Penúltimo Capítulo (Bônus)
— Catarina, posso te pedir um favor? — Disse enquanto pegava minha bonequinha no colo.
— Não! Quer dizer, depende. — Ela levantou da cama para arrumar algumas coisinhas no berço.
— Na verdade, é mais uma promessa do que um pedido. — Encarei-a com seriedade.
— Ai, majestade, diga logo o que é! — Ela me encarou de volta.
— Na guerra entre os reinos de BrownWood, se algo acontecer comigo, quero que você cuide da bonequinha para mim. — Falei sinceramente.
— Eu? — Perguntou, incrédula.
— Sim, você! — Respondi.
— Mas por que eu? — Ainda parecia incrédula.
— Porque de todas aqui, você é a que mais se parece comigo e tem a capacidade de ensiná-la a se tornar uma grande guerreira. — Catarina ficou em silêncio por um momento, visivelmente tocada com meu pedido.
Percebi que minhas palavras a emocionaram.
— É claro que eu sou uma ótima guerreira. — Ela tentou disfarçar, mas sua voz engasgou um pouco, revelando a emoção que tentava esconder.
— Então, se algo acontecer comigo, posso contar com você? — Perguntei, buscando sua confirmação.
— Claro que pode, Meredith. Será um prazer! Mas nada de ruim vai te acontecer, pare com isso. — Ela se moveu inquieta, tentando disfarçar seu estado emocional.
— Sim, eu sei, é só uma precaução. — Sorri para amenizar o clima tenso.
— Bom, se era só isso... — Catarina parou de repente, interrompendo sua própria frase.
— Sabe, Catarina, ultimamente você anda bem diferente. — Comentei, observando-a atentamente.
— Ah, é? Diferente como? Estou mais bonita que o normal? — Ela se aproximou do espelho, ajustando sua aparência. Ri da sua tentativa de mudar de assunto.
— Não, digo... em relação a mim e a Nicolay. — Entrei no assunto com cautela.
Catarina ergueu uma sobrancelha, demonstrando desdém. A expressão estranha dela me fez hesitar por um momento.
— O que tem vocês dois? — Perguntou, parecendo indiferente.
— Bom, eu sei que você e Nicolay já tiveram... humm... um romance? — Falei, um pouco sem jeito.
Eu e Catarina nunca havíamos discutido seriamente sobre Nicolay.
— Eu não quero mais saber de Nicolay, se é isso que você quer saber. — Ela respondeu tranquilamente.
— Não? — Perguntei, surpresa com sua resposta direta.
— Não. — Ela deu de ombros.
— Graças... — Murmurei para mim mesma.
— O quê? — Ela virou rapidamente para mim.
— Nada. — Desconversei, rindo um pouco nervosamente.
— Então, como eu ia dizendo, pode ficar tranquila. Vocês já têm uma filha juntos e são o tipo de casal destinado um ao outro e toda aquela baboseira, e eu não tenho paciência para isso. — Ela mexia nas unhas despreocupadamente.
— E foi isso que fez você desistir de Nicolay? Você é daquelas que, quando quer algo, não sossega. — Comentei, rindo para quebrar a tensão.
— Olha, foi isso e mais alguns outros motivos que me fizeram desistir do Nicolay. Não se ache demais, Majestade. — Disse, enquanto arrumava o cabelo com um gesto impaciente.
— E que motivos são esses? — Fiquei curiosa, inclinando-me para frente.
— Não te interessa, grandiosa majestade. — Ela fez uma reverência teatral, tentando mudar de assunto.
— Ahh, vamos, Catarina, me conte! — Insisti, querendo saber mais.
Ela permaneceu em silêncio por um momento, como se ponderasse.
— É alguém especial? — Tentei sondá-la, notando uma expressão estranha em seu rosto.
Ela não respondeu de imediato, apenas fez uma careta que parecia indicar que estava escondendo algo.
— Ahhh! Catarina, está apaixonada! — Ri, divertida com a situação.
— Cale a boca, Meredith! Não é nada disso! — Ela me repreendeu com um tom um tanto desesperado.
