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Capítulo 22


— Qual o problema desses dois? — perguntei.
Alexandra e Afonso estavam na varanda, separados de nós pela porta de vidro e discutindo.
— Não sei por onde começar a explicar — Marcela deu de ombros.
— Eles são irmãos mesmos? — indaguei observando a posturas deles, sempre se tocando, mesmo bravos um com outro. Alexandra era mais reticente, recuando, Afonso sempre ia a frente ou a puxava de volta — Parecem mais namorados do que irmãos.
— Olha, isso é ela que tem responder.
— Vampiros são estranhos mesmos — Theo disse depois de terminar seu sanduíche.
— Só você para comer em uma hora dessas — falei para ele.
— É um dom — ele sorriu e deu de ombros. Impressão minha ou as vezes, Theo tem as mesmas manias de Vlad?
Alexandra abriu a porta com força, voltando para perto de nós, fiquei surpresa pela porta não ter quebrado.
— O que faremos agora? — ela perguntou.
— Primeiro vocês vão contar tudo para Mikael — respondi — Vlad pretendo que ele fique aqui para investigar o que quer que esteja acontecendo, ele precisa saber de tudo.
— Certo e depois?
— Eu não sei como lidar com a segunda informação, preciso informar Vlad, mas não quero que ele resolva dar as cara — respondi.
— Está falando sobre as drogas? — Afonso perguntou, me deixando surpresa. Olhei para as outras garotas presentes, Alexandra revirou os olhos, mas Marcela me respondeu.
— Afonso é médico, foi ele que me atendeu quando tudo aconteceu. Antes de vocês, ele era o único que sabia de tudo.
— Olha, não vou nem tentar entender toda essa dinâmica estranha de vocês — falei apontando para Alexandra e Afonso — mas, vocês precisam resolver isso e logo, até eu estou conseguindo sentir toda essa tensão emanando dos dois. E tem vários tipos de tensão aqui.
— Ele deve estar com saudades da noiva dele — ela respondeu sarcástica.
— Alexandra. . . — ele não terminou a frase.
Meu celular apitou uma mensagem

Vlad
Como estás? Estou aguardando por notícias e ficando um pouco impaciente.

— Eu mereço — minha vez de revirar os olhos — Vlad está me mandando mensagem.
— Vlad? — Afonso perguntou confuso — Lorde Tepes?
— Quem mais seria tão irritante? — resmunguei — Todos em silêncio absoluto! — deixei o celular na mesa, enquanto completava a ligação.
— Olá minha querida — Vlad atendeu — quais as novidades que tens para me contar?
— Não seja cínico — respondi e ele riu.
— Antes de começar a falar, me responda porque estou no viva voz do seu celular, por favor — ele não deixa passar uma?
— Estou ouvindo — Theo me salvou — Também agradeceria se parasse de aparecer nos sonhos da minha Marcada — Vlad riu de novo.
— Prefere que eu apareça nos seus?
— Prefiro que se mantenha longe.
— Podemos resolver isso logo? — perguntei.
— Saudades de casa? — Vlad perguntou brincando comigo — Não se preocupe, sua filha está bem. Sua adorável sogra e sua cunhada a levaram para um passeio no shopping, depois almoçaram um restaurante. Lua até gosta de sorvete, não? Eu possuo uma foto disso, se quiser, a envio a você.
— Vlad, como, raios, você sabe disso e porque você tem fotos da minha filha?
— Eu te disse que estão sobre a minha proteção — ele respondeu — agora me relate o que descobriu.
— Quando acho que você pode agir normalmente, você alcança outro nível — Alexandra, Marcela e Afonso nos olhavam surpresos, Mikael se mantinha sem expressão, já Theo parecia entediado — Você tem razão, algo aconteceu, aquilo não foi uma festa comum de Renegados.
Marcela arregalou os olhos e Alexandra me olhou como se fosse arrancar minha cabeça. Bem, talvez ela tivesse essa intenção.
— E o que mais? — Vlad perguntou.
— Eu não sei ao certo, tinha alguma coisa estranha lá, nada fazia muito sentido — eu estava enrolando? Com certeza!
