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Último Capítulo



Semanas depois...

— Onde você estava? Ficou sumida a manhã toda. — Perguntou Nicolay assim que entrei em minha sala.

— Bom eu... estava... — Tentei explicar, mas fui interrompida por General Carter entrando apressadamente.

— Parece que eles estão vindo! — Anunciou, interrompendo nossa conversa.

— Mas já? — Nicolay perguntou, visivelmente nervoso.

General Carter assentiu com um semblante triste.

— Sim. Parece que não podemos adiar mais.

Enquanto estávamos em treinamento, pedi para que alguns homens ficassem de tocaia perto de Brownwood, instruindo-os a me informar qualquer movimento de Leonidas o mais rápido possível. Estávamos nessa espera há muito tempo. Muito preparo, muitas horas dedicadas, e um esforço incansável. Agora, finalmente, chegava o momento crucial de enfrentar Leonidas, que certamente estava tão bem preparado quanto nós, se não mais.

Comecei a suspeitar que esse confronto era o que ele desejava desde o início: enfrentar o irmão e a mulher que, segundo ele, o traiu. Era como se tudo que tivéssemos feito até agora, todos os nossos esforços e estratégias meticulosas, estivessem convergindo para este momento decisivo. Sentia o peso da responsabilidade sobre meus ombros, sabendo que não apenas minha vida, mas a segurança de nosso reino estava em jogo.

— Nós temos que sair daqui imediatamente! General, chame Joseph e diga para ele preparar tudo para nossa partida hoje mesmo. Avise aos homens e mulheres que lutarão ao nosso lado. — Levantei-me da cadeira e saí da sala, determinada.

— Sim, senhora! — Respondeu o General, dirigindo-se rapidamente para organizar as ordens.

— Meredith! — Chamou Nicolay, alcançando-me no corredor.

— Eu não deveria, mas estou com medo. — Desabafei rapidamente, sentindo a tensão do momento pesar sobre mim.

Me virei para ele abruptamente, como se tivesse sido pega desprevenida e empurrada contra a parede, obrigada a admitir que estava com medo. Parecia que Nicolay podia ler meus pensamentos, e para economizar tempo, forcei-me a expor meus medos ocultos de forma clara.

Seu olhar era penetrante, captando não apenas minhas palavras, mas também a tensão visível em meu rosto e postura. Eu sabia que ele entendia a gravidade da situação, não apenas pela ameaça iminente de Leonidas, mas pelo peso emocional que carregávamos como líderes e como amantes.

— Meredith, nós vamos enfrentar isso juntos. Estamos preparados e unidos. — Ele tentou me tranquilizar, segurando delicadamente meus ombros.

Senti um leve alívio ao ouvir suas palavras, mesmo que o medo persistisse como um eco no fundo de minha mente. Estávamos prestes a entrar numa batalha que poderia definir o destino de nosso reino, e não havia mais tempo para hesitações.

— Fique calma, está bem? Vai dar tudo certo! Eu estou aqui com você. — Nicolay segurou minha mão e entrelaçou seus dedos nos meus.

— Eu vejo ele... — Uma lágrima escapou.

— Ele quem? — Perguntou Nicolay, delicadamente enxugando minhas lágrimas.

— Leonidas. — Abaixei a cabeça, receosa de encará-lo.

— E como você o vê? — Perguntou, confuso.

— Assim como vejo você. Eu queria contar antes, mas...

Nicolay me abraçou com firmeza.

— Eu te amo, Meredith. Nada nem ninguém vai mudar isso. Esqueça Leonidas. Depois de hoje, ele estará morto. — Disse, beijando minha testa com determinação.

— Eu também te amo, Nicolay. — Falei, abraçando-o ainda mais forte.

— Vamos acabar com merda hoje!

...

— Majestade. — Me saudaram Caroline, Cat e Emily.

— Onde ela está? — Falei baixinho, com medo de acordar minha bonequinha.

— A dorminhoca está dormindo. — Sorriu Caroline.

— Vocês podem ir agora, quero ficar um pouco a sós com minha filha. — Falei, me sentando perto do berço.

— Majestade? — Me chamou Cat.

— Sim? — Olhei para elas.

— Ficamos sabendo que partirão hoje. Vai dar tudo certo! — Me consolou.

— Eu sei. — Menti. — Obrigada! — Falei sorrindo.

— Com licença. — saudaram e saíram.