Ri ainda mais alto, mas depois me controlei ao perceber que minha risada poderia acordar a bonequinha no berço. Coloquei-a com cuidado para não perturbá-la.
— Você não engana ninguém, Catarina. Está na cara que tem alguém ocupando seus pensamentos. — Provoquei, tentando arrancar mais detalhes dela.
Ela suspirou, mas não confirmou nem negou nada.
— Quem é a vítima? — Perguntei, olhando diretamente para Catarina.
Ela me encarou com aquela expressão que misturava incredulidade e um leve aviso de "não sei do que você está falando, mas vou te matar" tudo ao mesmo tempo. No entanto, não desviei o olhar, deixando claro que não pretendia desistir tão facilmente. Catarina manteve o silêncio por alguns segundos, seus olhos buscando os meus como se tentasse decifrar se eu estava falando sério ou apenas brincando. Finalmente, ela soltou um suspiro resignado.
— Meredith, você não vai conseguir me arrancar essa informação assim tão facilmente. — Ela disse, com um sorriso malicioso surgindo lentamente em seus lábios.
— Ah, mas eu vou descobrir, Catarina. Pode ter certeza disso. — Respondi com um sorriso desafiador, sabendo que essa conversa estava longe de acabar ali.
— Tudo bem, tudo bem! É o Lucas. — Confessou rapidamente e cobriu o rosto com as mãos, como se quisesse se esconder.
— Catarina, isso é ótimo! Nunca imaginei vocês dois juntos, mas é maravilhoso! — Ri enquanto falava, contagiada pela surpresa e pela alegria da revelação.
— Você acha? — Perguntou, sua voz denotando um misto de nervosismo e ansiedade.
— Sim. — Respondi sinceramente, vendo o brilho nos olhos dela.
Ela suspirou aliviada, mas depois me encarou com seriedade.
— Olha, ninguém sabe ainda, então, majestade, pelo amor dos deuses dos cinco reinos, não conte para ninguém, certo? — Ela praticamente implorou.
— Certo! — Assenti, cruzando os dedos sobre os lábios como um gesto simbólico para selar minha promessa de guardar segredo.
Catarina soltou um suspiro de alívio e sorriu, parecendo mais relaxada agora que havia compartilhado esse segredo comigo. Nossa conversa continuou por mais algum tempo, mas a cumplicidade entre nós tinha ganhado um novo brilho, e eu sabia que esse momento fortaleceria ainda mais nossa amizade.
— Agora eu tenho que ir. — Catarina disse, dirigindo-se para a porta. — Segredo em... — Ela finalizou, saindo antes de completar a frase.
Assim que Catarina saiu, aproveitei o fato de a bonequinha estar dormindo e fui tomar meu banho. A noite já estava chegando e o frio também começava a se fazer sentir. Antes de trocar de roupa, caminhei até a janela e a fechei, sentindo o vento gelado da noite. De volta ao quarto, comecei a trocar de roupa. Quando terminei e me virei para pegar algo no armário, percebi que as cortinas da janela estavam balançando suavemente, como se alguém tivesse passado por ali. Estranhei, pois tinha certeza de que havia fechado a janela antes.
— Mas eu acabei de fechar. — Falei para mim mesma.
Caminhei até lá novamente e, ao chegar, constatei que a janela estava aberta de novo. Um arrepio percorreu minha espinha ao imaginar o que poderia ter causado aquilo. Olhei para fora, mas tudo parecia tranquilo na paisagem noturna. Fechei a janela com mais firmeza desta vez e tranquei-a, certificando-me de que não seria aberta novamente sem minha intervenção. O incidente deixou-me um pouco perturbada, mas tentei afastar esses pensamentos.
De longe, escutei um risinho vindo do berço da bonequinha. Meu coração gelou por um momento, pois eu estava sozinha no quarto. Ao me aproximar, vi Leonidas debruçado sobre o berço, fazendo gestos engraçados para a bonequinha. Parei no lugar, observando-o com uma mistura de surpresa e apreensão. Fechei os olhos por um instante, contei até dez para me recompor e, ao abri-los novamente, ele ainda estava lá, alheio à minha presença. Sua cabeça estava abaixada, e ele ainda não tinha notado minha chegada.
