Capítulo 34
- Olá para você também - eu disse irônica.
- O que está fazendo aqui? - Pietro perguntou de novo e puxando meu braço, me fazendo revirar os olhos.
- Estou aqui a convite de Ebony e você? - perguntei me soltando dele.
- Não é da sua conta, mas estou aqui a pedido de Wong. Talvez ele peça desculpa por causa do seu comportamento - ele falou presunçoso e eu ri, sem humor.
- Meu comportamento? Você consegue ser menos arrogante? - me distanciei um pouco dele, ele cruzou os braços me encarando sério. Um media o outro, como se a qualquer momento pudéssemos nos atacar e, contando com a última vez que nos encontramos, isso era uma possibilidade - Por que eu perco meu tempo com você? - me perguntei revirando os olhos - Não gosta de mim, tudo bem, você não é um dos meus favoritos. Só tenha decencia de não aparecer para os outros marcados, eles precisam de paz e quilômetros de distância de você!
- Não se preocupe, não está nos meus planos - ele dizia zombeteiro - Apenas estou esperando Wong e depois irei embora. Não pretendo passar muito tempo no mesmo ambiente que. . .
- Wong não está aqui - o interrompi confusa - nem chegará aqui em breve.
- Do que você está falando? - ele perguntou mais confuso do que eu.
- Wong está na reunião com os líderes de clã. A reunião vai começar em cinco minutos e deve tomar o dia todo. Wong não voltará aqui por, pelo menos, as próximas horas.
- Você tem certeza disso? - ele perguntou preocupado. Nesse momento, eu também estava.
- Sim, os Ackers são responsáveis pela segurança dessa reunião. Todos eles estão lá... - então eu entendi, finalmente entendi, o que me atormentava.
Aquela sensação de que eu estava esquecendo alguma coisa, que algo estava errado, fez sentido. Simplesmente, tínhamos separado todos os Marcados de seus lobos.
- Merda! - exclamei - Pietro, isso pode não ser nada, mas quem marcou essa reunião com você?
- Alfa Pietro para. . .
- Foda-se! - gritei com ele, acho que até o assustei - Quem marcou essa reunião com você, mentiu. Precisamos saber porquê.
- E por que mentiriam? - ele nunca perdia sua pose de arrogante?
- Você e eu somos, praticamente, inimigos jurados. Nós dois nos enfrentamos na única vez que nos encontramos. Então alguém mentiu para que estivéssemos no mesmo lugar e na mesma hora, sem meu lobo por perto e você não acha que tem algo errado? Você é muito burro!
- Acker! - ele rosnou revoltado.
- Pense - eu insisti - por que mentiriam para você estar aqui, justo agora? Tem algo errado e você não quer saber o porquê?
- Foi a própria guarda de Wong - ele respondeu depois de segundos de silêncio - Chavi veio pessoalmente falar comigo.
- Chavi? - perguntei totalmente confusa e espantada - Isso não faz sentido nenhum. Ele é o chefe da guarda, óbvio que ele sabia da reunião. Se não me engano, foi ele que marcou a data e o local da reunião.
"Chavi está me chamando" Theo me disse no telefone, no dia que fui atacada e baleada.
Chavi não estava junto de Wong na hora em que eu invadi a reunião dos Alfas após Lua ter sido sequestrada, apesar de ter estado lá antes. Marcelo falou que tinha recebido uma mensagem do pai, por isso foi a casa de Jonathan, que foi onde ele foi atacado. Mas Jonathan diz que não enviou nada, ou seja, alguém deve ter enviado se passando por ele.
Chavi é o responsável pela investigação do caso dos raptos dos Marcados, mas não fez nenhum progresso.
Ele também não queria me entregar o cristal quando o pedi e estava me enrolando até aquele momento.
Chavi não quis me entregar a tocha para acender a fogueira no dia da reunião da alcateia, eu senti que ele nunca gostou de mim.
A verdade me acertou como um soco muito forte, tanto que recuei até bater na parede.
