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"Eu cubro os seus olhos com as minhas mãos
Oh, me aproximo do segredo.
Eu vou te levar para um mundo completamente novo."
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══ ♥ ══
Passamos o resto da noite juntos, eu, Jongdae e Jungkook, conversamos sobre vários assuntos enquanto riamos e deixávamos a brisa da madrugada nos abraçar, já que ficamos na varanda.
Jeon foi embora quando já era muito tarde, afirmando que se ficasse mais tempo não acordaria no dia seguinte para ir trabalhar.
Eu tinha gostado de passar aquele tempo na companhia dele, vendo outro lado seu que não fosse o homem da delegacia.
Eu e Jeongdae arrumamos a pequena bagunça e fomos nos deitar.
Meu corpo estava dolorido e como eu sabia que amanhã seria um longo —LONGO— dia, tudo que eu queria e precisava era de uma boa noite de sono.
Pela manhã, acordei cedo. Jongdae estava jogado no sofá, em um sono profundo.
— Jongdae. — Mexi no rosto dele para ver se lhe acordava. — Você me pediu para te chamar quando eu acordasse...
— Humrum — Ele murmurou ainda de olhos fechados.
— Você tem que acordar.
— Estou acordado. — A voz sonolenta dele era evidente.
— Você nem abriu os olhos. — Resmunguei e comecei a puxar o cobertor dele, o vendo choramingar. — Você tem que trabalhar. — Ri enquanto ele tentava abrir os olhos.
— Não quero. — Se sentou de forma relutante e soltou um grande suspiro, tentando arregalar os olhos, era uma cena engraçada, seus cabelos estavam completamente bagunçados.
— Mas precisa. — Joguei o cobertor de volta nele e fui andando para o quarto. — E não durma novamente, eu volto para te acordar.
— Sim, senhora. — Rebateu em um resmungo.
Não demorei muito para sair de casa e tive que tomar café da manhã no caminho com as coisas que comprei em um mercado, a casa de Jongdae não tinha nada e eu sabia que ele iria para a casa da nossa mãe para tomar café. Ele era folgado.
Troquei apenas algumas mensagens com Jin, confirmando que ele levaria Don para o parque.
Estava ansiosa para ver Dongyul e, infelizmente, teria que aguentar Seokjin.
Como iria almoçar com a família Kim e encontraria com Don, apenas fiquei algumas horas da manhã trabalhando.
Jackson reclamou por saber que ele ficaria encarregado de fazer todas as coisas sozinho, e além de tudo, teria que ajudar a senhora Choi com alguns papéis da delegacia.
Sai do trabalho às dez horas.
O sol estava alto e claro, poucas nuvens se encontravam no céu e era uma linda manhã para ir ao parque.
A grande área florestal não ficava muito longe, sendo assim, decidi ir caminhando.
As ruas estavam movimentas e não demorou mais que quinze minutos para que eu chegasse no meu destino final.
O parque era enorme, com grandes campos e árvores por todos os lados, muitos pais gostavam de levar os filhos para lá.
Fui até um dos bancos, sentando-me enquanto arrumava minha blusa.
Tinha combinado com Seokjin de nos encontramos naquele parque, naquele horário.
Meus olhos percorreram a região, focando em uma barraca de sorvete, eu gostaria de levar o Don para tomar um sorvete assim que ele chegasse, mesmo que ainda fosse de manhã. Sabia bem que Seokjin implicaria com isso.
— Dongyul, não corra! — A voz urgente do Kim chegou aos meus ouvidos fazendo com que eu me virasse a tempo de vê-lo gesticulando alguma coisa na linguagem de sinais, no entanto, Don já estava correndo em minha direção.
— Yah! Don. — Abri meus braços e ele se jogou em cima de mim enquanto sorria, me abraçando.
— Eu disse para ele não correr. — Jin parou em minha frente e meus olhos o analisaram de forma curiosa. Ele não estava usando os ternos ou as roupas chiques que costumava a usar, ele estava com uma calça jeans e uma blusa rosa de botões, e de alguma forma combinava muito nele, mas eu nunca imaginaria que ele usasse. O Kim colocou as mãos nos joelhos, parecendo cansado, o que me fez rir.
Don se afastou de mim e sorriu, olhando para o meu rosto.
— Uau, eu só te vi há alguns dias, mas já parece que você cresceu muito!
Ele gesticulou com as mãos e Seokjin se sentou ao meu lado.
— Ele está dizendo que sentiu sua falta. — O Kim respondeu recuperando o fôlego.
— Eu também senti sua falta. — Falei olhando para Don, em seguida, inclinei a cabeça na direção de Jin. — Você cansou seu tio, ein? Ele já está muito velho, você precisa ir com calma.
Don colocou as mãos na boca como se segurasse uma risada.
