Capítulo 31
— Tia — Kit me chamou — Lua?
— Vem aqui — eu o sentei do meu lado, no lugar que Theo estava sentado antes — Tio Theo foi trocar a fralda da Lua, eles já voltam . Quer comer bolo enquanto esperamos eles?
— Quero — ele colocou uma caixa vermelha em cima da mesa — presente para a Lua.
— Você comprou um presente de Dia de Todos os Santos para ela? — ele confirmou com a cabeça, orgulhoso e com a boca suja de chocolate — aposto que ela vai adorar.
— Esse garoto não é seu — Vlad disse parando do meu lado — mas ele é claramente ligado a você, por que?
— Você não sabe de tudo? — eu o provoquei.
— Talvez seja a marca no pulso dele, é igual da sua filha — ele disse analisando Kit.
— Lua não tem marca — eu respondi.
— Você também não tem essa marca de mordida no pescoço, não é? — ele sorriu de canto para mim — Muito menos seu lobo tem uma? — ele riu baixo — Não é só porque vocês não vêem, que não está lá — Vlad piscou para mim, depois se afastou.
— Ele me dá medo — Clara falou se sentando do meu lado.
— Vlad dá medo no começo, depois você se acostuma — dei de ombros — pode não parecer, mas ele é um cara legal.
— Não parece mesmo!
— E como está sua adaptação a tudo isso?
— Não sei se adaptação é a melhor forma de chamar isso, mas estou sobrevivendo — eu ri do jeito dela — Você também se sente em uma montanha russa? As vezes eu sinto que não consigo respirar, são tantas coisas juntas que eu fico perdida.
— Com certeza eu me sinto assim, as vezes eu, literalmente, sento em algum lugar e começo a chorar. Você não tem ideia de quantas vezes eu já chorei no banho — eu respondi sinceramente.
— Chuveiro e eu já somos velhos amigos de choro — ela respondeu.
— Vai parecer conselho de revista de auto ajuda, mas tudo vai melhorar. A cada novo obstáculo ou nova batalha, temos a mania de achar que não vamos conseguir superar isso e que não somos muito fortes. Mas olhe para o seu passado, olhe para quantas coisas você superou, tudo o que você já enfrentou, força é o que não falta. Somos muito mais corajosos do que pensamos.
— Obrigada — Clara sorriu para mim e vi lágrimas em seus olhos — eu realmente precisava ouvir isso.
— Quando quiser — dei de ombros, então me inclinei e sussurrei para ela — Você tem muito mais do seu pai do que pensa, o jeito que você sorri é igual ao dele, por exemplo. E seu pai é extremamente forte, com você não seria diferente.
— Obrigada — ela sussurrou de volta.
— Ah, qual é? Já estou disputando a filha, agora a mulher também? — Theo exclamou e Kit riu — O senhor está no meu lugar.
— Você enfiou uma chave de fenda na cabeça dela? — perguntei rindo.
— Sim, eu estava desesperada e não sabia o que fazer. Quando ela caiu para o lado, achei que tivesse matado, quase entrei em choque. Aí a desgraça levanta, com chave de fenda na cabeça e tudo e vem atrás de mim! — Clara contava. Estávamos na sala, ja era madrugada e Clara estava contando sobre a primeira vez que foi atacada por vampiros — Me senti em um filme de terror, acho que nunca corri e gritei tanto na minha vida!
— Foi por causa dos gritos que eu consegui acha-la — Lucas falou e rimos mais ainda .
Éramos os lobos e marcados de casa, Thalita e Edu, Clara, Lucas, Nathália e Erick na sala. Os outros ainda estavam na area de churrasco.
— Vocês riem porque não foram vocês — Clara falou, mas ela mesma ria — Eu tinha uma vida de humana normal até "isso " — ela apontou para o Lucas, que levantou a sobrancelha para ela — acontecer.
— Eu entendo você — meu irmão disse — antes eu trabalhava de auxiliar administrativo do escritório de uma rede de supermercados, agora sou assistente em um escritório de advocacia e tive que fazer a ficha inicial de uma fada que está sendo processada pelo vizinho por "perturbação da tranquilidade"!
— Uma fada? — Aninha perguntou chocada.
— Eu descobri que fadas de verdade não são nem um pouco parecidas com a Tinker Bell — Edu.
— Eu queria conhecer uma fada — Hannah disse pensativa.
— Nós conhecemos um Venin — Nathália falou — amigo do Lucas. Um cara alto, parecia um leão, cabelo comprido castanho e olhos verdes — "gostoso" ela falou sem som, por trás do Erick, para as garotas.