— Fale logo o quer falar! — Vlad exigiu, praticamente rosnando.
— Vlad! — Theo falou em tom de aviso — Contenha-se ou essa ligação acaba agora!
— Se fizeram isso, estarei aí amanhã mesmo e resolverei tudo com minhas próprias mãos.
— E eu estarei aguardando ansiosos pela sua chegada — Theo soou como uma ameaça perigosa.
— Eu senti falta disso — praticamente podia ver o sorriso de canto do vampiro falando isso — Pois bem, Eve, continue por favor.
— Eu digo que vocês dois são estranhos — resmunguei — Sei que não é possível, mas quem quer que tenha feito aquilo, parecia estar drogado. Aquilo foi muito selvagem e bagunçado para se dizer o que realmente aconteceu, me lembra muito locais onde humanos drogados vivem, mesmo sabendo que isso é impossível, ainda. . .
— É possível — ele me interrompeu — extremamente difícil e muito maligno, mas é possível. Apenas uma vez na história, algo assim foi tentado, mas destruímos qualquer evidência, o próprio Eliel mandou para o inferno o louco que tentou algo.
— Mas agora que estamos sem Eliel. . . — eu falei baixo, mas todos puderam ouvir.
— Preciso ter certeza — Vlad falou depois de um longo tempo de silêncio — avise a Mikael que ele ficará por aí, será o responsável por averiguar o que realmente está acontecendo.
— Não sou uma coruja! — eu falei e vi Marcela segurando a risada, pelo menos alguém entendeu a referência!
— Como se ele não estivesse ouvindo — Vlad falou — E quem são os outros que estão com vocês?
Nós entreolhamos, maldito vampiro!
— Meus amigos, dois Allencos e uma renegada — respondi.
— Apresentem-se — Vlad ordenou e pareceu que Afonso e Mikael tinham sido empurrados, pois quase se curvaram a frente, mesmo sem necessidade. Alexandra também fez careta, mas não se moveu, só Marcela ficou como eu, sem entender.
— Afonso Allenco, médico, sétima geração, filho de Edward Allenco.
— Alexandra Allenco, sétima geração, filha de Edward Allenco.
— E a outra? — Vlad perguntou.
— Ela é a renegada que falei — respondi.
— Me chamo Marcela — a garota falou — eu não sei muita coisa sobre ser vampira, fui atacada uma noite e fugi, desde que encontrei Alexandra, ela vem me ajudando a me adaptar — garota inteligente! Não mentiu em nada, só não contou toda verdade.
— Um grupo interessante — Vlad disse — servirá a meu propósito, Mikael estarei aguardando notícias. Até o Dia de Todos os Santos, Eve e Theo.
Então o maldito desligou na minha cara!
— Meu Deus, achei que fosse morrer! — Marcela exclamou.
— Você já está morta, ou quase — falei.
— O que ele quis dizer com "servir aos meus propósitos"? — Alexandra perguntou.
— Eu não tenho a menor ideia, ele é louco. Além do mais os vampiros aqui são vocês, vocês que descem dele, eu não tenho nada a ver com isso — respondi
— Podemos ir? — Theo perguntou, já se levantando.
— O quê? Mas e como ficamos? E tudo isso?
— Calma — falei para Marcela — vocês precisam conversar com ele — indiquei Mikael — Mikael têm o meu telefone, qualquer coisa que precisarem, me liguem. Se precisar, pode ir passar um tempo na minha casa. Eu acredito que em alguns momentos será muita coisa para você aguentar, se precisar de ajuda ou ser contida, me avise.
— Obrigada — ela me abraçou.
— Não precisa agradecer, apenas não importa o que seja, se precisarem de ajuda, basta me ajudar. Me avise o que resolverem fazer. E você — me aproximei de Alexandra — você é muito corajosa, sua amiga só está viva graças a você. Mas você precisa ter coragem de enfrentar o que mais te machuca.
— É fácil para você, você é uma marcada, tem uma ligação visível com a sua alma gêmea.
— Só porque eu tenho uma marca que mostra, nitidamente, quem é minha alma gêmea, não quer dizer que torna as coisas mais fáceis. Relacionamentos são complicados em qualquer esfera, dependem do esforço e empenho dos dois. Amor é complicado, mas vale a pena.

