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Capítulo 11



Olho para a janela e me sinto deslocada é estranho não acordar na minha cama, não acordar com minhas criadas correndo de um lado para o outro. Abraço o travesseiro e fecho os olhos. Conto até dez e abro novamente. Ainda estou aqui. Olho para a sala de banhos e escuto o barulho de água caindo na banheira. Me levanto na ponta dos pés e vou até lá, quando chego não vejo ninguém.

— Bom dia Meredith. — Disseram em uníssono.

— Ah céus! — Dei um pulo de susto com a aparição de duas garotas.

O mais cômico é que são gêmeas idênticas.

— Céus que susto! Quem são vocês e o que estão fazendo aqui? — Perguntei com uma mão no coração e a outra na cintura tentando me acalmar do susto.

— Ôh! sim que cabeça a nossa. Eu sou Alice. — Disse uma fazendo reverência.

— E eu sou Alysson. — Disse a outra acompanhando a irmã na reverência.

— E somos suas novas criadas. — Responderam em uníssono novamente.

— Não, vocês não são. — Falei saindo da sala de banhos  voltando para o quarto.— Minha criada é uma senhora da cara fechada...

— Ahh! Essa deve ser a senhora Fátima. Ela não é sua criada ela só te ajudou ontem porque nós duas. — Disse Alice apontando para ela e para Alysson.

— Fomos visitar nossa mãe então ela teve que nos substituir. Fátima na verdade é criada de Catarina. — Terminou Alysson.

— Pelos senhores dos cinco reinos, cruzes. — Ri com pena da senhora Fátima. — Agora entendo porque ela é tão rabugenta. — As gêmeas riem.

— O que a senhorita gostaria de vestir hoje? — Perguntou Alysson.

— Algo o mais simples possível. — Falei deitando novamente na cama.

— Impossível. A senhorita já viu suas roupas do alcova? — Perguntou Alice.

— Por favor. Como assim impossível? E essas não são minhas roupas são as roupas de Nicolay. — Me sentei na cama.

Joguei meus cabelos para o lado e olhei para as duas.

— Tenho certeza de que há algo simples ai dentro. — Apontei para o closet.

— Nossa majestade gosta de cores chamativas, segundo ele deixa as mulheres mais sexy e poderosas. — Disse Alice com cara de apaixonada.

— Pouco me importa quais são as cores que Nicolay gosta quero mais é que ele se exploda. — Respondi sentindo raiva só de ouvir seu nome.

— Bom tem esse vestido azul o que acha? — Pediu minha opinião.

Alysson apareceu com um vestido azul marinho. É lindo, não é tão simples como gostaria e muito menos discreto mas é lindo. A parte de cima não tem mangas porém apresentam detalhes de rendas. Na parte da saia há dois tecidos o debaixo é todo trabalhado na mesma renda superior e a parte de cima é um tecido liso que não consigo identificar porém esplêndido. "Bom, até que dá para usar."

— É, esse até que está bom. — Tentei esconder meu apresso pelo vestido.

— Ótimo! — Exclamou Alysson com gritinhos.

— Pelos SENHORES ALYSSON! — Gritou Alice.

Olhei para Alysson e nós duas saímos correndo para a sala de banhos.

Quando abrimos a porta encostada vimos um aguaceiro sem fim. Está tudo encharcado, alagado de água.

— O que aconteceu aqui? — Perguntei tampando a boca para segurar o riso.

— Pergunte para a Alysson. — Gritou Alice vermelha de raiva.

—Aí! Eu esqueci de fechar a torneira da banheira. Calma! eu vou resolver isso calma! — "Essa Alysson é maluquinha."

Alysson passou por mim e me entregou o vestido que ela estava segurando.

— A senhorita poderia segurar aqui um instantinho? Obrigada. — Então Alysson saiu correndo.

Não consegui segurar o riso e dei vários grunhidos com a situação. Fazia tempo em que não ria assim Alysson e Alice me lembram Cat, Emily e Caroline. Eu sinto a falta delas. Talvez eu tenha ganhado Alysson e Alice de presente dos céus para alegrar meus dias em Sansalom e eu agradeço imensamente.

                                                                                               ...

Abri a porta e encontrei-me frente a frente com Kedra e Nicolay. O olhar dos dois caíram sobre mim como se eu fosse uma experiência mal estudada.

— O que é isso? — Perguntei não entendendo porque os dois estão aqui juntos.