Suspirei profundamente, mas assim que o fiz, Leonidas pareceu reagir como se tivesse ouvido meu suspiro. Ele se levantou lentamente, virando-se na minha direção. Seus olhos se encontraram com os meus, e quase caí para trás de susto ao ver seu estado. Seus cabelos estavam desgrenhados, o rosto pálido como se estivesse doente, contrastando com a imagem de um homem que já fora forte. Mas o que mais me chocou foram seus olhos. Eles estavam sangrando. Gotas vermelhas escorriam pelas suas bochechas, um fenômeno inexplicável que fez meu coração acelerar ainda mais.
— Leonidas... O que...? — Minha voz saiu em um sussurro, dominada pelo medo.
Ele me olhou intensamente por um momento, como se tentasse falar, mas nenhuma palavra saiu de seus lábios. Apenas lágrimas de sangue continuavam a fluir dos seus olhos, silenciosamente testemunhando algum tormento desconhecido que o afligia. O ambiente ao redor parecia congelar enquanto eu tentava processar o que estava vendo. Meu corpo estava tenso, preparado para qualquer coisa que viesse a seguir. Leonidas finalmente rompeu o silêncio com um gemido baixo, ecoando pelo quarto como um lamento de dor profunda.
— Meredith... — Sua voz saiu rouca, quase irreconhecível.
— Saia de perto dela. — Sussurrei, meu tom carregado de urgência e temor.
Leonidas virou o olhar para dentro do berço por um instante e depois voltou a me encarar, um sorriso sinistro brincando em seus lábios pálidos.
— A sua hora vai chegar. — Ele disse com uma calma perturbadora.
Um riso silencioso escapou de seus lábios, ecoando pelo quarto como se fosse feito de vidros quebrados, cada nota me arranhando por dentro, causando arrepios pela minha espinha. Fechei os olhos com força, tentando bloquear aquela presença ameaçadora.
— Ele não está aqui, é coisa da sua cabeça. — Repeti para mim mesma várias vezes, tentando afastar a imagem assustadora e os sons perturbadores que me rodeavam.
Mas o riso de Leonidas continuava ecoando em minha mente, uma cacofonia de desespero que me envolvia como uma sombra sinistra. Eu lutava para manter a calma, mas a sensação de medo crescia dentro de mim, alimentada pela presença sombria que parecia dominar o ambiente. Meus pensamentos giravam em torno de uma única certeza: algo estava profundamente errado, e eu não sabia como enfrentar aquilo sozinha.
— Ele não está aqui! Ele não está aqui! Conte até dez, Meredith! Conte! Conte! — Repeti desesperadamente para tentar afastar aquela visão perturbadora.
Mas os risos ainda continuavam, ecoando em minha mente como uma canção macabra. Sentindo-me dominada pelo medo, levei as mãos aos ouvidos e me joguei no chão, encolhida sobre mim mesma. Era como se Leonidas estivesse ao meu lado, sussurrando palavras sinistras em meu ouvido, cada sílaba gelando minha alma. "Você é minha", ouvi nitidamente antes que a presença desaparecesse tão repentinamente quanto surgiu. Levei alguns preciosos segundos para reunir coragem e me levantar, tentando recuperar o controle sobre meus próprios pensamentos. Olhei ao redor, mas como sempre, não havia ninguém além de mim mesma no quarto. Encarei minhas mãos trêmulas, sentindo-me vulnerável e assustada. Uma vontade avassaladora de chorar desesperadamente ameaçava me consumir, mas lutei para manter a compostura.
Com passos hesitantes, corri até o berço onde minha filha dormia serenamente, como um anjo. Um suspiro de alívio escapou dos meus lábios ao ver que ela estava bem. No entanto, a imagem de Leonidas ainda assombrava minha mente, seu estado lamentável e a expressão de sofrimento que vi em seus olhos atormentavam meus pensamentos. Algumas lágrimas silenciosas escorreram pelo meu rosto enquanto eu tentava respirar profundamente para acalmar meu coração acelerado. Eu precisava esquecer o que acabara de acontecer, focar no presente e na segurança da minha filha.