— ha ha ha, engraçada você. — Seokjin resmungou, a expressão séria enquanto me fitava. — Muito bom te rever, (S/n).. — Sua voz estava carregada de ironia, o que me fez sorrir e revirar os olhos.
Voltei minha atenção para Dongyul, que me observava com os olhos curiosos.
— Como você está, hun? Quero saber! — Ele estava parado em minha frente, no mesmo momento começou a me responder.
— Ele está dizendo que está estudando muito, consegue escrever bem mais rápido agora e que ele... — Seokjin deu uma pequena pausa e depois continuou. — que ele quer começar logo as aulas de desenho comigo.
— Aulas de desenho? — Olhei para Jin, automaticamente a grande pintura que vi na sua casa me veio à memória.
— Sim, eu prometi para ele há muito tempo que quando ele fosse um pouco maior eu o ensinaria a desenhar, acho que ele já está pronto e decidimos que vamos começar na semana que vem. — Seokjin esclareceu.
Don gesticulou animadamente e o Kim ao meu lado inclinou a cabeça com um sorriso discreto.
— Ele disse que eu desenho bem e que um dia ele quer desenhar muito bem também.
— Você já desenha. — Afirmei segurando nas pequenas mãos dele, o vendo sorrir.
As risadas altas das crianças aumentavam conforme mais delas chegavam ao parque. Os olhos de Don foram atraídos para o parquinho ao nosso lado, com vários brinquedos diferentes. Don observou as outras crianças brincando e seus olhos brilharam em expectativa.
— Você quer ir lá? Até os brinquedos. — Ele me olhou e eu lembrei de repetir a pergunta, já que ele não estava me olhando antes e não conseguiu ler meus lábios.
Don afirmou com a cabeça e olhou para o Tio em seguida, como se pedisse permissão.
— Não sei se é uma boa ideia. — Seokjin pronunciou cauteloso.
— Por que não? — Questionei intrigada. — Ele só quer brincar um pouco.
— Ainda assim, ali está cheio de crianças, os brinquedos podem ser perigosos também.
— Relaxe, Don não é de vidro. — Peguei Dongyul pelos ombros e o sacudi. — Está vendo? — O garotinho riu e afirmou com a cabeça, em seguida, gesticulou com as mãos na direção de Seokjin.
— Mas...
— Don, preciso urgentemente aprender a linguagem de sinais para conversar com você e a gente não precisar mais do Jinnie para ser tradutor. Assim vamos conseguir sair sozinhos e nos divertir.
Seokjin franziu as sobrancelhas, me olhando feio.
— Não me chame assim, já falei. — Repreendeu. — E eu sou divertido.
— Você não é nem um pouco divertido. — Ri. Don apenas nos observava esperançoso, desejando que eu convencesse seu tio a deixá-lo ir brincar. Inclinei-me usando uma das mãos de apoio no banco e senti o momento exato em que uma farpa entrou em meu dedo. — Porra... — Resmunguei e ergui a mão. — Ah, que maravilha. — Eu odiava farpas.
Quando ergui os olhos da minha mão vi que Don me observava intrigado, no instante seguinte ele olhou para Jin, perguntando algo.
— O quê? — Seokjin negou com a cabeça. — Não repita isso. — Pediu, direcionando um olhar irritado para mim logo em seguida.
— O que foi?
— Você falou um palavrão, e agora Don está me perguntando o que ele significa.
— Ele não sabe o que é por- — Parei de falar a palavra no meio, vendo que os olhos curiosos de Don nos observavam. — Ele não conhece a palavra com p?
— Não, e nem deveria.
— Imagino o tipo de bolha que você coloca ele. — Resmunguei baixo. Não que eu fosse a favor de ensinar uma criança a falar palavrões, eu não era, claro que não. Mas saber que Don nunca tinha ao menos escutado aquela palavra, deixava claro o quanto ele não interagia com as coisas ao seu redor. — Esqueça essa palavra, Don. — Falei calmamente. — É só o meu jeito idiota de falar das coisas da vida, um jeito só meu e que você não pode repetir, tudo bem?
Don pareceu pensativo, ele afirmou com a cabeça e depois me olhou por alguns segundos.
Ele se aproximou um pouco de mim e tocou na ponta do meu nariz, em seguida, abriu um grande sorriso.
O olhei confusa e voltei minha atenção para Jin, esperando que ele me explicasse algo.
Seokjin estava com as sobrancelhas erguidas e a boca entreaberta. Don ergueu as mãos e disse algo para ele.