— Você está linda Meredith. — Elogiou Kedra. — Não é mesmo irmão? — Perguntou para Nicolay.

Nicolay olhou para mim de cima a baixo e então respondeu.

— Certamente irmão. — Disse não se importando nem um pouco.

— Ainda não me disseram o que vieram fazer aqui. — Insisti.

— Viemos te buscar para irmos tomar café da manhã. — Respondeu Kedra.

— Nós percebemos que você estava perdida ontem, quando te encontramos estava do lado contrário do corredor de seu quarto. Então acho que será bem legal te mostrar algumas coisas. — Concluiu.

— Será que dá para irmos? Estou faminto. — Interrompeu Nicolay abrindo caminho sendo o primeiro a sair.

Nicolay hoje está com um terno azul escuro, com alguns tons à mais se tornaria preto, combina com a cor de seus olhos as tão surpreendentes bolinhas azul e verde.

— Gostou? — Perguntou percebendo meus olhos sobre ele.

— Chamativo demais para um rei. — Ergui as sobrancelhas.

— Ótimo! — Respondeu.

— Aliás hoje depois do café Kedra te levará para conhecer o palácio.

— Para quê? — Olhei para os dois.

— Para não ter perigo de você andar por aí e encontrar o que não deveria. — Disse incomodado com algo.

— E o que eu não deveria encontrar? — Questionei.

— Você não gostaria de saber princesa. — Disse piscando para mim.

A cada passo que pelo palácio de Sansalom vejo um guarda a postos. Nicolay deve se achar muito valioso são tantos que chega a ser exagero. Aqui dentro não preciso de capas ou vestidos de mangas longas por algum motivo dentro das paredes assustadoramente aconchegantes não faz o menor frio como em BrownWood. Na verdade aqui é quente, quente até demais.

— Por que aqui é tão quente? — Perguntei direcionando-me para Nicolay.

— Porque somos filhos das chamas. — Respondeu por sobre os ombros.

Não sei porque me dei o trabalho de perguntar, aquela resposta de Nicolay não me ajudou em nada.

Paramos em frente a uma porta gigantesca onde se encontra dois guardas cada um de um lado da porta. Eles a empurraram para que pudesse abrir e assim que se abriram Nicolay me parou com as mãos e Kedra seguiu adiante.

— Não se esqueça seja uma boa menina. — Cochichou ríspido para que apenas eu o escutasse.

Fiz que sim com a cabeça. Não quero ninguém sofrendo por minha causa então o que me resta a fazer é obedecer Nicolay mesmo contra minha vontade. Assim que entrei na sala de jantar todos pararam de fazer o que estavam fazendo para me observar. Como eu gostaria de estar invisível agora. O lugar está abarrotado de gente há várias mesas e em cada uma delas há várias pessoas reunidas, cada um com seu grupo. Nicolay já não satisfeito com as atenções voltadas para mim fez questão de me puxar para seus braços e disfarçadamente depositar uma das mãos em minha cintura. Óbvio que ele iria desfilar comigo ao lado, não sei porque estou surpresa ele não deixaria escapar a oportunidade de mostrar para seus súditos o seu grande troféu "O que antes era de meu inimigo agora é meu!" Grande aparição, se antes eu já não sabia o que Nicolay tanto quer comigo agora muito menos. Nicolay nos guiou para a mesa principal onde ele se senta com seus "amigos" se não me engano. De longe posso ver os olhares de Catarina sobre mim faiscando de ódio mas a grande questão é: O motivo é pelos acontecimentos de ontem ou por Nicolay não tirar as mãos de mim?
Nicolay toma assento e logo em seguida me junto ao seu lado. Graças aos deuses o assento de Catarina é bem afastado do meu.

— Gostou de sua nova casa? 

Perguntou Lucky em tom mordaz enchendo a boca de damascos.

Percebi que o seu prato é bem parecido com o meu cheio de frutas, torradas, roscas e uma variedade enorme de pães. Na mesa tem sucos, leite com mel, chás de cascas de uvas e mais frutas. Muita fartura.

— Bom não sei se você reparou mas não faço parte dessa "casa." Aqui não é e nunc...

— Hãm, hãm... — Nicolay coçou a garganta me interrompendo de continuar.

Assim que me impediu de terminar a frase gesticulou com os lábios "boa menina." Aquilo estava me dando nos nervos mas continuei.

— Estou adorando. — Me contive.

