguém sabe quando um Alfa Supremo nasce, nem o próprio Alfa. Algo faz seu poder se revelar, então ele é reconhecido. Normalmente é alguém que já faz parte do conselho, porque eles são os mais poderosos que temos de todos os Clãs.
— Tem três Acker's no conselho, isso é muito?
— Sim! Algo muito difícil de acontecer. São vários Clãs, cada um tem seus lideres e hierarquia. Os Ackers's são liderados pelo Ezra, que é o pai do Corey, mas Corey, Jonathan e James são muito influentes porque fazem parte do conselho.
— Deixa eu ver se entendi, dentro do Clã Acker quem manda é o Ezra, mas quem faz parte do conselho, que decide tudo sobre todos os lobos, é James, Jonathan e o Corey? — ela afirmou com a cabeça, ainda achando divertida minha confusão — Vou demorar muito tempo para decorar todos esses nomes e regras! — eu bufei —Não tem muita pressão em cima dos meninos por causa dos pais serem do conselho?
— Muita! Demais até. Caio não vê a hora de deixar de ser líder do bando — eu fiquei sem entender de novo — Tem esse ritual de quando os lobos chegam na idade certa, eles devem morar em bando, certo? Acontece que pela tradição, o mais velho do bando é o líder e os outros devem obedecê-lo. Só que Caio não gosta de ser líder, ele não gosta de ter que ficar dando ordens, por ele Theo ou Arthur seriam os líderes, mas a tradição não permite. Nenhum dos meninos se importa, eles nunca questionam Caio ou desrespeitaram ele. Na verdade, obedecem quando ele dá alguma ordem. Mas ele não gosta muito, acha muito desgastante, ele quer fazer parte do conselho, igual o pai, mas não como Alfa.
Eu nunca tinha imaginado isso, para mim era tão natural ver os meninos pedindo a opinião do Caio, sempre o procurando quando tem que tomar alguma decisão, que nunca pensei que ele não gostasse. Mas, pensando bem, ele tinha razão. Imagina ser responsável pelo destino de outras pessoas?
— Sério, sobre o que você e o Theo conversam? Você nunca sabe nada sobre os lobos. . . ah! Vocês não conversam! — ela começa a rir.
— Não é isso! — eu revirei os olhos, enquanto ela ainda ri maliciosa.
— Cheguei, atrasada, mas cheguei! — Aninha se jogou na cadeira do meu lado — Qual é a graça?
— Nada! — eu interrompi Helena, que riu ainda mais de mim.
Nós comemos, Aninha passou o tempo inteiro fazendo perguntas a Helena, obvia que todos voltadas a Marcelo. Era até engraçado, ela estava totalmente boba por ele. Eu a conhecia a minha vida inteira, ela sempre foi do tipo que se apega e desapega numa velocidade impressionante. Desde o último namorado, um retardado chamado Geovane, ela não ficava assim por ninguém.
— Ta toda apaixonada, né? — eu perguntei para ela, estávamos em uma mais loja, agora vendo roupas novas para Lua.
— Não sei se é paixão, afinal estamos saindo apenas alguns dias, mas. . . eu não sei explicar! É como se eu o conhecesse minha vida toda, como se, de algum jeito, fosse pra gente se encontrar — os olhos dela brilhava falando dele — toda noite ficamos conversando até tarde parece que nunca acaba assunto, ele é tão engraçado, inteligente e lindo. Meu Deus! Ele é muito gostoso!
— Seu discurso estava tão bonito até vir com a parte do gostoso.
— Mas Eve, olha a foto que ele acabou de me mandar! — ela tirou o celular da bolsa e eu não sabia se queria ver essa foto. Estava com medo! Helena estava com Lua no colo e ria da minha cara — Olha esse corpo!
Ela enfiou o celular na minha cara, era uma selfie dele com o Hugo, ambos sem camisa no que parecia ser alguma reforma de um quarto. Marcelo segurava o celular com uma mão e um martelo com a outra, ele sorria e Hugo mostrava a língua, brincando. Realmente o Marcelo é muito bonito, pele branca, olhos azuis e cabelos escuros. Mas o que me deixou pensativa é: se ele tinha acabado de mandar a foto, isso era em casa. O que eles estavam reformando?
— Amanhã vamos sair, ele disse que quer ter um encontro de verdade! — Aninha disse animada e Helena e eu nos entreolhamos, isso significava que Marcelo queria ter "a conversa" com ela.
— Achei que fosse demorar mais? — sussurrei para Helena.
— Eu também, mas Caio e Marcelo estavam conversando ontem. Marcelo tem que tomar cuidado ao tocar Aninha, lembra o que acontece — sim, eu lembrava. A sensação de fogo na pele e as visões que eu tive quando Theo tocou na minha Marca. Esse cuidado do Marcelo e a preocupação do Caio me levaram a certeza que o meu lobo veio defeituoso.
