1 - Classudo e vintage
☆ Oi! Voltei com uma shortfic nova do Tae. Espero que gostem hehehehe me digam o que acharam Ok? Boa leitura.
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- Com força! - a voz feminina angustiada e aguda rompeu invadindo o meu quarto.
Fechei meu livro abruptamente, a leitura estava agradável até segundos atrás, eu deveria ter previsto por causa do horário. Por alguns minutos me mantive em silêncio, apenas ouvindo o ranger de molas que certamente não eram as do meu colchão, mas que pareciam estar aqui dentro do cômodo aonde eu estava.
-Mete tudo! - a voz feminina, que devia ser apenas mais uma aventura de muitas, exigiu com urgência. E eu ri balançando minha cabeça negativamente.
Eu ri não porque era engraçado, mas porque eu reconhecia que aquela voz, eu nunca tinha ouvido antes. Eu sabia que pessoas jovens mantinham uma vida sexual ativa, mas a do meu vizinho estava longe de ser uma vida normal.
E de certa forma eu me sentia fazendo parte da vida sexual dele.
Levantei de minha cama e caminhei preguiçosamente até a cozinha, essa era a hora em que eu fugia da constrangedora rotina de ouvir tudo o que meu vizinho fazia entre as quatro paredes do quarto ao lado. Maldito apartamento que era dividido apenas por uma parede e não tinha nenhum isolamento acústico.
Coloquei água em um copo vagarosamente, eu não tinha pressa, peguei uma banana e me dirigi para a sala, onde eu liguei a TV em um canal qualquer e aumentei o volume. Essa era minha rotina noturna de pelo menos 5 dias da semana, porque essa era a rotina noturna do meu vizinho.
Sempre depois das 23 horas ele chegava em casa acompanhado de alguma moça, que ele provavelmente tenha seduzido em seu trabalho de garçom, sempre às 23 porque essa era a hora que ele chegava do trabalho, quando o turno era trocado entre os funcionários de lá. Do restaurante, à duas quadras daqui, e que tinha um ótimo ravióli, porque claro, era um restaurante italiano no coração de Hongdae.
Ele sempre era muito rápido, chegava e logo estava na cama com a pessoa e bom, se eu estivesse em meu quarto ouviria absolutamente tudo, e eu sempre estava, não que eu não tivesse para onde ir... quem eu estava tentando enganar? Eu estava sempre no meu quarto porque não tinha para onde ir e nem queria, ou tinha disposição. Eu estava na casa dos 24 anos com disposição de 50 anos e coluna de 80. Acreditando que haviam oitentões por aí mais disposto que eu.
No começo, quando eu mudei para cá eu achava ultrajante os sons que eram emitidos no quarto do meu vizinho, era simplesmente a minha primeira vez morando sozinha, a tão sonhada liberdade, sem precisar depender da mesada dos meus pais pagando aluguel do meu próprio salário, mas com o passar do tempo passei a achar excitante ouvir os gemidos do meu vizinho e de suas companheiras de cama, o som do ranger de molas da cama, o gemido rouco e contido que ele dava quando chegava em seu orgasmo, cheguei a me tocar ouvindo os sons, confesso e não tinha vergonha nenhuma de confessar isso, para mim mesma claro. Não era como se fosse crime, afinal eu estava dentro da minha casa.
Só que com o passar do tempo tudo isso começou a me parecer incômodo demais.
Todos os dias.
Todos os malditos dias eram as mesmas coisas, os mesmo sons, os mesmos gemidos, os meus estalos de tapas, as mesmas exigências para foder mais e melhor. Eu comecei a distinguir as vozes e perceber que não era a mesma pessoa toda noite, percebi que ele geralmente levava pessoas diferentes.
E de excitante, comecei a achar chato. A porra do meu vizinho tinha uma vida sexual super ativa, enquanto eu não tinha beijado sequer uma boca nos último 22 meses.
O mais engraçado de tudo é que eu levei 6 meses para conhecer Ele, quando eu saía para trabalhar ele estava dormindo e quando ele chegava do trabalho eu já estava na cama, então por mais que eu ficasse curiosa sobre quem ele era, eu só vim descobrir 6 meses depois de me mudar, quando a correspondência dos nossos apartamentos veio trocada e eu vi ele comentando com o porteiro.
Meu queixo encontrou o chão frio nesse dia. E eu acho que nunca vou esquecer desse dia.
Ele era jovem. Ele era muito jovem, não devia ter mais que 25 anos, era alto, bonito, tinha um cabelo escuro com um corte de mullet, que eu achava feio nos outros, porém nele ficou impecável. Usava umas estampas estranhas e roupas folgadas que lembravam pijamas de grife e andava com um cachorrinho pequeno e peludo.