— Então essa é a tão famosa Meredith Rose Calore? — Perguntou o desconhecido.

— Então aqui eu sou famosa? — Resmunguei.

— Sim! — Respondeu outro desconhecido.

— Mas não por ser a futura Rainha de BrownWood. — Riu.

Percebendo meu desconforto Kedra cochichou "Lucas". Bem melhor agora posso identificar quem fala comigo. Acenei como forma de gratidão.

— Então por que sou tão famosa assim? — Perguntei mas logo me arrependi.

Céus eu e minha boca grande.

— Você é famosa por aqui por ter conseguido dar uma surra em Catarina. — Respondeu Lucas as gargalhadas.

Catarina está para explodir de raiva.

— Ela me pegou desprevenida quero ver se ela tem coragem de me enfrentar no campo. — Disse Catarina amassando seu pão nos dedos e imaginando ser meu pescoço.

Engoli em seco mas não ia deixar ela me intimidar, para me controlar basta Nicolay.

— Meu bem deixe-me lhe apresentar meu pessoal. — "Meu bem?" Nicolay muda de assunto rapidamente.

Assim que ele pronunciou essas palavras Catarina me olhou com mais raiva ainda.

— Você já conhece meu irmão Kedra, Lucky e logicamente Catarina. Esses... — Disse apontando para o outro lado.— São Lucas, Gerad, Helena e Rixon são os de minha extrema confiança.

Minha percepção para mulheres no meio desse pessoal é realmente muito ruim, não tinha reparado que havia outra mulher na mesa além de mim e Catarina. Eles acenaram e voltaram a atenção para seus pratos. Estou morrendo de fome então me concentro em meu prato também. Enquanto todos conversam eu como. Nicolay me observa de longe e Catarina me fuzila com os olhos. Excelente um ótimo começo para o café da manhã em Sansalom.

                                                                                          ...

Sansalom é enorme para conhecer, todo o lugar levaria dias Kedra só está me mostrando os pontos mais importantes de todo o palácio. Achei que todas as pessoas de Sansalom fossem tenebrosas, maldosas de coração podre mas não é bem assim. Tirando claro Nicolay e Catarina da lista de pessoas agradáveis que conheci. Achei também que este era um lugar horroroso, escuro, com flores murchas, bichos horrendos e mortos resumindo um castelo de horrores mas nunca estive tão enganada. O palácio de Nicolay é bem cuidado, arejado e tem os jardins mais bonitos que já vi. É vergonhoso mas tenho que confessar os jardins de Sansalom são melhores e mais belos de se apreciar que os de BrownWood. Sem contar com o lago que tem do lado de fora do palácio que é lindo, no pôr do sol deve ter uma vista magnífica. É, Sansalom tem seus prós e contras. Kedra me mostrou a grande biblioteca, as salas de reunião, os salões de festa, a sala do trono. Me mostrou também as cozinhas, os vários corredores que me levam para a sala de jantar, os vários corredores que me levam para meu quarto. Lugares onde eu posso me esconder durante o dia e ler, dentre outros. Kedra me mostrou cada pedacinho do palácio e meus pés já estão latejando de tanto andar.

—Bom acho que por hoje é só. — Disse Kedra.

— Ah! Não tem mais lugares para ver? — Estava ficando entusiasmada.

— Ôh se tem! Mas pode ir descansar já está anoitecendo e daqui a pouco teremos o jantar.

Cheguei do passeio com Kedra e caí na cama extremamente exausta, se não fosse por Alice e Alysson teria perdido o jantar. Quando desci não vi Nicolay em nenhuma das mesas. Segundo Helena ele não desceria para jantar naquela noite. Quando terminei de comer subi correndo para o quarto enquanto o pessoal continuou festando mas obviamente eu não tenho motivos para festejar nada. A primeira coisa que pedi para as meninas foi para preparem meu banho. Depois as dispensei. Entrei na banheira e acho que acabei cochilando, não havia descansado o suficiente do meu passeio com Kedra e nos últimos dias o sono tem corrido de mim. Quando acordei a água já estava meio fria, tentei pegar meu roupão mas ele não estava ali por perto procurei em volta mas não achei.

— Alice! Alysson! — Gritei mas havia me esquecido de que tinha as liberado.

Virei para a porta e arregalei os olhos assustada e surpresa. "Mas será possível?" Nicolay está lá com aquelas pedras azul e verde me encarando como um fantasma segurando meu roupão.

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