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"Nós podemos fazer qualquer coisa se colocarmos nossas mentes nisso"
- Eastside
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O sábado foi marcado por um dia de preguiça na casa do Jeon, assistimos filmes até tarde e acabamos cochilando na sala. O meu domingo foi tomado por Jongdae, que me fez ajudar na decoração de uma das suas salas do estúdio.
Acordei cedo na segunda-feira, seria um longo dia de trabalho, levando em conta a quantidade de papelada que eu e Jackson teríamos que computar.
No final do dia eu iria para a escola no centro, da professora de linguagem de sinais.
Cheguei na delegacia sendo bombardeada por um caos, um caso novo tinha acabado de aparecer e todos estavam competindo para ver quem o assumiria.
Jackson estava sentado na mesa dele, os óculos com lentes transparentes no rosto e o lábio preso entre os dentes enquanto rabiscava um esboço em seu bloco de notas.
Parei a lado dele, apoiando os vários papéis que segurava em sua mesa.
— Bom dia! — Troquei o peso de uma perna para o outro. — Estou até emocianada de chegar e ver você trabalhando.
— O site de relacionamentos estava chato, então eu pensei... "acho que vou trabalhar um pouco". — Brincou com um sorriso nos lábios. — Bom dia. — Ele olhou sobre o meu ombro, onde dois policiais discutiam. — Isso aqui está parecendo uma selva.
— Mais um dia normal.. — Dei de ombros.
— Você não está interessada no caso novo?
— Não! Tem muitas pessoas dispostas para assumirem ele, então eu prefiro focar nos casos que já temos.
— Ótimo. — Ele abriu sua gaveta e tirou de lá alguns papéis impressos. — Eu pesquisei algumas coisas para o caso do Rj.
Meus olhos brilharam em expectativa.
— O quê?
— Fui atrás de alguns especialistas em análise de pinturas, eles podem nos ajudar a identificar os traços do Rj, e quem sabe, assim fica mais fácil de encontrar ele.
— Jackson-ah, você é perfeito.
— Eu sei. — Ele sorriu, passando a mão pelos cabelos.
— Vamos na sala maior? Podemos ver as coisas lá.
Voltei a pegar os papéis e comecei a andar, mas quando virei, Jackson ainda estava sentado.
— Você não vem? — Questionei arqueando as sobrancelhas.
— Estou indo. — Ele sorriu travesso. — Eu dei tanto ontem que tá doendo, é ruim de andar.
— Jackson! — Minha voz saiu mais alta. — Esse é o tipo de informação que eu não queria ter.
— Ah, e se quiser saber mais tem até uma fita caseira gravada. — Ele se levantou, andando até mim. — E por Deus, aquilo foi-
— Minha nossa..
— Você ia amar ver esse corpinho em ação. — Piscou para mim.
Apertei os olhos em sua direção e sorri.
— Hm... — Falei pensativa, enquanto o via arregalar os olhos.
— (S/n) sua pervertida, eu estava brincando. — Ele empurrou meu braço de lado, o que me fez rir.
— Vamos lá, agora eu quero ver. Me mostre.
— Não. — Ele negou com a cabeça e começou a me puxar. — A parte que eu transei é verdade. — Ele riu, estávamos indo pelo corredor. — Mas eu não gravei, não queria que meu lindo corpo fosse parar na internet.
— Esperto. — Balancei a cabeça em afirmação. — Mas espera aí..você não estava namorando com aquela garota?
Jackson pendeu a cabeça para o lado pensativo.
— Estamos saindo.. — Ponderou.
— E como você deu? — Perguntei mais baixo, tentando não chamar a atenção dos policiais que passavam ao nosso lado.
— Já ouviu falar da cinta? Ela colocou e-
— Okay! Certo. Entendi. — Afirmei veemente com a cabeça para que ele não falasse mais.
— Você que perguntou. — Riu alto.
Eu e Jackson entramos em uma das salas, espalhamos os papéis que ele tinha impresso sobre a mesa, vendo as anotações.
