Capítulo XVII
Camila.
-Entra venha conhecer sua nova casa.- Digo e Noah entra em meu apartamento como um ratinho medroso.
Ele olha ao redor e conserta os óculos em seu rosto.
-Uau, aqui é muito bonito. Você mora sozinha?
-Moro com um amigo.- Respondo e continuo mostrando a casa pra ele. Meu pedido de adoção foi aceito a três dias atrás. Mas Noah só pôde vir pra minha casa hoje pois eu ainda tive que passar por umas burocracias do governo.
Agora uma assistente social irá acompanhar a adoção nas primeiras semanas. Então vou ter que andar na linha e da toda a atenção pro meu mais novo filho. Espero que ele consiga me chamar de mãe.
-Venha conhecer seu quarto.
Puxo ele pelo braço e subo as escadas, abro uma porta ao lado da minha e ele entra ficando de boca aberta quando olha ao redor.
Fiz questão de por uma prateleira no quarto dele repleta de livros e quadrinhos.
-O quarto é só meu?- Ele pergunta surpreso.
-Sim, só seu. Apartir de agora tudo que está aqui é seu. Gostou? Se quiser pode mudar ok?
-Eu amei, é muito legal. Posso te da um abraço?- Sem responder abro meus braços e ele me aperta fortemente.
-Obrigado, você é uma ótima pessoa.- Abro um sorriso e me afasto, mas não me levanto continuo na mesma altura que ele.
-Você se importa em me chamar de mãe?- Ele me olha e da de ombros.
-Eu posso tentar, já que você é minha nova mãe.- Dou um beijo na testa dele e me levanto.
-Quer almoçar fora ou comer aqui mesmo?- Antes que ele pudesse responder meu celular começa a tocar. -Me dê um minuto, já volto.
Saio do quarto e deixo ele observando tudo lá dentro.
-Fala maninho.
-Olá delícia, como foi a adoção em? Quando você vai trazer meu sobrinho pra eu conhecer?- Eric pergunta, e eu abro um sorriso percebendo o quando estou com saudades dele e de toda minha família.
-Foi um sucesso, por enquanto não podemos viajar mas em breve estarei aí. Estou morrendo de saudades, e mais ainda dessa pequena aí.- Digo me referindo a minha sobrinha.
Eric e o marido adotaram uma menina, Melinda. Ela gordinha, com as bochechas enormes, pele negra e olhos castanhos claros. Quando eu vi a criança quase botei dentro da minha mala pra trazer ela comigo. Era a coisinha mais fofa e linda que já vi, tão amorosa que da vontade de por em um potinho.
-Melinda está tão bagunceira. Minha mãe está praticamente morando na nossa casa, não deixa a neta quieta um minuto. Eu falo que é ela quem está deixando Melinda mimada daquele jeito.
-Pode ter certeza, sabe como minha mãe é. Tem visto Juliano? Não falo com ele a tempo, estou com saudades da Iara.
-Só falo com Alexandra, Juliano só quer saber de política. Ficar um minuto no mesmo ambiente que ele é suicídio.- Imagino como Juliano deve está chato.
Iara é minha sobrinha, filha de Juliano e Alexandra. Meu irmão insistiu tanto que conseguiu levar Alê pro altar grávida. Depois disso nasceu minha sobrinha afilhada, mas estou sem comunicação com eles a um tempo já.
-Juliano e papai são uns malas com esse negócio. Maninho tenho que desligar vou levar Noah pra comer alguma coisa.- Me despeço e volto pro quarto.
Noah estava mexendo nos livros quando entrei.
-Gostou?
-Sim, nem acredito que tem todos os livros do Star Wars e quadrinhos da Marvel. Você é incrível.
-Se você quiser podemos compar mais alguns que você queira é só dizer. Ah eu botei esse aqui também pois sou apaixonada.- Digo e pego o livro do pequeno príncipe.