Era um cara classudo e vintage, que não se parecia em nada com o que eu tinha idealizado, claro, não devemos esteriotipar as pessoas, o modo como se vestem pode não refletir necessariamente quem são, mas porra! Ele não parecia o cara mais pegador e com a vida sexual super ativa que eu já vi, ele falava manso, tinha um olhar profundo, mãos bonitas e era bem educado.
Por Deus!
Era o tipo de homem que levou apenas 2 segundos olhando para ele, para que eu pensasse que ele era perfeito para casar. A figura dele exalava seguridade, ele por si só era o próprio convite para se iludir pensando que você seria feliz ao lado dele para sempre.
Só que...
Ele não era perfeito para casar. Não um cara que não quer compromisso com ninguém, um cara que toda noite fode uma mulher diferente, não pode ser o tipo que gosta de casar. Foi um baque quando eu o vi pela primeira vez.
Desde aquele dia do porteiro que ele acordava cedo e saia com o cachorro, comecei a pensar que tinha sido porque ele adotou o peludo, que eu ouvia ele chamar de Yeontan. Muitas vezes nós cruzamos no hall do prédio, porém eu tinha convicção de que ele não sabia quem eu era, afinal nós nunca tinhamos trocado nenhuma palavra.
Mesmo quando eu fui no restaurante em que ele trabalha e acabei descobrindo esse fato, ele não pareceu me notar.
Veja bem, eu queria acabar com o infortúnio de ouvir suas intimidades, porém como você chega em um vizinho e conta que você ouve ele transando todas as noites nos últimos 365 dias e está incomodada com isso?
Carta? Email? Pessoalmente? Por telefone?
Eu não tinha coragem. Era constrangedor, mesmo sabendo que o sexo faz parte da vida de todos os seres humanos, eu não precisava fazer parte da vida sexual dele, mesmo ele sendo o cara mais bonito que eu já tinha visto em toda a minha vida e convenhamos esse não era nem de longe um jeito divertido de participar da vida sexual de alguém. Eu já tinha visto reclamações porque o vizinho era barulhento, com música, com animais, até com obras, mas nunca com sexo.
Aproveitei que ele estava se divertindo com sua nova companhia e juntei as sacolas de lixo da minha casa para joga-las no lixo do prédio. No final do corredor tinha uma rampa, era só jogar o lixo separado lá e pronto.
Abri a porta do meu apartamento depois de juntar o lixo e caminhei de pijamas mesmo até o final do longo corredor de apartamento familiares. O silêncio era ensurdecedor e eu achei até mesmo irônico. Só eu tinha tido esse azar todo mesmo?
Suspirei jogando as sacolas uma por uma na portinha e virei as costas depois de ter terminado dando de cara com meu vizinho, caminhando na minha direção e até achei engraçado que por um momento ele parecia caminhar em câmera lenta, segurando uma caixa de pizza, ele usava um pijama de seda azul marinho e estava de óculos, seu cabelo castanho estava molhado e recaia sobre os olhos com certa graça. Ele caminhava preguiçosamente em minha direção olhando para baixo, passou por mim enquanto eu voltava para o meu apartamento e pareceu nem me notar.
Praticamente corri para meu apartamento, não queria que ele soubesse que eu era sua vizinha, era a primeira vez que cruzávamos no corredor, espiei pelo olho mágico da porta do meu apartamento ele passando com a mão no bolso da calça do pijama, passando a mão que tinha livre em seu mullet.
Soltei o ar que eu nem sabia que tinha prendido. Cruzes que homem bonito, como era alto e esguio, mas com ombros largos e bonitos!
Corri para o meu quarto para ver se ainda ouvia algo. Ele não era de falar alto, quase nunca eu ouvia ele conversando, mas curiosamente esperei ouvir hoje. Me recostei na parede com o ouvido atento.
Será que aquela história do copo era verdade? Corri na ponta dos pés para a cozinha, catei um copo de vidro e coloquei na parede quando voltei para o meu quarto. No início eu apenas ouvi um ruído parecido com água do chuveiro caindo.
-Posso dormi aqui essa noite? - ouvi claramente uma garota falar. Ai que vergonha, ela estava pedindo para ficar? Eu não compreendi a resposta dele, ele murmurou algo muito baixo e tive que me esforçar para reconhecer que ao menos ele falava. - Taehyung... - ouvi ela falar. - Vai mesmo continuar me afastando?
Ok eles estavam tendo uma espécie de D.R, mais um caso de um dia podia falar esse tipo de coisa? Ou eu estive errada esse tempo todo e não eram caso? Mas seria possível uma mesma mulher gemer de diferentes maneiras todos os dias?
