Capítulo 7
O homem está bem vestido. Está todo de preto, botas pretas, luvas pretas, sua capa é preta. Não me surpreenderia se ele fosse a escuridão em pessoa. Ele é bonito, muito bonito, ridiculamente bonito. Os lábios estão vermelhos, deve ser consequência do frio ou simplesmente são naturalmente vermelhos. O cabelo também é negro. Não consigo parar de olhá-lo. Ele chega mais perto e percebo que seus olhos são diferentes. Um olho é azul e o outro é verde, é a coisa mais linda e ao mesmo tempo mais assustadora que já vi.
— Te fiz uma pergunta. — Disse o homem me tirando de meus devaneios.
Apesar de ser lindo ele me causa arrepios não sei o porque dele estar aqui mas coisa boa não deve ser. Algo me diz que foi ele que causou essa mudança drástica no tempo e isso não pode ser bom.
— Quem é você? — Foi a única coisa que saiu de mim.
Torcia para que ele não sentisse o cheiro podre do medo que saia de mim. Ele olhou para mim e deu uma gargalhada diabólica como se minha pergunta fosse uma piada ridícula.
— Você não sabe quem eu sou? — Perguntou ele em tom de gozação.
— Não. não sei. — Respondi tentando manter o mínimo de dignidade que me restara.
— Para uma futura Rainha você é bem desinformada, deveria conhecer melhor um inimig... opa um grande amigo. — O que ele queria dizer?
Ele deve ter percebido minha expressão confusa sorriu e então continuou.
— Bom eu sou um grande amigo... De seu noivo. — Grande amigo de meu noivo?
Demorei a perceber que ele estava sendo irônico. Pelos deuses e senhores de Sky que ele não seja quem penso que ele é.
— Que falta de modos da minha parte deixe-me, me apresentar... — Disse pegando em minha mão e fazendo uma meia reverência me olhando com aqueles olhos assustadores.
— Minha Rainha sou Nicolay Madark e é um prazer finalmente conhecê-la. — Beijou minha mão.
Assim que ele terminou de se apresentar os outros cavalos se aproximaram mas ficaram em uma distância adequada, como que dando espaço e privacidade para Nicolay e eu. Percebi que o sangue em meu corpo parou de circular, me senti fraca. Minhas mãos estavam frias e eu sabia que o motivo não era o frio e mesmo sem me ver sabia que havia ficado pálida. A certeza veio quando ele olhou para mim e riu como se tudo aquilo fosse muito engraçado. Mas por que ele está aqui? "Será que ele conseguiu matar Leon e veio reivindicar o que agora por direito é dele?" Pelo senhor dos cinco reinos onde está Leon será que ele está morto? Meus olhos começaram a marejar mas eu não ia chorar. Não na frente desse monstro.
— Onde está Leon? — Perguntei soltando minhas mãos dele.
— Leonidas não me interessa, não agora. — Disse sorrindo para mim.
O sorriso mais cínico que já vi em toda minha vida. Ele fez um sinal com as mãos e os seus homens imediatamente desceram de seus cavalos com tochas nas mãos e então começaram a andar em direção as casas da vila. Ele não faria uma coisa dessas, haviam pessoas dentro daquelas casas e mercadinhos, mercearias, floriculturas... haviam... Haviam crianças lá dentro.
— O que eles estão fazendo? — Perguntei desesperada. — Parem! O que vocês acham que estão fazendo? — Olhei para Nicolay e o sorriso continua em seu rosto.
— Você não pode deixar que eles façam isso há pessoas e crianças dentro dessas casas. — O enfrentei.
— Mas deixar eles fazerem o que? — Ele disse se fazendo de desentendido.
Olhei para a casa abandonada onde havia deixado a garotinha poucos minutos atrás e um dos homens estava prestes a botar fogo quando corri em sua direção mas não consegui sair do lugar. Nicolay já está com as mãos entorno dos meus braços me segurando para não avançar, ele é forte e com certeza no lugar em que ele me pegou ficará roxo depois.
— Pare Nicolay! — Ele não me deu ouvidos. — Faça-o parar Nicolay! — Gritei não sabendo mais como segurar as lágrimas que desejavam sair.
Ele não me respondia, não se mexia, não fazia nada.
O fogo chegava cada vez mais perto da madeira da casa. Em minha mente tudo acontecia como se estivesse em câmera lenta, eu podia ver a garotinha grudada na janela chorando sem entender nada. Ver aquela cena me bateu um desespero, uma angústia, um ódio tão forte que eu não sabia que um ser humano poderia sentir aquilo com tanta intensidade.
— Pare por favor! Se você parar deixo você me levar como refém, prisioneira o que você quiser mas pare! — Não aguentei e soltei as palavras sem ver, sem pensar.
Aquelas palavras devem ter interessado muito a ele afinal ele sairia dali com algo muito mais valioso do que vidas insignificantes para ele. Ele levaria como prisioneira a futura Rainha de BrownWood. A futura esposa de seu grande inimigo e algo me diz que ele armou um plano para tirar Leon de BrownWood para que assim pudesse atacar. "Uma vitória só é uma vitória quando o seu inimigo está vivo para ver a sua glória." O que significa que Leon está vivo. De que adiantaria tê-lo vivo se me rendi tão facilmente ao inimigo? Não me importo salvei a vida de muitos me rendendo caso contrário todos morreriam queimados.
