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"Um coração machucado e trancado precisa de um coração aberto e disposto para curá-lo e fazê-lo amar novamente, com cada batida dentro do peito."
══ ♥ ══
Arrastei Hejin para o quarto, impedindo que Jongdae continuasse a afetando.
Eu achava a cena até cômica, mas já estava acostumada.
Jongdae era a pessoa mais lenta e desligada que eu conhecia, muitos o julgavam por isso, ele tinha um grande coração, mas não conseguia entender as coisas logo de cara, ele sempre era amável com todos, mas no fundo, eu sabia que tinha dificuldades para acreditar que alguém pudesse o amar daquela forma.
Já Hejin era o oposto. Confiante, determinada, decidida e falava tudo o que pensava, mas quanto o assunto era Jongdae ela tratava e não conseguia ser a pessoa confiante que eu conhecia.
Quando chegamos no quarto eu pedi para que ela que me levasse até a casa da família Kim, não estava com vontade de dirigir hoje, eu, na verdade, não gostava muito de dirigir. Se ela me levasse, eu poderia voltar de ônibus, o que me permitiria andar até o ponto e aproveitar mais o dia.
Eu gostava de aproveitar os detalhes.
Mesmo que ela ainda estivesse chateada comigo por tê-la acordado, ela concordou em me levar.
Nos arrumos e nos despedimos de todos, seguindo até a garagem.
O carro de Hejin era um carro esporte, todo modernizado.
Ela tinha conquistado tudo com muito esforço. Vinha de uma família que nunca a ajudou muito, no entanto, ela batalhou até se tornar uma das editoras da maior revista de moda da Coréia.
Pegamos o caminho mais longo, tínhamos mania de conversar no carro.
Quando chegamos ao condomínio minha entrada já estava liberada, Hejin ainda tinha uma vaga lembrança de onde ficava a casa da família Kim, dessa forma, não demorou muito para chegar em frente à grande construção.
Ela parou o carro na entrada, eu me despedi dela e desci, a observando ir embora logo em seguida.
Virei-me e fitei a casa antes de subir os degraus rapidamente.
A entrada era ainda mais bonita de dia.
Olhei ao redor, analisando as casas.
Era tudo muito exagerado e grande, eu não sabia se conseguiria morar em um lugar como aquele, eu gostava bem mais de lugares como o apartamento de Jongdae, pequenos e confortáveis.
Toquei a campanhia e poucos segundos depois a Senhora fofa e simpática apareceu, a roupa bem passada e o sorriso alegre nos lábios. A governanta da casa.
Ela era muito pequena, com traços delicados.
— Bom dia! — Cumprimentei sorrindo.
— Oh, minha jovem. — Ela pareceu se lembrar de mim. — Muito bom revê-la, venha, entre. — Afastou-se um pouco para liberar minha passagem.
— Obrigada.
Ela fechou a porta atrás de mim e me acompanhou até a sala da entrada, ela andava em passos rápidos, o salto batendo contra o piso.
— Você quer alguma coisa? Está com fome? — Ofereceu.
— Não, estou bem, muito obrigada. — Sorri e notei como ela ainda me olhava, parecia esperar que eu falasse algo. — Eu vim para a aula com a professora de linguagem de sinais hoje. — Comentei.
Os olhos confusos dela me analisaram, notei como sua cabeça tombou um pouco para o lado.
— O Senhor Kim cancelou a aula.
— Ele cancelou a aula? — Balancei a cabeça como se tivesse escutado errado. — Por que ele não me avisou? — A última pergunta tinha sido retórica, mas ela negou com a cabeça.
— Bom, não sei. Espere aqui na sala, o Senhor Seokjin está um pouco ocupado, ele já vem te atender.
— Ah, claro. Obrigada. — Sentei-me em um dos sofás, quase afundando para trás, já que ele era muito grande.
Ela se reverenciou rapidamente antes de sair e me deixar sozinha.
Suspirei, me encostando contra o estofado. Não sabia o motivo de Jin ter cancelado a aula e sabia ainda menos o motivo dele não ter me avisado.
O silêncio na casa era grande, meus olhos foram observando todos os lados, analisando os detalhes de tudo ao meu redor, parecia que tudo na casa estava sempre no lugar perfeito, os móveis brilhavam.
Tinha medo de me mexer e acabar estragando algo que eu tivesse que trabalhar minha vida inteira para pagar.
Estava distraída, olhando para uma foto de Don pequeno, que estava em cima da lareira, quando comecei a ouvir um toque baixo, um toque suave de um violino, era uma música bonita, muito calma, mas também triste. O som estava baixo, mas ele agradava meus ouvidos de uma forma única.