Nós estávamos no caminho de volta, já era de noite. Porque eu sempre me envolvo nessas coisas? Eu só queria uma vida tranquila, me formar na faculdade, ver minha filha crescer, ficar feliz com a minha família.
Era pedir demais?
— Alô — atendi meu celular sem reparar no número que me ligava.
— Hã. . . Eve?
— Hannah! Oi!
— Eu não sei bem, sabe, porquê te liguei, é que fiquei pensando em tudo o que você falou. Bem, ainda parece loucura, mas, sei lá. . .
— Faz sentido? — sugeri sorrindo, pelo menos uma coisa deu certo nessa viagem.
— É. . . Eu conversei com a minha irmã, ela falou que mesmo parecendo loucura e podendo ser perigoso, eu devia tentar. E eu acho que ela tem razão — a última frase saiu quase como uma pergunta.
— Muito obrigada por isso, prometo que você não vai se arrepender! Se você se sentir confortável, passe meu contato para a sua irmã, eu falo com ela.
— Você faria isso? — ela perguntou animada.
— Claro, podemos até marcar uma vídeo chamada com nós três.
— Sabe, eu estava que, só se estiver tudo bem para você, se nossas conversas serem certo, sexta feira é feriado e eu poderia ir visitar vocês. Que tal? — ela perguntou apreensiva.
— Eu acho ótimo, seria muito bom!
— Que legal!
Ainda conversamos um pouco, apenas coisas bobas, mas que no fundo faziam a diferença. Hannah era uma garota incrível, eu sabia que ela passava por coisas muito ruins, mas não parecia. Depois dos primeiros momentos, onde eu tive certeza de que ela podia sair correndo a qualquer momento.
— Você gosta dela, não é? — Theo me perguntou.
— Sim, eu gosto muito.
Logo chegamos em casa, não podíamos contar o que tinha acontecido, mesmo que todos saibam que foi algo sério. Mas o bom é que Luana e James estavam lá com a Lua. Enchi a banheira e entrei com a minha filha, ficamos um bom tempo lá.
Os dois dias a seguir se passaram normalmente, acordava, ficava com a minha família, fazia a tarde e a noite ia para a faculdade. Hadassa e Luana organizavam a primeira noite de Todos os Santos com a família reunida, o dia 31 de outubro seria na próxima segunda feira. Todos os dias eu conversava com a Hannah, já tinha lhe mandado fotos de todos de casa e ela estava muito animada para conhecer a minha família, principalmente Lua e Henrique. Bernardo e ela também vinham conversando e eu fui preparando Ana, Mony e Helena para a notícia. Eu também tinha tido longas conversas com Geovana, ela queria ter certeza que a sua irmã seria bem tratada.
Enfim chegou o grande dia, convenci todos os lobos da casa a saírem, eles foram até James para resolverem o que aconteceria na próxima segunda, aparentemente há várias tradições envolvidas (Theo estava tentando me convencer que existia uma tradição de "servir o seu lobo", depois eu chamo de Idiota e há quem reclama)

Eu
Estou na frente do seu prédio

Mande ai mensagem para Hannah, Mony, Bernardo e eu tínhamos ido buscá-la. Ela tinha dado a desculpa de ir visitar a mãe e os irmãos para poder ir para a cidade onde moravamos, mesmo que sua relação com eles fosse extremamente complicada.
— Então ela é uma garota trans de 16 anos — Mony apenas repetiu a informação. Logo após os lobos saírem, reuni os Marcados da casa e expliquei toda a situação. A única reclamação delas é que não as envolvemos nas buscas por Hannah, quando saímos de casa, Ana e Helena estavam imersas em pesquisas sobre transexualidade na internet.
— Sim — respondi — ela é uma garota doce e delicada, que já passou por muita coisa ruim. Por isso precisa muito do nosso carinho e compreensão.
— Por favor, ela é a Minha cunhada — Mony revirou os olhos teatralmente, me imitando.
— Nossa, meu amor, Nossa — Bernardo a corrigiu do banco de trás.
