Capítulo 37
— Você está horrível Meredith. — Emily olhou para mim com uma expressão engraçada, e eu sorri em resposta.
— Tive um pesadelo, depois não consegui dormir de novo. — Respondi.
Passei a mão pelo rosto, ansiando por fazer desaparecer as manchas que ali se encontravam.
— Pare de ter pesadelos você está nos enchendo de trabalho. — Brincou Caroline me fazendo rir.
— Senhorita seu café. — Disse Cat cantarolando ao entrar no quarto.
Ao me virar para encarar a bandeja de café da manhã, deparei-me com uma seleção que incluía torradas com panquecas e mel, sucos de laranja e café fumegante. No entanto, o pior de tudo estava ali: ovos mexidos. Uma careta involuntária tomou conta do meu rosto, e tive que tampar a boca para conter o enjoo que surgiu.
— O que foi? — Perguntou Cat, dirigindo seu olhar para a bandeja à sua frente.
— Não gosto de ovos. — Desconversei.
— Desde quando você não gosta de ovos mexidos? Você ama, são seus favoritos. — Interferiu Emily, olhando-me com confusão estampada em seu rosto.
— Olhe, foi feito com as especiarias que mais gosta . Você adora é seu favorito depois das panquecas. — Insistiu Cat, aproximando-se.
Incapaz de conter por mais um segundo sequer, corri para colocar tudo para fora. Emily correu atrás de mim e segurou meus cabelos, evitando que se sujassem.
— Pelos deuses o que houve? — Perguntou Cat desesperada.
— Não foi nada eu só tive um pequeno enjoo. — Respondi me limpando.
— Mas com ovos? — Emily protestou erguendo as sobrancelhas.
— E qual é o problema? Eu mesmo odeio ovos. — Cat fez uma careta ao pensar nos ovos.
— Meredith! — Me chamou Caroline.
"Céus"
— Diga Caroline. — Me recompus e voltei para o quarto.
Sentei-me na cama e levei meu olhar até as meninas, que estavam paradas, me encarando. Emily parecia perplexa, Caroline estava desconfiada e Cat exibia uma expressão confusa. Ótimo, era exatamente o que eu precisava: três criaturas curiosas prestes a me encher de perguntas.
— Preciso contar um segredo à vocês. — Me adiantei.
Levantei-me e dirigi-me à porta para verificar se estava tudo bem.
— Que segredo? — As três falaram ao mesmo tempo, sem querer.
Olhei para a porta mais uma vez, certificando-me de que ninguém ouviria o que eu estava prestes a dizer naquele momento.
— Pois diga. — Me apressou Emily.
— Eu estou grávida. — Confessei, fechando os olhos com medo de suas reações.
As três me olharam paralisadas, com a boca aberta e sem expressão além disso. "Droga, elas devem estar decepcionadas comigo", pensei.
— Ahh! — Gritou Emily pulando e rindo feito louca.
Cat e Caroline seguiram o exemplo de Emily e correram em minha direção. Sem hesitar, me envolveram em um abraço caloroso. De repente, começaram a pular de alegria, gritar e rir, criando uma atmosfera de euforia contagiante ao meu redor.
— Ei, Ei! Parem com isso. Falem baixo, pelos deuses! — Disse, achando graça enquanto tentava controlá-las.
— Espera! — Cat parou, de repente ficando séria. — O filho é do senhor Leonidas e ele fez tudo isso com você e agora o qu... — Suas palavras cessaram abruptamente, interrompida por sua própria compreensão da situação. O momento difícil havia chegado.
— O filho não é do Leonidas. — Falei devagar, dando tempo para que elas pudessem processar a informação.
E, mais uma vez, elas permaneceram paralisadas.
— Se não é do senhor Leonidas, de quem é então? — Perguntou Caroline, com uma expressão de confusão evidente.
Respirei fundo e concentrei-me em contar tudo, absolutamente tudo para elas. Abaixei meu tom de voz e, com determinação, falei com sinceridade.
— Estou grávida de Nicolay. — Soltei a bomba com um nó na garganta.
— Santo Deus de todos os deuses! — Disse Emily, chocada, tapando a boca.