Eliel disse que tinha um traidor perto de nós, eu só não tinha parado para pensar o quão perto ele estava.
- Eve - Pietro me chamou de volta a realidade - o que está acontecendo?
- Acho que você e eu fomos enganados - doeu dizer aquilo - Isso tudo é um plano para raptar os marcados que estão aqui.
Entrei em desespero, eu precisava voltar para a minha família, eu precisava protege-los. Lua! Eu não podia deixar que levassem Lua de novo!
- Pare - Pietro me puxou - isso não faz sentido. Se vocês são o alvo, por que me envolveriam nisso?
- Se eu estou certa, Chavi traiu a todos nós - falei andando pelos corredores e tentando achar o certo - mas ele precisa culpar alguém. E quem melhor do que o Alfa que ficou contra os marcados e até atacou uma na frente do conselho?
- Isso ainda. . .
- Não faz sentido? Como você conseguiu ser o Alfa? - revirei os olhos - Você questionou o poder de Wong e foi contra os Marcados, principalmente eu. Então o que pensariam se um ataque acontecesse e o seu cheiro estivesse em todo lugar? Talvez até te ferissem para ter seu sangue por aqui - eu parei, me virando para ele - Você disse que é uma reunião secreta, quem sabe que você está aqui, incluindo da sua raça?
- Ninguém - ele falou ainda confuso - nem a minha própria guarda sabe estou aqui.
- Ótimo, realmente ótimo! - finalmente achei o corredor certo, eu acelerei o meu passo, enquanto ligava para o meu lobo - Chavi foi tão inteligente que até facilitou um ataque com aquelas rondas estúpidas, eu devia ter prestado mais atenção nisso, burra! Theo! - gritei quando ele atendeu o telefone.
- Eve - ele sussurrava - a reunião está começando. . .
- Chavi é o traidor!
- O que? - ele gritou, ouvi barulhos, então a voz dele começou a sair abafada - Me explique.
- Não tenho muito tempo, Pietro foi enganado para estar aqui, o sistema de segurança está uma bagunça e eu tenho certeza que seremos atacados - eu falei desesperada - tem algo muito errado e tenho quase certeza que Chavi está envolvido.
- Você está confiando em Pietro? - o alfa fez uma cara de indignado para mim e senti vontade de mostrar o dedo do meio para ele.
- Sim e essa deve ser a coisa mais louca de hoje - respondi.
- Eu nunca iria contra Wong, podemos ter os nossos momentos, mas eu o respeito! - ele falou sério.
- Eve - Theo me chamou, eu ouvia mais vozes ao redor dele - Eu vou ir até vocês, não importa como, eu vou chegar aí - meu namorado disse tentando me acalmar, eu o ouvia correndo - Não saia da linha.
- Theo - eu falei em voz baixa quando chegamos na sala - já começou.
Desmaiado no tapete da sala, um dos guardas estava caído em meio a poça do seu próprio sangue.
- Eve - a voz de James tomou o lugar da voz de Theo - O que está acontecendo? O que eles querem?
- Acho que nos raptar - eu falei. Pietro estava abaixado, verificando se o lobo desmaiado estava realmente desmaiado ou morto.
- Raptar eles, matar você - uma voz desconhecida soou atrás de nós.
Me virei lentamente, dando de cara com um lobo, na forma humana, que apontava uma arma para nós.
Quais as chances de ser baleada duas vezes em menos de uma semana?
Só que dessa vez eu não estava em fúria, eu ia me ferrar.
- Quem é você? - perguntei para ele. James e Theo gritavam perguntas, mas eu não estava em posição de responder agora.
- Meu nome não importa, logo você vai morrer mesmo - ele respondeu.
- Ele é um vagante noturno - Pietro falou se levantando.
- Já fui isso, hoje sou algo maior, alfa - ele disse a última palavra com desprezo - Logo você também não será mais nada.