— Ei, minha pequena. A mamãe hoje tem uma missão difícil, mas logo estarei de volta. — Parei por um momento, olhando para ela pacificamente dormindo.

Respirei fundo e continuei.

— Nesse mundo, minha pequena, você vai encontrar pessoas boas e pessoas ruins. Você não precisa ser boazinha... Só precisa ser justa. Não tenha medo de correr atrás de seus sonhos, faça sempre o que o seu coração mandar. Seja você mesma e, o mais importante, seja forte. Enfrente, lute como uma mulher! Assim como os dois reinos vão lutar hoje. Eu te amo tanto, minha bonequinha. — Sua mãozinha ainda minúscula se enrosca no meu dedo com força, como se entendesse cada palavra que eu dizia.

— Majestade? — A voz de Lucas me surpreendeu, fazendo-me virar rapidamente em sua direção.

— Sim? — Levantei-me, pronta para agir.

— Estão todos te esperando lá fora. — Ele avisou, mantendo o tom sério e formal.

— Certo! Estou indo. — Respondi, pronta para enfrentar o que estava por vir.

Peguei minha filha e a levei junto comigo. Queria estar perto dela até os últimos minutos antes de sairmos. Ao chegar na área de treinos, fiquei impressionada com a quantidade de pessoas que estariam lutando ao meu lado. Homens e mulheres estavam todos ali, preparados e determinados. O ambiente ressoava com a tensão pré-batalha, mas também com uma energia de camaradagem e determinação palpável. Os soldados se movimentavam com propósito, ajustando armaduras, afiando armas e trocando palavras de encorajamento uns com os outros. O sol estava alto no céu, lançando uma luz dourada sobre o campo de treino, destacando os músculos tensos e os olhares determinados de cada combatente.

Meus sentimentos oscilavam entre o orgulho por ver tantas pessoas dispostas a lutar por nossa causa e a ansiedade pelo que estava por vir. Segurei minha filha mais perto, buscando força em seu olhar inocente e esperançoso. Estava pronta para liderar meu povo na batalha que se aproximava, sabendo que precisava ser forte não apenas por mim, mas por todos que confiavam em mim como sua rainha.

— Filhos dos dois reinos, gostaria de expressar minha profunda gratidão a todos vocês pela coragem e pela decisão que tomaram. Estamos partindo para afastar a guerra o mais longe possível de nossos filhos, nossas famílias, nossos lares.

Ao olhar para cada rosto determinado diante de mim, sinto um misto de orgulho e responsabilidade. Estamos prestes a enfrentar Brownwood e Lós, reinos tão poderosos quanto os nossos, mas quero que todos estejam cientes de que somos igualmente fortes e resilientes. Nossa união é nossa maior arma.

— Peço que lutem com o coração, com a determinação que brota de saber que cada passo dado hoje moldará o amanhã de nossos descendentes. Lutem não apenas por vitória, mas com a vontade de construir uma nova e bela história para nossos reinos. Levem consigo o amor pelo nosso povo, pela nossa terra, e pela paz que tanto desejamos preservar. Confio em cada um de vocês, em sua habilidade e coragem. Juntos, seremos imparáveis. Que a luz do sol que nos aquece hoje ilumine nosso caminho e nos guie para a vitória que buscamos. Que nossas ações hoje sejam um testemunho de nosso compromisso com um futuro melhor, não apenas para nós, mas para as gerações que virão. Avante, filhos dos dois reinos! Pelos nossos lares, pelas nossas famílias, pela paz e prosperidade que merecemos.

Todos ali presentes gritaram em uníssono, um coro vibrante que ecoou pelos campos de treinamento. Os rostos antes sérios se iluminaram com sorrisos determinados e olhares cheios de esperança. Homens e mulheres, soldados e guerreiros, unidos em um propósito comum, celebraram com fervor e determinação. Os gritos de encorajamento ressoaram no ar, misturando-se ao som dos tambores que marcavam o ritmo da preparação para a batalha.

— E quanto a vocês... Vamos acabar com a raça deles. — Falei para Kedra, Helena, Nicolay, Catarina, Rixon, Gerad, Lucas, Joseph e Lucky, reunidos em um círculo de determinação.

Nos abraçamos em grupo, cada gesto transmitindo apoio mútuo e a certeza de que estávamos juntos nessa batalha crucial.

— Amo todos vocês! — Concluí, com um sorriso apesar da tensão no ar.

A parte difícil era deixar minha filha para trás, mesmo sabendo que logo estaria de volta.