Nossa conversa foi interrompida pelo barulho do portão sendo aberto. Um garoto de calças jeans largas o suficiente para caber dois dele, uma camiseta polo cinza e um boné que escondia totalmente seus cabelos, se aproximou de nós. No se ombro tinha uma pequena mochila surrada, seu rosto estava levemente vermelho e os olhos inchados, denunciando o longo choro recente.
Saí do carro imediatamente, correndo para abraça-la. Ela envolveu seus braços em mim e chorou por alguns segundos, me apertando a si. Apenas afaguei as suas costas e jurei que tudo iria ficar. Porque eu faria tudo ficar bem, mesmo que tivesse que ser com as minhas próprias mãos.
— Venha — a levei até o carro — nossa motorista é a Mony, ela é a namorada do Arthur, irmão mais velho do Henrique. E esse é o Bernardo, o namorado do Hugo.
— Oi — Hannah disse tímida.
— Não precisa ser formal com a gente! — Mony a abraçou apertado — Você é muito fofa, Henrique tem sorte de ter você! — Hannah corou imediatamente.
— Vamos logo para casa, Ana e Helena vão surtar se você não chegar logo — Bernardo falou depois de abraça-la.
Durante o caminho, Mony e Bernardo fizeram o possível para Hannah se soltar, faziam brincadeiras e cantavam alto as músicas que tocavam na rádio.
Em casa não foi diferente, Ana e Helena abraçavam Hannah e diziam o quanto ela era linda. E quando Hannah tirou o boné e Ana viu aquele longo cabelo castanho, ela surtou. A proibiu de usar aquele "boné horrendo" novamente e foi detalhando os milhares de penteados que poderia fazer naquele cabelo.
— Eu avisei — sussurrei para ela, que ria com toda a loucura da minha amiga.
— Então hoje é o grande dia — Bernardo cantarolou — Hannah vai encontrar com o Henrique.
— Esse momento vai ser mágico — Mony sorriu e Hannah corou, de novo.
— Acho que vocês estão criando expectativas demais, sabe? — ela disse — Ele parece ser um cara muito legal, por isso não sei se ele vai gostar de mim, pelo menos não desse jeito.
Nós cinco nos entreolhamos, era nítido o desprezo que Hannah tinha por si mesma, ela realmente acreditava que não era digna de nada bom.
— Hannah — Bernardo falou delicadamente — olhe para mim, eu já pensei coisas parecidas de mim mesmo. Me descobrir gay muito cedo e vivi um inferno por anos, pois eu não podia falar em casa sobre quem eu era. Um dia contaram para o meu pai que me viram andando de mãos dadas com outro garoto, quando ele chegou em casa ele me deu uma surra enorme, a ponto de me fazer sangrar, tudo para me fazer "virar homem". Com dezessete anos fui expulso de casa, eles não queriam que "um pecador sujo como eu, imaculasse o seu precioso lar" — era difícil ouvir tudo aquilo, mesmo que eu já soubesse as coisas pelas quais Bernardo tinha passado, ainda assim era horrível imaginar. Sei que passei coisas horríveis, mas nunca apanhei como ele e isso porque ele só contou da primeira surra, porque muitas outras vieram depois. Levei dois tapas na cara e me senti extremamente humilhada, imagina apanhar repetidamente, de alguém que deveria te amar, só porque você é quem você é — eu me virei como pude, sempre me sentindo sozinho e tendo a certeza que eu não era bom o suficiente para ninguém. Mas sabe o que aconteceu? — Hannah negou com a cabeça — A Eve entrou na loja que eu trabalhava, viu a sua foto e me pediu ajuda para te encontrar, foi assim que acabei entrando para a família, encontrando o Hugo é descobrindo que tenho valor sim. Você entendeu o que quero dizer? Também passei por coisas ruins e também já tinha desistido de mim, mas, sem ao menos saber ou estar aqui VOCÊ me ajudou a encontrar alguém que eu amo e que me ama de verdade, me fez encontrar a minha família.
— Você já começou a fazer a diferença nas nossas vidas, antes mesmo de chegar aqui — eu completei. Lágrimas escorriam dos olhos da Hannah, mas ela sorriu. Helena, Mony e Ana, como manteigas derretidas que são, já choravam. Bê e eu sorríamos.