— O que? — Erick perguntou para Nathalia, que sorriu e abraçou o namorado.
— Não disse nada, do que você está falando? — o que fez com que a gente risse mais ainda.
— Não ligue, eles são sempre assim — Clara falou.
— Quando Arthur me contou sobre ser um lobo, eu não acreditei, achei que estava brincando — Mony disse — aí ele tira a camiseta e faz a meia transmutação na minha frente. Quase tive um ataque do coração!
— Mas isso não te impediu de fazer outras coisas naquela mesma noite, não é? — Aninha perguntou maliciosa, deixando Mony levemente corada.
— Comigo foi o contrário — Bernardo falou — primeiro fui atacado por lobos, vi a Eve dando porrada neles, um deles quase me matou e então que eu fui conhecer o Hugo.
— Mas foi fofo ele te carregando e não saindo do seu lado, sempre preocupado com você — Helena defendeu o lobo, Bernardo sorriu e deu um beijo rápido no namorado — O Caio e eu já estávamos saindo a quase duas semanas, eu já estava apaixonada por ele, mas fingia que não, porque logo ele iria embora da cidade. Então ele me levou para um pic-nic e contou tudo. Também foi difícil aceitar no começo, mas aqui estamos — ela deu de ombros sorrindo, Caio a abraçou e beijou sua cabeça.
— Edu — falei revoltada — percebeu que, de um jeito ou de outro, todos foram românticos e atenciosos? Só a gente que se ferrou nessa bagaça!
— Estou percebendo isso — meu irmão disse cerrando os olhos para Thalita.
— Você não pode reclamar de nada, eu tenho uma palavra para você: Kamila — ela devolveu.
— Então chegamos a conclusão que a única que se ferrou aqui fui eu? — perguntei ainda mais revoltada, para a diversão dos outros.
— Cada um tem o romance que merece — Theo deu de ombros, rindo da minha cara.
— Você é muito idiota — falei para ele.
— Estamos no mesmo barco — Clara colocou a mão no meu ombro.
Depois de mais conversas e uma conversa que tive com Clara no meu quarto sobre a adaptação dela a tudo isso, a nossa reunião acabou. Foi tudo muito divertido, comemos muito e conversamos mais ainda.
— Eu realmente gostei muito, fazia muito tempo que eu não me divertia tanto em uma celebração do Dia de Todos os Santos — Allegra falou ao me abraçar — Precisamos fazer mais coisas juntas.
— Claro, só marcar — eu realmente gostava dela desde a primeira vez que tínhamos nos visto — Vocês voltam para a Romênia quando?
— Acho que vamos ficar um pouco no Brasil, quero visitar Mikael, faz tempo que não o vejo.
— Verdade, Vlad falou que vocês são muito ligados — de repente um alarme de perigo soou na minha cabeça. Se Allegra estava indo visitar Mikael, Vlad também ia. De jeito nenhum Vlad poderia encontrar com Marcela.
— Sim, Mikael é como um filho para minha mim. Acredito que é um dos únicos que Vlad confie que possa ficar perto de mim, até me tocar, sem que Vlad mate — ela riu, eu acompanhei o riso, mas o meu foi um pouco nervoso.
— Logo estarei de volta, duas semanas no máximo — Vlad falou e eu senti aquilo como aviso e ameaça.
— Mal posso esperar — revirei os olhos.
— Nós também já vamos — Ebony me falou — Jim e eu ficaremos por perto ainda, pretendo marcar um almoço ou algo assim, só com Marcados.
— Gostei da ideia, assim você pode conhecer os outros Marcados da minha família, tenho certeza que você vai adora-los.
— Sim, irei ver o local e te aviso dos detalhes — ela sorria feliz. Eu ainda não tinha entendido o motivo de Allegra e Ebony querem tanto ser minhas amigas, mas eu não entendo muita coisa da minha vida, isso só aumentou a pilha de "perguntas sem respostas, que ainda pretendo responder".
— Nos vemos em breve — Wong falou.
— Por que você e Vlad me falaram a mesma coisa? Estão pensando em se mudar para a cidade, por acaso? — perguntei.
— Não me dê ideias — Vlad falou alto, do outro lado da sala, assustando algumas pessoas que estavam entre nós.
— Pare de ouvir a conversa dos outros! — gritei de volta.
— Eu tenho uma pergunta — Wong falou — Todos chamam Vlad de Lorde Tepes, mas você o chama por Vlad, que é seu primeiro nome — eu concordei, porque aquilo era meio óbvio — Mas você me chama de Wong, sendo que meu primeiro nome é Jim. Por que?
