Capítulo 16
Estou de braços cruzados tentando firmemente sustentar minha expressão de fúria, esperando que a resposta para minha pergunta apareça. Mas nada. Joseph atravessa as pessoas em sua frente levemente como se estivesse flutuando ao andar, calmo e manso vindo até mim. Ele com sua atitude desleixada e plácido me deixa mais irritada que o normal. Como ele pode agir dessa maneira? Como se nada de estranho estivesse acontecendo? É com minha vida que eles estão lidando tenho mais que direito de saber o que está acontecendo.
— Victória meu amor. — Chamou Joseph sereno.
— Sim. — Respondeu de imediato.
— Leve Catarina e Helena para seus aposentos. E vocês quem são? — Pergunta se referindo a Alice e Alysson.
— Eu sou Alice.
— E eu sou Alysson Majestade. — Respondeu Alysson atrapalhada. As duas fazem uma reverência cômica.
— Ah sim claro mas não me chame de majestade a última coisa que eu sou é majestoso. — Disse Joseph sorrindo para mim.
— Victória leve essas duas senhoritas para os aposentos de Meredith também. Kedra você sabe o caminho de tudo aqui. Vá fazer algo com os homens, podem ir. Nicolay, Meredith e eu temos que ter uma conversa. — Ordenou.
Sinto um frio na espinha de nervosismo. Não sei se fico feliz por finalmente ter respostas ou se fico apreensiva mas seja o que for preciso saber. Assim que todos seguem seus caminhos Joseph se direcionou para mim e Nicolay e disse:
— Bom vamos? Creio eu que não quer mais esperar. Ah! E não reparem na bagunça deste palácio. — Completou abrindo os braços sendo irônico.
Sunfifth é magnífico por dentro tudo muito organizado. Tudo muito bonito. É um palácio dos sonhos completamente diferente de seu governador.
Caminhamos em completo silêncio até chegar em nosso destino. Imagino que deva ser algo muito sério e delicado, nunca vi Nicolay tão calado assim. "Bom pelo menos pelo tempo que o conheço nunca o vi assim." Ele sempre tem palavras demais e respostas na ponta da língua. Meu olhar segue intercalando ora para Joseph, ora para Nicolay. Isso é agoniante eles nem se quer olham para os lados, parecem cavalos com cabrestos. Joseph para em frente a uma porta e entra dando autorização para que façamos o mesmo. O lugar parece ser um escritório cheio de estantes com milhões de livros, uma lareira acesa, uma mesa desorganizada com vários papéis. O lugar é uma completa desordem para falar a verdade.
— Bom Meredith fique à vontade sente-se. — Disse Joseph se sentando em seu lugar no outro lado da mesa apontando a cadeira vazia em sua frente para que pudesse me sentar. Assim o fiz.
Nicolay continuou em pé ainda em silêncio com o olhar vazio.
— Você quer alguma coisa? Um chá, um café? — Balancei a cabeça em negativo. — A viajem que vocês fizeram deve ter sido cansativa tem certeza de que não quer nada? Um suco? Água? — Continuou insistindo.
— Sem mais delongas por favor. Me explique por que estou aqui? O que vocês querem? Por que Nicolay me sequestrou? — Atropelei as palavras.
— Bom... Eu não te sequestrei. — Finalmente Nicolay quebra seu silêncio.
Me virei para olhá-lo depois encarei Joseph.
— Tanto faz. — O reprimi.
— Bom são muitas perguntas não sei se posso responder todas elas. Nem sei por onde começar na verdade. — Joseph coçou a barba mal feita.
— Oras como não sabe por onde começar? — O questionei.
— Ok calma. Vamos do começo certo? — Não respondi.
— Antes deixe-me lhe fazer uma pergunta. Você conhece a lenda do sol e da lua?
Este homem é maluco.
— O quê? O que isso tem a ver com o fato de eu estar aqui? Certo Joseph pare com esse arrastamento sem necessidade e me diga logo. — Cuspi as palavras de tanto nervosismo.
Nunca me dei bem com ladainhas.
— Responda minha pergunta Meredith. — Insistiu. A forma a qual me olhou bem no fundos dos olhos me rendeu.
— Não. — Soltei. — Não sei, Talvez já tenha ouvi falar nessa tal lenda mas sei que são só estórias que o povo inventa e há tolos que acreditam nela. — Fui sincera.
— Então você não acredita nela? — Ergueu as sobrancelhas.
Não sei onde ele quer chegar com essas perguntas mas vou respondê-las para poupar meu tempo.
— Não. — Me senti inquieta.
Encostei as costas na cadeira me deixando ficar desleixada por um tempo cruzei os braços e o encarei também.
— Vou lhe contar uma história. — Disse Joseph se aproximando da mesa.
