Capítulo XII
-Você... guardou?- Camila pergunta olhando pro par de luvas que me deu.
Passo a mão pelo meu cabelo, porra como vou explicar que não tive coragem de jogar essa merda fora? Guardei também pois elas me trazem boas lembranças.
Pego a luva da mão dela e jogo em um canto, fingindo que não ligo pra elas.
-Está aí pra eu jogar fora, sempre esqueço.- Ela acena com a cabeça e abre um meio sorriso.
-Que cabeça em, vem esquecendo de jogar fora a oito anos.- Isso aí Arthur, grande desculpa seu grande idiota.
-Não que isso te importa, eu as uso para o treino.
-Será que aquele tal de Alec conseguiu tirar os abutres daqui? Eu preciso ir embora.- Ela diz mudando de assunto, resolvo da uma olhada.
Alec está conversando com dois jornalistas ainda.
-Restam dois aí fora.
-Mas que porra.- Ela diz e se senta no tatame com as costas contra a parede.
-Onde está sua mulher e sua filha?- Me sento ao lado dela e apoio meu braço em meu joelho.
-Olívia não gosta de assistir as lutas. Então fica em casa com a Valentina.
-Pensei que gostasse.
-Ela gosta mais de moda. Por isso eu fui até aquele desfile.- Camila assente com a cabeça e respira fundo.
-Me traz boas memórias por isso eu guardei.- Digo depois de um tempo de silêncio, ela me olha e abre um meio sorriso.
-Uauu, eu não esperava por isso.- Nem eu esperava, pra que eu tive a necessidade de falar isso?
-Vai me dizer que você não guardou nada que eu te dei em?- Camila nega com a cabeça.
-Não, eu fiquei com raiva suficiente pra jogar tudo fora.
-Menos as lembranças não é?- Pergunto olhando dentro dos seus olhos, ela morde o lábio e desvia os olhos.
Acertei na mosca, pode até ter se desfeito de tudo que eu dei, mas as lembranças são difíceis de apagar. Até eu me pegava pensando às vezes do nada sobre ela, onde estaria e essas merdas. Acho que fiquei pensando nisso pois nosso relacionamento foi um pouco confuso, eu pensava que não gostava dela que era coisa de momento mas quando fiquei maduro o suficiente para pensar sobre tudo que fiz percebi o quanto eu amava ela mas estava tão focado na porra da aposta pra ver isso, quando percebi era tarde demais. Ela já estava longe e nós sem nenhuma notícia do seu paradeiro.
-Isso é difícil controlar, eu tentava mas sempre perdia. Pensava em pôneis e arco-íris, mas você acabava com tudo aparecendo com aquele sorriso idiota... esse sorriso idiota.- Ela diz e eu percebo que estou sorrindo.
-Então você pensa muito em mim?
-No começo sim, depois não, agora também... quer dizer.- Dou risada e balanço a cabeça.
-Deixa eu ver se entendi. Antes porque era recente, depois não pois o tempo passou e agora sim pois eu voltei em?
-Exatamente.- A sinceridade dela estava me deixando bem satisfeito. Será que ela estava disposta a ser sincera em tudo? Não custa nada tentar.
-Pensa em mim em qual sentindo? Ainda tem ódio da minha pessoa?
-Claro que tenho, um pouco. Se passaram oito anos e você nunca me pediu desculpas isso é difícil esquecer.
-Claro que pedi, só que você nunca me respondeu.- Eu passei dias mandando e-mails pra ela, com pedidos de desculpas. E não recebia nenhuma resposta, ela me ignorou e eu resolvi parar com as mensagens.
-Não mandou.
-Continua com o mesmo e-mail?
-Não, eu troquei.
-Pois eu pedi.
-Você me pediu desculpas por e-mail?
-Sim, não era como se eu fosse atrás de você as cegas.- Não acredito que ela não leu nenhum dos meus pedidos de desculpas.
Eu passava horas pensando em algo para escrever, e quando conseguia, saía poucas palavras mas eram todas verdadeiras. Eu me arrependi de verdade.
-Eu não li nenhuma delas.- Ela diz olhando fixamente pra um ponto na parede. Faço ela olhar para mim.
-Eu me arrependi Camila, de verdade.- Digo fitando seus olhos.
Segundos depois os lábios dela estão contra os meus, ela agarra meu cabelo e me beija profundamente. E eu sou incapaz de interromper o beijo, puxo ela pro meu colo e enfio minhas mãos pelo seu cabelo. Uma química inexplicável nos puxa um para o outro, e minha vontade é colocar ela contra essa porra de tatame e foder seu miolos.
-Os jor...- Ao som de um intruso Camila sai do meu colo e se levanta, seu cabelo agora todo fora do lugar e seu batom borrado.
-Os jornalistas já deram uma trégua, eu demorei pois...
-Obrigada, preciso ir.- Ela diz rapidamente, e sai como uma bala.
-Porra Arthur, eu achei que os boatos fossem mentira.- Alec diz e me ajuda a levantar, passo as mãos no cabelo.
-São mentirosos, isso que aconteceu aqui foi culpa de umas lembranças antigas. Antes não tinha acontecido nada.
-Você tem uma família cara.
