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"Foi tão rápido, que não notei.
Foi tão natural, que não imaginei de forma diferente.
Quando percebi, já era tarde demais.
Eu estava apaixonada."
══ ♥ ══
A hora seguinte passou rápido, Jackson fez questão de tagarelar e relatar cada detalhe de várias das suas experiências amorosas, conseguindo arrancar boas risadas e caretas minhas e de Hejin.
Ele sempre dizia que o amor da sua vida estava em algum lugar, esperando ser encontrado por ele, então, ele procurava em todos os cantos. Literalmente.
Jackson sempre gostava de falar, e eu sabia que fazia aquilo para sempre conseguir nos deixar felizes ou descontrair o momento.
Não conseguia me lembrar de Jackson triste, por mais que eu buscasse e vasculhasse cada canto da minha memória, as lembranças com ele são perpetuadas de alegria.
Hejin me ajudou a terminar de me arrumar, ela estava mais calada, pensativa.
Enquanto passava um pouco de maquiagem em meu rosto, as sobrancelhas estavam franzidas.
Quando faltava cerca de dez minutos para o horário que eu tinha combinado com Seokjin, a campanhia da minha casa começou a tocar.
Hejin e Jackson saíram correndo do meu quarto sem ao menos falar nada, e eu torcia para que eles não sufocassem Seokjin, pois ambos tinham essa capacidade.
Escolhi um dos vestidos que Hejin tinha me dado em um dos meus aniversários, ele era preto, uma cor que ela particularmente dizia combinar com tudo.
Não era um vestido extravagante, era discreto, delicado e combinava comigo.
Quando já estava completamente pronta, com os cabelos caindo sobre os ombros e o vestido em meu corpo acompanhando pelos sapatos de salto, eu me analisei no espelho. Hejin tinha um talento incrível, pouca maquiagem estava em meu rosto, era algo mais natural, leve, no entanto, muito bonito.
Sai do quarto e fechei a porta com cuidado, andando pelo pequeno corredor.
Não foi difícil encontrar todo mundo.
E quando eu digo todo mundo, estou falando de todo mundo realmente.
As vozes estavam altas e vinham todas da sala no final do corredor.
Cheguei ao cômodo e me deparei com Seokjin sentado no sofá. E ele estava...
Maravilhoso. Tenho que admitir.
Seu terno era em um tom de cinza, sem gravata, os dois primeiros botões estavam abertos e os cabelos estavam penteados de uma forma que deixava sua testa ser exibida.
Eu queria ter tido mais tempo para olhá-lo, mas não tive.
Jackson e Hejin estavam sentados ao lado dele, Jackson tagarelando e Hejin analisando Seokjin com os olhos meticulosos.
— Estou falando sério, se você não cuidar dela direito, meu amigo eu surjo do chão para agarrar suas pernas e-
Jackson estava falando, mas foi interrompido por Jongdae, que estava parado ao lado de Mark, de braços cruzados.
— Eu sou o irmão dela, eu faço as ameaças aqui. — Jongdae protestou. — Eu e Mark que temos que dar o sermão.
— Eu não to nem aí. — Mark deu de ombros. — Não ligo mesmo. Posso voltar para o meu quarto e o meu videogame?
Jongdae olhou feio para ele enquanto Jackson voltava a resmungar algo como "cuide bem da minha amiga ou eu te castro."
E como se não bastasse, meu pai estava sentados na poltrona, minha mãe parada ao lado dele enquanto ambos tinham um sorriso no rosto, os olhos em expectativa grudados no Kim.
Seokjin finalmente me notou na entrada do corredor, seus olhos brilharam por um momento pois ele acreditava que eu o tiraria daquela situação no mesmo instante, no entanto, eu apenas sorri e me encostei contra a parede.
Eu o deixaria sofrer mais um pouquinho com toda a minha família.
Estava ansiosa para ver a cena em que ele surtaria com o discurso de Jackson e os protestos de Jongdae de como ele era o responsável de garantir meu bem-estar.
Seokjin começou a me encarar em desespero e quando notou o sorriso nos meus lábios, seu rosto ficou sério, irritado.
Ele sabia que eu estava fazendo de propósito.
— Certo! — Ele se levantou e passou a mão pelo paletó, o arrumando. — Foi muito..— Ele olhou para todos com um sorriso nos lábios, em uma tentativa falha de ser simpático. — bom, ficar aqui com vocês. Mas a (S/n) já está ali e precisamos ir.
