39 - Fundições Perfurantes De Caráter Maliciosamente Penetrantes
— Quem é você? — Indagou Binogo, o gato, para o globo de espermas flutuante do tamanho de uma bola de baseball.
— Eu sou Espernil Bill Gongai 1815.
— Você se chama Espernil Bill Gongai 1815?
— Esse é meu nominho.
— Nunca vi um nominho que tivesse número, muito estranho — comentou Cubrico, o cuzinho falante do gato dessa vez, posicionado dentro da orelha do bichano.
— Eu e todos meus irmãos temos número no nome. Normal!
— Como se chama, seus irmãos?
— Sou irmão do Espernil Bill Gongai 1814, 1813, 1812...
— Tá! Tá legal, entendi.
— Tem também o Espernil Bill Gongai 1811, 1810...
— CHEGA! Pode parar criatura! Você não vai recitar o nome dos seus 1813 irmãos, né?
— Tenho uma família muito grande.
— E onde estão seus irmãos?
— A maioria morreu, sabe-se lá em que latrina de banheiros imundos, espalhados por esse mundo.
Cubrico, voltando a se posicionar no centro da testa do gato, disse:
— Viu Binogo, se você der outro banho de língua no gato, sabe o que vai acontecer?
— O que vai acontecer, Cubrico?
— O Pintossilgo vai ter um novo siricutico, fazendo-o expelir mais um irmãozinho do Espernil Bill Gongai, dessa vez, o 1816.
— Pintossilgo gosta de família grande — disse o pênis voador voltando-se para o gato, pedindo: — Me lambe de novo, para que possa aumentar minha família!
— Chega de banho de língua por hoje ou, tua pele, vai ficar enrugadinha.
— Quem toma muito banho fica com a pele enrugadinha, é?
— Sim!
— Eu não quero ficar com minha pele enrugadinha, como a bundinha do Grilogum.
— A bundinha do Grilogum é enrugadinha? — Quis saber o cuzinho do gato, interessando-se pelo assunto.
— Ô! E como! Ruga ali é mato.
— Vixe!
— Tenho um filhinho! Eu sou papai! — Alardeou Pintossilgo, sobrevoando o globo de espermas flutuante.
— Você não é meu papaizinho querido, Pintossilgo.
O pênis alado surpreendeu-se com a informação.
— Ué! Como assim? Como pode você não ser meu filhinho?
— Eu não sou seu filhinho!
— Se você saiu de dentro de mim, você só pode ser meu filhinho querido, filhinho guti-guti do papai.
— Não sou teu filhinho guti-guti e, mesmo se fosse, gelatinoso como sou, não seria guti-guti.
— Se você fosse meu filhinho, porque não seria guti-guti, sendo gelatinoso?
— Filhinho gelatinoso não seria guti-guti e, sim, glub-glub!
— Hahaha! — Riu Pintossilgo. — Tem logica, mas, porque você não é meu filhinho glub-glub?
— Eu não sou teu filhinho glub-glub pois, sou eu, um Germe da Vida.
— Você é um Germe da Vida?
— Sim!
— E porque ejaculei eu, um Germe da Vida?
— Você, Pintossilgo, ejaculou um Germe da Vida, por ser um órgão genital fecundo.
— Já você, Cubrico, costuma expelir o que? — Indagou o pênis voador dirigindo-se para o cu.
— Bosta!
— Só bosta? Eu já sou bifuncional! — Esclareceu Pintossilgo.
— Bifuncional?
— Sim! Costumo expelir urina e ejacular espermas.
— Sendo assim, Pintossilgo, olhando por esse ângulo, também sou bifuncional.
— Há, é! E qual é tua bifuncionalidade?
— Costumo expelir além de bosta, diarreia!
— Diarreia que não deixa de ser bosta alagada... Hahaha! — Riu o pênis alado, antes de perguntar para Espernil Bill Gongai 1815: — O que é um Germe da Vida?
— Germe da Vida é uma substancia primaz que, ao penetrar num objeto inanimado, lhe da vida e, quando eu penetrar...
— Você também penetra nos buraquinhos desavisados? Puxou o papai? — Inquiriu Pintossilgo, arregalando os olhos, sorrindo de satisfação.
— Eu posso penetrar superfícies com ou sem buracos — esclareceu Espernil Bill Gongai 1815.
— Pode penetrar superfícies com ou sem buracos? UAU! Que legal! Eu só posso adentrar em superfícies esburacadas desde que, o buraquinho, peça suplicante: Vem ni mim!
— O que é uma tremenda cascata. — Retrucou Cubrico.
— Porque é uma cascata? — Quis saber Espernil Bill Gongai 1815.
— É uma cascata pois, o Pintossilgo vive ouvindo a suplica: "Vem ni mim", sendo que, tal pedido suplica, nada mais é que um delírio de sua mente pervertida.