Caroline, mais dramática, fingiu desmaiar nos braços de Cat, deixando-se cair lentamente enquanto soltava um suspiro exagerado, encenando o desmaio de forma teatral.
— Não acredito! Você ficou LOUCA? — Percebendo que seu tom de voz saiu alto demais, logo se recompôs e sussurrou. — Nicolay é ainda pior que Leon, dez vezes mais. — Continuou recuperando-se rapidamente de seu falso desmaio.
— Ele não é pior que Leon. Eu sei que ele fez coisas horríveis, mas vocês não o conhecem de verdade. — Respondi com firmeza.
— Senhor dos cinco reinos! O que será de nós se o senhor Leonidas descobrir que você está grávida de Nicolay? — Cat, sussurrou suas palavras enquanto tentava encontrar uma saída para a situação.
— Leon não pode, em hipótese alguma, saber que estou grávida, ou sei lá o que acontecerá comigo. Vocês têm que me prometer que não contarão nada, nem mesmo para os seus diários — Implorei, desesperada.
— É claro que não vamos contar nada, não faríamos isso com você, mas, sua barriga vai crescer daqui a algumas semanas e não teremos como esconder! Ou você acha que ninguém irá perceber? — Expressou Caroline, visivelmente preocupada.
— Eu sei. Sei que chegará um momento em que irão perceber. Só preciso de um pouco de tempo para sair daqui. Entendo que é perigoso, mas preciso sair o mais rápido possível. — Desabafei, sentindo o peso da urgência em minhas palavras.
Meu desespero para encontrar uma forma de escapar das garras de BrownWood é evidente, refletido nos olhos ansiosos e na agitação nervosa que transparecem em cada movimento e palavra minha.
— Nós vamos te ajudar, Meredith. Não precisa pedir uma coisa dessas, porque não te deixaremos na mão. Mas tem uma condição. — Propôs Emily, séria, enquanto encarava Cat e Caroline.
As meninas acenaram com a cabeça em concordância, enquanto eu me sentia perdida no meio daquela troca de olhares intensa, tentando decifrar os significados ocultos por trás de seus olhos preocupados e determinados.
— Qual? — Perguntei um pouco receosa.
— Queremos ir embora com você quando chegar a hora. — Respondeu agora Cat.
Fiquei emocionada e quase chorei. Ouvir isso me deixou feliz; é incrível ter elas ao meu lado, me apoiando e me ajudando. Não sei o que faria se não as tivesse aqui comigo.
— É claro! É claro que podem! — Respondi feliz.
— Vai dar tudo certo! Você vai ver, nós vamos sair daqui. — Disse Caroline, transbordando confiança em suas palavras.
...
— É bom vê-la novamente Metedith. — Saudou a senhora Ana Carter ao me ver entrar no salão de jantar.
— É bom vê-la novamente também senhora Carter. — Respondi com um sorriso amarelo.
— Foi uma caça e tanto não é mesmo? — Perguntou, de forma irônica, me encarando de cima a baixo.
A senhora Carter está observando descaradamente meus machucados, os que ganhei indo atrás do Clevan e os que ganhei como castigo de Leon.
— É foi mesmo. — Respondi ainda sem graça com sua abordagem.
— Que bracelete mais lindo. — Mudou de assunto, pegando em meu braço e examinando a joia com seus óculos que mais parecem um binóculo.
Educadamente, retirei meu braço de suas mãos. As portas se abriram lentamente, revelando a entrada de Leon acompanhado por Hugo, Ricardo e Stephen. O ar tenso pareceu se intensificar com a presença deles na sala.
— Onde está Gordon? — Olhei ao redor, incapaz de encontrá-lo, e perguntei à senhora Ana sobre sua localização.
— Morto. — Respondeu de forma seca e direta, como se o seu trágico fim fosse insignificante.
— O quê? — Surpreendentemente, virei-me na direção dela.
— Ele era responsável por cuidar de você, no entanto, permitiu sua fuga. Nossa majestade achou melhor puni-lo de uma forma mais... digamos, severa. — Disse ela, quase achando graça na situação.