- Tem mais lobos noturnos por perto - Pietro falou farejando o ar. Ele não falava para mim, falava para que os Ackers o ouvissem no telefone - isso é realmente um ataque.
- Claro - falei entendendo o plano - se só lobos noturnos atacassem, todos achariam que foi você que planejou tudo.
- Disseram que você era inteligente e traiçoeira, achei que era exagero, mas vejo que não era mentira - o lobo falou voltando sua arma para mim - vai ser um prazer ser aquele que vai te matar.
- Esse prazer vai ser algo que você não vai ter - respondi. Lá se ia outro celular.
Joguei meu celular no rosto dele, por instinto ele tirou os olhos de mim para se defender, o que me deu tempo de fugir da sua mira.
Pietro alcançou o braço do homem, o torcendo e quebrando. Então o prendeu contra a parede, apertando seu pescoço.
- Você esqueceu que eu não sou um lobo qualquer, eu sou um Alfa! - ele disse com raiva, seus olhos completamente brancos. E, com um estalo, ele quebrou o pescoço do lobo.
- Ótimo, a tela ja era - resmunguei pegando o meu celular.
- Você podia agradecer - Pietro bufou.
- Obrigada por ter feito uma coisa que eu já ia fazer - sorri irônica - e você nem o matou, só quebrou o pescoço dele, logo ele se recupera. Vocês ainda estão aí? - perguntei.
- Pelo Alfa - Theo soou desesperado - que merda foi essa?
- Noturnos estão nos atacando, eu preciso ver como os outros Marcados estão - respondi indo até as portas de vidro que davam no jardim.
- Wolfsbane - Pietro disse com uma careta, farejando a arma que o lobo que nos atacou segurava.
- E tudo melhora, eles têm armas com wolfsbane - falei e Theo resmungou palavrões. Eu ouvia várias vozes ao seu redor e barulhos de passos, como se uma tropa marchasse. Creio que os Ackers em peso estavam atrás de nós.
- Não faça nenhuma loucura - Theo me falava - Eve, é serio, não faça nada! Eu estou indo para aí, me espere.
- Eu vou tentar enrolar para esperar por vocês - desnecessário Theo suspirar tão aliviado.
Eu cheguei no jardim e tudo parecia normal, os marcados continuavam conversando, riam despreocupadamente.
Apenas um guarda estava a vista, ele andava perto do muro, mas se eu estava certa, em minutos os outros chegariam ali.
Edu estava com Lua no colo, minha filhote tentava escostar nas flores.
Bernardo foi o primeiro a me ver e olhou confuso. Indiquei meu irmão com a cabeça e Bernardo foi o chamar na hora, o trazendo para perto deles.
Ana e Hannah estavam confusas, Helena se virou para ver o que elas estavam olhando e me encarou sem entender o que estava acontecendo.
Pietro estava escondido atrás das cortinas da porta de vidro. Quem estava no jardim não conseguia ve-lo.
- Três pelo muro a frente, dois pelo muro lateral, mais três em volta da casa, todos noturnos - Pietro disse farejando o ar - Mas como estou na forma humana fica difícil saber se tem mais.
- Sempre tem - bufei irritada - pelo menos eles estão em forma humana também.
Ebony, Hadassa, Emily e Luana ainda não tinham me visto, também não havia sinal de Chavi. Eu precisava encontrar uma maneira de tirar todos os marcados dali.
Apesar de ter sido Mony e Hadassa que dirigiram os carros que nos levaram para o encontro com Ebony, foram os soldados de Chavi que nos escoltaram.
- Pietro eu preciso que você faça algo - falei - volte pelo corredor, deixe as portas e o portão destrancado. Se qualquer lobo tentar te impedir, mate. Eu preciso que você deixe o caminho livre.
- O que você pretende fazer?
- Salvar a minha família.
Pietro ficou quieto, me encarando por segundos. Eu esperava uma resposta sarcástica ou recusas, mas não foi isso que ele fez.