Horas se passaram desde que Leonidas apareceu, e eu ainda permanecia ali, de pé ao lado do berço, observando minha filha dormir. A calma do quarto contrastava com a turbulência emocional que eu enfrentava internamente. Cada sombra, cada ruído parecia ter um significado oculto, e eu me sentia à beira de um abismo de incertezas. No entanto, meu dever como mãe era proteger minha filha a todo custo, e isso me dava forças para continuar resistindo ao medo que tentava me dominar.
— Ela é linda igual a mãe. — Disse Nicolay entrando no quarto, me fazendo dar um pequeno salto de surpresa.
— Ei, é você! — Falei, aliviada ao reconhecê-lo, ainda tentando me recompor do choque das últimas horas e disfarçar minha voz embargada pelo choro.
Nicolay franziu o cenho ao notar minha expressão.
— O que foi? Aconteceu alguma coisa? — Ele perguntou, seus olhos escuros buscando os meus com preocupação genuína.
Nicolay sempre foi perspicaz, capaz de perceber quando algo não estava bem comigo, mesmo quando eu tentava esconder.
— Nada! — Forcei um sorriso, evitando seu olhar penetrante.
— Tem certeza? — Ele insistiu, não satisfeito com minha resposta evasiva.
— Tenho! — Respondi, desviando os olhos para o berço onde nossa filha dormia tranquilamente.
Nicolay se aproximou silenciosamente e, sem dizer mais nada, envolveu-me em um abraço por trás, seu corpo forte e reconfortante contra o meu. Senti-me acalmar um pouco com seu toque familiar.
— Não me canso de olhar para ela. — Tentei mudar o foco da conversa, buscando distrair tanto a mim mesma quanto a ele.
Nicolay permaneceu em silêncio por um momento, contemplando nossa filha com um sorriso terno no rosto
— Eu sei como você se sente.
— Quem diria, não é? Que o cavaleiro negro que quase incendiou o lugar que eu considerava meu lar se tornaria pai da minha filha. — Relembrei o passado com um misto de nostalgia e incredulidade.
— É, quem diria. — Ele repetiu, sua voz carregada de reflexão.
Um breve silêncio se instalou entre nós, permeado pela memória dos desafios superados e das reviravoltas que a vida nos trouxe.
— Eu te amo tanto, Meredith, que chega a doer. Eu sou o homem mais feliz deste mundo. — Ele me virou suavemente para que eu pudesse olhá-lo nos olhos.
Sorri, tocada pela sinceridade de suas palavras.
— Eu também te amo. Não acredito que consegui derreter esse coração de gelo. — Brinquei, apontando para o seu peito.
— Não é mais o meu coração que bate aqui dentro, Meredith. É o seu! Você arrancou meu coração e o guardou em algum lugar que eu não consigo mais encontrar. — Ele disse com uma ternura genuína.
— Pode ter certeza de que está bem guardado. Mas você quer que eu te devolva? — Brinquei de volta, tentando aliviar a intensidade do momento com um toque de humor.
— Não. — Respondeu rapidamente, com um sorriso nos lábios.
— Eu não ia mesmo te devolver porque agora ele é meu. Assim como o meu é seu. — Sorri de volta, sentindo uma onda de calor e carinho inundar meu peito ao olhar para Nicolay.
Nicolay sorriu e me puxou para mais perto, envolvendo-me em seus braços com delicadeza e firmeza ao mesmo tempo. A troca de olhares era suficiente para comunicar o amor e a gratidão que sentíamos um pelo outro, mesmo diante das adversidades que enfrentamos juntos. Seus olhos brilhavam à luz suave da noite, transformando seus verdes e azuis em cores que eu agora considerava minhas favoritas. Ele é tão bonito, muito bonito, ridiculamente bonito e eu não podia deixar de admirá-lo enquanto ele colocava suas mãos gentilmente em meu rosto e me beijava. Foi um beijo lento, deliberado, que parecia querer apenas provocar um desejo maior. Mas logo se intensificou, tornando-se mais apaixonado e profundo, deixando-me sem fôlego.