Todos da sala viraram as cabeças para me ver parada no corredor.
Queria que a tortura dele tivesse durado mais alguns segundos e como notei que os olhos de todos já estavam grudados em mim, eu sabia que seria a próxima vítima deles.
Minha mãe suspirou ao me ver, o sorriso de ponta a ponta nos lábios, eu sabia que ela queria mais que tudo que eu tirasse um tempo para mim, longe do meu trabalho e da minha vida agitada.
Meu pai me olhava em expectativa.
O que não fazia o menor sentido, já que ele sabia bem que eu só estava indo naquele evento pelo acordo dele com o Senhor Heechul.
— Ótimo, então já estamos indo. — Andei até Seokjin e agarrei no braço dele, o puxando para fora. — Hejin, Jackson, obrigada por me ajudarem, nos vemos depois. — Acenei rápido.
— Não, mas espera eu -
Jongdae tentou falar, assim como Jackson e minha mãe, mas eu os cortei.
— Precisamos mesmo ir.
— Se cuidem, qualquer coisa me ligue. — Meu pai avisou, apertando os olhos na direção do Kim, mas em seguida sorrindo.
— Foi muito bom te rever, Seokjin. — Minha mãe balançou a cabeça.
— Deixem ela, galera. — Mark se pronunciou ao meu favor, o que me fez o olhar assustada. — Quanto mais cedo isso acabar, mais rápido posso voltar para o quarto. — Resmungou.
Já era esperado.
— Até mais tarde. — Destaquei me despedindo de todos.
— Hm.. até depois. — Seokjin conseguiu falar antes que saíssemos da minha casa e eu fechasse a porta.
Paramos na entrada enquanto eu suspirava alto e arrumava meus cabelos, aliviada por termos conseguido fugir, virei para Seokjin e notei que seus olhos me observavam.
Ele me analisava atentamente, com aquela expressão indecifrável no rosto.
Senti-me até desconfortável com a forma que seus olhos estavam focados em mim, o que fez minhas bochechas arderem.
Eu tinha me arrumado demais?
— O que foi? — Sorri e inclinei a cabeça para o lado, tentando manter minha compostura. — Estou linda, não é?
— Eh.. — Ele franziu o nariz e bateu em meu ombro em solidariedade. — Todos são bonitos por dentro. — Declarou. Notei como ele fechou os olhos rapidamente, para tentar focar na conversa.
Apertei meus olhos em sua direção, porém, eu notei como ele me analisava.
— Eu sou bonita por dentro e por fora. — Deixei claro.
— Você pode sonhar. — Ele deu de ombros e colocou as mãos nos bolsos. — Melhor irmos logo — Ele fitou a porta da minha casa. — Antes que todos saiam.
Acabei rindo enquanto o seguia até o seu carro, que estava estacionado logo na frente.
Quando dei um passo para a frente acabei tropeçando quando meu salto ficou preso em um buraco no chão, mas antes que eu caísse, as mãos delicadas e ágeis de Seokjin me seguraram.
A respiração ficou presa na minha garganta enquanto ele segurava meu corpo contra o seu, me mantendo firme.
— Eu já falei o quanto você é desastrada? — As palavras foram sussurradas contra o meu rosto, me fazendo engolir em seco.
— Foi culpa do s-sapato. — Consegui pronunciar.
Ele, com delicadeza, ergueu uma das mãos e retirou o fio de cabelo que estava em meu rosto.
A expressão era de pura concentração.
Analisei cada detalhe seu, e naquele instante eu sabia que queria beija-lo.
O rosto de Seokjin era emoldurado por lábios carnosos, seus olhos eram tão lindos e carregavam uma profunda imensidão escura.
Meu estômago se embrulhou e eu sabia que meu corpo gritava "me beije".
Ele soltou meu corpo quando seus olhos perceberam o que eu queria.
— Tome cuidado! — Destacou.
— Hm.... sim...obrigada.— Passei a mão pela roupa.
Começamos a ouvir o barulho de vozes dentro da minha casa mais uma vez.
— É...eles estão mesmo vindo. — Seokjin sorriu e indicou o carro, ele não parecia tão afetado quando eu. — Vamos.