— Cuide dela, está bem? — Pedi a Victória, colocando minha filha em seus braços.

— Ela vai ficar bem. — Disse Nicolay, me encorajando com um olhar firme e determinado.

Ele estendeu a mão para mim e, com um misto de determinação e relutância, eu a segurei firmemente. Ao sair, olhei para trás uma última vez e sorri para Victória, que segurava os bracinhos da boneca, pronta para me dar tchau. Acenei com carinho, tentando transmitir toda a confiança possível, e logo após, as pesadas portas atrás de mim se fecharam com um estrondo surdo, selando nosso caminho para a batalha iminente.

Pegamos nossos cavalos e partimos em direção ao portal, equipados com nossas armas e armaduras, deixando para trás um povo esperançoso. Era visível o brilho nos olhos de todos, mesmo à distância. A medida que nos afastávamos, ainda podíamos ouvir os aplausos e os gritos de encorajamento ecoando pelo ar. Nosso povo depositava sua fé em nós. À medida que atravessávamos a floresta coberta pela neve recém-caída, os flocos brancos adornavam o chão, criando uma paisagem de inverno que contrastava com o sol fraco de MoonFifth e SunFifth. Quando finalmente alcançamos o portal, desci do cavalo e parei diante da imponente estrutura. A luz do sol fraco refletia na superfície do portal, criando um pequeno arco-íris que iluminava o momento com uma aura mágica.

Kedra desmontou ao meu lado e entregou-me um martelo, ou algo semelhante. Com determinação, golpeei o portal com toda a minha força. Uma... Duas... Três vezes. O som metálico ecoava pela floresta. Quatro... Cinco... Seis vezes. O portal começou a rachar, e cada batida parecia ecoar em câmera lenta, como se o tempo estivesse suspenso diante da magnitude do momento. Então, com um estrondo retumbante, o portal se desfez diante de nós, desmoronando em pedaços que se espalharam pelo chão. Do outro lado, além do que antes era um cercado que nos limitava, agora se estendia o horizonte aberto do reino. "Somos livres", murmurei para mim mesma, sentindo o peso da liberdade.

À nossa frente, o caminho se abria para uma jornada que prometia desafios e conquistas, mas também esperança e renovação para nossos reinos.

— Não precisamos mais disso. Não somos prisioneiros... Não mais. — Falei baixo.

Voltei para meu cavalo e Kedra fez o mesmo, seguindo com determinação nossa jornada. Sabíamos que Leonidas estaria vindo de BrownWood, então planejamos encontrar-nos perto de Sansalom, na fronteira entre os quatro reinos: BrownWood, Sansalom, MoonFifth e SunFifth.

Após horas de cavalgada, o frio se tornou insuportável. Finalmente, chegamos a Kenbrist, uma floresta conhecida por seus morros majestosos, montanhas e águas cristalinas serpenteando entre as rochas. O cenário era ainda mais encantador com a neve cobrindo tudo ao nosso redor. Os flocos de neve brilhavam como pequenos diamantes sob a luz fraca do sol, criando um contraste suave e mágico com o verde profundo dos pinheiros e o cinza das rochas escarpadas.

O ar estava fresco e nítido, carregado com o aroma de pinheiros e a sensação de expectativa pairava sobre nós enquanto avançávamos pelas trilhas sinuosas da floresta. A cada passo, podíamos ouvir o som abafado dos cascos dos cavalos na neve fofa e sentir o calor dos animais sob nós, contrastando com a brisa gelada que tocava nossos rostos.

Kenbrist parecia um mundo à parte, isolado e intocado, onde a natureza reinava soberana. As árvores se erguiam como guardiãs antigas, suas copas pesadas com o peso da neve recente, criando um dossel branco sobre nossas cabeças. À medida que avançávamos, o terreno se tornava mais íngreme, com trilhas que serpenteavam entre os morros cobertos de pinheiros e os riachos congelados que cortavam o caminho, refletindo a luz do sol como espelhos quebrados. Cada curva do caminho revelava uma nova paisagem de beleza selvagem e natural, onde o silêncio era interrompido apenas pelo som distante dos pássaros e o farfalhar suave dos pinheiros ao vento. Kenbrist era um refúgio de paz e serenidade no meio da tumultuada preparação para o confronto iminente.