— Abraço em grupo! — Ana gritou e se jogou em cima da gente, logos todos estavam nos abraçando, rindo e chorando. Eu sabia que Hannah tinha problemas em deixar que a tocassem, ela sempre se retraia e tentava evitar, mas lá estava ela, rindo e chorando com a gente — Pronto, já passou! Agora temos que arrumar essa garota para o encontro da vida dela!
Ana sendo Ana.
— Que tal essa saia? — Helena mostrou.
— Não sei, acho que não combina muito — Ana opinou.
Estávamos no quarto da Helena, vendo todas as opções de figurino para Hannah usar.
— E esse vestido? — Mony sugeriu.
— Ela já é branquinha, vão mesmo colocar um vestido branco comprido nela? — Bernardo perguntou.
— Eve — Hannah sussurrou para mim — você contou a todos, não foi?
— Contei o que? — perguntei no mesmo tom de voz.
— Sobre eu ser, sabe, uma garota.
— Hannah, eu não preciso falar para ninguém que você é uma garota, sendo que você é uma garota. Isso está implícito — ela sorriu feliz e voltamos a assistir a discussão sobre as roupas — Hey, que tal perguntarem para a maior parte interessada nessa história, o que ela acha?
— Verdade, Hannah, qual a sua cor favorita? — Ana perguntou.
— Hmm. . . Eu não sei, acho que eu gosto de lilás.
— Já sei! — Ana gritou e saiu correndo, logo ela voltou segurando um vestido lilás — Como eu não tinha pensado nisso antes? Esse vestido é perfeito! O que acha? — ela mostrou a roupa para Hannah, os olhos da garota brilharam.
— É lindo!
Depois da saga do vestido, foi o sapato. Hannah ficou constrangida de dizer que usava 39/40, mas como Mony também usa sapatos n°39, facilitou a escolha. Então tínhamos o vestido e a sandália, faltava maquiagem.
Helena fez um maquiagem delicada, marcando os olhos com delineador de gatinho e passando batom rosa nos lábios da garota mais nova. Óbvio que Ana se recusou a deixar que Hannah prendesse o cabelo, apenas passando um creme para ajudar a formar os cachos nas pontas.
Emprestei uma bolsa que eu nunca tinha usado para a garota, para ela guardar o celular velho (prevejo Henrique comprando um novo amanhã mesmo), documentos e maquiagem.
— Eu me sinto uma princesa! — ela disse se olhando no espelho, sorrindo e rodando. Seu vestido era um pouco mais justo na parte de cima, sem decote e com mangas caídas, deixando seus ombros a mostra.
— Você é uma! — respondi
Enquanto Mony nos levalevava para o lugar combinado (sim, o encontro realmente seria em um parque, Geovana foi taxativa que queria que sua irmã conhecesse Henrique em um lugar público e bem movimentado), mandei mensagem para Theo, para levasse Henrique até o ponto combinado.
— Você acha que assim está bom? — Hannah perguntou pela décima vez, alisando seu vestido.
— Você está linda, já disse!
— Tá mesmo — dois garotos passaram por nós a olhando e um deles gritou para ela.
Hannah arregalou os olhos, mas escondeu o rosto de vergonha, rindo um pouco.
— Linda, mas tem namorado — gritei de volta — Vem, vamos comprar um sorvete enquanto esperamos.
— Estou muito nervosa, eu pesquisei ele em todas as redes sociais, mas não tive coragem de pedir para ele me adicionar. Você acha mesmo que ele vai gostar de mim? Ele parece ser tão legal e bonito e inteligente e gentil e forte e. . .
— Hannah! — falei mais alto para ela me ouvir — Respira! — começamos a rir — Vai dar tudo certo e você vai ver que. . .
— FILHO DA PUTA! VIADO DE MERDA! — um homem bateu com força na mão dela, fazendo seu sorvete cair no chão — NÃO TEM VERGONHA NESSA CARA? — ela foi puxada com agressividade, tanto que quase caiu.