— Prometo que eles não são sempre assim. — Ponderei, tentando regular minha respiração e esquecer o momento de segundos atrás.
— Sua família é como você, exagerada, extravagante e barulhenta. — Apesar das palavras que ele falava, um sorisso contornava sua boca.
Meu coração já estava mais calmo, falar de outro assunto estava ajudando.
Joguei os pensamentos indevidos na parte mais profunda da minha mente.
— Essas são as famílias, servem para te fazer morrer de vergonha, mas no fundo só te amam e se preocupam com você. Eu gosto da minha família exatamente assim. — Destaquei. Seokjin me fitou do outro lado do carro e meu sorriso diminuiu um pouco ao fitar seus olhos. Por algum motivo eu tinha certeza que ele não sabia o que era se sentir assim com uma família. — É...o local para onde vamos é longe?
Tentei mudar de assunto ao entrar no carro. Seokjin entrou também, ocupando seu lugar no banco do motorista.
— Não, é perto. A exposição de arte que está acontecendo foi financiada pelo meu pai e a família de Hoseok. — Declarou enquanto colocava o carro em movimento. — E bem..vão ter muitos jornalistas por lá.
Ele falava de forma descontraída, mas pelo seu tom eu percebia que falava com cautela, me avisando para que eu me preparasse.
Não é como se eu tivesse pânico de ver qualquer jornalista ou pessoas com câmeras enormes para sites de fofoca, meu problema era quando eles viravam suas atenções para mim. Se isso não acontecesse estava tudo bem.
— Tudo bem. — Balancei a cabeça em afirmativa para tentar convencer a mim mesma e esfreguei a palma da minha mão no vestido.
— Don estava fazendo um desenho para você, mas não deu tempo de terminar. Ele pediu para avisar que te entregaria na próxima vez que se vissem.
— Já estou com saudades dele. — Garanti.
— E ele de você.
Jin foi traçando o caminho, ele dirigia de forma contida e tranquila, parecia relaxado enquanto as mãos estavam no volante.
— Posso ligar o rádio?
— Não. — Falou como se fosse óbvio.
Por algum motivo aquilo me fez sorrir, pois eu já sabia que aquela seria sua resposta.
E ele também parecia já esperar eu me inclinar e ligar o rádio, pois quando fiz isso, ele apenas negou com a cabeça.
Liguei em uma estação de música internacional, deixando o volume baixo, apenas para preencher o ambiente.
══ ♥ ══
Chegamos ao local menos de quinze minutos depois.
E só pela entrada eu já podia afirmar que era um lugar luxuoso.
Seokjin parou o carro logo na entrada e automaticamente um homem fardado apareceu, esperando pacientemente sairmos.
Jin se inclinou e pegou uma fita dentro de um dos compartimentos do carro, a balançando na minha frente.
— O que é isso?
— Fita.
— Para?
— Te amarrar.
— O quê???
Ele riu e passou a ponta da língua pelos lábios.
— Você é desastrada, os quadros e obras expostos nesse evento custam mais que a minha casa, não quero correr o risco de você derrubar eles. — Falou em tom zombateiro. — E você já caiu hoje. O que garante que não cairá em alguma obra da galeria?
— Muito engraçado. — Revirei os olhos e tomei a fita da sua mão, a jogando no banco de trás. — Vamos logo. — Não pude deixar de rir enquanto saia do carro.
Seokjin atravessou o automóvel até ficar ao meu lado, o homem fardado, que eu acreditava ser o manobrista, entrou no carro e o levou.
Meus olhos curiosos varreram o lugar.
A estrutura onde o evento estava acontecendo era branca, com detalhes em dourado por todos os lados. Um enorme tapete levava até a entrada enquanto inúmeros fotógrafos e jornalistas estavam posicionados do outro lado de uma barreira.
O lugar estava repleto de gente importante e famosa. Notei a presença de alguns cantores que eu conhecia, de alguns atores e grandes empresários. Querendo ou não, eu sabia que Kim Seokjin se encaixava na categoria de empresários jovens, famosos e ricos.
Sendo assim, eu me perguntava o que eu estava fazendo ali.
Mordi o interior dos meus lábios em nervosismo, e no instante seguinte senti a mão dele se posicionar nas minhas costas, e como a parte de trás tinha uma pequena abertura que fazia parte do modelo, a mão dele se posicionou exatamente onde minha pele estava descoberta, fazendo com que sua mão entrasse em contanto com minha pele arrepiada.