— Catarina! — Ele gritou.
"Catarina?" O homem ou o que eu achava que era um homem virou se afastando da casa. Pelos deuses como não percebi que era uma mulher antes? Catarina se aproximou me analisou de cima a baixo e então se direcionou a Nicolay.
— Estava tão divertido tinha mesmo que acabar com a minha brincadeira? — Nicolay deu uma risada alta que entrou pela minha cabeça e quase fritou os meus miolos.
— Minha querida mudanças de planos acho que podemos continuar um outro dia mas temos uma amiguinha nova e com certeza é muito melhor que fazer espetinho dessa gente. Pegue as cordas não queremos que nossa galinha dos ovos de ouro mude de ideia e fuja. — Disse ele piscando para mim.
Geralmente piscadas me traziam lembranças boas, lembranças de Leon mas agora sinto nojo de tal ato. Catarina deu uma gargalhada me puxou pelos braços, pegou as cordas e amarrou minhas mãos. Nicolay se virou para os outros homens e talvez mulheres e em tom de vitória gritou com orgulho.
— Cavaleiros... A rainha é nossa!
Todos gritaram em comemoração e a única coisa que eu me perguntava era... Onde eu me meti?
Com as mãos amarradas fica difícil me equilibrar. A corda é comprida e Catarina me puxa como se eu fosse um animal selvagem. As vezes ela me dá puxões mais fortes para que eu ande depressa ou para me desequilibrar totalmente e ter o prazer de me ver cair com a cara no chão. Não a conheço mas não preciso conhecer para perceber que ela passa uma energia de ser totalmente dissimulada e se comporta de forma ociosa principalmente pelas encaradas e insinuações que ela dá para Nicolay o tempo todo. É nojento. Ela poderia disfarçar. Será que eles são um casal? Não parecem ser um casal. "Por favor Meredith por que se importa? Não é da sua conta."
— Como é que vamos levá-la? — Perguntou Catarina apontando a cabeça para mim. — Podíamos amarrá-la em um dos cavalos e deixar que eles a arraste pelo caminho.
Filha da mãe! Essa garota é louca? Me arrastar? Arregalei os olhos quando percebi que Nicolay estava a pensar muito bem no assunto. Pelos senhores ele não vai deixar ou vai? Ele é um monstro com certeza quer me ver morta. "Meredith ele pode muito bem querer você se arrastando pelo chão para ver sua pele rasgar, seria um prazer entregar seu corpo morto de presente de casamento para Leon." Olhei para ele esperando a sua resposta, tentei não sentir medo mas era impossível.
— É uma ideia tentadora. — Ele disse sorrindo.
— Você está brincando não é? — Minha voz falhou e lá se foi a imagem da rainha corajosa mas eu não era uma rainha e claramente não era corajosa.
— Ela vai comigo assim posso ficar de olho nela. — Falou se desviando de mim.
Nicolay pegou a corda de Catarina e me puxou fazendo com que eu tropeçasse, para que eu não caísse ele me segurou praticamente me obrigando a olhar em seus olhos. Isso não pode ser normal como pode alguém nascer assim?
— Cuidado princesa. — Nicolay sussurrou em meu ouvido.
Depois me pegou pela cintura.
— O que você acha que está fazendo? — Gritei, fazendo um movimento brusco.
Ele praticamente me jogou para cima do cavalo e com muita rapidez subiu ficando atrás de mim.
— É bom não gritar comigo de novo ou serei obrigado a cortar sua língua e dar de comer para os meus cavalos.
Tentei olhar para ele para poder ver sua expressão mas ele me firmou no lugar com as mãos.
— E fique quieta ou vou deixar você cair. — Disse ríspido.
— Nossa que cavaleiro. — Resmunguei.
Ele se aproximou ainda mais do meu ouvido, encostando seus lábios levemente em minha orelha e disse:
— Eu não estava brincando sobre arrancar sua língua e é bom você realmente ficar quieta porque eu estou muito tentado a fazer isso.
O jeito que ele falou não foi meio, foi muito diabólico. Leon tinha razão Madark era o diabo em pessoa. Decidi ficar quieta, ele certamente não estava brincando.
— Vamos! — Ele gritou. — Temos muito caminho pela frente. — Concluiu.
Os homens subiram em seus cavalos, alguns homens passaram em nossa frente incluindo Catarina que me olhou com uma fisionomia feia. Ela me lembra Hugo. E por falar em Hugo hoje realmente não era meu dia, não deveria ter saído do palácio, se tivesse ficado nada disso teria me acontecido. Olhei pelo canto do olho e vi que os homens que estavam atrás do cavalo de Nicolay propositalmente deixaram suas tochas caírem no chão colocando fogo na entrada da vila. Dessa vez não consegui segurar as lágrimas. Para falar a verdade não queria mesmo segurá-las a única coisa que eu realmente queria fazer naquele momento era chorar.
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