Eu queria continuar naquele momento, deixando-me envolver pelo calor e pela paixão que emanavam de nós dois. No entanto, algo pesava em minha mente, algo que eu precisava perguntar.
— Nicolay? — Interrompi o beijo com delicadeza, buscando seu olhar.
Ele retirou uma mecha solta do meu cabelo e a colocou atrás da minha orelha, seus olhos fixos nos meus, transbordando amor e compreensão.
— Diga. — Sua voz era suave como um sussurro, carregada de curiosidade e ternura.
— Por que você não me contou que Leonidas é seu meio-irmão? — Perguntei, mantendo meu olhar fixo nos olhos de Nicolay, agora visivelmente arregalados.
Ele pareceu surpreso com a pergunta, e por um instante hesitou antes de responder.
— Quem te contou isso? — Ele perguntou, tentando controlar qualquer sinal de nervosismo.
— Ele mesmo. — Respondi com sinceridade.
Nicolay deu um passo para trás, como se buscasse um espaço pessoal para ponderar suas palavras. Sem hesitar, segurei seus braços suavemente e o trouxe de volta para perto de mim.
— Eu só queria que você confiasse em mim, Nicolay. Olhe para mim. — Insisti, buscando o contato visual que sempre nos conectava tão profundamente.
Ele finalmente encontrou meus olhos novamente, e eu pude ver a hesitação e a vulnerabilidade misturadas em seu olhar.
— Eu só quero que saiba que pode me contar tudo, certo? — Falei suavemente, tentando transmitir segurança e apoio.
Ele assentiu com a cabeça, um gesto simples que carregava uma promessa silenciosa de confiança mútua e entendimento.
Eu sei que estou sendo um pouco hipócrita, mas realmente quero que ele confie em mim. Se estou escondendo algo dele, é para poupá-lo, não por falta de confiança.
— Não quero falar sobre ele, está bem? — Nicolay perguntou, buscando encerrar o assunto.
Concordei com a cabeça em sinal de entendimento.
— Bom, vamos esquecer esse assunto. Agora venha, quero te mostrar algo. — Disse ele, me puxando suavemente para fora do quarto.
— Ei, espere, e a... — Mal terminei de falar quando ele abriu a porta e dei de cara com Alice e Alysson.
— Majestade! — Ambas me saudaram com respeito.
— Meu bem, eu penso em tudo. — Nicolay piscou para mim com um sorriso travesso nos lábios.
A surpresa e a admiração tomaram conta de mim ao perceber que ele havia organizado algo especial. Me senti acolhida e amada, sabendo que Nicolay estava ali não apenas como meu companheiro, mas também como alguém que cuidava dos detalhes para me fazer sentir especial.
— Podem ir tranquilos que eu...
— E eu. — Completou Alysson, terminando a frase da irmã.
— Cuidaremos muito bem da bonequinha. — Disseram em uníssono, confirmando sua responsabilidade.
Ri suavemente diante da sincronia das duas.
— Bom, já que é assim, tudo bem! — Me rendi, confiante de que minha filha estaria em boas mãos.
Nicolay se aproximou com uma expressão carinhosa.
— Minha Rainha... — Ele disse, estendendo a mão para mim.
Olhei para ele, para as meninas ao lado do berço, e depois para sua mão estendida em minha direção. Segurei sua mão com firmeza, sentindo um conforto familiar ao seu toque.
— Meu Rei. — Pisquei para ele, um sorriso brincando em meus lábios.
Seu sorriso se alargou e juntos saímos pelo corredor.
— Para onde vamos? — Perguntei, sentindo a ansiedade e a curiosidade crescerem dentro de mim.
— Surpresa. — Ele respondeu, mantendo o mistério e a expectativa no ar.
...