— Relaxe. — Seokjin sussurrou atrás de mim.
Virei minha cabeça um pouco para fita-lo e lá estava, sua expressão séria, seu corpo rígido e seus lábios em uma linha de expressão contida. Nada dos sorrisos trocados no carro, nada dos olhos brilhando em divertimento.
Seokjin estava novamente dentro daquele muro que ele se colocava na maior parte do tempo.
Eu me perguntava quais eram as pessoas que tinham o privilégio de vê-lo da forma diferente que eu o via, e também queria saber o motivo pelo qual ele me deixava ser uma dessas pessoas.
Ele me olhou também, balançando a cabeça e deixado um sorriso rápido em seus lábios.
— Não precisa ficar tão nervosa com as fotos. — Ele ainda falava baixo, parecia que quase ninguém tinha notado que tínhamos chegado. — Eu estou do seu lado, eles preferem focar na pessoa mais bonita do casal.
Seu comentário tirou um pouco do meu nervosismo e me fez rir.
— Neste momento eu não sei se você é amável por tentar me fazer ficar bem, ou apenas narcisista.
— Apenas nascisista. — Ele afirmou com um balançar de cabeça.
Seokjin voltou a erguer a cabeça, sério, e me conduziu pelo tapete até a entrada.
Fiquei aliviada pelo fato dele andar rápido, impedindo que a maioria dos fotógrafos conseguisse nos segurar por muito tempo.
O lugar por dentro era enorme, parecia um galpão, mas um galpão muito chique e refinado. Tudo por dentro era muito branco, mas isso era um fator positivo, já que inúmeros quadros e esculturas coloridas estavam expostos por todos os lados.
Era tudo bonito e chamativo, meus olhos já estavam observando ao redor animados e empolgados, querendo ver tudo mais de perto.
Garçons andavam de um lado para o outro distribuindo comidas minúsculas em guardanapos e taças de champanhe.
Jin continuou me conduzindo em meio às pessoas.
— Seokjin! — A voz de uma mulher chamou nossa atenção. Ela tinha longos cabelos negros e olhos bem marcantes, bonita e esguia. — Você veio mesmo!
Ela se aproximou de nós e Seokjin apenas virou em sua direção, sem muita emoção.
— Naeon. — Ele a cumprimentou apenas com um acenar de cabeça.
— Uau! Sempre tão empolgado. Muito bom te rever também. — Ela destacou irônica e seus olhos grandes focaram em mim. — Olá, sou a Kim Naeon. — Seu sorriso simpático se projetou no meu rosto. — Se a companhia do meu primo for muito irritante, o que eu sei que pode ser, vou ficar muito feliz de te mostrar o lugar.
— Ela é a dona da galeria, ela que organiza todos os eventos. — Seokjin me explicou pouco se importando com o comentário dela.
— É um prazer te conhecer. — Sorri a cumprimentando. — Meu nome é (S/n) — Inclinei-me um pouco na direção dela. — E talvez eu aceite a sua proposta.
Naeon riu e apontou para mim, os olhos focando em Seokjin.
— Eu já gostei dela. — Seokjin continuou a encarando e ela sorriu. — Estou brincado, meu primo é um homem incrível, você tem sorte de estar com ele.
— Eu e ela não estamos ju-... — A prima de Seokjin continuava olhando para ele enquanto ele falava. — Quer saber? Eu tenho que mostrar as coisas para a (S/n). Nos vemos depois.
A mão dele se encaixou na minha e ele começou a me puxar para longe dela.
Naeon apenas o encarou e acenou discretamente para mim, ela já parecia estar acostumada com as mudanças de humor repentinas de Seokjin, pois quando saímos do seu campo de visão, ela deu as costas e foi andando animada até um grupo de pessoas.
— Por que você não terminou de falar? — Questionei quando já estávamos longe dela.
As palavras escaparam mais rápido do que eu consegui me controlar, eu estava sim curiosa. Ele deveria simplesmente ter negado para a prima dele, dizer que não estávamos juntos.
Por alguma razão eu queria muito saber sua explicação.
— Minha prima fala muito. — Ele olhou para mim. — Mais do que você. — Um sorriso de esgueira surgiu em seus lábios.— E ela gosta muito de dar entrevista para jornais e revistas, ela falaria sobre nós. É melhor não dar conteúdo para ela falar, deixemos ela pensar o que quiser.