- Talvez eu estivesse errado sobre você. Apenas me dê cinco minutos - então ele saiu
Respirei fundo, não podia perder tempo pensando no que ele queria dizer. Coloquei meu celular na parte interna do meu top esportivo e prendi a arma na minha calça, usando minha camiseta para esconde-la e fui até os outros.
- Você demorou - Ebony falou, alheia ao iminente ataque que sofreriamos.
- Estava conversando com o Theo e me perdi pela casa - dei de ombros.
Me sentei entre Bernardo e Edu, Lua estendeu seus braços e veio para o meu colo. Abracei a minha filha apertado e senti seu cheiro, ela era a razão da minha existência. Os outros fingiam que tudo estava bem, mas me lançavam olhares preocupados.
- O que está havendo? - Edu perguntou sussurrando no meu ouvido.
- Promete fazer até o impossivel para cuidar da minha filha e nunca deixa-la? - em vez de responder, fiz outra pergunta sussurrada. Só que eu enlancei o meu dedo mindinho no dedo mindinho dele.
Edu me olhou muito assustado, essa era uma coisa que fazíamos quando crianças. Significa que era uma promessa tão importante, que jamais poderia ser quebrada. Ele sabia que se eu estava fazendo aquilo, era muito importante.
- Com a minha vida - ele respondeu.
- Ótimo - eu suspirei - vocês irão até o carro e ficarão lá.
- Eve - Bernardo falou meu nome como uma pergunta. Helena, Ana e Mony alimentavam a conversa com Ebony, Luana, Emily e Hadassa. Eu não podia deixar que os lobos que estavam prestes a nos atacar, percebessem uma movimentação diferente. Quanto mais tempo eu ganhasse, mais chances de Theo e os outros Ackers chegassem.
Pelo meus cálculos, Pietro já tinha tido os cinco minutos que pediu. Eu ainda não acreditava que estava confiando nele, mas essa era a minha melhor opção. De qualquer maneira, eu sempre podia mata-lo.
- Acho que alguém sujou a fralda - falei rindo e em voz alta, indicando Lua - Você pode troca-la para mim? - perguntei para o meu irmão.
- Claro - ele respondeu sorrindo, mas era um sorriso nervoso.
- Eu esqueci algumas coisas no carro, acho que vocês vão ter que ir buscar lá - Mony me olhou confusa, mas concordou e já estava me entregando a chave do carro - Melhor você ir com ele, eu já me perdi nessa casa uma vez.
- Ah, ok - ela respondeu desconfiada.
- Bê, vá com eles - quase sussurrei, entregando discretamente a arma para ele.
Os gêmeos possuem armas de air soft, então eu tinha as usado para ensinar Hannah e Bernardo a atirar. Na verdade tinha sido só uma brincadeira divertida, agora eu agradecia por termos feito isso.
- Não - ele falou sério e entregou a arma para Hannah, que olhou assustada - você vai e atire em qualquer coisa que se mexer!
- Menos no Pietro - falei rápido, aí lembrei que ela não o tinha visto ainda - eles vão saber quem é. De resto, atire mesmo!
- Tem certeza? - ela ainda estava um pouco assustada.
- Eve, o que está acontecendo? - Mony perguntou.
- Tomem cuidado e fiquem no carro, os Ackers estão vindo. Se algo acontecer e ficar perigoso, saiam daqui, mesmo sem a gente! Agora vão e não deixem ninguém perceber que há algo errado.
Eles saíram calmamente, Lua me olhava intensamente, como se ela soubesse que algo errado acontecia.
- Você devia ter ido - resmunguei para Bernardo.
- Pare de tentar salvar o mundo sozinha - ele respondeu no mesmo tom - eu não vou te deixar!
- Mas. . . Helena - tentei chamar por reforços - vocês três precisam dar alguma desculpa e sair daqui!
- Não! Se você fica, nós ficamos - ela foi categórica.
- Ana. . .
- Não adianta Gata, estamos juntos nessa e nem adianta reclamar. Agora me exlica uma coisa - Aninha dizia enquanto colocava um pouco de café em sua xícara - o que Pietro está fazendo aqui e desde quando são amigos?