Depois fomos embora, Aninha e eu ainda tínhamos que ensaiar com Mony e depois com a turma de dança, tudo para a grande apresentação. Pra variar, foi Marcelo que foi nos buscar no estúdio de dança, fomos pra casa e depois eles saíram. Nem sei que horas ele voltou pra casa. Eu pude reparar em todo cuidado que ele tinha com ela, evitando toques que pudessem comprometer seu plano, mas devo dizer que Aninha estava totalmente caída por ele, o plano já tinha dado certo.
No dia seguinte foi a mesma história, Helena e eu saímos e os meninos ficaram na reforma secreta. Depois fui ensaiar e Marcelo foi nos buscar.
— Eve, posso falar com você? — ele perguntou um pouco ansioso, olhando em volta para ver se Aninha, que conversava com Mony, não estava escutando — eu pretendo contar para a Ana tudo hoje, mas sei que não é fácil. Você pode me ajudar?
— Como? Se quer dicas é só fazer exatamente o contrario que o Theo fez — ele riu — Olha, não vai ser fácil pra ela, mas a Ana vai compreender. Se eu não fugi correndo e gritando, ela não vai fazer isso.
— Você acha mesmo? Eu planejei contar com calma, mostrar a visão do lobo. Mas será que você pode conversar com ela depois?
— Claro! Depois que conversarem, leve ela em casa, eu falo com ela numa boa — eu sorri e ele agradeceu.
Arthur tinha feito o jantar, se ele não fizesse medicina, teria muito sucesso na carreira gastronômica. Ele cozinha muito bem!
Theo e eu estávamos na sala, assistindo um filme cheio de ação e explosão com os gêmeos e Arthur. Helena e Caio estavam no quarto deles e Lua dormindo no berço (bem perto da babá eletrônica que Theo comprou, de novo, eu nunca sei de onde essas coisas aparecem). Já era tarde, mais de meia noite eu acho. Eu estava enrolada em uma manta, com a cabeça no colo do Theo, já nem prestando mais atenção, quase dormindo, quando ouvi Arthur falar com Theo "Marcelo chegou", mas foi tão longe que não assimilei. O carinho que Theo fazia nos meus cabelos estava me deixando mais sonolenta ainda, eu estava me entregando à aquele sono gostoso.
— EVELYN! — Aninha entrou gritando, parecia surtada —EVE!
— Aqui — me sentei no sofá tão rápido que quase cai, Theo que me segurou — O que foi?
— COMO O QUE FOI? ELE. . . ELES!
— Ah tah — eu entendi — vamos conversar no meu quarto.
— Melhor eu pegar Lua — Theo se levantou comigo — é capaz dos gritos acordarem ela.
— Ana. . . — Marcelo tentou falar com ela.
— Primeiro me deixa conversar com a Eve, por favor, depois a gente conversa.
— Vem! — coloquei minhas mãos nos ombros dela e fui a conduzindo para o meu quarto. Theo apenas pegou Lua no colo e saiu do quarto, fechando a porta e nos deixando sozinhas — Como você está?
— Como eu estou? Como eu estou? — ela andava pelo quarto, eu estava sentada na cama pensando se eu também tinha parecido uma louca — Foi a noite mais linda da minha vida, foi romântica, perfeita! Ai ele me levou num mirante, me disse coisas lindas, me disse que queria namorar comigo, que não conseguia mais pensar em ficar sem mim. . . E ME CONTA QUE É UM LOBISOMEM!
— Bem, pelo menos ele foi romântico, Theo foi um ogro! E só me pediu em namoro essa semana.
— Isso é verdade? Lobos? Sério? Como assim? Eu não consigo. ..
— Ana, respira! Vem aqui — eu a chamei, ela sentou do meu lado e puxei sua cabeça para o meu colo, fazendo carinho nos seus cabelos — sim, tudo isso é verdade, por mais louco que seja, é verdade.
— Ele me disse que a família dele inteira é assim, inclusive o Caio e o Theo.
— O Arthur e os gêmeos também. Você conheceu meu sogro aquele dia, ele também é.
— Isso é muito bizarro, eu vi ele se transformando na minha frente. Eu vi! Mas mesmo assim não consigo acreditar.
— Também passei por isso. Quando eu soube, Helena disse que você se acostuma, eu achei que era impossível, mas agora vi que acaba sendo simples. Mesmo que ainda me assuste ás vezes. Principalmente esse lance de "Marcada".
— Ele falou. Estamos ligados para a vida toda, é isso mesmo?
— Sim, assim como Caio e Helena e Theo e eu.
— Eu não sei se entendi isso.