— Delírio de uma mente pervertida?
— Sim! Pura fixação!
— Mas vem cá, Espernil Bill Gongai 1815, o que acontece quando você penetra... Adoro a palavra "penetrar", acho tão profunda... — devaneou o pênis alado.
— Bem sei disso, amigo — concordou Cubrico.
— Como ia dizendo... — voltou a falar Pintossilgo. — O que acontece quando você, penetra a superfície de um objeto?
— Quando eu penetro na superfície de um objeto, eu me fundo nele, dando-lhe vida.
— Quando você penetra na superfície de um objeto, ocorre uma fusão e, nessa fusão, você da vida ao objeto?
— Sim!
— E esse objeto vivo será...
Espernil Bill Gongai 1815 encarou o pênis alado, revelando:
— O objeto vivo na qual me fundirei, esse sim, poderá ser chamado de... teu filho!
Pintossilgo arregalou os olhos radiante. Saltitando pelo ar, indagou:
— Se você se fundir numa caneca, ganhara ela vida?
— Sim!
— E a caneca viva, se tornara minha filhinha querida?
— Sim!
— E o que você está esperando? Se funda naquela canequinha mimosa, que está em cima da mesa.
— Eu não vou me fundir naquela canequinha, em cima da mesa — teimou o globo de espermas flutuante.
— Ué! Porque, você, não quer se fundir e dar vida àquela canequinha, mimosa?
— Por mais mimosa possa parecer, é aquela caneca de porcelana.
— O que tem isso?
— Canecas de porcelanas são muito frágeis. Se cair no chão, quebra e, não desejo, eu, ter uma vida curta.
— Ele tem razão, Pintossilgo — concordou o cuzinho do gato.
— Então devemos pensar com cuidado, naquilo que meu amado Espernil Bill Gongai 1815 vai se fundir, né, para que venha a ter uma vida longa e divertida.
— Longa e divertida como o que? — Quis saber Cubrico, curioso.
Os olhos do pênis alado esbugalharam-se. Encarando o globo de espermatozoides, ordenou:
— SE FUNDA COM UMA CADEIRA!
— Porque deveria, eu, me fundir com um objeto tão desenxabido, como uma cadeira?
— Espernil, veja as possibilidades lúdicas da parada.
— Que possibilidades lúdicas? — Estranhou.
— Imagine um monte de bundas sentando em você, cheias de buraquinhos lhes pedindo: Vem ni mim!
Espernil Bill Gongai 1815 fez cara de muxoxo, antes de resmungar:
— Eu, ao contrário de você, não tenho fixação por bundas, nem buraquinhos de toda ordem.
— Há, é? — Murmurou decepcionado antes de arregalar os olhos, empolgado. — JÁ SEI! E se você penetrasse num prego?
— E porque deveria me fundir com um prego?
— Os pregos são de ferro, portanto, são praticamente eternos. Além do mais...
— No mínimo vai dizer para que, eu, pense nas possibilidades, possibilidades tais quais?
Cada vez mais animado, argumentou o pênis alado:
— Pregos penetram nas coisas sem precisar de buraquinho, aliás, prego faz o buraquinho!
— Só tem um problema com esse raciocínio, Pintossilgo.
— Qual?
— Um prego, realmente, não precisa de um buraquinho dizendo "Vem ni mim", para nele adentrar. Ele cria o buraco, só que...
— Só que, o que?
— O prego ao adentrar numa superfície criando um buraco, fica nele preso para todo o sempre, não havendo a possibilidade de entrar e sair do buraco como, você, apetitosamente aprecia.
— É verdade... — murmurou caindo em si, decepcionado. — De que adianta fazer um buraco, não podendo nele entrar e sair, entrar e sair, entrar e sair, entrar e sair, entrar e sair, entrar e sair... acelerando... ent e sa, ent e sa, ent e sa, ent e sa, ent e sa...
— Entrou, ficou!
— Já um parafuso entra e sai quantas vezes quiser — lembrou-se.
— Ficaria tonto.
— O que tem isso?
— Você já entrou e saiu de buracos dando volteios? Saindo e entrando dando giros e mais giros?
— Nunca tentei, mas... me parece uma possibilidade alvissareira — disse mirando de soslaio...
— Não olha prá mim não! — Alertou Cubrico, o cuzinho do gato, mediante o mirar insinuante que lhe fora, desavergonhadamente, disparado. — Vá fazer suas pirotecnias penetrantes em outra freguesia.
— Uma rolha!
— Não!
— Uma furadeira!
— Nem pensar!
— Uma espada! Espadas são maneiras.
— Jamais e, chega, Pintossilgo, de você ficar sugerindo objetos para me fundir, até porque, já fiz e minha escolha.
— E qual foi tua escolha, posso saber?
— O objeto na qual irei mefundir é...
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