- Longa história, depois eu. . . - Chavi veio da lateral da casa, nesse momento os guardas restantes completaram a ronda, ficando próximos a nós. Chegou o momento - agora - eu sussurrei.
Meus amigos me olharam espantados. Bernardo e Helena pegaram as facas que estavam em cima da mesa, Ana olhou em volta desesperada, então ela agarrou uma colher e a jarra de suco.
- Sério? - perguntei para ela.
- Pode ser útil, me deixa! - ela respondeu e eu revirei os olhos.
Chavi passou seus olhos pela mesa, parando em nós.
- Onde estão os outros? - ele perguntou.
- Foram trocar a fralda da bebê - Ebony respondeu calmamente, bebendo seu chá.
Ele parecia um pouco tenso, olhou para a porta que dava para dentro da casa, depois para nós. Ele devia sentir que havia algo errado.
Então tudo começou.
Primeiro foi um uivo, depois mais dois e então mais três. Os guardas ficaram de prontidão, olhando para os lados, atentos ao que poderia acontecer, cercando Ebony. Eram três guardas e Chavi, o quarto guarda estava desmaiado dentro da casa.
Um tiro veio de cima do muro, pegando Chavi de raspão no braço e acertando o ombro do outra guarda.
- Aaahhh - Chavi segurou o próprio braço, me fazendo revirar os olhos.
- Fingido - murmurei.
- Protejam a Rainha - ele gritou. Quatro lobos noturnos, em forma humana, pularam os muros.
Os lobos apontavam armas para os guardas, os guardas apontavam para os lobos e tudo estava tão ensaiado, que até era bonitinho.
Aí lembrei do que o lobo que Pietro abateu falou: a ordem era sequestrar os marcados, mas me matar.
Ah, o plano era que eu morresse no fogo cruzado!
Quem planejou tudo isso, pensou em casa detalhe mesmo.
Olhei a mesa, era daquelas mesas de madeira antiga, grossa e pesada. Será que seria resistente a tiros?
O teatro continuava, Chavi "tentava negociar", os lobos noturnos ameaçavam, os guardas se mantinham ao lado de Ebony, que estava assustada.
- Venham para perto - sussurrei para minhas amigas. Bernardo já estava do meu lado, mas Helena e Ana estavam do outro lado da mesa.
Elas precisariam chegar até nós, sem que os lobos percebessem. Coisa impossível, já que um deles mantinha os olhos em mim.
- Nós vamos levar a rainha! - um dos lobos noturnos rosnou. Até que não eram má atores.
Eu precisava de uma distração, pensa Eve, pensa!
Os dois guardas rodeavam Ebony, o outro guarda estava ferido e Chavi se mantinha a frente. Emily era a que estava mais perto de Ebony, Hadassa e Luana estavam mais próximas de mim. Se eu desse dois passos ficaria a frente delas. Eu precisava as tirar da linha tiro, mesmo que o objetivo fosse só a minha morte, eu não poderia arriscar a vida delas.
- Ninguém se mexe! - o noturno gritou.
Olhei Ana, que me encarou sem entender, indiquei Emily com a cabeça e ela concordou silenciosamente.
Em cima da mesa havia um grande açucareiro de louça. Ele parecia ser caro, todo desenhado e, a melhor parte, estava cheio. Mesmo que pudesse ser pesado para alguém com força normal, para quem tinha a força de um lobo não era nada.
Joguei o açucareiro para cima, perto dos lobos, e arremessei uma maçã nele. O açucareiro se quebrou em milhares de pedaços e o açúcar voou, formando uma névoa branca.
- Embaixo da mesa! - gritei. Ana puxou Emily, Hadassa agarrou Luana e Ebony e todos, incluindo Helena e Bernardo, mergulharam para baixo da mesa.
