Capítulo 40 - FINAL
Eu soquei Vlad com toda a força que eu consegui, tanto que ele até deu uns passos para o lado e seu maxilar se deslocou.
— Eu estava com saudade disso — ele disse rindo e recolocando seu maxilar no lugar — Demorou.
Nós estávamos no corredor, prontos para finalmente para sair daquele lugar, quando me lembrei de uma coisa que eu tinha prometido e soquei Vlad.
— Você — apontei para Wong, que ergueu as mãos em sinal de paz e recuou uns passos também.
— Eve, calma. Não é necessário.
— O cacete que não é! — soquei ele também, que xingou alto.
— Eve, o que você está fazendo? — Arthur perguntou, os Ackers pareciam chocados com aquilo. Não sei porquê.
— Bro — Henrique sussurrou — é a Eve, é melhor nem saber.
— Custava ter dito alguma coisa? Porra, vocês apareceram em quase todos os meus sonhos nos últimos meses, custava ter dito alguma coisa do tipo "Aliás, você já pensou o que você foi na sua vida passada? Quem sabe você não foi uma empregada ou talvez a RAINHA DESSA PORRA TODA"? — terminei gritando.
— Nós não podíamos — Wong se explicou — faz parte da regra universal. Você não pode voltar para a Terra lembrando do que foi na sua vida passada. Os anjos colocaram uma coisa na mente de vocês para que vocês não tivessem memórias de nada, vocês precisavam lembrar sozinhos.
— Mas eu dei dicas — Vlad falou, sendo o cretino de sempre.
— Ah, claro, "dicas" — eu ri sem humor — "Qual é o seu nome?" não é a porra de dica nenhuma! Eu vivi dezenove anos acreditando que meu nome é Evelyn, então meio que estava implícito que eu não responderia outra coisa!
— Eu te disse que só tinha dançado com duas mulheres durante a minha existência, Allegra e Azzare, e eu disse isso dançando com você — ele falou prepotente.
— Ele tem um ponto nessa — Theo disse coçando o queixo — fez sentido.
— Claro que fez — Vlad sorriu e aquilo bizarro. Eu realmente prefiro ele sendo assustador do que feliz.
— Sem querer interromper — Caio falou — mas vocês podem explicar o que está acontecendo? Que história é essa que vocês são os reis?
— Na verdade é bem simples — Theo deu de ombros — na vida passada eu era o Genn e a Eve era a Azzare. Nós somos os Originais dos Lobos Marcados, que reencarnaram para retomar o nosso lugar por direito e, provavelmente, liderar nossa espécie numa guerra iminente.
Os lobos a nossa frente se entreolharam, ninguém conseguia dizer uma palavra. Eles estavam atônitos e quem poderia julga-los?
— Como eu vou explicar isso para a sua mãe? — foi a única coisa que James conseguiu dizer.
Nós descemos e havia alguns dos nossos ali, quando fomos até eles, eles se ajoelharam colocando o punho cerrado sobre o coração. Esse era sinal de respeito e lealdade. Aparentemente, Theo e eu fomos considerados heróis.
Alguns dos lobos eu reconhecia os rostos, os outros eu já deveria ter visto, mas não me lembrava. Todos os lobos marcados estavam de joelhos, quando olhei para trás, vi que nossa família também tinha se ajoelhado.
Devíamos ser uma grande visão. Para começar Theo estava nu, igual a maioria ali, ele tinha várias manchas de sangue pelo corpo e alguns ferimentos, além de que ele carregava uma espada de prata que tinha vários símbolos em sua lâmina e escorria sangue dela. Eu estava descabelada, roupas rasgadas, coberta de sangue e com vários cortes pelo corpo.
— A Alcateia reconheceu seus heróis, o que vocês dois fizeram hoje, jamais será esquecido — Wong falou.
— Esperem até eles saberem do resto — Theo sussurrou no meu ouvido e eu quase ri.
— Hã, obrigada a todos, mas eu só quero ir para casa. Eu realmente preciso de um banho e só quero ficar abraçada na minha filha — alguns lobos riram, outros concordaram, mas todos se levantaram. A maioria veio nos cumprimentar, nos diziam palavras de apoio e agradecimentos. A maioria falava o quanto aquilo tinha sido importante para a proteção dos marcados. Alguns até falaram que chegaram a duvidar das minhas palavras na reunião do conselho, mas que depois de tudo o que tinha acontecido ali, nunca mais duvidariam de mim.
Ah, claro, precisei morrer para confiarem em mim, por que não?