— Ele pediu para te dizer que ele também tem uma forma única de dizer as coisas, e que quando ele tocar o seu nariz é para dizer que te ama. — Jin sorriu de lado. — Não é a forma de falar verbalmente "eu te amo", não é a forma de falar "eu te amo" em libras, é a forma do Don de falar "eu te amo" e ele só usa com poucas pessoas. — Seokjin ergueu os olhos para mim. — Sinta-se privilegiada.
— Don... — Murmurei chorosa e também toquei o nariz dele. — Não faça essas coisas, eu sou muito sentimental.
Dongyul sorriu e Jin balançou as mãos, chamando nossa atenção.
— Você pode ir lá brincar, só tome cuidado. — Pediu. Vi o pequeno garoto comemorar antes de sair em direção aos brinquedos. Seokjin virou seu corpo e me olhou. — Ele está mais seguro lá, longe de você e suas palavras sujas.
Acabei rindo, ainda sentindo meu coração quente pela atitude de segundos atrás.
Meu dedo ainda parecia latejar um pouco, o ergui e fitei a pequena farpa.
— Vai ficar ai, eu não vou tirar.
Jin ergueu um pouco o corpo e me olhou.
— É só uma pequena farpa, só tirar rápido. — Resmungou como se eu estivesse fazendo drama.
Arqueei as sobrancelhas e o olhei indignada, balançando meu dedo bem perto do seu rosto.
— Olha isso!!! É um negócio enfiado no meu dedo, dentro da minha pele. — Falei mais alto. Seokjin revirou os olhos. — Não estou exagerando. Se eu for puxar isso vai doer.
— Vem aqui, você vai ver como eu tiro rápido. — Ele esticou a mão para pegar a minha.
— Até parece que eu vou confiar minha vida a você. — Soltei uma risada irônica.
— Sua vida?
— Sim!
— Minha nossa, quanto drama por conta de uma farpa. — Ele foi mais rápido e conseguiu agarrar minha mão. Choraminguei enquanto ele pegava na ponta da farpa e a tirava do meu dedo. — Está vendo? — Ele a ergueu perto dos meus olhos. — Foi rápido e já tirei.
— Um minuto, deixa eu checar meus batimentos. — Levei os dedos para o meu pulso, fingindo estar preocupada com o meu bem-estar. Seokjin riu e eu ergui os olhos, sorrindo ladino. — Olha só, você sabe rir...
Ele pigarreou e parou de sorrir, voltando para a sua expressão séria.
— Vou ver como o Don está. — Levantou-se.
— E lá vamos nós, de volta para o Seokjin emburrado. — Sussurrei brincalhona e me levantei, o seguindo.
Dongyul estava em cima de um dos brinquedos, que parecia um pequeno castelo. Ele gesticulava e tentava explicar algo para um menino enquanto balançava a cabeça.
Notei que Seokjin ficou tenso ao meu lado, passando a mão pelos cabelos de forma angustiada.
— Acho melhor chamá-lo.
— Não! — Interferi rapidamente enquanto via Don e o garoto sorrindo. — Ele está fazendo amizade.
— Mas o garoto pode não ser muito gentil com ele, pode implicar de alguma forma. — Sua voz estava preocupada.
Foi naquele momento que eu entendi o motivo de Jin ser tão superprotetor com Don, talvez apenas um dos motivos, mas ele tinha medo de que o pequeno garoto sofresse preconceitos pela sua deficiência.
— Don é um garoto forte. — Afirmei com um breve sorriso. — Ele vai ficar bem, e qualquer coisa, estamos bem aqui.
Seokjin confirmou com a cabeça um pouco relutante, os olhos ainda analisando o sobrinho.
— Fique aqui olhando ele enquanto eu vou comprar sorvete para a gente. — Falei rapidamente.
— Sorvete? — Sua atenção veio rapidamente para mim. — Ele ainda não almoçou, doces somente depois do-
— O que? — Apertei os olhos e dei de ombros como se não o escutasse. — Não entendi o que disse. — Virei as costas para ele e comecei a andar até a barraca de sorvetes, fingindo que não tinha entendido suas palavras.
— Eu disse que o Dongyul não po-
— Ainda não consigo ouvir. — Balancei as mãos e falei um pouco mais alto. — Vou comprar os sorvetes e já volto. — Nem precisava me virar para saber que ele estava me olhando de forma reprovadora.
Andei até a pequena barraca e fiz o meu pedido, peguei três sorvetes e os paguei.
Quando me virei, na intenção de voltar até onde Don e Jin estavam, notei que o Kim não estava mais sozinho, agora um homem e uma mulher estavam com ele.
E...algo me dizia que eu os conhecia de algum lugar.
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Oi, amores!
Como estão?
O capítulo de hoje foi um pouco mais corrido e mil desculpas por isso.
Espero que tenham gostado e não se esqueçam de me contar aqui nos comentários o que acharam.
Se cuidem SEMPRE.
Amo vocês 💜
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