— Eu não sei, nunca parei para pensar nisso. Eu acho que você combina com Wong e ele com Vlad, sei lá.
— Ou talvez você se sinta mais a vontade com ele, do que comigo?
— Por que eu me sentiria mais a vontade com o Alfa vampiro do que com o Alfa lobo que, teoricamente, é o alfa da minha espécie?
— Isso é você que tem que saber — ele sorriu presunçoso.
— Odeio quando vocês fazem esses joguinhos. Por que não podem falar tudo de uma vez?
— E que graça teria? — Vlad falou atrás de mim, me dando um susto.
— Juro que vou socar a cara de vocês quando eu souber da verdade — os ameacei e eles riram.
— Então ela é uma Interrompida — Lucas falou —isso é muito raro.
— Alexandra disse que há uma lenda de uma Interrompida que conseguiu voltar a ser humana — eu disse.
— Não é uma lenda, ela realmente existiu e realmente voltou a ser humana —Lucas falou sério — Mas suas amigas estão muito enganadas se acham que isso vai ser simples, será o pior e mais doloroso ano da vida delas.
A maioria já tido ido embora, Lucas, Clara, Theo e eu estávamos no jardim, vendo o sol nascer. Estávamos sentados no chão, bebendo o resto da vodca que Allegra tinha me dado, mesmo misturando com refrigerante, eu tinha quase certeza que Clara estava ficando bêbada.
— É por isso que preciso da sua ajuda, prometi que faria o que pudesse por elas, mas não sei praticamente nada. Nem sei o que sou — bufei, vendo Theo encher o copo de Clara de novo, ele parecia achar divertido ver ela ficando bêbada. Eles também conversavam, mas eu não sabia sobre o que era.
— Podemos dar uma passada nessa cidade, Mikael é um bom soldado, mas quando essa garota entrar no estado de sede, ele vai precisar de ajuda. Mas por que elas são tão importantes para você? — Lucas perguntou. Ele estava protegido do sol, encostado na parede.
— Eu não sei, eu só não podia entrega-las ou deixa-las assim — eu respirei fundo, aquilo ainda era muito confuso — Eliel apareceu naquele sonho que te contei, ele disse que eu encontraria "meu bando", que eu as reconheceria. Eu não sei exatamente o que era, mas sinto que elas podem fazer parte disso.
— Aprendi com Eliel que seu melhor amigo são seus instintos, apenas os siga — Lucas falou dando de ombros — Eliel nunca é muito direto no ele quer, ele diz que não quer atrapalhar o rumo natural das coisas — Lucas revirou os olhos — Quando você convive com ele, acaba tendo que aprender a ler as entrelinhas e confiar muito no que seus instintos te dizem.
— Realmente, nenhum deles é muito direto, ficam nesses joguinhos e metáforas. As únicas coisas que ele me disse de concreta foram que você iria precisar de ajuda para proteger a Clara, por isso me fez jurar que iria te ajudar a protege-la, e que existiam traidores perto de nós. Mas óbvio que ele não citou nomes ou, ao menos, disse onde. Só jogou essa bomba e saiu.
— Traidores? — Lucas perguntou preocupado — Perto de vocês ou da Clara?
— Ele foi vago, mas acho que perto de mim — a voz de Eliel veio na minha cabeça "verdadeiro responsável por tudo" — Opa, acabei de lembrar de algo e acho que você não vai gostar!
— Eu vou dormir até depois de amanhã! — eu disse quando deitei na cama, foram emoções demais para apenas três dias.
— Mas estamos bem, não é? — Theo perguntou se deitando do meu lado.
Lucas, Clara, Nathália e Erick tinham ido para um hotel, eles disseram que passariam em casa antes de irem embora.
Lua tinha ido dormir na casa de James e Luana. Sylvia e Marcus dormiriam lá, Lua e Kit se recusaram a se separar e choraram muito, como demoraria para voltarem para o Brasil, deixei que ela fosse se "despedir" dele. Ah, ela ganhou um lobinho de pelúcia e um colar com um pingente em forma de lobo. Aparentemente, Kit e Theo tem duas coisas em comum: o gosto por presentes e o ego enorme.
— Você diz isso por causa de ter omitido coisas muito importantes de mim? — perguntei.
— Talvez?
— Sim, estamos bem. Mas se você fizer isso de novo, eu não vou perdoar — eu avisei — Somos companheiros, um do lado do outro e sem segredos, principalmente desse tipo. Entendeu?
— Sim — ele sorriu, me puxando para perto dele e colocando seu rosto no meu pescoço — Vamos aproveitar que teremos uns dias de folga, sem Wong ou Vlad.