— Eve Acker — uma voz soou ao fundo e a multidão de lobos foi se abrindo para que Pietro chegasse até mim — Existe alguma coisa impossível para você?
— Ter um final de semana normal, pelo jeito — eu respondi e ele riu.
Então Pietro fez algo totalmente inesperado, ele me abraçou.
Pietro me envolveu em seus braços de um jeito apertado e respirou fundo.
— Com licença — Theo exigiu do nosso lado e eu ri, enquanto Pietro se afastava. Meu namorado me puxou pela cintura e me manteve do lado dele — precisava de tudo isso?
— Não se preocupe lobinho — Pietro riu— apesar de que estou impressionado com sua marcada e estou devendo a minha vida a ela, eu não me interesso por guerreiras suicidas que tenham atração por problemas.
— Eu não tenho atração por problemas, eles que tem por mim! — eu me defendi.
— Nós precisamos ir, o resto da família está desesperada por notícias de vocês — James falou — vocês também precisam comer e descansar.
— James Acker — Pietro disse — você criou muito bem seus filhotes, imagino que tenha muito orgulho.
— Eu tenho — meu sogro respondeu sorrindo.
— Ackers, nós Lobos Noturnos temos uma enorme dívida com vocês e, além de honrar meus débitos, vocês também conquistaram o meu respeito. Para o que precisar e quando precisarem, estaremos com vocês — o alfa falou com o punho cerrado em cima do coração e fez uma pequena referência para Theo e eu.
Nós fomos conduzidos para os carros, Caio entregou uma calça para Theo vestir e seguimos por uma longa estrada. Wong disse que resolveria o resto da confusão e iria nos encontrar, eu gemi de frustração, eu só queria tomar banho e dormir por dias.
Estávamos no banco de trás do carro, James e Corey estavam na frente e falavam muitas coisas, mas eu não fiz questão de tentar entender. Deitei minha cabeça no ombro de Theo, ele enlaçou nossas mãos e fui deixando o movimento do carro me acalmar, meus olhos pesaram eu estava quase dormindo.
Muito bem Eve, mas isso é o apenas o começo. . .
Acordei assustada, olhando em volta, tentando identificar onde eu estava.
— Eve, você está bem? — Theo perguntou passando as mãos no meu rosto.
— Sim, eu. . . acho que apenas dormi um pouco. Onde estamos?
— Chegamos onde nossa família está, é um hotel de beira de estrada, mas eles trouxeram os marcados para cá — Theo me informou mostrando o edifício.
O hotel não era muito grande, apenas dois ou três andares e, provavelmente, já tinha visto dias melhores. Havia algumas pessoas na frente do hotel e quando James desceu do carro, eu vi Luana vindo até ele. Seu rosto estava vermelho e inchado de tanto chorar. Junto com ela estavam Hadassa, Emily, Aninha, Helena, Hannah e Bernardo, todos eles tinham chorado.
— James, o que houve? Vocês os pegaram? — minha sogra, que ainda chorava, perguntou chegando perto do marido — Eu espero que todos estejam mortos! James, onde estão os corpos. . . — nesse instante Theo e eu saímos do carro.
Luana ficou paralisada, nos olhando sem acreditar. O resto da nossa família também não emitia som, parecia que eles acreditavam que se respirassem ou falassem algo, nós sumiríamos.
— Oi mãe — Theo sorriu e a Luana ofegou, seus olhos transbordando de lágrimas.
— Meus filhotes! — ela correu e nos abraçou apertado, suas lágrimas molhavam a nossa pele e o que restou da minha camiseta — Vocês estão aqui!
Parece que esse foi o ponto que rompeu o transe do resto da família e eles correram nos abraçar. Logo também chegou os outros carros e as motos, trazendo o resto do Ackers e aquilo virou uma confusão de abraços.
— Eu não acredito que você está aqui! Você está aqui! — Aninha chorava sem parar, Marcelo teve que a segurar, porque não achávamos que ela ia conseguir se manter de pé.
— Eu prometi que tudo ia ficar bem — eu respondi para a minha amiga — eu tinha que cumprir.
— Por favor, nunca mais faça isso! — Bê era outro que chorava — Por favor!
— Não pretendo passar por nada disso de novo, com certeza não está na minha lista.
— Deem espaço para eles respirarem — Hadassa foi abrindo caminho, até chegar até mim — Podem falar o que for, mas nunca podem duvidar de Eve Acker — ela disse sorrindo — Agora acho melhor vocês irem tomar um banho e trocar de roupas.