Eu era uma grande fã de músicas, gostava de instrumentos, das batidas, do som, e aquele toque ao fundo estava prendendo minha atenção.
Levantei impulsiva e comecei a andar pelos cômodos devagar enquanto a música me deixava um pouco enebriada, parecia que eu estava desligada do meu corpo e a música apenas me conduzia.
Fui andando até a escada e quando notei, já estava subindo os degraus para o segundo andar, onde a música estava mais alta.
Quando cheguei no segundo piso segui por um corredor, lembrando que eu tinha estado naquele local da última vez que estive na casa. Era uma área aberta, que conectava vários quartos diferentes, onde a grande pintura da família Kim estava estampada na parede.
O toque suave do violino vinha de um quarto com a porta entreaberta.
Aproximei-me da porta e estava prestes a bater na madeira quando meus olhos pararam sobre a figura esbelta de Seokjin.
Ele estava dentro do quarto, de costas para mim, usava um avental no corpo e segurava um pincel.
A música do violino vinha de um pequeno aparelho de som no canto.
Jin estava pintando uma tela, as mãos ágeis escolhendo as tintas, o corpo indo de um lado para o outro enquanto ele se aproximava da tela. Eu não sabia explicar, mas aquela era uma cena muito bonita. Era como se naquele momento eu estivesse vendo outra face dele, uma metade sua que ele não deixava ser vista.
Ele se inclinou sobre as tintas, escolhendo um tom escuro de azul e depois um tom mais acinzentado, misturando e colocando tudo na tela. Não via seu rosto, mas conseguia imaginar as sobrancelhas dele curvadas, os lábios crispados e os olhos atentos na pintura.
Seokjin estava diferente, parecia brilhar na sua melhor forma.
E com aquele sentimento, eu dei um passo para trás. Eu estava invadindo a privacidade dele, não tinha o direito de ficar espiando por aí.
Eu não gostava que invadissem minha privacidade, sendo assim, eu não podia invadir a de ninguém.
No entanto, quando dei mais um passo para trás, acabei esbarrando em uma mesa de centro, derrubando um porta-retrato no chão.
Virei-me desesperada e assustada, pegando a imagem do chão e a colocando no lugar onde estava, porém, quando me virei, preparada para descer as escadas e voltar a me sentar no sofá do andar de baixo, meus olhos foram atraídos para a porta do quarto.
Jin estava parado na entrada, seu rosto estava sério enquanto me fitava, uma pequena mancha de tinta preta estava em sua testa, ele ainda segurava o pincel na mão.
Ele não pronunciou nenhuma palavra, apenas continuou me olhando com muita intensidade.
Eu me senti exposta e também muito mal.
— Me desculpa! — Curvei-me e fiquei naquela posição. — E-eu estava lá embaixo te esperando, mas a música me atraiu e eu não sei o que deu em mim. Não deveria ter ficado te espiando, mas você estava pintando com tanto amor que eu fiquei meio hipnotizada. — Continuei daquele jeito, curvada, olhando para meus pés.
Eu odiava mentiras, meias verdades, omissões ou qualquer coisa do tipo. Não suportava...por isso estava sendo sincera e falando para ele que eu realmente tinha visto ele pintando.
— Sua sorte é que hoje estou de bom humor. — Ergui a cabeça, enquanto ele ainda me encarava sério. — Não gosto que fiquem me espiando. — Deixou claro.
Seokjin estava sério, mas de alguma forma suas ações e seu corpo pareciam mais leves, talvez aquele fosse o efeito da pintura nele. Talvez desenhar e pintar fossem capazes de deixá-lo bem.
— Desculpa mais uma vez. — Juntei as mãos em um pedido de súplica. — Eu sei que não deveria ter feito isso, eu apenas ouvi a música e-
— Eu te entendo.
— O quê?
— A música te atraiu, eu te entendo.
— Entende?
— Sim, essa música tem o poder de atrair as pessoas. — Vislumbrei um vulto de tristeza em seus olhos. Ele estava parado na entrada da porta, o pincel repousando em sua mão. — Minha mãe tinha esse dom de encantar as pessoas com a música.
Ele gostava de pintar ouvindo a mãe tocar violino?
Por um momento notei uma brecha na sua armadura, uma pequena rachadura. Dei um passo para a frente, os olhos dele encontraram os meus e sua postura rígida retornou, ele estava se fechando.
Eu não conhecia totalmente Kim Seokjin, era impossível conhecer alguém de um dia para o outro.
Porém, parecia que cada dia eu via novas partes dele.