— Pelos deuses, já estamos chegando? Nicolay, se você me deixar cair em algum lugar, vou arrancar sua cabeça! — Falei, curiosa demais para conter minha ansiedade.
Nicolay estava com as mãos cobrindo meus olhos, guiando-me para sei lá onde.
— Nossa, que romântica você, Meredith! Isso que dá preparar uma surpresa para uma princesinha impaciente. — Ele brincou.
— Princesinha? Você me chamou de princesinha? — Parei no lugar, surpresa com o apelido.
— Não pare, Meredith! Continue andando, senão vou deixar você cair de verdade. — Ele me empurrou levemente para que continuasse.
Ri, divertida com a provocação.
— Me derrube então, majestade. — Falei, desafiando-o com um tom de brincadeira.
Como Nicolay tampava meus olhos, tudo ao meu redor estava escuro. De repente, ele me empurrou para frente, simulando que iria me jogar no chão. Soltei um grito de susto, mas antes que eu pudesse cair, ele me segurou firmemente.
— Você é maluco! — Gritei entre risos, sentindo o coração ainda acelerado pela brincadeira.
— Você que é maluca! — Ele respondeu, tapando meus olhos novamente de forma rápida.
— Maluquinha. — Retruquei, aproveitando o momento descontraído.
— Minha Maluca. Agora vamos! — Ele guiou-me adiante, continuando nosso caminho misterioso.
— Estamos chegando? — Perguntei, tentando sentir algo ao meu redor com as mãos, mas sem sucesso.
— Cale a boca, meu amor! — Ele me repreendeu de forma brincalhona.
— Nossa, que grosso! — Tentei dar um tapa em seu braço de leve.
— Meredith, fique quieta! — Ele chamou minha atenção com seriedade.
— Está bem, está bem, vou ficar quieta! Mas já chegamos? — Perguntei sinceramente pela última vez, curiosa e ansiosa para descobrir onde ele havia me levado.
Nicolay riu da minha persistência.
— Sim, já chegamos! — Ele respondeu, fingindo cansaço, mas com um brilho divertido nos olhos.
A sensação de suspense e expectativa finalmente chegava ao fim. Ele finalmente tirou as mãos dos meus olhos e pediu para que eu os abrisse. Assim o fiz, e fui recebida pela visão deslumbrante do jardim de MoonFifth, completamente decorado. As roseiras e outras flores de Ana cuidadosamente cultivadas exalavam um perfume envolvente, enchendo o ambiente de um aroma maravilhoso. O jardim estava transformado, cada canto decorado com esmero, criando um cenário encantador.
No centro do jardim, uma mesa estava posta com uma variedade de comidas deliciosas, e sobre ela estava o mesmo prato que Nicolay havia preparado para mim na primeira vez que jantamos juntos em seu quarto em Sansalom. Não pude conter um sorriso. Nicolay estava ao meu lado, observando minha reação com um brilho nos olhos que denotava sua satisfação por ter conseguido me surpreender.
— Surpresa. — Ele disse suavemente, seu sorriso se alargando enquanto me abraçava carinhosamente.
Senti-me profundamente tocada pelo gesto dele, pela dedicação em tornar aquele momento especial e único para nós dois. Era como se ele entendesse não apenas o que eu gostava, mas também os pequenos detalhes que faziam a diferença.
— Nicolay, isso é maravilhoso! — Exclamei, olhando ao redor com admiração genuína.
— Você gostou? — Ele me olhou, feliz com minha reação.
— Eu adorei! Mas por que aqui? Você poderia ter feito isso lá dentro e...
— Você não se lembra? — Ele me interrompeu com um sorriso nos lábios.
— Não me lembro de quê? — Perguntei, confusa com sua expressão misteriosa.
Ele riu suavemente, como se estivesse relembrando um momento especial.
— Foi aqui que demos nosso primeiro beijo. — Ele respondeu, olhando ao redor do jardim de MoonFifth.
Abri a boca, chocada por ter esquecido desse detalhe e comovida pelo gesto de Nicolay ao lembrar e preparar essa surpresa para mim.