— Sim, por favor — eu quase gemi de alegria e alguns riram.
James e Luana nos levaram até um enorme quarto, o maior de todo hotel, que depois eu descobri que os lobos tinham tomado o hotel. Os lobos marcados alugaram o hotel inteiro.
Tentaram fazer Theo tomar banho no outro quarto, mas ele não quis me soltar. Ele foi enfático que não pretendia tirar os olhos de mim e, devido aos últimos acontecimentos, todos entenderam. Por mim tudo bem, eu não queria ficar longe dele mesmo.
Deixaram roupas no banheiro e saíram do quarto para nos dar privacidade, nós trancamos a porta do banheiro, abrimos o enorme chuveiro e ficamos sentados no chão, deixando a agua cair sobre nós.
— Como será daqui para a frente? — eu perguntei.
— Eu não sei, mas estaremos sempre juntos e isso é o mais importante — ele respondeu beijando minha testa — Provavelmente teremos que mudar quase todos os planos que tínhamos para o futuro e fazer outros.
— A viagem para a Islândia — eu gemi — eu queria ir!
— Acho que isso poderemos manter — ele riu — mas não sei sobre o resto.
— Pelo jeito você não vai fazer parte da guarda — falei — mas, olha pelo lado positivo, você vai ganhar uma.
— Estou emocionado — ele respondeu seco, minha vez de rir.
— Creio que seja melhor que trancar a faculdade, não vai dar para te apoiar e continuar a estudar — eu suspirei.
— Me apoiar? Eve, você é a RAINHA SUPREMA, você vai governar comigo!
— A ideia de apenas te apoiar me parecia bem melhor — deitei minha cabeça no ombro dele — Meses atrás eu era só uma garota tentando sobreviver, hoje eu sou uma rainha do mundo sobrenatural. Como isso aconteceu?
— Há centenas de anos atrás, um arcanjo chamado Samael veio a Terra, mas ele odiava os seres humanos, por isso ele. . .
— Idiota! — eu bati no meu namorado que riu.
— Você que perguntou — ele deu de ombros.
— Theo — eu falei depois de um tempo quietos — nós precisamos assumir o lugar de reis?
— Em algum momento sim — ele suspirou.
— Eu. . . sei que talvez seja errado o que vou dizer, mas eu não quero — finalmente desabafei o que estava me angustiando desde que entendi o que aquilo significava — eu não quero ser rainha! Eu só quero ser eu mesma, ver a minha filha crescer e me formar na faculdade. Meu sonho sempre foi ter um pequeno estúdio de dança! Eu nem gostava de assistir filmes de princesa quando era criança — eu estava quase chorando.
— Tudo bem — ele me abraçou me consolando — eu te entendo, eu também não quero ser rei. Meus planos eram apenas treinar e fazer parte da segurança da alcateia, encontrar a minha marcada e no futuro ter uma família.
— Nós fizemos tudo ao contrário — eu resmunguei e ele riu.
— Fizemos mesmo — ele sorriu de canto.
— Eu estou com medo do futuro — eu me encolhi ainda mais nos seus braços — eu sei que como Azzare eu era muito corajosa e destemida, eu tenho essas lembranças na minha mente que mostram isso, mas como Eve eu não sou.
— Eve, você é a garota mais corajosa, destemida, inteligente e altruísta que eu já conheci! Nós já tivemos essa conversa no passado e nada do que eu falei mudou, talvez eu te admire ainda mais — Theo segurava meu rosto entre suas mãos — Eu também não queria nada disso e não tenho a menor ideia de como será daqui para frente, mas, se você olhar a nossa história, a gente nunca tem. Uma coisa foi atropelando a outra e olha onde viemos parar — eu acabei rindo um pouco.
— Sentados no pequeno box do banheiro de um hotel que fica no meio do nada, depois de termos sido sequestrados, torturados e um de nós morto, e termos descoberto que somos as reencarnações dos Lobos Marcados Originais, os verdadeiros reis de toda a espécie — nos encaramos por alguns segundos e começamos a rir. Rimos muito de desespero, de nervosismo, porque realmente era engraçado e sei lá mais o que.
— Eu te amo — ele disse me beijando — podemos achar alguma solução, talvez adiar a nossa coroação, daremos um jeito.
— Isso seria ótimo, será que podemos adiar até eu me formar pelo menos? — perguntei esperançosa.