Sentei-me em um dos bancos e encarei uma das últimas artes que Rj tinha feito. Fitando os traços e os detalhes em vermelho.
Algo estava me incomodando, era como se eu estivesse vendo os desenhos de uma forma diferente agora, como se tivesse algo por trás que eu não entendia.
O nome de Seokjin me veio na cabeça, e eu cheguei a conclusão de que talvez eu pudesse falar com ele, já que era um excelente pintor, ele poderia me ajudar a entender a pintura e os traços do Rj.
Porém, eu ainda estava me sentindo incomodada. Eu era uma detetive, estudei na faculdade por anos para conseguir notar os detalhes nos casos, então eu sentia que estava esquecendo algo.
Uma batida na porta chamou minha atenção.
Ergui minha cabeça dos desenhos.
— Pode entrar. — Jackson falou alto.
Jungkook entrou, balançando uma pasta na mão.
— Finalmente achei vocês. — Ele chegou sorridente até nós.
— Bom dia, Jeon. — Jackson balançou a mão e então voltou a passar a papelada para o computador.
— Hm, está sorridente. — Afirmei enquanto ele vinha até mim e se sentava ao meu lado.
— Aqui. — Ele me entregou uma pasta.
Quando abri notei que era o caso f14 da semana passada.
O homem tinha sofrido o julgamento e foi sentenciado culpado, tinha levado a pena sem possibilidade de fiança, e a guarda do filho tinha sido passada para a avó. De acordo com o relatório, o garoto afirmara que queria ficar com ela.
— Mais um caso finalizado, com alguém que merece apodrecer na cadeia. — Ele falou aliviado e sorridente, erguendo a mão para que eu batesse nela.
— Somos uma ótima dupla. — Afirmei batendo em sua mão.
Não demorou muitos segundos para que um pedaço de papel amassado batesse em minha cabeça.
— Yah! — Jackson se pronunciou. — Eu que sou sua dupla perfeita, (S/n). — Resmungou.
— Sem violência. — Sorri me recostando na cadeira. — Tem (S/n) para todo mundo. — Brinquei.
— Retiro o que disse. — Jackson riu, revirando os olhos.
Jungkook olhou para os vários papéis sobre a mesa.
— Precisam de ajuda com a papelada? Eu só vou ter casos novos mais tarde.
— Seria ótimo. — Coloquei alguns papéis na frente dele. — Ao trabalho!
Nós três começamos a passar tudo para o computador, e eu acabei dando um pouco mais de atenção para o caso do Rj.
— Hm.. — Jungkook virou um pouco de lado para me olhar depois de algum tempo. — Quase esqueci, Yoongi disse que amou sua comida e que a gente tem que combinar de fazer aquilo mais vezes. Tirando a parte que ficamos discutindo por uma hora para escolher o filme.
— Vocês querem é me explorar, me fazer de chefe de cozinha.
— Nada disso. — Jungkook riu.
Olhei para a frente e vi Jackson de boca aberta, me olhando.
— Você almoçou com o gostoso fodido do Yoongi? — Ele olhou para Jungkook e sorriu. — Com todo o respeito, sei que ele é seu amigo, meu amor e idolatração é inteiramente de fã. — Voltou a olhar para mim. — Repetindo. — Ele arqueou as sobrancelhas. — Você cozinhou para o Min filho da puta lindo Yoongi?
Eu e Jungkook rimos ao mesmo tempo, eu já esperava aquela reação de Jackson.
— Sim, almoçamos todos juntos na casa do Jungkook no sábado. — Afirmei com a cabeça. — Então Jungkook nos convidou para passarmos a tarde lá.
Jackson arregalou os olhos e em um segundo já estava segurando ambas as mãos de Jungkook.
— Jungkook, meu amor. — Sorriu. — Sabe que eu te amo, né?
— Da próxima vez você está convidado para ir também. — Jungkook sorriu, já sabendo que aquela era a intenção de Jackson.
— Você é o melhor!