— Ai meu senhor, eu realmente derreti seu coração. Olha no que eu te transformei. — Sorri, sentindo-me radiante.
Olhei para Nicolay com um carinho imenso. Era incrível como o amor entre nós parecia transcender as barreiras do tempo e do espaço.
— É impossível, não pode ser possível que um ser humano ame tanto o outro desta forma, como eu amo você, Nicolay. — Confessei, tocando seu rosto suavemente.
Ele passou a mão em meu rosto, acariciando-me com ternura.
— Entenda, meu amor, você transformou minha vida inteira. — Ele murmurou, olhando-me profundamente nos olhos.
— Precisamos ser estudados pelos grandes filósofos de Sky. — Comentei de repente, deixando escapar minha admiração por nosso amor.
— Você precisa ser estudada, Meredith. — Ele riu, divertido com minha espontaneidade.
— Você é tão lindo. — Deixei escapar automaticamente, sem pensar, completamente envolvida pela emoção do momento.
"Sabe quando você pensa algo e sem querer fala o que pensou? Foi mais ou menos isso que me aconteceu."
— Eu sei! — Ele fez uma cara de poucos amigos, mas logo depois soltou uma risadinha.
— Retiro o que disse, você não é mais lindo. — Brinquei, seguindo em direção à mesa.
Não tinha percebido antes, mas estava morrendo de fome, e os pratos dispostos ali eram de dar água na boca.
— Não tem como, você não pode simplesmente retirar o que disse. — Nicolay veio atrás de mim, rindo junto.
— Mas é claro que posso, eu sou a Rainha! — Brinquei, esperando ao lado da cadeira para que Nicolay a puxasse para mim, permitindo que eu me sentasse.
— Não seja metida. Minha rainha... — Ele se curvou levemente e, em seguida, gentilmente puxou a cadeira para mim.
— Meu rei. — Agradeci enquanto me acomodava.
Nicolay ocupou seu lugar. Olhei para ele com gratidão, sentindo-me abençoada por ter alguém tão atencioso e amoroso ao meu lado. Enquanto nos sentávamos para desfrutar daquela refeição preparada com tanto cuidado, eu sabia que aquela noite se tornaria uma memória preciosa, entrelaçada com a beleza do jardim de MoonFifth e o calor do amor que compartilhávamos. Após o jantar, Nicolay se levantou e veio em minha direção, segurando minha mão e me guiando para o centro do jardim.
— O que está fazendo? — Perguntei, deixando-me levar por ele, curiosa com sua próxima surpresa.
— Nós vamos dançar. — Nicolay sorriu, animado.
— Dançar? — Perguntei, surpresa pela proposta.
— Sim! — Ele respondeu, com entusiasmo evidente.
— Sem música? — O encarei, intrigada.
— Sim! — Ele confirmou, parecendo um pouco confuso com minha reação.
Ri suavemente diante da ideia incomum.
— Ok então. Como quiser. — Concordei, fazendo uma reverência brincalhona para ele, pronta para seguir seu ritmo improvisado.
E ali, no meio do jardim de MoonFifth, eu e Nicolay começamos a dançar sem música alguma. Por um momento, pareceu que não existia mais nada além de nós dois. A magia do lugar e a conexão entre nós criaram um cenário de pura intimidade e encanto. Enquanto dançávamos, percebi que estávamos tremendo um pouco de frio. Nicolay olhou para nossas mãos entrelaçadas e sorriu, e automaticamente senti vontade de rir junto com ele. O vento soprava forte e gelado, e um floco de neve caiu suavemente em meu nariz. Era o início de uma nevasca, algo que raramente acontecia em MoonFifth.
Encarei Nicolay e mais uma vez compartilhamos um sorriso cúmplice, admirando a beleza do momento e a surpresa da neve que caía ao nosso redor. E assim, mais uma vez, tive uma das noites mais incríveis da minha vida. Esta experiência definitivamente entraria para a lista dos momentos mais importantes e memoráveis para mim, um testemunho do amor e da felicidade em cada instante juntos.
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