— Creio que sim — ele me disse sorrindo, ainda me mantendo em seus braços — e o que Wong pode fazer? No final ele tem que nos obedecer, já que somos os Originais.
— Verdade! Vou me lembrar disso na próxima vez que ele invadir meus sonhos!
Theo continuou me abraçando, ficamos assim por um tempo, apenas com a agua escorrendo em nós e o silencio, cada um preso em sus próprios pensamentos. Depois de um tempo, nós nos levantamos e começamos realmente a tomar banho, estávamos muito cansados, mas felizes por estarmos juntos.
— A sua cabeça também está uma bagunça? — eu perguntei enquanto ele lavava meus cabelos — Eu tenho milhares de lembranças que, mesmo eu sabendo que são verdadeiras, parecem mais como um filme que eu assisti há um tempo, do que realmente minhas.
— Sim, eu também estou assim. Eu me lembro de treinamentos, batalhas e até mesmo de feitiços que eu nunca pensaria. Parece que a cada minuto mais conhecimento invade a minha cabeça. É como se eu soubesse de tudo e agora estou apenas me lembrando.
— Ao mesmo tempo que parece natural, parece muito estranho — eu estava ajudando Theo com o cabelo dele, que estava ainda mais comprido e passava dos ombros — Eu também fico lembrando da nossa família, dos nossos filhos e netos. Caramba! Nós tínhamos bisnetos! — falei em choque.
— Eve — ele riu pegando a toalha e me envolvendo nela — todos os lobos marcados que existem, descendem de nós. Incluindo cada Acker que está lá fora nos esperando.
— Não é bizarro saber que seus pais são seus descendentes? — perguntei fazendo careta.
— Acho que é pior saber que seus sogros descendem de você — ele riu e eu fique até sem respirar.
— Espera, o pior não é isso! O pior é você descender de você mesmo e de mim! — eu falei e ele ficou confuso — Olha, você hoje é Theo Acker, um lobo marcado — ele concordou — Mas todos os lobos marcados descendem de Genn e Azzare, os originais. Acontece que você também é Genn e eu também sou Azzare. Ou seja, ao mesmo tempo que você é Genn, você é Theo, seu próprio descendente. Mas você também descende de mim, já que hoje sou sua namorada, mas também sou a Marcada Original!
— Eve — ele disse depois de uns momentos — Você está com sono?
— Muito.
— Isso explica tudo.
Quando saímos do banheiro, havia uma enorme bandeja de comida nos esperando em cima da cama. Minha barriga roncou muito alto, eu não comia há dias. Confesso que no começo eu nem estava me preocupando em sentir o gosto da comida, eu só ia comendo e bebendo o suco que tinha, que só depois eu descobrir ser de laranja.
— Pode entrar — Theo gritou quando bateram na porta.
— Oi filhotes — James falou entrando com Luana. Minha sogra correu nos abraçar de novo, ela ainda chorava um pouco e seu rosto continuava vermelho — como vocês estão agora?
— Cansada e com muito sono — respondi, recebendo carinhos de Luana.
— Corey vai examina-los e logo vocês poderão descansar.
— Ah não — eu reclamei — prefiro descansar antes.
— Você morreu, literalmente morreu! — Luana falou, pela sua voz, ela ainda estava sensível aquilo — Temos que verificar se está tudo bem com você.
— Quando eu morri, me seguraram naquele quarto hospitalar, você vai ter que passar pelo mesmo — Theo me provocou, mas antes de eu xinga-lo a porta foi aberta e Vlad e Wong entraram.
Vlad se sentou na cama, sem cerimônia nenhuma, como se aquele fosse o ambiente dele e sem precisar falar nada com ninguém. Já Wong ficou parado, perto de James.
— E como os reis estão? — Vlad perguntou roubando carne do meu prato — Não está ruim, mas eu prefiro mal passada.
— Quem chamou o vampiro? — eu resmunguei — Pare de roubar coisas do meu prato! Você também Theo! — tive que falar, porque meu namorado fez o mesmo — Ah, qual é? Alguém tire eles daqui.
— Sempre tão dramática — Vlad falou sorrindo de canto.
— Olha quem fala! Theo!
— Minha culpa se você come devagar? — meu namorado respondeu.
— Eu como mais devagar, para ter mais, por mais tempo — eu respondi dando uma garfada na mão do meu namorado.
— Não se nós estivermos aqui — Vlad falou pegando outro pedaço de carne.
— Wong, faça alguma coisa, você também é Alfa aqui! — eu pedi, James ria de tudo aquilo e Luana estava sem entender.