Balancei minha cabeça. Eu estava pensando merda! Não era possível que eu estivesse me questionando sobre os gemidos de outra pessoa, eu tinha perdido claramente o bom senso. E a julgar pela minha atitude, invadindo (ainda mais) a privacidade do meu vizinho, eu não estava mesmo em perfeito estado.
Afastei-me da parede. O que eu estava fazendo afinal? Desde quando eu me interessava pelas conversas do meu vizinho? E desde quando eu me importava se eram um ou duas, ou dezenas de mulheres?
Deitei em minha cama olhando para o teto o silêncio chegou a ser incômodo, mas no fundo era o que eu mais ansiava. Até que eu ouvi a porta do apartamento do meu vizinho fechar com força. Acho que a moça ficou com raiva por não poder dormir lá. Balancei a cabeça de novo, não era da minha conta e eu não deveria ficar pensando nisso.
》《
Uma pessoa que busca a paz, estará satisfeita quando alcançar seu objetivo? Quero dizer, a paz é o alvo, mas quando não se tem mais alvo, talvez torne-se normal sentir saudade da guerra, certo? Porque ao menos na guerra você tinha um sonho/objetivo, mas agora que a paz estava alcançada, não havia mais nada para se apegar.
Suspirei.
Podia parecer a coisa mais absurda do planeta terra, mas depois de alcançar a paz eu sentia falta da guerra.
Kim Taehyung, vulgo meu vizinho, não estava mais se divertindo depois das 23.
Sem gemidos.
Sem ruídos de molas rangendo.
Sem barulhos de tapas.
Sem pedidos de mais e melhor.
Depois das 23 o silêncio reinava, e vez ou outra eu apenas ouvia o som do Jazz suave que emanava da casa ao lado. Ele trocou sexo por jazz? Quem faz isso?
Comecei a pensar que a pessoa com quem ele dividia a intimidade, na verdade era uma espécie de namorada e que eles terminaram. Talvez a noite em que eu ouvi ela reclamar tenha sido a última noite. Já completava-se um mês desde aquele dia.
Me perguntei se eu deveria ir conversar com ele. Perguntar se estava tudo bem, mas eu não podia chegar e dizer: "Oi você terminou seu relacionamento? É porque tipo, eu sinto falta de fazer parte da sua intimidade!"
Ele me mandaria para a cadeia se eu fizesse isso. Eu mesma estava pensando em me internar para tratamento... Isso era um absurdo! Eu me sentia no precipício da insensatez.
Kim Taehyung tinha mudado seus hábitos ao ponto de me afetar, tanto que obriguei a mim mesma a fazer algo por mim, ou eu enlouqueceria trancafiada nesse apartamento divagando sobre porque a vida sexual do meu vizinho tinha estagnado.
Reunindo toda a minha coragem, resolvi sair para beber, eu estava me sentindo na beira da insanidade com toda essa história e o álcool talvez me ajudasse a pensar com clareza ou ao menos embaralhasse tudo de uma vez.
E foi o que eu fiz. Procurei um bom lugar para beber e desfrutei de soju com cerveja até que meu corpo não aguentasse mais.
》《
Minha cabeça doía e latejava, forcei meus olhos a abrirem e a claridade fez com que eu me arrependesse dessa decisão. Eu estava em uma cama macia, de lençóis branco que eu não conhecia.
Levantei o lençol rapidamente percebendo que eu estava só de calcinha e sutiã. Cobri-me depressa sem entender o que porras eu estava fazendo ali, eu não lembrava de nada e forçar, nesse momento, só me dava mais dor de cabeça.
De repente eu notei a presença de outra pessoa no cômodo. Meu coração veio parar na garganta, bombeava o sangue tão rápido que eu podia sentir minhas bochechas arderem.
Ele, estava de costas, usava uma calça de pijama de seda azul marinho, estava sem camisa, seu braço recostado na soleira da janela, enquanto ele segurava uma xícara de algum líquido quente, porque eu via a fumaça emanar da xícara. O vento que entrava pela janela fazia o cabelo negro dele balançar e com apenas o movimento de sua respiração eu podia ver os músculos de suas costas se movimentarem criando quase uma dança hipnótica para as pintinhas em sua pele branca, tão pretas que pareciam de mentira. Ele não precisou se virar para que eu soubesse quem era, pois o mullet que só combinava com ele estava ali para deixar claro a minha desgraça.
Busquei rapidamente em minha mente o que tinha acontecido, como eu tinha vindo parar aqui? Em que circunstâncias no universo seria possível tal situação? Qual a probabilidade de sua perfeita imagem ser uma alucinação minha? Teria eu ingerido drogas ilícitas e estaria chapada agora?
E a pergunta mais importante de todas, como raios eu tinha vindo parar sem roupa no quarto do meu vizinho, Kim Taehyung?
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