— Anos atrás a lua se sentindo solitária resolveu ir contra a natureza permanecendo viva durante o dia encontrando se com o sol que dia a pós dia brilhava. A lua subitamente se sentiu hipnotizado ao ver algo tão magnífico e acabou se apaixonando o mesmo aconteceu ao sol. Foi assim que nasceu o amor do sol e da lua e por dias ou meses o mundo teve que conviver com um céu em desordem plenamente fora de controle. Durante o dia sol e lua. Durante a noite lua e sol. Mas não poderiam continuar assim por muito mais tempo a natureza começou a ter problemas e desastres não paravam de acontecer em decorrência dessa drástica mudança. As pessoas começaram a ficar apavoradas, boatos de que o fim do mundo estava próximo começaram a se espalhar. E não a nada pior que um ser humano com pavor, você nunca sabe o que são capazes de fazer. O sol e a lua sabiam que para o bem de todos não poderiam continuar com aquele amor proibido ou algo pior aconteceria. Então para deixar uma prova do amor de um pelo o outro decidiram conceber um herdeiro para que todos pudessem ver o grande milagre de um amor impossível. E com base nesse milagre as pessoas poderiam ter fé e esperança de que podem vencer barreiras se acreditarem com o coração e de que depois da tempestade o sol sempre sairá para brilhar e iluminar os caminhos de quem se perdeu. O sol desceu seu reino para a terra assim também fez a lua, conhecidos hoje como Sunfifth e Moonfifth os reinos unidos mais poderosos de toda Sky. Assim que o bebê herdeiro concebido pelo sol e pela lua fizesse a maior idade e fosse coroado se tornaria o Senhor dos dois reinos e assim se cumpriria a profecia.
— Espere. — Interrompi. — Qual era profecia? — Perguntei curiosa.
— Bom assim que o herdeiro tomasse posse do trono dos dois reinos a ligação do sol, da lua e do herdeiro estariam completos. Então Sunfifth e Moonfifth que já são mais que poderosos se tornaria dez vezes mais. Completamente imbatíveis.
— Dez vezes mais? Mas por que? Isso, isso não tem muito sentido. Essa história não tem sentido e por quê está me contando isso? — A cada virgula me sentia ainda mais atônita.
— O bebê não era qualquer bebê. — Continuou. — Era um bebê especial ele tinha. Digamos que dons incompreensíveis.
— Dons? — Permaneço imóvel. Absorvida por uma profunda perplexidade diante de cada descoberta surreal .
— Sim dons. Uma parte da lenda diz inclusive que no ano em que o bebê nasceu mais nenhum bebê foi concebido. Apenas o herdeiro.
— Você está querendo me dizer que em um ano inteiro nasceu somente um bebê? — Sinto tola incapaz de compreender tais informações.
— Sim. — Respondeu com tranquilidade.
— Bom Joseph você me disse que esse bebê tinha dons incompreensíveis. Que dons são esses? — Me aproximei da mesa para ouvi-lo melhor.
— Ninguém até hoje descobriu. — Abaixou a cabeça.
— isso é uma piada. — Sorri incrédula. — Como sabe que é verídico se não sabem o que o bebê tem ou tinha? — O aticei.
— Reinos e mais reinos descobriram essa história. Vieram de todos os cantos para atacar e tomar o reino mas não conseguiram então mudaram de tática começaram a ir em busca do bebê. Matando o bebê a ligação nunca seria completa e o reino ficaria fraco ou pelo menos não tão forte tornando então fácil atacar. Mas ninguém encontrou o bebê era como se ele nunca tivesse existido, irrealizável. O que não sabiam era que ele tinha sido adotado por um casal nobre.
— Que casal? — A pergunta me saiu automaticamente fiquei surpresa com meu interesse.
— Marcela Calore e Edgar Calore. — Disse Joseph me deixando sem ar.
— O quê? — Meus olhos se arregalaram enquanto minha boca se entreabria em um mudo espanto, incapaz de articular uma única palavra diante da revelação inesperada que virou meu mundo de cabeça para baixo."
Senti um nó na garganta, olhei para Nicolay que a tempo não diz uma palavra se quer e ele não tem expressão nenhuma.
— Isso é impossível. — Minha voz saiu baixa.
— Meredith. — Joseph tentou falar mas o interrompi.
— Não! — Gritei para Joseph. — Você está mentindo, está enganado por que está fazendo isso? — Meus olhos marejaram. — O herdeiro. Era um menino? É um rei que eles esperam, certo? — Perguntei desesperada.
— Não Meredith. Era uma menina. É uma menina. — Disse Nicolay.
— Vocês estão loucos! — Me levantei.
Preciso respirar direito. Isso é mentira. "Meredith não acredite neles." Respire um. Respire dois.
— Só estamos lhe contando a verdade. — Joseph se levantou. — As únicas pessoas que sabiam eram seus pais adotivos. O rei e a rainha eles estavam te escondendo. Te mantiveram em segurança cuidaram de você para que crescesse e cumprisse a profecia mas foram mortos.
— Isso não faz sentido... Não. — Não consegui raciocinar direito.
Estou andando de um lado para o outro massageando as laterais da minha cabeça que doem, tentando digerir tudo mas não consigo.
— Meredith. — Começou Joseph mais uma vez. Céus esse homem não para de falar. — Há pessoas que sabem da sua existência e farão de tudo para impedir que você se torne Rainha dos dois reinos.
— Rainha? Você está de brincadeira? — O interrompi.
Estou tremendo não paro de tremer.
— Meredith você precisa de treinamento. Precisa aprender a controlar seus poderes, precisa descobrir quais são. Uma guerra está por vir e precisamos de você. Os nossos reinos precisam de você. — Joseph já está começando a alterar a voz extremamente exasperado.
— Que guerra é essa? Quem quer me matar? Parem por favor, parem. — Implorei exausta. — Não, esperem. Vocês estão insinuando que o rei, a rainha e meus pais morreram por minha causa? — Quando não se pode imaginar que algo pior aconteceria.
— Basicamente sim. Mas... — Disse Joseph com uma cara triste.
— Quem? Quem faria algo assim. — Perguntei enxugando as lágrimas interrompendo Joseph.
— Essa eu faço questão de responder. — Nicolay finalmente se manifesta com um sorriso radiante que iluminou seu rosto enquanto seus olhos brilhavam com orgulho. — Leonidas Castablanca. Você conhece?
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