— Lembra quando éramos mais novas e falávamos sobre alma gêmeas? Que eu não acreditava e você dizia que existia sim? Você estava certa. Vocês são perfeitos um para outro. São, literalmente, o amor da vida um do outro. São mais fortes juntos e a felicidade depende dos dois estarem juntos. Pode parecer estranho e assustador, mas você vai descobrir que é lindo isso. A missão da vida do Marcelo é te amar e te fazer feliz, assim como é a sua em relação a ele.
— Mas não te assusta isso? — ela perguntou mais calma.
— Me aterroriza, eu vivo tendo medo de não ser boa o bastante, de não ser o suficiente. Mas quando o Theo me abraça, tudo isso some. Pensa assim, qualquer medo que você tenha, qualquer insegurança ou qualquer pensamento negativo, simplesmente evapora quando o Marcelo estiver perto de você. Você nunca mais estará sozinha, sempre terá alguém mais que disposto a te fazer sorrir.
— Isso é lindo, mesmo que pareça tão irreal ainda.
— Acredite, eu pesei por toda essa confusão que você está passando, ainda me sinto de vez em quando. Mas lutar contra é a pior coisa que você vai fazer, é desgastante e inútil. Mesmo que aqui — eu toquei na testa dela — não queria aceitar o fato, seu coração sempre foi dele, mesmo antes de conhece-lo.
— Verdade, no Hangar eu fiquei falando dele, mesmo sem nunca ter visto nem foto. Quando o vi pela primeira vez parecia que já o conhecia — ela disse sonhadora.
— Foi na noite do Hangar que o Theo me contou a verdade.
— Jura? Mas você estava tão calma, eu achei que eu fosse enfartar ou matar alguém, de tão louca que eu fiquei.
— Acredite, não foi fácil — eu disse ainda rindo — mas de repente você percebe que é o certo.
— Você parecer tão simples tudo isso.
— Se pensarmos bem, é simples. Nós nascemos com essas marcas por algum motivo, certo? Nosso destino estava traçado junto o com deles. Não tem como fingir que isso não é verdade e não tem para onde fugir. Somos mais felizes do lado deles, a vida fica melhor com eles. Por que lutar contra?
— Você tentou lutar contra?
— Eu? DE-SES-PE-RA-DA-MEN-TE — ela riu do meu tom — Sério, Theo e eu somos como fogo e gasolina, tem horas que combina, tem horas que causa estrago. Brigamos muito, o tempo inteiro, demonstramos carinho nos provocando. Mas que saber um segredo? — ela afirmou com a cabeça, então eu sussurrei — Eu não imagino a minha vida sem ele.
— Jura? — ela perguntou sorrindo.
— Sim — eu sorri de volta — você me conhece, sabe tudo o que passei e o que eu pensava sobre relacionamentos. Então consegue entender como toda essa loucura é incrivelmente boa, o suficiente para eu jogar nisso?
— Sim — o sorriso dela abriu ainda mais — vale tanto a pena assim?
— Mais do que você pensa. Marcelo já é louco por você, agora você vai ver como é um relacionamento ao nível Lobo. Mas já aviso que eles são muito passionais, tudo é elevado a décima potência. Eles também são muito possessivos e extremamente ciumentos, gostam de mandar e também dar presentes e querer pagar ou comprar tudo que achem que você queira.
— Isso é pra me fazer desistir?
— Não, achei legal te avisar, porque é você tão louca quantos eles, vai se dar bem aqui — ela começou a rir, então pulou no meu colo e me abraçou.
— Obrigada Eve, agora to mais calma. Mas ainda tenho muitas dúvidas sobre tudo isso.
— Pergunta pra ele, vocês tem a vida inteira agora. Mas tem uma coisa que eu posso te prometer — eu a abracei apertado — eu sempre vou estar aqui com você, estamos juntas nessa!
— Eu não sei o que faria sem você!
— Nada! — Ana era minha melhor amiga a muito tempo, era minha irmã — Ah, tem mais uma coisa sobre o lobo!
— O que?
— Baseando no meu lobo, aparentemente, todos eles são bem grandes.
— Isso dá pra ver. São todos altos e ... — eu levantei a sobrancelha e ela entendeu — Jura? Por que ninguém me disse isso antes? Se eu soubesse, nem era preciso essa conversa toda, já me convenceu!
— Tudo bem por aqui? — Helena entrou no quarto.
— Cunhada senta aqui — Ana bateu na cama do lado dela, num tom bem malicioso — que eu preciso te perguntar umas coisas!
Acho que ela já estava bem.
Naquela noite Aninha dormiu em casa, obvio que no quarto do Marcelo, ela disse que era para "conversarem melhor", até parece!