-Um ótimo gosto, esse livro é bem interessante.- Meu Deus como uma criança de nove anos pode falar e se expressar tão bem? De onde vem tamanha inteligência?
Eu com meus nove anos, ainda comia meleca e lia livros das princesas mas eram aqueles que tinham mais figuras do que história. E olha Noah, lendo Star Wars essa inteligência precisa ser explorada.
-Já decidiu se quer sair ou ficar aqui?
-Quero sair, podemos?
-Claro.- Pego a chave do carro e minha certeira.
Quando vamos sair, meu novo vizinho também está saindo acompanhando de um corretor de imóveis.
-Agora é oficial sou seu novo vizinho.- Arthur diz e levanta uma sobrancelha, abrindo um sorriso de lado que me deixa irritada.
-Que grande notícia.- Finjo empolgação e ele da risada.
-E aí carinha, sou Arthur e você?
-Noah, filho da Camila.- Arthur para e me olha. Deve está se perguntando porquê não falei pra ele que tinha um filho daquele tamanho.
-Vocês vão?- O corretor diz segurando o elevador. Entramos todos e as portas se fecham.
-Você não é aquele lutador de MMA?- Noah pergunta olhando Arthur por cima dos óculos.
-Sim.
-Sabia, a maioria dos meninos no orfanato são seus fãs. Eles ficam assistindo lutas suas no YouTube. Eu nunca entendi o motivo deles gostarem tanto desse negócio, deveriam assistir algo mais produtivo. Sem ofensas.- Tento sem sucesso segurar a risada, mas não consigo.
Sabe aquela sessão de riso que nos bate e a barriga chega a doer? Foi exatamente essa que me deu, quando o elevador chegou na portaria eu ainda estava gargalhando.
-Eu penso... a mesma coisa.- Digo e respiro fundo.
-Também penso o motivo das pessoas gostarem tanto de ver mulheres desfilando em passarelas. Por que não vão a algo mais produtivo em?- Arthur diz e eu paro de rir na mesma hora.
-Que engraçadinho.
-Vocês estão parecendo duas crianças.- Noah diz recebendo nossa atenção. Arthur me olha e depois olha pra ele de novo.
-Temos um mimi adulto aqui?
-Um mini gênio mesmo.- Digo e abro um sorriso.
-Podemos ir? Estou com fome.- Noah diz e me olha.
-Claro.- Nos despedimos do Arthur e fomos até meu carro.
***
Estaciono meu carro no estacionamento do restaurante e saio sendo seguida por Noah.
Peço uma mesa para duas pessoas e o garçom nos leva.
-Posso pedir hambúrguer?
-Pode pedir o que quiser.
-Um milkshake também?
-Também.- Ele sorri e conserta os óculos, peço o maior hambúrguer com fritas pra ele e um sanduíche de frango pra mim.
Quando nossos lanches chegam Noah ataca o dele.
-Noah você gostaria de trocar de colégio? Ou não vai querer se separar dos seus colegas?- Pergunto o olhando de perto, Noah para de comer e limpa a boca com o guardanapo.
-Eu não ligo em trocar, não tenho colegas. Eles ficam me chamando de nerd e quatro olhos, mas eu não ligo pra isso.- Ele diz e da de ombros.
-Então posso te por em um colégio particular? E o que acha também de fazer cursos? Aprender novos idiomas, e essas coisas.- Eu iria ver esse menino brilhar, vou usar essa inteligência ao favor dele.
Esse menino vai ser um Einstein da vida.
-Claro, seria muito legal.- Ele diz animado e volta a comer o lanche.
Então já vou resolver logo esses negócios e contratar uma babá pra ele. Eu tenho trabalhos a fazer e não posso levá-lo para todos os ensaios, sem contar que eu acho que ele nem iria curtir ficar me vendo ser fotografada ou me ver desfilando.
Agora tenho que tomar meu lugar de mãe.
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