— Você cedeu muito rápido, Jungkook. Devia ter feito o Jackson sofrer. — Reclamei.
— (S/n)! — Jackson me olhou feio. — Cale a boca.
E mais uma vez, eu estava rindo da sua expressão de animação para um possível almoço na casa do Jeon no futuro.
Voltamos todos ao trabalho.
Jungkook teve que ir embora um pouco depois, já que o meu pai o chamou na sala.
Estava vendo o endereço do local onde teria que ir no final da tarde quando meu celular foi bombardeado por mensagens de Hejin, avisando que mais uma vez eu estava em um site de fofocas.
Eu já esperava por aquilo, levando em conta os jornalistas na porta do condômino.
A matéria falava que eu tinha ido na casa da família Kim, e ressaltava que Seokjin tinha me levado embora para evitar que eu passasse pelos jornalistas.
Soltei um suspiro alto, aquela era uma consequência de me aproximar de Kim Seokjin.
Mas algo me dizia que aparecer em jornais não seria o único efeito colateral da nossa aproximação.
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O trabalho foi longo e cansativo, mas no final do dia eu estava satisfeita com o resultado. Conseguimos terminar de passar os casos para o sistema, e junto com Yunho, fui em uma cidade vizinha para ver um caso de roubo, que logo foi resolvido.
Já estava no final da tarde quando eu deixei a delegacia, meu celular vibrou com o lembrete sobre a aula que eu teria hoje. Sendo assim, coloquei o endereço no GPS e segui até o centro da cidade.
A escola especial de linguagem de sinais não ficava longe, demorei poucos minutos para chegar.
Era um prédio grande, mas ao mesmo tempo rústico e tranquilo, parecia um pedaço rural no meio da cidade grande.
Consegui estacionar o carro na mesma rua.
A primeira coisa que notei quando cheguei era a animação do lugar. Crianças correndo e pulando para todos os lados, professores sentados ao ar livre enquanto conversavam com os alunos.
Fui até a secretaria, informando meu nome e meu horário marcado. Fiquei esperando na sala de espera até que uma jovem mulher apareceu, ela tinha um sorriso amigável nos lábios e os cabelos tingidos de um preto azulado.
— Voce deve ser a (S/n)! — Ela sorriu me cumprimentando.
— Isso! Muito prazer. — Apertei sua mão assim que me levantei.
— Fico muito feliz de te receber aqui. — Ela indicou a porta para que eu saísse e a seguisse. — Eu sou a professora do Dongyul e do Seokjin, me chamo Yebin. Quero te mostrar um pouco da escola, tudo bem?
— Claro! — Afirmei com a cabeça.
Yebin fez questão de me mostrar cada detalhe, as diversas salas e ambientes recreativos.
Ela me explicou como tudo funcionava.
Contou que fundou aquela escola junto com uma amiga, que elas decidiram criar um ambiente para crianças com deficiência auditiva que tinham dificuldades para se integrar em escolas.
A escola de Yebin funcionava como um lugar de aprendizado e passagem, as crianças aprendiam sobre o que precisavam e se fortaleciam para depois conseguirem ir para uma escola regular, sem medo dos julgamentos e das limitações.
— Don estuda comigo desde pequeno, quando começou a perder a audição. — Comentou com um sorriso triste. — Eu sou apenas a professora, não sou amiga da família, mas ainda assim.. — Ela pausou por um segundo. — Fico triste.
— Triste?
Estávamos sentadas na sala dela, que era um lugar aberto cercado por plantas. Yebin disse que queria conversar comigo antes, nos conhecermos um pouco para assim começarmos as aulas. Acertamos o valor e ficou combinado de que todos as segundas, naquele mesmo horário, eu teria aulas com ela.
— Sim. — Ela suspirou pensativa. — Don sempre teve aulas particulares, em casa. No começo, achei que era apenas insegurança da família com o meu programa escolar, mas até hoje, mesmo quando eu falo sobre a idéia, Seokjin não permite que ele venha ter aulas aqui, muito menos em uma escola regular.