— Mas ainda assim, é muita falta de educação espiar os outros, (S/n).— Um sorriso irônico se apossou dos seus lábios. — O que faço com você?
Era um alívio saber que ele não estava com raiva de mim, eu queria que ele me falasse mais da mãe dele, talvez me mostrasse mais músicas. Só que algo me dizia que Seokjin não gostava de lidar com aquelas emoções.
Sendo assim, sorri e inclinei a cabeça enquanto juntava as mãos na frente do corpo.
— Eu acho que o que você tem que fazer é me deixa ver o resto do desenho que está fazendo.— Arrisquei.
Ele apertou os olhos em minha direção, o pincel dançava entre seus dedos.
— Parecia muito bonito, eu só queria ver um pouco mais. Só isso. — Justifiquei.
E era verdade, eu tinha tido apenas um leve vislumbre do desenho de Jin e eu sabia que a forma mais fácil de conhecê-lo era por meio dos seus desenhos.
Não que eu estivesse muito interessada em conhecê-lo, eu apenas achava necessário.
Se teríamos que conviver juntos, por mais que ele sempre tentasse me irritar em todos os momentos, eu preferiria que fôssemos amigos.
Eu achava que isso era possível, se eu soubesse a forma certa de me aproximar dele. Não queria que todo o progresso fosse desperdiçado por uma atitude errada.
Eu não era o tipo de pessoa que se renegava a fazer novas amizades, não iria afastar Seokjin apenas pelo fato dele ser grosso, mandão, cheio de si e irritante. (Por mais que fosse tentador bater nele toda vez que ele abre a boca para falar alguma frase irritante. Eu não prometeria não bater nele, mas tentaria ser mais paciente).
Esse era o jeito dele, bom, ao menos um dos jeitos que eu conhecia, e se ele era assim, eu iria me esforçar para encarar aquela situação com suavidade.
Notei como seus ombros suavizaram um pouco e ele me deu as costas, entrando para o quarto sem dizer nenhuma palavra.
Entendi aquilo como um convite e entrei.
Era um quarto enorme, com duas grandes janelas. O chão era coberto por uma lona branca, repleta de respingos coloridos. As paredes estavam decoradas por várias telas, algumas pintadas, outras cobertas. Aquele ambiente gritava inspiração.
Os desenhos dele eram lindos, chamativos, impactantes.
— Sinta-se privilegiada. — Ele resmungou abaixando a música, o toque do violino ficou apenas ao fundo. Meus olhos foram direcionados para ele. — São poucas as pessoas que entram aqui.
— Eu me sinto privilegiada. — Confessei.
Ele me encarava de forma curiosa enquanto eu ia até a tela que ele estava pintando há alguns segundos.
Era um desenho abstrato, marcado por cores escuras e um pouco melancólicas, parecia um buraco negro, eu sentia como se minhas emoções estivessem sendo puxadas por ele.
Os traços me traziam certa familiaridade, eu nunca tinha visto um desenho de Seokjin de tão perto, mas parecia que eu conhecia seus traços, como se eu pudesse reconhecê-los.
— É bonito...mas muito triste.
— Você acha? — Ele agora estava parado ao meu lado, também olhando para o quadro.
— Acho, o desenho tem um movimento, uma força, mas ao mesmo tempo uma sensibilidade, não sei explicar. Eu sinto como se todos os meus sentimentos fossem sugados por ele, e no final, eu ficasse vazia.
— Como você..— Jin começou a falar, mas parou por alguns segundos, olhando-me com o canto dos olhos. — Ninguém nunca interpretou um dos meus quadros desse jeito, tenho certeza que muitos diriam que é só um monte de tinta.
— É o que eu sinto. — Dei de ombros e estendi a mão para pegar na tela, porém, Jin segurou meu pulso no mesmo instante.
O reflexo dele foi tão rápido que logo sua mão estava contornando meu pulso.
Mas não era um toque rígido, pelo contrário, sua mão era macia, seu toque era suave. Aquela era a mão de um verdadeiro artista, eu sabia reconhecer.
— Não toque! — Alertou. — Ainda está molhado, não está vendo? — Questionou ríspido.
Assim que sua mão soltou meu pulso, eu me virei para ele.
— Desculpa.
Ele soltou o ar impaciente e colocou as mãos na cintura, o pincel já não estava mais em sua mão, agora repousava em uma mesa.
— Pronto, já deixei você ver o que queria. — Afirmou pronto para me expulsar do cômodo.
Ignorei sua tentativa de me expulsar e olhei para a sua testa.
— Você tem muita inspiração. — Comentei risonha enquanto o encarava.