— Merda! Esqueci de avisar o Mikael! — pulei da minha cama, procurando o meu celular como louca — Atende logo!
— Eve? — Mikael atendeu com uma voz estranha.
— Está tudo bem? — perguntei preocupada que Vlad já tivesse chego lá.
— Claro — ele limpou a garganta — tudo sobre controle.
— Tem certeza? — eu ouvi uma voz feminina ao fundo — Marcela? Agora eu entendi, eu interrompi algo?
— Não! Claro não! — ele respondeu rápido demais.
— Ok, vou fingir que acredito, mas só porque temos assuntos mais importantes agora, Vlad está indo para aí.
— Do que você está falando? — ele perguntou preocupado e eu tive que explicar toda a conversa com Allegra e Vlad.
— Eles saíram daqui um pouco antes do sol nascer, acredito que vão descansar primeiro. Vlad não gosta de sol. . . Aliás, o que vocês estão fazendo acordados a essa hora?
— Nada, já disse. Nós também comemoramos o Dia de Todos os Santos — ele disse na defensiva.
— Estou cansada demais para isso, depois conversamos. Se precisarem de ajuda, me avisam, também podem trazer Marcela para cá, caso achem melhor. Me avisem do que decidirem.
— Certo, te manteremos avisa. E Eve, obrigado.
— Agora podemos dormir? — Theo perguntou depois que me despedi de Mikael e deitei.
— Por favor.
E eu dormi muito!
O dia seguinte seria um dia normal no mundo humano, mas eu não tinha energias. Fiquei em casa mesmo, curtindo minha família.
Lucas e cia passaram a tarde conosco, depois foram embora. Mikael foi me mantendo avisada, por pouco Vlad não os pegou, mas eles deram um jeito.
Usei os próximos dias para descansar, muitas coisas aconteceram ultimamente, eu precisava tirar um tempo para mim, meu namorado e minha filha.
Logo depois voltei as aulas e o estágio. Tudo estava indo normal, minha primeira reunião com um líder de clã estava chegando. Bernardo ainda era meu assistente, mesmo que não tenha sido algo planejado, mas ele estava indo super bem na sua função. Hannah o estava ajudando e estava achando tudo muito divertido.
Eu até conversei com o Theo para pagar eles, mas ele me explicou que, pelo menos por enquanto, nem Hugo e Henrique aceitariam isso. Como era muito recente para eles ainda, eles se sentiam no dever de pagar qualquer despesa e desejo do seu Marcado, insistir no assunto até podia ofende-los.
— Sim, Ebony marcou brunch para semana que vem — eu falava no telefone com Theo pelo telefone. Logo Wong e Ebony voltariam a nossa cidade, mas parte da guarda do Alfa estaria indisponível, por isso eles ficariam com James. O que fez com que reunisse todos os lobos para uma reunião sobre como as coisas seriam naquela semana — Depois Wong fez questão de frisar que não ir, não era uma opção.
— Como sempre, pelo menos você vai ter os outros Marcados com você. Acredita que marcaram uma reunião com sete chefes de clãs no mesmo dia que esse brunch? Enquanto você vai estar comendo, vou estar trabalhando.
— Não era o que você queria quando nos conhecemos, trabalhar para seu bando? — eu o provoquei — Estou muito feliz que você vai realizar seus sonhos!
— Depois eu que sou o idiota — ele bufou — Conseguiram comprar o que queriam?
— Sinceramente, quando Aninha falou que ia me ajudar nas reuniões, não achei que ela fosse querer mudar meu guarda roupas. E você não precisava dar um cartão de crédito na mão dela! Estou andando há horas!
— Você não queria fazer a diferença para a sua espécie? Estou muito feliz que você vai realizar seus sonhos! — ele devolveu e eu ri — Chavi está me chamando. Daqui a pouco eu saio e te encontro naquela pizzaria?
— Sim, estamos indo para o estacionamento, em uns trinta minutos devemos chegar lá. Vamos passar numa loja de doces, porque prometi chocolates para Hannah.
— E aposto que a Ana também vai querer — eu ri concordando — Tenho que ir, até daqui a pouco. Te amo.
— Também te amo — eu desliguei e ainda tive que aguentar as gozações do Bernardo dizendo que eu "também tinha sentimentos".
Nós ainda demoramos um pouco na loja em que estávamos e depois na loja de doces. Nossa andança pelo centro comercial resultou em algumas sacolas e, mesmo que eu tenha sido arrastada para fazer compras para mim, nem todas eram minhas.