À medida que nos aproximávamos da divisa dos reinos, o coração acelerava não apenas pelo frio intenso, mas pela tensão crescente e pela determinação de enfrentar o desafio que estava por vir. Estávamos prontos para o que o destino nos reservava, com Kenbrist como testemunha silenciosa de nossa jornada rumo ao confronto decisivo.

— Parem! — Ordenei.

Todos ao redor ficaram em completo silêncio enquanto eu descia do cavalo e caminhava sem destino aparente. Os rapazes mostraram intenção de me seguir, mas os detive com um gesto firme, inclusive Nicolay, a quem deixei para trás.

Concentrei-me no ambiente ao meu redor. Agachei-me, sentindo a neve macia entre os dedos, quando o chão começou a tremer sob meus pés. Ergui os olhos e, de repente, perdi o fôlego. Leonidas se aproximava montado em um cavalo, imponente e majestoso. Ele trajava uma vestimenta de guerra toda preta, sem armadura, destacando-se pela capa vermelha que pendia de suas costas, curiosamente semelhante à de Nicolay. Sua cabeça ostentava uma coroa de ouro cravejada de pedras brilhantes. Ao seu lado, Dempsey Horla seguia com igual pompa, envolto em uma capa de pele sobre os ombros, também vestido de negro.

Em contraste, eu usava apenas a capa feita da pele do Clevan, discreta, além de uma bota e um vestido cor de creme, especialmente confeccionado para aquela ocasião. Não havia nada chamativo em minha aparência, apenas uma expressão determinada e firmeza no olhar. Atrás de Leonidas e Dempsey, uma imponente formação de milhões de soldados marchava em perfeita sincronia, evidenciando um treinamento meticuloso e disciplina militar.

Leonidas me avistou e um largo sorriso se formou em seus lábios. Desceu do cavalo e caminhou na minha direção. Eu me ergui, mantendo minha compostura e o encarando de frente, pronta para o confronto que há tanto tempo se aproximava.

— Quanto tempo, maninho! — Exclamou alto, parando no lugar. Estava distante, mas sua voz era clara o suficiente para ser ouvida.

"Maninho?" Fiquei confusa. Olhei para trás e vi Nicolay ali, logo atrás de mim como se fosse minha sombra, observando em silêncio. Percebi também que era a primeira vez, após todo esse tempo, que via Leonidas e Nicolay no mesmo lugar. Sempre estive no meio desse ódio entre irmãos, mas nunca de forma tão direta como agora.

— Leonidas. — Retrucou Nicolay, seus olhos faiscando com intensidade.

— Quanto tempo não? Qual foi a última vez que nos vimos? Ah, claro, me lembrei. Logo depois que minha mãe morreu. — Leonidas provocou, enfatizando o "minha mãe".

Nicolay riu alto, um riso cheio de ironia e desdém.

— Você continua sendo um péssimo perdedor, não é mesmo, "maninho"? — Nicolay disparou, o tom carregado de desgosto.

O sorriso de Leonidas se desfez instantaneamente.

— Me pergunte novamente quando tudo isso acabar. — Leonidas piscou para o irmão, desafiador.

— Com certeza perguntarei. — Nicolay respondeu com firmeza, sem permitir que as palavras de Leonidas o abalassem.

— E quanto a você, Meredith! — Leonidas voltou sua atenção para mim. — Eu disse que nos veríamos novamente. Mas antes de tudo, gostaria de dizer que você escolheu o irmão errado. — Ele fechou o semblante ao dirigir essas palavras a mim.

— Bem, Leonidas, essa sua afirmação é bastante equivocada, porque eu não estou com você. — Respondi, alfinetando-o de volta.

Nicolay gargalhou tanto que precisou se curvar para trás.

— Você se arrependerá, Meredith! — Ele me ameaçou com raiva evidente.

Leonidas avançou em minha direção de repente, correndo sem aviso prévio. Antes que eu pudesse reagir, Nicolay se lançou na minha frente, empurrando-me para trás com rapidez. Os dois irmãos ficaram frente a frente, trocando olhares carregados de tensão e conflito interno.

Sem hesitar, Dempsey desmontou de seu cavalo e tentou intervir para proteger Leonidas, mas este o deteve com um gesto firme, erguendo os braços para cima em sinal de que não precisava de ajuda.

Leonidas cuspiu as palavras com ódio em direção a Nicolay.

— Você é nojento, bastardo!

Nicolay não se abalou, respondendo com um sorriso irônico:

— Não era o que a mamãe achava.