Não consigo compreender esse seu ar de superioridade e arrogância. Ela parece bem diferente do que eu imaginava que fosse antes. Percebo que minha saída de BrownWood me abriu os olhos, permitindo que eu enxergasse mais claramente o verdadeiro caráter das pessoas.
— Não comeu nada. É melhor comer antes que passe mal. — Ordenou Leon ao meu ouvido.
— Não sinto fome. — Respondi.
— Pois arranje uma maneira de sentir fome e comer. — Rebateu, já perdendo um pouco a paciência.
Olhei para o prato e lá estavam eles, me atormentando: os ovos. Meu estômago começou a revirar e a vontade de vomitar cresceu rapidamente. Não consigo mais aguentar nem mesmo olhar para o prato. Estou segurando com toda minha força de vontade, mas não sei até quando conseguirei. Felizmente, Cat está escalada para servir o jantar. Trocamos olhares e, com um aceno discreto da cabeça em direção aos ovos, tentei mostrar a ela o problema, pedindo sua ajuda silenciosamente. Cat saiu e, momentos depois, reapareceu com uma bandeja nas mãos, sugerindo que talvez ela tenha entendido meu pedido implícito.
— O que é isso? — Perguntou Leon desconfiado assim que Cat se aproximou, suas sobrancelhas arqueadas em suspeita.
— Ãhm? Ah, sim! É que o prato da senhorita Meredith tem que ser diferente, vossa alteza. — Respondeu Cat, gaguejando um pouco sob o olhar penetrante de Leon.
— E por que tem que ser diferente? — Perguntou ele, ainda mais desconfiado, os olhos fixos em Cat em busca de qualquer sinal de mentira.
— Por que? Porque o prato principal é muito forte e como a senhorita Meredith está debilitada, por um bom tempo ela precisará comer algo mais leve. — Rebateu, inventando rapidamente uma história para justificar a alteração.
Pude ver nos olhos de Cat a esperança de que Leon acreditasse em sua explicação inventada.
— Ah, sim. Claro, sem problemas então. — Disse Leon, relaxando um pouco, e meu coração se aliviou.
Graças aos céus! Ainda bem que Cat conseguiu tirar esse prato daqui. Caso contrário, eu teria vomitado na mesa, pensei aliviada.
...
Dias já se passaram e continuo aqui, aprisionada em BrownWood. O que terá acontecido com o pessoal? Com Nicolay? Com Kedra? As incertezas me consomem, e não sei como reagir diante disso. A cada dia que passa, sinto meu peito se apertar mais, a ansiedade tomando conta de mim. Enquanto isso, minha barriga continua a crescer, e em breve não conseguirei mais escondê-la. Cat, Emily e Caroline têm se dedicado incansavelmente para me ajudar, não apenas a esconder a barriga, mas também a encontrar uma maneira de escapar. No entanto, até o momento, nenhuma ideia surgiu. A sensação de impotência e frustração só aumenta a cada tentativa fracassada.
— Não acredito que ainda existam lugares neste palácio que eu não conheça. — Comentei com Cat, enquanto ela me acompanhava pelos corredores, junto com os guardas que agora já considero minhas "damas de companhia".
— Aqui é mesmo muito grande. — Respondeu encarando os guardas.
Estamos a caminho da sala de tecidos do palácio, onde Cat precisa adquirir mais tecido para um dos meus vestidos, já que meu tamanho começou a mudar e precisamos de mais material. Como não tenho nada planejado, decidi acompanhá-la, cansada de ficar confinada no quarto o dia todo. Quando entramos na sala, uma cena de caos nos recepciona: criadas se movendo freneticamente, pilhas de tecidos espalhados por todos os cantos. Mas algo diferente chama minha atenção: no centro da sala, em um manequim majestoso, está o mais esplêndido vestido de noiva que já vi. Cinco criadas trabalham diligentemente em sua volta. A visão me deixa sem fôlego, e aos poucos, a realidade do que está por vir começa a me atingir.
— Céus! — Comentei baixo.
— Acho que Leonidas está planejando um casamento. — Disse Cat, apontando o óbvio.
E pela milésima vez, pensei: "Preciso sair daqui, e rápido."
Obs: perguntinha rápida, qual é o Team de vocês?
#TeamNicolay? ou #TeamLeon?
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