— Ele nunca veio aqui ter aulas? — Falei um pouco surpresa.
— Nunca, e isso me preocupa. — Ela balançou a cabeça. — Dongyul é um menino muito inteligente e amável, mas ele não tem contato com outras crianças, não interage com muitas pessoas diferentes e eu tenho medo que isso o prejudique no futuro.
No começo, eu não entendi quando ela começou a puxar assunto sobre aquilo, não entendia o motivo de começar a falar e se abrir em relação a Don, até que ela colocou as mãos dela sobre as minhas, que estavam apoiadas na mesa.
— Kim Seokjin me contou que você queria aprender a linguagem de sinais por causa do Don. — Ela sorriu. — Na verdade, ele meio que me falou naquele jeito ríspido dele, mas acho que é a mesma coisa. — Riu. — E eu pensei que talvez, se fosse entrasse em contato com a nossa escola, se visse como tudo funciona, fosse capaz de mudar a cabeça do Kim, para permitir que Don viesse para cá, já que você é amiga da família.
E então eu entendi.
Ela se preocupava com Don.
Na verdade, ela parecia se preocupar com cada criança que era aluno dele. Aquele era um ótimo exemplo de amor pela profissão.
Mas ela mal sabia que minha palavra não teria efeito nenhum sobre Seokjin. Porém, ainda assim, eu tentaria.
Eu conseguia ser muito convincente e persuasiva quando queria, então eu esperava que Seokjin estivesse preparado para quando eu tocasse naquele assunto.
Yebin quando esclareceu aquele pedido, começou a focar em mim. Questionou-me sobre o que eu já sabia, sobre as coisas que aprendi e então começou a montar um cronograma especial de estudos para mim. Ela afirmou que se eu me dedicasse, logo estaria sabendo muitas coisas.
Ela estava terminando de anotar o que tinha me explicado quando meu celular começou a tocar, era Jackson.
Como já estava de noite, eu imaginava que era apenas ele me ligando para me pedir para sair com ele, então, desliguei.
Assim que a ligação foi finalizada, ele me ligou novamente, o que era estranho.
Jackson não insistia em ligações.
Ergui meus olhos para Yebin e sorri.
— Desculpa, um minuto. Preciso atender isso.
— Claro! Fique a vontade.
Levantei-me e afastei-me um pouco, atendendo a chamada.
— Jackson?
A ligação foi invadida por barulhos altos, um som de sirenes de carros da polícia, pessoas gritando, parecia uma verdadeira confusão. Meu corpo logo ficou tenso, já estava de noite e Jackson não trabalhava no turno da noite. Mas então por que sua ligação parecia como se ele estivesse na cena de um crime?
— (S/n)? Onde você está?
— Estou naquela escola que te falei, lembra? — Mordi a ponta dos lábios. — Que barulho é esse aí? O que está acontecendo?
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, eu ainda conseguia ouvir as outras vozes.
— Temos um grande problema, acho melhor você vir aqui..
Jackson estava sério.
Ele nunca era sério.
Algo tinha realmente acontecido e eu tinha certeza de que não era nada bom.
══ ♥ ══
E vamos acabar por aqui kkkk
Oi, meu amores aaa
Como estão?
Desculpa pelo capítulo um pouco mais curto e desculpa também por qualquer erro, aproveitei o dia para ficar com a minha mãe.
Enfim, espero de verdade que tenham gostado e estou LOUCA para saber a teoria de vocês sobre a ligação do Jackson kkkk
Infelizmente, a maratona acaba hoje :(
O que mais gosto em maratonas é que de alguma forma eu me sinto mais conectada com vocês, então prometo que se eu conseguir escrever mais capítulos adiantados, eu faço outra maratona!
Ps: já montei a playlist com as músicas para "Amor Criminal", está na minha bio!
Ficamos por aqui.
Tenham um ótima semana e se cuidem.
Até domingo que vem!
By: leticiaazeneth ❤️
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