A provocação foi demais para Leonidas, que empurrou Nicolay com força. Nicolay reagiu imediatamente com um soco preciso no rosto de Leonidas, que se curvou com a dor e colocou a mão no nariz, que começava a sangrar. Mesmo ferido, Leonidas não perdeu sua atitude cínica, rindo de forma sarcástica.

— Corra, Meredith! — Nicolay gritou, lançando um olhar rápido para mim, preocupado.

Nossos homens estavam posicionados atrás de nós, e eu não podia deixar Nicolay sozinho naquela situação. Assobiei o mais alto que pude, esperando que meus homens escutassem e viessem em nosso auxílio. No entanto, no meio do caminho para onde Nicolay lutava contra Leonidas, parei subitamente ao sentir uma onda de poder fluir através de mim. Concentrei-me intensamente em usar meus poderes para atacar Leonidas, erguendo minhas mãos em sua direção para enforcá-lo, mas logo percebi que algo estava errado. Uma sensação de asfixia me atingiu, como se alguém estivesse me enforcando também, e isso me fez parar abruptamente, assustada. "Droga, a ligação", pensei frustrada. Era evidente que eu não poderia machucar Leonidas sem me machucar também.

Para ganhar tempo e afastar Leonidas, usei meus impulsos de poder para empurrá-lo para trás. A luta começou então com os homens de Leonidas se lançando furiosamente contra nós, determinados a nos derrotar.

— Nicolay! — Gritei, tentando alertá-lo sobre o perigo iminente.

Ele estava cercado pelos homens de Leonidas, demasiadamente próximo para minha tranquilidade. A urgência de protegê-lo era intensa, pois ele poderia ser o primeiro a morrer se não agíssemos com rapidez e inteligência.

Nicolay iniciou uma corrida para o lado oposto, afastando-se dos homens de Leonidas, e eu o segui rapidamente. Não precisamos ir muito longe antes de avistar nossos homens vindo ao nosso encontro, todos prontos e determinados. Era evidente que todos estavam preparados para o confronto. O ambiente ao redor se transformou em um frenesi de atividade, como se um formigueiro estivesse em pleno ataque. De um lado, MoonFifth, SunFifth e Sansalom; do outro, Lós e BrownWood. Era uma visão impressionante ver a determinação de ambos os lados se chocando em um cenário de neve e montanhas.

Corri até o cavalo de Kedra, onde minhas armas estavam guardadas, além de concentrar-me em meus poderes. A neve ao redor estava tingida com o calor da batalha que se aproximava, contrastando com o cenário gélido que parecia intensificar a gravidade do confronto que se desenrolava diante de nós.

— Kedra! — Esbravejei.

De longe, Kedra jogou minhas armas em minha direção e eu me lancei para pegá-las no ar. Com elas em mãos, comecei a usá-las imediatamente, enfiando a arma que usava em um inimigo e socando outro. Cada golpe era executado com precisão, impulsionado pela adrenalina da batalha.

À medida que a luta prosseguia, uma sensação estranha começou a tomar conta de mim. Senti um calor ardente de um lado do corpo, enquanto do outro lado uma sensação de queimação se intensificava. Era como se estivesse experimentando a dor de alguém sem ser diretamente ferida. Logo percebi: era a conexão com Leonidas. Cada vez que ele recebia um golpe, eu sentia a dor dele como se fosse minha própria.

Essa ligação era tanto uma vantagem quanto uma distração. Por um lado, me permitia antecipar seus movimentos e reações, mas por outro, me deixava vulnerável às suas estratégias e emoções. Enquanto lutava, mantinha minha concentração aguçada, usando meus poderes e habilidades físicas para enfrentar os inimigos que se aproximavam, enquanto tentava não ser sobrecarregada pela intensidade da conexão com Leonidas.

— Cuidado, Meredith! — Gritou Helena.

Olhei para o lado e vi uma espada quase cortando meu pescoço. Lutei rapidamente para me defender, quase sendo atingida por outro golpe. O infeliz chutou minhas pernas por trás, me fazendo gritar de dor. Agachei-me para recuperar as forças e o louco veio em minha direção. Com meus reflexos rápidos, segurei em seu pulso e encarei seus olhos. "Pegue sua espada e se mate!" pensei.

— Não! — Gritou o homem desesperadamente. Mas sem forças o suficiente ele pega sua espada e enfia em seu próprio peito.