— O quê?
— Você estava muito inspirado. A inspiração está gritando no seu rosto. — Ri enquanto ele me olhava confuso. — Tem tinta na sua testa. — Esclareci.
Ele ergueu a mão e notou que estava sujo, pegando um pedaço de pano e limpando o local.
Era estranho vê-lo com aquelas roupas, sujas de tinta. Ele parecia mais ele, de alguma forma, parecia mais verdadeiro.
Seokjin esfregava a testa enquanto eu o olhava, o motivo de eu estar ali logo voltou a minha mente.
— Hm, soube que você cancelou a aula que teríamos hoje....
Seokjin se sentou no banco em frente à tela, ainda com o pano nas mãos.
— Cancelei. — Falou simplista.
— E por que não me avisou? — Cruzei os braços.
— Queria que você perdesse tempo vindo até aqui para nada. — Comentou com um sorriso fino, de lábios fechados.
— Como? — Questionei indignada. Meus olhos fitaram uma tela vazia ao meu lado, avaliando se seria muito ruim o estrago se eu enfiasse a cabeça de Seokjin nela.
— Estou brincando. — Ele riu, uma risada leve, algo raro em suas feições. — Não sou tão ruim assim, (S/n)!
— Eu duvido. — Rebati. — Você deve ter uma agenda secreta onde escreve todas as coisas ruins e os planos maléficos que vai fazer. Estou começando a achar que você anotou em letras bem grandes: "Tirar a paciência da (S/n)!"
— Eu não tenho uma agenda, isso é patético. — Ele esfregava as mãos, ainda sujas de tinta. — Trabalho com improvisação, fazer você ficar sem paciência é fácil.
— Não me provoque. — Apertei os olhos.— Acabou de admitir que você tem uma mente maléfica.
— É, talvez eu tenha mesmo. — Ponderou.
O analisei, vendo como ele se divertia ao me irritar.
— E como essa mente maléfica sabia qual era minha conta do Instagram?
Notei um sorriso de esgueira em seus lábios, fino e discreto.
— Não sei do que você está falando.
— Sabe sim! Como me achou?
— Quando meus advogados te processarem por postar fotos do Don, talvez você descubra.
— Você não vai me processar. — Murmurei revirando os olhos.
Ele riu e passou a mão pela nuca, como se alongasse o pescoço.
— Mas enfim, como você tinha me perguntando, eu tenho um motivo para não ter te falado do cancelamento. — Tentou ficar mais sério, mudando para outro assunto.
Eu ainda estava me decidindo entre olhar para seu rosto ou analisar cada uma das lindas pinturas expostas na parede.
— E qual é?
— Antes de tudo, eu cancelei a aula pois vou ter uma reunião daqui a uma hora, mas eu liguei para a professora... — Ele se inclinou e pegou um papel dentro de uma gaveta no armário atrás dele, depois o estendeu para mim. — Eu marquei com ela aulas para você na segunda, na escola que ela tem no centro, depois do seu trabalho. Ela conseguiu abrir uma vaga para você.
Peguei o cartão com ele, vendo que era o número da professora.
Eu sabia que o fato dele ter conseguido uma vaga para mim era por ele ser um Kim, um nome de influência.
— Você fez isso mesmo? — Olhei para ele e sorri. — Eu já disse uma vez, mas digo novamente, você é amável. Não acredito que fez isso.
Ele me olhou com um sorriso irônico, jogando os cabelos para trás.
— Primeiro, já conversamos sobre isso, eu não sou amável. — Deixou claro. — Em segundo, eu não fiz isso por você, fiz pelo Don. Espero que você não o decepcione! Ele está animado por saber que você vai fazer essas aulas para falar melhor com ele.
— Eu já disse que não vou decepcioná-lo. — Falei com convicção, ele parecia ter aquele receio. Porém, eu jamais faria algo para machucar Dongyul.
Os olhos de Seokjin continuaram fixos em mim, ele fazia aquilo com certa frequência.
— E foi pelo Don que eu também não te falei do cancelamento da aula, ele estava muito animado para te ver hoje e eu não queria deixá-lo triste.
Tombei a cabeça para o lado enquanto o olhava, notei como ele ficou com a postura mais ereta e me olhou com uma careta no rosto.
— Pare de me olhar desse jeito.
— De que jeito? — Questionei.
— Assim, como está fazendo agora. — Ele se levantou. — No que está pensando?
— Que uma pessoa que se importa e ama tanto um garotinho de sete anos, jamais poderia ter um coração ruim. Estou começando a achar que você apenas finge ser o cara do mau. — Provoquei.