Os lobos ainda tossiam, açúcar quando inalado dissolve na mucosa e torna a respiração difícil, além de estragar o olfato por horas. Lobos sem olfato é uma vantagem.
Pulei sobre a mesa chutando as coisas neles, abri a garrafa de café e jogue nos dois lobos noturnos mais próximos. O café quente queimou os seu rostos e eles gritaram, derrubando suas armas. Os outros dois atiraram a esmo, aparentemente açúcar no olhos também faz arder.
Só que eu também tinha atingido os guardas de Ebony, então agora eu tinha que escapar dos tiros de todo mundo.
Enquanto os dois guardas e um dos lobos atiravam no que podiam e se acertavam no processo, o outro lobo foi mais esperto. Ele alcançou a mesa e virou uma jarra de chá gelada na cara, limpando seus olhos.
Minha sorte era que ele tinha derrubado a arma, mas seus olhos vermelhos me encaravam raivosos. Só tive tempo de puxar uma bandeja prata, que ainda estava sobre a mesa, e usa-la de escudo.
Eu me protegi como pude, mas a força dos seus socos fez com que eu me desequilibra-se. Ele usou isso e agarou o meu tornozelo, me derrubando com força na mesa. Acabei esmagando um copo de vidro com o meu ombro.
Ele sorriu maldoso, uma mão apertou meu pescoço a ponto do ar me falta e a outra iria me socar com força.
Aninha apareceu por trás dele e acertou a jarra de suco na cabeça dele. Precisei tampar meu rosto com as mãos para me proteger dos milhares cacos de vidro. O lobo afrouxou seu aperto no meu pescoço, também parecia desonrientado e sangrava. Ele ainda tentou fazer algo, mas Bernardo o puxou pela camiseta e rasgou sua garganta com a faca que segurava.
- Ew! Eca! Que nojo! - gritei limpando meu rosto do sangue que espirrou - Caiu na minha boca!
- Por Bowie, o que eu acabei de fazer? - Bernardo parecia que estava em choque.
- Merda! - puxei os dois comigo por cima da mesa, deslizando para o outro lado.
Eu virei a mesa a tempo de que os outros dois lobos que chegaram, não conseguissem atirar en nós.
Estilhaços de madeira, voavam por cima de nós. Por mais que a mesa estivesse segurando os tiros, não seria o suficiente por muito tempo. Estávamos abaixados atrás da mesa, tentando nos proteger.
- Escutem - Chavi falou - a Rainha e eu vamos até a frente, nós vamos fingir negociar enquanto vocês fogem pela lateral - revirei os olhos, babaca!
- Helena, a faca - eu pedi e ela me entregou.
- Então nós. . . - Chavi ainda falava.
Chutei seu joelho com força até ouvir estralar, ele gritou. Chavi cambaleou para frente, segurei sua nuca e acertei sua cabeça na mesa três vezes, até ver o sangue escorrer.
- Eve! - alguém gritou.
- Deixa ela! - ouvi Aninha gritar de volta.
Os tiros tinham parado, enrolei minha mão na gola da camiseta de Chavi e o obriguei a se levantar comigo, me mantendo atrás dele o tempo todo.
- Parados! - gritei. Eu pressionei a faca no pescoço de Chavi tão forte, que estava deixando uma marca vermelha - Se vocês se mexerem eu o mato!
- O que você está fazendo? - Chavi rosnou para mim. Esse pequeno movimento fez com que a lâmina arranhasse ainda mais sua pele.
- Eve, o que está acontecendo? - eu ouvi Ebony sussurrar quase chorando.
- E por que você acha que nos importamos com ele? - um dos lobos falou, mas ninguém atirou de novo.
- Sem tempo para joguinhos - falei - Armas no chão e se afastem da porta.
- O que você acha que. . .
- AGORA! - os interrompi.
Eles se entreolharam, puxei a faca contra o pescoço de Chavi, fazendo um filete de sangue escorrer. Os lobos noturnos não sabiam o que fazer, para atirar em mim eles precisavam atirar em Chavi, o que não fariam.