Percebo que o alvo principal sou eu. É chegada a hora de deixar de lado apenas minhas armas e empregar meus poderes. Outro homem de repente lança sua espada na minha direção com uma agilidade desconhecida, mas consigo desviar rapidamente, lançando-me para trás. Num movimento veloz, agarro a espada que deveria estar cravada em minha testa e a arremesso para o lado. Em seguida, volto-me para o homem que se aproxima com uma fúria descontrolada.

Enquanto ele corre em minha direção, eu me movo calmamente na direção oposta. No momento exato em que ele está prestes a me alcançar, estendo os braços e envolvo seu pescoço com firmeza. "Chamas", conjuro mentalmente. Em um instante, seu corpo é envolto pelo fogo. Depois, deixo o corpo sem vida cair ao chão e imediatamente me preparo para o próximo adversário.

— Belíssimo espetáculo, majestade! Continue assim! — Gritou Catarina de um lado, quebrando o braço de um dos homens.

— Você também está arrasando! — Elogiei, já sem fôlego.

— Meredith — Vislumbro o vulto de Lucas, surgindo à minha frente.

O machado que cortava o vento agora trespassava Lucas.

— Não! — Clamou Catarina, largando suas armas no chão.

Quando Catarina gritou, Kedra, Rixon, Gerad e Lucky, que estavam próximos, pararam o que estavam fazendo e nos encararam com olhares preocupados. Por um instante fiquei paralisada sem saber o que fazer, um de meus amigos tinha acabado de dar a vida por mim. O choque da perda que acabávamos de sofrer se somou à raiva e determinação em nossos corações. Sentindo uma dor imensa e a necessidade de vingança, a única coisa que podíamos fazer naquele momento era revidar.

Catarina, que momentos antes se encontrava em desespero ajoelhada diante do corpo de Lucas, levantou-se com os olhos borrados e encharcados de lágrimas. Sua roupa estava manchada com o sangue dele, seu luto teria que esperar. Com ainda mais tenacidade, ela partiu para cima dos inimigos que ainda restavam, sua expressão mostrando a fúria e a tristeza que se misturavam em seu rosto.

A batalha continuou com intensidade, o barulho dos golpes e gritos ecoando pelo campo de batalha. Cada um de nós lutava com todas as nossas forças, honrando a memória daquele que havia dado sua vida por mim. A cada inimigo derrotado, sentíamos um misto de alívio e tristeza, sabendo que aqueles que perdemos nunca mais voltariam.

— Eu vou acabar com todos vocês, seus imbecis! — Gritou, enxugando as lágrimas.

Também me vi forçada a retornar à linha de frente em um momento crucial. De repente, tudo ao meu redor pareceu desacelerar, como se o tempo se arrastasse em câmera lenta. O branco inicial do chão se tingiu de vermelho, manchado pelo sangue derramado e pelas chamas que eu provocava de um lado, enquanto influenciava os pensamentos dos meus adversários do outro. A batalha se desenrolava como uma dança macabra, um desfile interminável de oponentes que se aproximavam um após o outro, quase indistinguíveis em sua fúria.

Interrompi meu avanço e me detive por um instante, absorvendo a cena ao meu redor. Todos ali lutavam não apenas por suas vidas, mas pelos ideais que os sustentavam, uma cacofonia de gritos, esforços desesperados e sangue misturado ao suor. Enquanto observava, percebi a ausência de Nicolay e Leonidas no turbilhão da batalha. Uma sensação incômoda me fez crer que estavam isolados em algum lugar, enquanto eu experimentava dores que pareciam estranhas e alheias. Apesar da vantagem momentânea que tínhamos, decidi procurá-los, seguindo uma leve elevação à distância que conduzia a um morro. Uma voz interior sussurrou: "Eles estão lá". Com determinação renovada, tracei meu caminho em direção ao local indicado, quando, de repente, Dempsey surgiu no meio do trajeto. Sua presença ameaçadora era evidente, uma espada mortalmente apontada na direção do meu pescoço.

— Aonde pensa que vai, majestade? — Levantei as mãos em rendição, mostrando-lhe que estava desarmada.

— Você deveria ter aceitado minha proposta de aliança, Meredith. — Ele riu, quase como se estivesse à beira da loucura.

Não respondi, apenas o encarei, alternando meu olhar entre ele e a lâmina que pressionava meu pescoço.

— Vamos ver se a rainha mais poderosa de todos os reinos sangra. — Ele apertou a espada contra minha pele.

Um gemido escapou por entre meus lábios. Ao longe, quase inaudível, ouvi um gemido de Leon também.