Bernardo era o motorista da vez, porque ele era o único Marcado de casa, além de Mony, que tinha carta de motorista. Estávamos indo para o estacionamento onde deixamos o carro. Já estava quase anoitecendo, era uma noite agradável, nem quente e nem fria.
Ana terminou de guardar as sacolas no porta malas, eles conversavam animadamente sobre algo, pareciam se divertir, mas algo me incomodava. Algo não estava certo, meu coração estava rápido e senti o lobo no peito agitado.
Eu não sabia o que era, tudo estava bem, então eu deveria estar exagerando, não é? Finalmente eu tive alguns dias de paz, depois de tantos problemas, era só isso, devia ser.
Se acalma Eve, se acalma!
Quando o lobo no meu peito uivou, já era tarde demais.
Eu levei um soco e cai sobre o carro. Tentei empurrar quem me segurava, escutei os gritos dos outros, consegui bater no homem que tentava me conter, mas não consegui correr. Ele me agarrou pelos cabelos e me bateu contra a parede, me deixando desorientada por um momento.
— A gente veio faturar uma grana e vai se dar bem — um dos homens falou. "Faturar grana?", aquilo era um assalto?
Nesse momento vi Ana sendo jogada contra o chão por um brutamontes e levar tapas, enquanto gritava de dor.
— ANA! — eu gritei me debatendo, enquanto o outro brutamonte arrastava minha amiga pelo cabelo e a jogava contra parede — SOLTA ELA!
— E você vai fazer o que? — o que me segurava contra a parede me provocava.
Humanos?
Eles eram apenas humanos! Humanos horríveis que nos tocavam de forma nojenta.
— Não encosta nela! — Bernado protegia Hannah com o próprio corpo.
— Me solta! — Ana chorava de dor.
— Você é tão bonita — ele apertava seu rosto — Três meninhas e um viadinho, o que vamos fazer com vocês? — ele passou a ponta do cano dá arma no rosto dela.
— AAAHH — Hannah gritou quando foi agarrada.
— DEIXE-A EM PAZ! — Bernardo se jogou contra o bandido, ele conseguiu que soltasse Hannah, mas levou um soco tão forte, que caiu no chão.
— Bê! — Hannah se jogou do lado dele, verificando se estava bem, ela chorava
— Vem cá que eu te mostro como um homem de verdade faz — o cara tentou puxa-la pelo braço, mas ela tentou se soltar, ainda preocupada com Bernardo, que mesmo caído no chão, tentava ajuda-la.
— Me solta! ME SOLTA!
— Está me machucando, me solta por favor — Aninha chorou, o bandido que a segurava ainda puxava seu cabelo com uma mão e com a outra apertava seu rosto, deixando marcas.
Eu paralisei por aqueles segundos, a minha esquerda Aninha, a minha direita Bernardo e Hannah. Todos sendo subjugados e sofrendo.
— E você — o homem que me segurava riu com escárnio — vamos...
O lobo no peito ficou maior, foi crescendo até tomar conta de mim.
— Vocês tem três segundos para nos soltar — eu disse com uma voz que não reconheci como minha.
— Ou o que? — ele riu.
— Um...dois...três.
Eu agarrei a mão que me empurrava contra a parede e a torci, até ouvir um estalo rápido. Nos virei rapidamente, torcendo seu braço nas suas costas e acertando sua cabeça no muro, com força. Acertei uma joelhada na sua lombar e, quando ele se virou desnorteado, girei o corpo e acertei o chute mais forte que pude em sua cabeça. Ele ainda bateu contra a parede antes de cair desmaiado no chão.
— Solta ela — apontei para o cara que puxava Hannah. No momento de hesitação dele, Bernardo pulou sobre ele, os derrubando, e novamente, livrando Hannah.
Eu puxei o homem antes que ele conseguisse socar Bernardo de novo, então eu dei um soco rápido e forte no seu rosto. Mais outros vieram depois desse, acompanhados de alguns chutes, até que esse também caísse no chão e perdesse a consciência.
— EVE — Aninha gritou, mas antes que eu pudesse me virar, ouvi um barulho alto, então senti como se tivesse levado um soco na parte esquerda da minha lombar. O impacto foi tão forte, que dei um passo involuntário para frente. Minha barriga também ardeu, queimou.
Me virei confusa, vendo lágrimas escorrendo pelo rosto dá minha amiga. O homem que a segurava pelo pescoço, a mantinha a sua frente, como escudo.
Ele também segurava a sua arma apontada para mim e o cheiro de pólvora invadiu minhas narinas.
Minha camiseta se enchia de sangue e, só então, percebi que eu tinha levado um tiro.
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