— Solta ela, seu imbecil — eu empurrei o rapaz que a puxava.
— Ela? ELA? Essa aberração é homem! Ouviu? Homem! — ele a agarrou pelo pulso e chacoalhava. Hannah chorava, tanto pela diretoria, quanta pela humilhação.
— Me solta Rafael, por favor, me solta — ela implorava.
— Ele é o seu irmão? — perguntei surpresa.
— Eu não sou irmão de uma aberração! — Rafael cuspia as palavras com ódio — Você é um monstro! Não basta ser uma bicha, ainda vira traveco?
— Para, por favor! — Hannah chorava muito, sua maquiagem escorria juntos suas lágrimas.
— SOLTA ELA! — eu o empurrei com tanta força, que ele caiu. Rafael ainda tentou se agarrar a ela, mas apenas conseguiu alcançar a bolsa, que cedeu ao seu peso — Hannah, calma, eu vou cuidar de você!
— Alexandre? — uma voz horrorizada soou atrás de nós é Hannah chorou ainda mais forte — O que é isso?
— Viu mãe? Viu a vergonha que seu filho caçula faz a nossa família passar? — Rafael falou — Aposto que virou puta!
— Cala a boca! — rosnei — Ela é muito melhor do que você!
— Eu só pari uma filha e não foi essa aberração! — a "mãe" da Hannah falou.
Ouvi a garota ofegar atrás de mim, eu não conseguia imaginar a dor que ela deveria estar sentindo. Ouvindo isso e ainda na frente de uma plateia de desconhecidos, que assistia a tudo, sem fazer nada.
— Mãe. . . — Hannah tentou falar, mas foi interrompida por ela.
— Não me chame de Mãe, não enquanto for esse monstro! Vestido e maquiagem? Quer me envergonhar na frente de todos agindo como um palhaço de circo?
— Não é sobre, é sobre mim! É quem eu sou! — Hannah gritou em meio das lágrimas.
— Eu achei que te fazendo mudar de cidade e colocando num colégio católico, você ia melhorar, mas estava errada. Você é um perdido na vida. Rafael, pegue essa coisa — ela indicou Hannah — e vamos para casa, já passamos vergonha demais para um dia.
— Me solta! EVE! — Hannah gritou.
Rafael agarrou a garota pelo braço, a puxando com brutalidade. Com a mesma força que ele a puxou, eu chutei o seu peito. Hannah caiu no chão, ela chorava tanto, seu estado estava deplorável.
— Você devia ter ido embora quando teve a chance! — falei para Rafael, que se levantava para me enfrentar.
— Eu vou levar essa coisa digna de pena e você vai. . . — calei sua boca com um soco em seu rosto — você quebrou o meu nariz!
— Essa "coisa" é uma garota, seu nome é Hannah e o seu nariz não é a única parte do seu corpo que eu vou quebrar se você não for embora agora mesmo! — dei uma joelhada bem forte entre suas pernas, o fazendo cair de joelhos. Uma mão no meio das pernas e outra no nariz, era até engraçado.
— Sua louca! Você machucou meu filho. . .
— Presta bem atenção — agarrei a mulher pelos cabelos e a puxei para bem perto, eu queria que ela sentisse o tamanho da minha raiva — Você vai pegar o seu filho — chutei a perna de Rafael — e vai sumir daqui. Vocês deixarão Hannah em paz, a partir de agora ela vive comigo!
— Eu. . . Eu vou te processar!
— Processar? — eu ri alto e aumentei a força no puxão de cabelo — Você vai precisar de muito mais do que advogados para te proteger, porque quando a minha família te encontrar, não vai sobrar muito de vocês.
Eu a soltei e ela saiu correndo dali junto do filho, que ainda mancava. Também espantei a plateia que nos assistia, sobrando eu e Hannah, que ainda estava caída no chão, chorando.



O que me impede de sorrir
É tudo que eu já perdi
Eu fechei os olhos e pedi
Para, quando abrir, a dor não estar aqui

Mas sei que não é fácil assim
Mas vou aprender no fim
Minhas mãos se unem para que
Tirem do meu peito o que é de ruim

Indestrutível
(Pablo Vittar)

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