— Olha só, ela sangra! — Continuou com seu jogo cruel.

Com a paciência se esgotando, agarrei as mãos de Dempsey em uma velocidade que nem mesmo eu acreditei, transformando a espada contra ele e golpeando seu braço. Seus gritos ecoavam pelo local. Em seguida, o derrubei com uma rasteira, fazendo-o cair no chão. Os gritos de Nicolay do outro lado ecoavam ainda mais alto, me deixando ainda mais angustiada.

— Eu vou cuidar de você depois. —  Deixei Dempsey caído no chão e me direcionei rapidamente para onde vinham os gritos de Leonidas e Nicolay.

...

— Você tomou tudo o que era meu! Você me roubou tudo, Nicolay! — Gritou Leonidas, sua voz ressoando com uma mistura de dor e indignação.

Os olhos estreitados pelo peso das palavras de seu meio-irmão. Sua voz saiu áspera e carregada de uma amargura profunda. — Eu te tomei tudo? Você tinha tudo, Leonidas! Tudo! E eu? Eu não tinha nada! Tive que viver escondido. Tive que mendigar amor, Leonidas. E você ainda diz que te tomei tudo?

Leonidas sentiu o fogo da raiva queimando em seu peito, uma lágrima teimosa deslizando pelo seu rosto. — Você me roubou a Meredith.

A expressão de Nicolay endureceu por um momento, como se a lembrança o ferisse profundamente. — Eu não te roubei ela, seu tolo! Você mesmo a afastou de você.

— Cale a sua boca, bastardo! — Gritou Leonidas, suas palavras cortando o ar carregado do lugar.

— Você nunca a amou. — Insistiu Nicolay, com os olhos ardendo de decepção.

— Você não sabe de nada! Cale-se! — Leonidas rosnou, sua voz carregada de raiva crescente.

— Eu amo Meredith de verdade. Você ama o poder! — A acusação de Nicolay cortou o ar novamente.

— Eu já disse para se calar!

Leonidas ergueu o braço num gesto de violência, mas Nicolay reagiu com uma destreza mortal. Em um movimento rápido e preciso, ele sacou sua espada e a cravou no coração do próprio irmão.

— Nicolay, não! — Meredith gritou, correndo para tentar intervir, mas já era tarde demais.

Ela congelou ao alcançar o local, seus olhos se enchendo de horror e incredulidade. Quando tentou falar, sangue escorreu de sua boca, manchando seus lábios pálidos.

Nicolay estava com Leonidas praticamente em seus braços com a espada enfiada em seu peito, sentindo o peso das palavras de Meredith ecoando em seus ouvidos, quando ele lançou seu olhar em sua direção. O sangue jorrava do peito de Leonidas caído, tingindo o chão de vermelho que contrastava com a palidez de seu rosto. Meredith, sentindo uma mistura de horror e fraqueza, tocou o próprio peito ensanguentado e viu o líquido rubro escorrer por entre seus dedos, manchando seu vestido delicado. A cena era surreal, como se estivesse em um pesadelo do qual não conseguia acordar.

Meredith cambaleou até cair no chão, a dor em seu peito parecia tão intensa quanto a fisgada da espada que acabara de perfurar Leonidas. Ao se afastar de Leonidas, Nicolay, sem compreender completamente o que estava acontecendo, soltou a espada e correu em desespero para Meredith, já sentido como se seu coração fosse sair do peito. Enquanto isso, Leonidas, já próximo da morte iminente, sorriu de forma enigmática e sussurrou suas últimas palavras: "Se a morte habita em mim, em ti também habitará". E com um último suspiro, fechou os olhos e entregou sua alma ao destino. A atmosfera estava carregada de mistério e luto, como se estivessem todos presos em um intricado jogo de destino e morte.

— Meredith, você está me ouvindo? — Gritou Nicolay desesperado, os olhos marejados de lágrimas.

— Nicolay, me perdoe. — Meredith sussurrou com voz fraca.

— Perdoar pelo quê, meu amor? — Perguntou ele, confuso e angustiado.

— Por não te contar sobre a ligação entre mim e Leonidas. — Ela confessou finalmente, a voz quase um murmúrio.

Nicolay sentiu um aperto se formar em seu. Ele agarrou as mãos dela, implorando:

— Que ligação, Meredith? Olhe para mim! OLHE PARA MIM, POR FAVOR! — Continuou gritando, sua voz ecoando pela imensidão de neve vazia.