Mas foi engraçado ela descer para o café da manhã com o cabelo todo bagunçado e usando uma camiseta dele. Como ela é branquinha, quando viu todo mundo em volta da mesa, foi ficando vermelha. Marcelo estava com ela, só de calça jeans. O fato dele estar sem camisa não queria dizer nada, muitas vezes os meninos não usavam camiseta dentro de casa (as vezes nem usavam calça, ficam passeando de cueca mesmo).
— Morrendo de vergonha — ela disse se sentando do meu lado.
— Cunhada — Helena disse — eu avise que privacidade era uma coisa que não existia por aqui.
— Não mesmo — eu ri.
— Mas precisam ficar encarando desse jeito.
— Claro — Theo respondeu, ele dava banana amassada para Lua, que estava no meu colo — que graça teria se não podemos constranger os novos.
— Pensa pelo lado bom, a primeira vez que eu entrei nessa casa, foi quando Theo me jogou por cima do ombro. Eu estava gritando e esperneando e ele rindo de mim.
— E eu faria de novo! — ele deu aquele sorriso cretino.
Aninha resolveu matar aula, ficamos conversando no quarto da Helena. Ana disse que realmente conversou muito com o Marcelo, que perguntou um monte de coisas, mais ainda estava tentando entender o mundo deles
— Viu Eve? É assim que se faz! Você pergunta! Conversa e dialoga com o Theo, não só fica se amassando — Helena riu de mim e eu mostrei a língua pra ela.
O dia foi normal, expulsas de casas, passeando por aí, gastando dinheiro (que ainda me recuso a creditar que é meu), Aninha e Helena compraram roupas novas. De acordo com o Marcelo, Ana tinha que comprar muitas coisas para deixar na casa, já que agora passaria muito tempo lá, ele ainda não tinha contado que ela acabaria de mudando, estava tentando ir com calma. Mas um ponto pra ele, menos dez para Theo.
Dessa vez foi o Caio que foi nos buscar (ainda me irrito com isso de terem que levar e nos buscar em tudo quanto é lugar, Theo fica dizendo que é questão de proteção, mas eu acho um exagero), mas Hugo que levou Aninha e eu para o ensaio a tarde. Ficamos ensaiando até mais do que o horário normal, então Helena chegou mais cedo para o ensaio com a turma toda e ficamos conversando.
— Pessoal, a professora de vocês não pode vir hoje — uma outra professora veio nos avisar — se quiserem, podem usar o espaço para ensaiar ou ir embora, vocês que sabem.
— Se eu soubesse nem tinha vindo — Helena revira os olhos e eu ri.
— Se eu soube já tinha ido embora e estaria deitada na minha cama! — eu respondi.
— Credo, você só pensa nisso! — ela me olhou como se me julgasse.
— Cadê aquela menina doce e delicada que eu conheci? — eu a empurrei e ela riu de mim.
— Que tal aproveitarmos esse tempo livre e irmos naquele mercado 24 horas aqui perto? Preciso comprar algumas coisas e lá tem aquele bolo de chocolate que eu amo!
— Tudo bem, mas é melhor mandar mensagem para os respectivos lobos antes, sabemos como eles piram se sairmos sem falar com eles.
— Nossa, é assim? — Ana perguntou.
— Você não tem noção, eles são loucos com controle e proteção — Helena explicou, já mandando mensagem para Caio — Nunca provoque um lobo! O temperamento deles não é fácil. Quer dizer, nunca provoque a não ser que você seja a Eve, porque isso é o que ela mais faz.
— Hey!
"Theo, a aula foi cancelada, estamos indo em um mercado aqui perto. Fica na rua de trás a três quadras. Buscam a gente lá?"
A resposta foi quase imediata
"Encontramos vocês lá. Cuidado"
Quanto amor! Até me fez revirar os olhos.
Estávamos na metade do caminho, conversando sobre coisas bobas. Um rapaz estava vindo pelo mesmo caminho, ele passaria do nosso lado, bem perto de Helena. Não sei o que me fez ficar desconfiada, ele nem olhava para nós, mas eu sentia que tinha algo errado.
Como em câmera lenta, eu vi ele levantar o braço, ele estava muito perto dela, quase do lado, sua mão ia agarrar seu braço, mas ela não tinha percebido. Eu a puxei com força, quase a fazendo cair, mas escapando dele.
— Muito esperta você — uma voz masculina desconhecida soou atrás mim — até demais para uma simples marcada!
Nós três congelamos, era dois homens com aparências animalescas, presas pontudas e olhar de assassino.
— Veja — o que tentou puxar Helena falou — só precisávamos de uma Marcada, mas conseguimos três!
Se meu próximo livro os protagonistas forem gays (uma banda, um casal gay, um provável trisal, gente que não deixam eles se assumirem e um contrato fdp), vocês vão continuar me amando e vão ler???
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