-Você acha que eu não sei? Porra. Isso foi coisa do momento, preciso ir pra casa.
-E as entrevistas?
-Eu faço outro dia, diz que eu não estou me sentindo bem.- Pego minha bolsa e vou embora.
Já no conforto do meu carro, eu boto minha cabeça contra o volante e respiro fundo. Isso não podia ter acontecido, a Olívia não merece essa porra. Eu pensei em foder ela contra o tatame, onde estava com a cabeça? Sou um doente tarado agora?
Não posso me deixar levar pelo momento, e eu não deveria ter dito aquelas coisas, tudo deveria ter morrido junto com o tempo. Mas eu fui lá e tentei me explicar por ter sido um cuzão de merda. Eu preciso beber.
Camila narrando.
Que porra eu havia feito? Simplesmente agarrei o Arthur, droga ele tem mulher e filha e só foi ele falar que se arrependeu pra eu pular no pescoço dele. Qual é o meu maldito problema? Estou tão carente a esse ponto? Jogo as chaves no pote quando passo pelo hall de entrada e meu celular em cima do sofá.
Pego uma garrafa de vinho e sento no tapete felpudo do meu quarto. Jujuba está ao meu lado desta vez. Acendo um cigarro também pra aliviar minha tensão, eu preciso pensar no que fiz fiquei louca de pedra uma completa idiota.
"Pois eu pedi" essa frase vem em minha cabeça, ele havia me pedido desculpas. Mandou pro meu e-mail antigo, assim que eu saí do Brasil resolvi abandonar meu antigo e-mail e fiz outro.
Mas pela benção de Deus eu ainda sabia a senha, pego meu notebook e boto sobre o tapete, seguro o cigarro entre os lábios e entro em meu antigo e-mail que está com milhares de e-mails antigos.
Vou abaixando até achar o dele. O não, os, pois são mais de um. Com as mãos trêmulas abro o primeiro.
[email protected]
para Camila Cavalcante.
Assunto: Pedido sincero de desculpa!
Boa madrugada, bom não sei que horas são aí onde você está. Aliás onde está?
Estou um pouco nervoso pois não costumo pedir desculpas por e-mail ainda mais para uma pessoa que eu tenho certeza que me odeia. Enfim!
Eu vim te pedir desculpas por ser um grande idiota, eu fui tão babaca achando que não estava apaixonado por você, que aquilo era só uma coisa passageira quando na verdade não era e eu só percebi isso agora um mês depois da sua partida. Eu pensei tanto no que fiz e se eu pudesse voltaria no tempo só para mudar as coisas, só para deixar de ser um otário que ficou com medo de ter se apaixonado pela filhinha perfeita e gostosa pra caralho do prefeito (sai um pouco da linha mas é a verdade) voltando, você me desculpa? Diz que sim vai, por favor!
Esse foi o primeiro e-mail que ele me mandou anos atrás. Tinha outro mandado alguns depois do primeiro.
[email protected]
para Camila Cavalcante
Assunto: Eu espero por uma resposta.
Sei que você ainda deve está muito puta até porque não me respondeu, eu esperava pelo menos um "vai se foder" mas nada veio, então aqui estou eu novamente. Se estiver lendo essa mensagem, por favor me responda, eu aceito até ser xingando mas dê um sinal de vida eu preciso de notícias. Manda uma carta, um pombo correio, faz um sinal de fumaça sei lá mas diz alguma merda de coisa.
Depois desse veio mais alguns, ele mandava vários falando sobre várias coisas. É bom ver que ele se preocupou comigo. Acabo chegando no último e-mail que ele me mandou.
[email protected]
para Camila Cavalcante
Assunto: Não vou mais te perturbar.
Olha eu aqui de novo, são exatamente 4h da manhã e eu estou em frente ao computador da Natália escrevendo isso. Eu decidi finalmente te deixar em paz, acho que enchi sua caixa de mensagem com os meus e-mails, percebi que você não quer papo. Estou tentando me convencer que algum dia você vá me responder, eu mereço pelo menos um "oi" não acha?
Você deve está me achando o cara mais chato do mundo, mas eu precisava te falar todas as coisas que disse nos e-mails anteriores, eu realmente sinto muito Camila. Eu me arrependo profundamente, eu gostaria que as coisas fossem diferentes.
Isso não vai parecer ser eu, mas vamos lá... Eu sinto sua falta, e porra eu te amo pra caralho por que eu fui tão idiota de perceber isso agora? E por te amar eu estou deixando você viver, acho que já não aguenta mais meus e-mails, talvez até os exclua sem ler não é? Isso é bem sua cara em.
Mas antes de ir eu só precisava te dizer isso, dizer que eu te amo muito loirinha e espero um dia poder falar isso pra você, olhando nos seus olhos bem no fundo deles até minhas palavras tocar sua alma. Eu vou esperar por isso, o tempo que for necessário!
Quando acabo de ler percebo que estou chorando, mas não é aquele choro silencioso, é aquele choro de soluçar.
Com as mãos mais trêmula que antes eu passo os dedos pelo teclado do Notebook.
[email protected]
para [email protected]
Assunto: ...
Eu te desculpo, de coração!
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