Ele ainda segurava minha mão, o que me fez o encarar.
— Vai continuar segurando minha mão?
— Vou! — Deu de ombros, os dedos encaixados nos meus. — Já disse, você é desastrada, não quero que quebre nada.
— Não sou desastrada... — Resmunguei.
Ele continuou me arrastando até o outro lado, onde vários quadros estavam exposto nas paredes.
Algumas pessoas nos cumprimentavam, mas eu não conseguia reconhecer quase ninguém.
Alguns famosos eu conseguia lembrar de rosto.
Chung ha estava lá, e ela era ainda mais bonita pessoalmente, eu sabia que Jackson também teria um ataque cardíaco ao vê-la.
Se Kim Namjoon também estivesse lá....
Eu e Seokjin paramos em frente a um grande painel, que estava exposto na parede principal com outros quadros, que na verdade não era dos mais bonitos.
— Não tem muitas pessoas aqui. — Ele comentou.
Era verdade.
A maioria dos convidados ainda estava conversando ou olhando as obras do outro lado da sala.
— Aqui é a parede principal de exposição? — Questionei. Meus olhos primeiramente analisaram o quadro a minha frente, era apenas uma tela branca com alguns respingos de tinta, em seguida, meus olhos vasculharam ao redor.
Vi um quadro que era muito mais bonito e chamativo do que aquele, mas que estava no canto, largado, quase não dava para vê-lo.
O quadro do canto era lindo.
Era um jardim.
Todas as cores estavam no pequeno quadro.
Ele me fazia sentir como se eu estivesse dentro daquele lugar pintado.
— Você gostou dele? — Seokjin questionou acompanhando meus olhos.
— Sim! Aquele quadro é perfeito. — Eu ainda estava hipnotizado por ele. — Por que ele está no canto? Por que não está exposto nas paredes principais?
— Infelizmente a divisão existe no mundo da arte também. — Ele pendeu a cabeça para o lado, os olhos atentos correndo pela tinta do quadro. — Os que pagam mais ganham um lugar melhor.
— O quê? — Falei indignada. — Então, você está me dizendo que os quadros das paredes principais só estão aí porque o artista pagou? E não por talento?
— Sim. — Falou simplista, mas a faísca em seus olhos deixava claro que ele também não gostava daquilo.
Era muito injusto.
Nas paredes principais tinham quadros bonitos, mas era péssimo saber que quadros perfeitos, como o quadro do jardim pelo qual eu estava apaixonada, não tinham um lugar especial na parede pelo fato de o artista não ter dinheiro.
Enquanto eu ainda olhava os quadros um homem se aproximou de nós, um sorriso amplo no rosto, ele radiava alegria e sua aparência me lembrava alguém. Usava um terno que estava com uma gravata torta.
— Seokjin! Tão bom ver você aqui.
— Senhor Jung. — Foi um dos poucos momentos em que vi Jin abrir um mínimo sorriso. — Eu e a (S/n) estávamos aqui vendo as obras.
— Sério? — Ele se virou para mim, eu ainda estava irritada, fitando o belo quadro deixado no canto. — E o que está achando, minha jovem?
— Estou realmente apaixonada por tudo. — Declarei. — Mas estou indignada com essa preferência.
— Preferência? — Seokjin sabia do que eu estava falando, mas ainda assim, me estimulou a falar mais.
— Sim! — Falei firme. — Aquele quadro é perfeito. — Suspirei indicando o quadro do jardim no canto, quase escondido. — Mas não tem o mesmo reconhecimento que o outro por conta de dinheiro? Não por talento? Aquele quadro é um dos mais bonitos que eu vi na exposição, mas está ali no canto. Merecia estar em uma das grandes paredes.
O homem franziu as sobrancelhas surpreso enquanto Seokjin ao meu lado tentava ficar sério.
— Oh, certo. — Ele balançou a cabeça. — Você tem uma opinião forte, vou lembrar disso na próxima galeria, gostei de saber o que acha. — Ele se curvou. — Eu preciso continuar vendo as pessoas que chegaram. — Ele sorriu. — Mas aproveitem.
Abri a boca e senti meu rosto empalidecer enquanto ele saía.