— Mas sou o com menos autoridade. Eu sou um alfa designado, fui escolhido para isso, Theo é um alfa verdadeiro, ele nasceu sendo um original — ele deu de ombros e eu revirei os olhos vendo o sorriso gigante do meu namorado — Mas você também é uma Original, se tem alguém que pode enfrentar esses dois, é você.
— Espera, O QUE? — Luana gritou.
Ops.
— Melhor chamarmos a família e falarmos com todo mundo de uma vez — Theo falou — mãe, eu preciso que você mantenha a calma.
— Theo James Acker, o pior jeito de tentar fazer alguém ficar calma, é pedir para essa pessoa ficar calma! — Luana estava bem brava.
— Achei que você ia contar para ela — falei para James, que deu de ombros.
— Eu ia, mas os Alfas são vocês, você que se virem.
— Obrigado, pai — Theo resmungou.
— Sempre que precisar, filhote.
—Vocês vão me explicar isso e agora! — Luana exigiu.
— Melhor chamar o resto da família — eu respondi — eu juro que vamos explicar tudo assim que eles chegarem.
— Como se não estivessem do lado de fora tentando ouvir tudo — Vlad resmungou. James foi até a porta, a abrindo e se deparando com boa parte da nossa família ali.
— Vocês são crianças agora? — James zombou — Entrem logo e se acomodem, porque a história vai ser longa. Alguém vá chamar os outros.
Então o enorme quarto ficou pequeno para o tanto de gente que entrou. Eles entravam sem nem um pingo de constrangimentos por terem sido pegos tentando ouvindo a conversa. Alguns nos abraçaram, como Hannah, Aninha e Bernardo que ficaram do meu lado, mas todos ficaram assustados (ou pelo tomaram um pequeno susto) quando deram de cara com Vlad.
— Sinto que sua família tem medo de mim, por que será? — Vlad comentou casualmente.
Mas tudo o que me importava é que naquele momento meu irmão entrou e nos seus braços estava Lua. Minha filha, assim que nos viu ficou desesperada e começou a se debater. Edu teve tempo de coloca-la na cama e ela correu até nós.
— Meu amor! — eu a abracei tão apertado quanto pude, sentindo seu cheiro e seus carinhos. Eu não contive as lágrimas e logo eu estava chorando desesperadamente.
Theo nos abraçou forte e ficamos nessa bolha familiar por um tempo, ninguém no quarto falou mais nada, respeitando o nosso momento.
— Ok — eu disse limpando minhas lágrimas e retomando o controle da minha respiração — Acho melhor você se sentarem, porque é um longa e confusa história!
— Oh Meu Alfa — Luana exclamou pela décima vez, a única que falava alguma coisa, já que o resto estava meio que em choque.
— Mãe, você percebeu que quando fala esse tipo de coisa, meio que você está falando de mim, né? — Theo falou ninando Lua, que estava dormindo em seus braços.
— Theo! — eu recriminei — Não piore as coisas!
— Mas é verdade, não é? — Arthur comentou — Quer dizer que todas as vezes que a gente dizia coisas " Que o Alfa nos proteja" ou " Siga pelo Caminho do Alfa", estávamos pedindo proteção para o Theo?
— Jura? — Luana colocou as mãos na cintura, ela parecia bem revoltada — Isso é o mais importante daqui? Depois de tudo o que eles contaram, nós vamos debater sobre expressões?
— Certo — Jonathan falou — eu entendi o fato, vocês são as reencarnações dos Marcados Originais, mas o que isso implica agora?
— Eles precisam assumir o trono e serem coroados os verdadeiros reis — Wong disse.
— Sobre isso — Theo falou calmamente, me entregando Lua — não queremos a coroa.
— O que? — eu nunca vi Wong alterado.
— Pelo menos ainda não, queremos digerir tudo isso e nos preparar para assumir o trono — Theo continuou falando — Por isso precisamos manter tudo isso em segredo absoluto.
— Quando eu assumi como Alfa, Calixto me disse que eu seria o último Alfa designado, porque o Verdadeiro Alfa iria voltar. Eu guardei esse segredo por quase quatrocentos anos e agora vocês, simplesmente, não querem assumir o trono? — Wong não parecia nada feliz com aquilo.
— O que são dez ou vinte anos para quem é imortal? — Vlad deu de ombros — Eu esperei centenas de anos para ter Allegra de novo, você pode esperar mais um pouco para se aposentar.
