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Capítulo XXVI

- Ela está estranha. - Repito mais uma vez pra minha irmã.

- Estanha como Arthur?

- Está longe, sei lá. - Bebo um gole do meu suco, e passo a língua pelos lábios.

Camila tem andado bem estranha nos últimos dias e eu estou tentando entender o que está acontecendo já que ela não abre a boca pra dizer nada, e quando diz fala que não tem nada importante acontecendo. Isso está me deixando agoniado.

- Será que ela quer terminar? - Natália pergunta meia decepcionada.

Me abaixo e pego meu sobrinho Elton no colo, os gêmeos já estão enormes. Agora só faltam andar e falar, já conseguem pintar o sete sem andar nem nada.

- Será? - Agora pensando mais a fundo sobre o assunto eu realmente acho que ela quer terminar.

Não estamos tendo uma boa conversa a uns dias, e sem contar que ela sempre arruma uma desculpa para não dormirmos juntos. Pelo amor de Deus nosso casamento já está marcado ela não pode simplesmente da pra trás agora sem um motivo plausível pra situação. Que eu me lembre não fiz nada de errado, estávamos bem, depois que ela voltou da viagem que fez e torceu o pé que ficou desse jeito estranho.

Mas vou tirar isso a limpo agora mesmo.

- Vou falar com ela, dessa vez Camila vai ter que me dizer o que está rolando. - Dou um beijo na cabeça de meu sobrinho e boto ele sentado no cercadinho junto com os brinquedos.

- Não deixe ela terminar o casamento Arthur, eu preciso comer bem e ser madrinha disso aí. - Natália diz me fazendo da risada, me despeço dela e vou até meu carro.

***

Quando chego no apartamento dela saio entrando pois tenho a chave da porta assim como ela tem a chave da minha casa.

Ando pelo apartamento a procura dela já que está tudo silencioso.

Passo pelo corredor e vejo ela debruçada contra o vaso sanitário vomitando tudo lá dentro.

- Você está bem? Quer ir ao médico? - Pergunto entrando no banheiro e botando a mão em suas costas.

Ela se levanta e vai até a pia.

- Eu estou bem.

- Está bem coisa nenhuma, você está bem estranha Camila. Desde que torceu o pé - aponto pra sua perna com a bota imobilizadora - Tem que me contar o que diabos está acontecendo.

Ela respira fundo e começa a escovar os dentes, depois que acaba sai do banheiro me dando as costas.

- Camila!

- Não está acontecendo nada Arthur.

- Não mesmo? Estava vomitando por quê? E essa sua estranheza comigo? Não me faça de idiota, porra! - Passo as mãos pelos cabelos e solto uma bufada.

- Está tudo bem, agora para de encher meu saco. - Ela sai do corredor e vai pro quarto, sigo ela pois estou decidido a fazer ela falar.

- Eu só quero está por dentro do que está acontecendo, você não quer mais casar?

- Não seja ridículo, não é nada disso.

- Ridículo? Você é a única ridícula aqui, está me escondendo algo que sei que desrespeita a nós dois. E eu juro por Deus, Camila se eu souber por outra pessoa eu vou ficar muito puto com você ouviu bem? - Faço ela olhar em meus olhos quando seguro seu rosto nas mãos.

Ela se afasta e eu saio do quarto roxo de raiva.

Bato a porta de seu apartamento e vou pro meu. Droga, essa mulher está me irritando tanto a ponto de me enlouquecer com essas merdas, por que ela não confia o suficiente em mim para me contar o que está acontecendo? Se está doente por que não me diz? Que porra.

Pego meu celular em cima do balcão e ligo pra única pessoa que atualmente deve saber o que diabos está acontecendo. E eu sei um jeito de tirar isso dele rapidamente.

Lito atende rapidamente.

- Arthur? - Sua voz é de surpresa.

- Oi cara, acredita que a Camila só me contou o que está acontecendo hoje? - Digo como se já soubesse o que está rolando. Vamos ver se ele morde a isca.

- Sério? Que cabeça dura eu falei pra ela contar antes. Aproveitando vou te da os parabéns, mais novo papai do ano. - Papai?

Ah meu Deus, a Camila está grávida.

- Ela está grávida? - A linha fica muda.