— Ah não, não me diga que ele é o responsável por tudo. — Soltei a mão de Seokjin que eu nem ao menos lembrava que estava segurando.
— É sim! — Jin riu alto ao meu lado. — Segundo estabelecimento que você reclama na cara do proprietário. Vou chamar minha prima para você insultar ela também.
— Yah! Isso não tem graça. — Falei nervosa, eu não tinha a mínima intenção de questionar o cara e o trabalho dele, só tinha ficado irritada com o descaso com um artista. — Vou atrás dele, preciso me desculpar.
Seokjin me segurou pelos ombros antes que eu conseguisse me afastar.
— Não precisa disso tudo, aquele é o pai do Hoseok, eu o conheço há muito tempo. Ele tem uma empresa de entretenimento e organiza eventos, ele não vai ficar irritado. Pode ter certeza. — Os olhos dele estavam me encarando.
Bati de leve contra o seu peito, tentando ficar irritada com ele.
— Isso foi culpa sua!! — Reclamei. — Devia ter me dito quando ele chegou.
— Ah, não. — Ele negou com a cabeça. — Gosto das suas opiniões sinceras e eu concordo com você.
— Concorda?
— Sim!
Ele continuou me encarando e sorriu gentilmente, o que era uma novidade.
Seokjin parecia realmente feliz e admirado com a minha imposição.
Talvez, fosse porque ele era artista também.
══ ♥ ══
Eu e Seokjin continuamos andando e vendo a maioria das obras.
Haeun, a irmã de Hoseok, apareceu cerca de meia hora depois e durante longos minutos ela decidiu que ficar conosco a maior parte do tempo era a melhor opção.
Eu gostava muito da companhia de Hoseok, mas a irmã dele conseguia ser muito geniosa.
Ela grudava no braço de Seokjin e muitas vezes tentava o arrastar para longe.
Mais pessoas foram chegando, muitos outros fotógrafos começaram a pedir para tirarem fotos toda hora. E eu já estava cansada, tanto fisicamente quanto mentalmente, de tudo aquilo.
Seokjin estava com Haeun falando com um grupo de pessoas quando eu me afastei um pouco, tentando achar um lugar mais calmo. No entanto, era impossível.
Agora estava lotado.
Andei um pouco, tentando fugir das pessoas e do ambiente sufocante.
Eu estava abraçando meu corpo, olhando uma escultura, no momento em que senti uma mão tocar em meu ombro.
Virei no mesmo instante, temendo que fosse mais algum fotógrafo.
No entanto, era Seokjin.
Ele me analisou, notando o desconforto em meus olhos, e posso jurar que vi suas sobrancelhas se curvarem em preocupação.
— Você está bem? — Balancei a cabeça em afirmação. — Haeun conseguiu me arrastar para falar com várias pessoas. — Eu sabia que ele estava se desculpando silenciosamente. — Vi você tentando sair despercebida e vim atrás de você.
Os olhos do Kim percorreram o ambiente, ele tirou as mãos dos meus ombros e depois me olhou.
— Acho que você precisa tomar um ar. — Ele estendeu a mão para mim, e indicou com a cabeça uma porta na lateral, que levava para a saída dos fundos.
— Acho que preciso sim.
Balancei a cabeça em afirmação.
Ergui minha mão e a encaixei na dele, deixando ele me levar para fora da galeria.
Como sempre, senti aquele seu toque leve e quente em meus dedos.
Já me sentia melhor em tê-lo por perto, me levando para longe. Não me sentia mais tão desconfortável ou ansiosa.
Kim Seokjin continuou me guiando para fora, e naquele momento algo começou a latejar em minha mente.
Por alguma razão, eu confiava nele.
Mas...eu deveria?
══ ♥ ══
Ihhhh a (S/n) deveria ou não confiar no Jinnie?
Oii, amores.
Demorei, mas cheguei aaaa
Já estava morrendo de saudades de vocês.
Como estão?
Como foi a semana?
Espero que estejam se cuidando, não esquecem de beber água e tirar um tempo para descansar.
Enfim, espero de verdade que tenham gostado do capítulo de hoje e que estejam tão insaciáveis por cenas do nosso casal principal como eu estou kkk
Desculpem qualquer erro :(
Views em "Stay Gold"!!
Amo vocês.
Obrigada por lerem.
Até logo!
By: leticiaazeneth ❤️
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