- O que farão sem ele? - eu perguntei dando um leve chacoalhão no chefe da guarda - Se ele morrer, vocês não terão mais nada!
- Acker! - Chavi rosnou.
- Calado! - gritei para ele -E então? O que vai ser? - eles abaixaram as armas, as colocando no chão, me olhavam com ódio - Chutem para cá! - eles fizeram o que eu mandei e se afastaram da porta, indo para perto do muro.
Chutei a mesa contra eles, que deslizou até eles, os derrubando e quebrando.
- Corram! - gritei para as Marcadas.
- Não tão rápido - Chavi me segurou.
- Eve - Ana gritou.
- Corre! - gritei de volta.
- Você sabia, não é? - ele rosnou para mim.
- Demorei para entender, mas trazer Pietro para cá, para armar para ele, foi muito óbvio.
- Parabéns, ninguém tinha percebido - ele grunhia.
- Obrigada! - enfiei a faca no abdômen dele e o chutei. Então corri desesperada para dentro da casa, fechando a porta de vidro atrás de mim, uma tentativa de ganhar tempo.
Hadassa e Bernardo lutavam com um lobo. O puxei pelo braço e o soquei, precisávamos correr. Os barulhos da parte de fora da casa estavam cada vez mais altos.
- Venham! - Pietro gritou. Suas mãos estavam sujas de sangue e eu realmente não me importava de quem seriam.
- A porta de vidro está quebrando - Emily disse trêmula.
- Que barulho é esse? - Hadassa perguntou, já estávamos quase na garagem.
- O portão! - Pietro gritou e nós dois corremos ainda mais.
O portão era elétrico e estava se fechando. Eu usei minhas forças para segura-lo, fazendo o motor fazer um barulho alto. Pietro se colocou entre o portão e o muro, o forçando a ficar aberto.
- Rápido! - gritei, estávamos fazendo muita força, estava difícil segurar.
Ana e Helena foram as primeiras a passarem, Bernardo e Hadassa estavam vindo atrás, depois Emily, Luana e Ebony.
Então ouvimos um barulho muito alto de vidro estilhaçado. Os lobos estariam ali em segundos.
- Eu te ajudo - Ana agarrou o portão, pelo lado de fora, tentando me ajudar a mante-lo aberto.
- EBONY! - gritei quando um lobo apareceu perto dela. Ela não teve chances, ele a agarrou pelo pescoço, a puxando para ele - NÃO! EBONY!
Enquanto Hadassa passava, um lobo agarrou Emily. Luana tentou ajuda-la, mas foi pega também!
- Não! - Hadassa gritou, ela tentou passar de volta, mas Bernardo a impediu a empurrando.
O outro lobo estava quase em nós, apenas metros. Mony estava no carro ligado, os outros marcados estavam lá dentro, nos esperando aflitos.
Era isso, não havia o que fazer, ou eu tentava me salvar ou salvava a todos os outros.
- Pietro, solta! - falei.
- O que? - eu soltei o portão e Pietro pulou para fora.
O portão se trancou e eu estava presa com os lobos.
- NÃO! EVE! NÃO! -Ana gritava, tentando puxar o portão, que não se mexia nem por milímetros.
Ana estava desesperada, chorava, ela tentava me ajudar, mas sabíamos que não haveria como. Os Marcados dentro do carro me olhavam com dor, eles também tinham lágrimas nos olhos.
Despedidas são sempre difíceis.
- Vai ficar tudo bem - eu prometi para ela, mas sem acreditar naquilo - Vão! - Pietro me encarou sério por milésimos de segundos, então concordou com a cabeça.
O Alfa Noturno pegou Ana e a carregou para o carro, minha amiga ainda gritava.
No instante que eles fecharam a porta do carro, foi o mesmo instante em que fui agarrada e puxada para trás.
Só para lembrar: EU NUNCA VOU ABANDONAR VOCÊS E AS MINHAS HISTÓRIAS!!!!!
Att 2/4
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