— Não havia mais escolha, Nicolay, eu juro. Já estava decidido. Leonidas iria morrer hoje, de qualquer forma, e eu iria junto. — Ela tossiu violentamente, uma bolha de sangue escapando de seus lábios pálidos.

A confissão de Meredith atingiu Nicolay como um golpe brutal. Seu corpo tremia de incredulidade e desespero. Ele apertou as mãos dela com mais força, como se pudesse manter sua amada presa à vida apenas com seu toque.

— Por que não me contou antes? Por que escondeu isso de mim, Meredith? — Sua voz falhou, misturando-se com soluços contidos.

Meredith olhou profundamente nos olhos de Nicolay, buscando palavras que já não tinha forças para articular. O silêncio pesado envolveu o ambiente, interrompido apenas pelo som abafado e ensurdecedor do vento gélido.

Enquanto Leonidas agonizava à beira da morte de um lado, ela definhava em silêncio do outro, compartilhando sua triste sina.

— A culpa é minha, eu...

— Não! Não, a culpa não é sua, Nicolay, por favor, não se culpe. — Implorou ela, os olhos cheios de lágrimas.

— Meredith, por favor, eu te imploro, por todos os deuses, não me deixe. Meredith, eu te imploro... — Disse Nicolay, deitando sua cabeça em seu peito, tomado pelo desespero.

— Não faça isso, Nicolay, me deixe ir. — Disse Meredith, também aos prantos, não suportando mais a dor que a consumia.

Nicolay tentou falar, lutando contra as lágrimas que obscureciam sua visão.

— Meredith...

— Cuide da nossa bonequinha. Prometa! — Ela pediu, o tom de sua voz misturando-se com a fragilidade de seus suspiros entrecortados pela dor física e emocional.

Os olhos de Nicolay encheram-se de lágrimas enquanto ele acariciava suavemente o rosto de Meredith, seu coração partido, dilacerado diante da despedida.

— Meredith, não...

— Prometa! — Insistiu ela, com urgência na voz fragilizada.

— Eu prometo. — Ele cedeu, a voz embargada pela dor que dilacerava seu peito.

— Nicolay? — Chamou pelo seu nome uma última vez.

— Diga, meu amor. — Nicolay olhou fundo em seus olhos, segurando suas mãos frias.

— Eu te amo. Nunca se esqueça disso, eu te amo.

— Eu te amo, Meredith... — Nicolay murmurou, a voz trêmula e os olhos turvos de lágrimas que teimavam em não cessar.

Nicolay sentiu um nó se formar em sua garganta, uma mistura angustiante de amor e perda inundando seu coração. Ele abaixou a cabeça e beijou suavemente a testa dela, sentindo o leve calor que ainda restava em seu corpo. Um soluço escapou de sua garganta, enquanto ele lutava para manter a compostura diante da inevitável perda. Ele se apegou ao corpo de Meredith, como se esse gesto pudesse prolongar por mais alguns segundos o precioso vínculo que estavam prestes a perder. Ele sussurrou mais uma vez para enfatizar, com toda a sinceridade e amor que ele conseguia reunir:

— Te amo, Meredith. Sempre vou te amar.

Ele segurava a mão dela com delicadeza, como se temesse que qualquer pressão a mais pudesse quebrá-la. Meredith parecia frágil e serena, seus cabelos espalhados na neve branca, contrastando com a palidez que se formava em seu rosto. Seus lábios se moveram ligeiramente em resposta, mas sua voz mal conseguia ultrapassar um sussurro fraco.

— Eu te amo mais do que tudo, Nicolay. — Sussurrou ela, um sorriso triste brincando em seus lábios pálidos, antes de exalar seu último suspiro.



"Minha mãe do coração costumava dizer que cada um de nós nasce neste mundo com uma missão a cumprir. Hoje, olhando para trás, acredito que cumpri a minha. Vivi intensamente, amei incondicionalmente, lutei bravamente, experimentei dores profundas e sensações indescritíveis. Tornei-me uma lenda para alguns, dei vida, esperança e amor por onde passei. Tudo o que construí terá continuidade, um legado que perdurará além da minha presença física. Agora, reconheço que minha hora chegou ao fim. Entendo que a morte pode ser vista como o fim para alguns, mas também como o começo de algo novo para outros.

Talvez a morte venha para uns, somente para gerar vida em outros."

          Meredith Rose Calore Solar

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