— Certo, acho que o cheiro da tinta está mexendo com a sua cabeça. — Uma risada cínica saiu dos seus lábios. — Minha cota de bondade por hoje acabou, você já pode sair daqui e faça o favor de nunca mais ficar espiando por trás da porta. — Falou sério, me fazendo revirar os olhos sorrindo.
— Você tem que parar com essa mania de mudar de humor, Jinnie
— É um dom. — Afirmou rangendo os dentes, me olhando feio. — Você não para com esse apelido idiota.
— E onde Dongyul está? — Ignorei sua irritação, tentando esconder o sorriso nos meus lábios.
— Ele está em uma consulta com o Hoseok, eles já devem estar chegando. — Suspirou ainda me encarando.
Aquele ponto sempre me deixava preocupada. Eu não sabia como era a saúde de Don, não sabia pelo que ele passava e o motivo de tais cuidados com ele.
— Hoseok é médico dele também? Confesso que fiquei surpresa quando descobri, durante a semana, que ele era médico.
— Como você descobriu isso? Eu não te contei. — Questionou curioso, as sobrancelhas erguidas.
Aquela era a primeira vez que eu via Seokjin falar tanto e estava satisfeita com isso, não sabia por qual razão ele tinha começado a se comunicar mais, mas eu estava gostando disso.
— Eu o encontrei. — Apoiei-me contra a parede. — Ele parece ser uma pessoa incrível, fazendo trabalhos voluntários e sempre com aquele sorriso simpático.
— Sim! Sim! Ele é uma pessoa incrível. — Jin completou desinteressado.
Franzi a testa, as costas ainda contra a parede, deixando minhas mãos apoiadas contra minha barriga.
— Até ele tinha visto nossa matéria no site de fofocas. — Suspirei pensativa. — Nem sei se ainda existe uma pessoa que não viu aquela matéria. — Sussurrei.
— Esta semana aparecemos em alguns outros sites, você deve ter visto.
— Infelizmente eu vi, as pessoas estão especulando várias coisas e eu tenho a impressão de que isso apenas vai aumentar.
Eu tinha ignorado muitas das reportagens que tinham saído sobre mim, tentando não pensar muito.
— Eu sou acostumado com esse tipo de exposição. — Seokjin falou simplista, usando o pano para limpar as mãos.
— Eu só odeio tudo isso, sabe? — Dei de ombros. — Um monte de gente falando de mim como se me conhecesse, como se soubessem o que eu sinto, é horrível. Ninguém tem o direito de ficar falando desse jeito de mim, me julgando e...— Suspirei. — Eu não gosto.
— Apenas não gosta?
— Para ser sincera, tem mais coisas além de apenas não gostar. — Comentei um pouco pensativa e ao erguer minha cabeça fiquei surpresa ao ver que ele estava com os olhos fixos em mim, esperando que eu continuasse a falar.
Eu não costumava a falar sobre aquilo. Na verdade só me abri duas vezes, com minha psicólogo há anos e com Hejin, que sabia sobre cada detalhe de mim.
Porém, por alguma razão, eu sentia aquela vontade de me abrir mais para ele.
Seokjin definitivamente era uma pessoa que me intrigava, seu jeito, suas respostas, seus olhos e as possibilidades infinitas que eu via atrás deles.
Esfreguei minhas mãos uma na outra, ainda o olhando.
Aquela era uma história velha, eu já tinha superado, e por algum motivo eu não me sentia nervosa ao querer contar para o Kim parado em minha frente.
Se eu desse o primeiro passo, se eu fosse capaz de me abrir um pouco e mostrar para ele que eu só queria me aproximar, ele abaixasse a guarda e me deixasse entrar por trás dos seus muros.
Era mais uma daquelas sensações.
A mesma de quando eu toquei em um distintivo pela primeira vez e decidi ser detetive, a mesma de quando eu me meti em uma briga para ajudar Hejin, de quando eu cismei com o caso de Rj depois de ver um dos seus desenhos...e agora...aquela sensação estava ali novamente, o sentimento de que eu deveria me abrir.
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Oi, amores!
Como estão?
Como foi prometido, trouxe aqui mais um capítulo de AC para a nossa maratona aaa
Fiz a votação e o horário escolhido foi 17:00
Espero que tenham gostado do capítulo de hoje.
Estão curiosos para saber o que a (S/n) vai contar? Ela está abrindo o coração!! :(
Enfim, obrigada pelo carinho.
Desculpa qualquer erro!
Nos vemos novamente quinta-feira
Até logo!
By: leticiaazeneth ❤️
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