— Então — James disse — isso quer dizer que só as pessoas dentro desse quarto sabem a verdade?
— Sim — Theo respondeu — e deve continuar assim, absolutamente ninguém pode saber. Não pode haver comentários, piada, insinuações ou provocações. Quanto menos citarmos isso, melhor, entenderam?
— Sim — todos os Acker concordaram.
— Eu não garanto nada — Vlad resmungou — tirando os que estão aqui, apenas Allegra, Ebony e Eliel sabem da verdade, mas nenhum deles seria problema e espero que nenhum Acker também seja — Vlad sorriu perigoso.
— Não ameace a minha família — eu o reprendi — Wong, Theo e eu apenas queremos ter um tempo para viver normalmente, ver nossa filha crescer, quem sabe até ter mais filhos. Nos dê esse tempo, serão poucos anos.
— Como se eu pudesse ir contra o que o Verdadeiro Alfa Supremo fala — ele resmungou — Temos que resolver outra coisa, com a morte de Chavi, preciso escolher outro chefe de guarda.
— Não — Luana ofegou.
— O que foi? —perguntei.
— O próximo na lista sou eu — James falou — deve abdicar do meu cargo como conselheiro e aceitar ser chefe da guarda. Isso quer dizer que devo seguir o Alfa onde ele for, ele é a minha prioridade e não mais a minha família — ele suspirou pesado e Luana o abraçou.
— Não podemos fazer nada? — perguntei — Deve ter alguma coisa que possamos fazer.
— São as tradições — Wong parecia estressado.
— Ah, qual é, nós que criamos a maioria dessas tradições — eu resmunguei — Theo, tem algum jeito?
— Talvez tenha — meu namorado disse pensativo — Wong, você pode se estabelecer direto no Brasil, pode usar de desculpa que vai investigar os sequestros. Se você passar toda a responsabilidade da investigação para o meu pai.
— Então a Segurança será responsável por tudo e serei obrigado a manter o atual conselheiro — Wong concordou — quem seria meu novo chefe de guarda.
— Marcus — eu falei — Marcus é fiel, sempre vem quando precisamos dele e ele trabalha na segurança, sendo o segundo no comando.
— Sim, é uma boa escolha — Wong concordou.
— Preparados para o verdadeiro início de suas vidas? — Vlad perguntou sorrindo de canto.
SEIS SEMANAS DEPOIS
— Pronta? — Theo me perguntou.
— Sim, na medida do possível.
Hoje era a reunião com as quatro espécies, os conselheiros, famílias, clãs e etc. das quatro grandes espécies e dos anjos estariam reunidos no mesmo local. Outras espécies também foram convidadas, qualquer um que pudesse emitir opinião, estaria presente.
A reunião era um jeito das grandes espécies reafirmarem o acordo de paz entre si e deixarem claro que, mesmo que Eliel não esteja ali, ainda seguíramos as regras.
— Tudo bem por aqui? — perguntei para Aninha, que estava cuidando de Kit e Lua que estavam na sala, eles tinham brincado tanto, que agora os dois dormiam abraçados.
— Sim, mas eu os deixei brincar com tinta e agora eles estão um pouco sujos — ela fez cara de quem aprontou e eu ri.
Aninha pegou um lenço umedecido e começou a limpar o braço de Kit e estava limpando o braço de Lua, eles estavam tão cansados que nem reagiam e riamos baixo.
— Nossa, essa mancha não sai — ela reclamou limpando o pulso do menino — a mãe dele vai me matar!
— Isso se eu não matar antes, essa daqui também não sai e eu tenho que sair daqui a pouco.
Eu passei o lencinho de novo, mas percebi que a tinta era roxa escuro, mas a macha no pulso de Lua era marrom claro. Quando eu limpei toda a região da pele, eu percebi que toda a tinta saiu, menos a pequena mancha marrom.
Meu coração disparou, a mancha ficava no pulso direito de Lua e ela lembrava uma lua crescente torta meio caída.
— Oh Não — eu murmurei.
Eu peguei o pulso de Kit, Aninha não tinha entendido ainda, mas no pulso direito dele, também havia uma pequena mancha marrom que lembrava uma lua crescente torta meio caída.
— Tudo bem? — Theo perguntou.
— Amor, acho que precisamos conversar.
Muito obrigada a todos que acompanharam a história!!!!
Que continuaram, mesmo com todos os problemas e atrasos!!!!
Até ano que vem!!!!
2019 vai ter muitaaaaaaa coisa, se preparem!
;)
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