- Não foi isso que ela te contou?

- Por que ela escondeu de mim? - Pergunto.

- Merda. - Aperto o celular fortemente e desligo a ligação.

Ela tem obrigação de me dizer que vou ser pai, mas o que diabos ela está pensando? Será que tem o que no lugar do cérebro? Que raiva.

Jogo o celular longe e atravesso pro outro lado do corredor, agora mais puto do que sai.

- Por que não me contou? - Ela me olha confusa.

- O quê?

- Que você está grávida caralho, por que não me contou? Eu tinha que ser o primeiro a saber e não o Lito, eu sou o pai, eu Camila. Você deveria ter me contado. - Estou tão bravo que acabo gritando com ela.

Quero socar alguma coisa, então me viro e soco a parede que afunda com o impacto.

- Você não precisa agir assim, eu fiquei sabendo a pouco tempo.

- Pouco tempo? Dúvido que não ficou sabendo no dia que aconteceu essa merda com seu tornozelo. Estou tão puto com você.

- Eu não contei pois eu vou perder o bebê Arthur, não queria te da falsas esperanças.

- Perder o bebê? Isso foi imposto por quem? Pelo médico ou pela sua mente traumatizada? Não venha me sujar e me privar das coisas que me desrespeitam. - Vejo a fortaleza que estava a impedindo de chorar se ruir, e logo as lágrimas estão descendo pelos seus olhos.

- Eu tenho medo. - Ela diz com um fio de voz, eu me sento na cama e puxo ela pros meus braços.

Camila se senta de frente pra mim e me entrelaça com os braços e as pernas. Aperto ela contra meu corpo.

- Não precisa ter medo, nós vamos ter esse bebê Camila. Você vai ver. Só por favor não esconda mais nada de mim, pode ser a coisa mais perturbadora pra você, eu preciso saber de tudo ok? - Limpo suas lágrimas e beijo todo seu rosto.

Ela enfia as mãos por dentro de minha blusa, me fazendo arrepiar com o atrito de suas mãos geladas com a minha pele quente. 

- Eu te amo, me desculpe por esconder de você.

- Eu também te amo, mas tem vezes que eu quero te esganar. - Ela sorri e me da um beijo nos lábios.

Enfio minha mão em seu cabelo e aprofundo o beijo, sugando seu lábio inferior e invadindo sua boca com a minha língua.

E na mesma posição que estávamos fizemos um maravilhoso e prazeroso sexo. Depois disso tomamos um banho juntos e fomos buscar nossos filhos no colégio.

Abri a porta do carro para Noah e Valentina subirem. Camila e eu combinamos de contar pra Valentina logo sobre o mais novo irmãozinho. Camila ficou um pouco insegura, pediu para esperar pois estava com medo, eu até entendia sua apreensão com gravidez mas eu não ia aguentar esperar para contar logo pra Valentina.

Quando chegamos no apartamento dela, nos sentamos todos na sala.

- Conta, conta logo. - Valentina diz toda curiosa e pula no sofá, Noah está sorrindo já que ele já sabe sobre a gravidez.

- Então filha, você vai ter um irmãozinho ou uma irmãzinha. - Digo e ela arregala os olhos e bota as mãos na boca.

- Sério? Ele está aqui? - Valentina pula do sofá e bota a mão na barriga de Camila.

- Sim, e em breve estará com a gente. Ficou feliz? - Camila pergunta.

- Muito, tomara que seja um menino pra eu ensinar ele a lutar. Pois o Noah não gosta de luta.

- Nada disso, tomara que seja uma menina pra eu ensinar com mais facilidade a física e química. Um menino iria querer ser igual a você. - Noah retruca e os dois começam uma discussão sobre o sexo do bebê e o que eles vão ensinar.

Dou um abraço em Camila e beijo sua testa.

- Agora é só esperar para saber quem vence essa batalha. - Murmuro em seu ouvido e ela sorrir, não é um sorriso triste e inseguro que eu vi da outra vez que falamos sobre a gravidez, esse sorriso era de felicidade e realização.

Ela finalmente deixou a felicidade tomar todo seu sentimento, e jogou fora o medo e apreensão. Agora sim, essa era a visão que eu queria ver.

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Estamos chegando ao fim. 😥😏

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