Capitulo 15
Não podia crer no que meus olhos estavam vendo... meu amigo... não... ele não... não pode estar...
Lágrimas inundaram meus olhos enquanto sentia um aperto no peito, eu já chorava descontroladamente, até sentir alguém me abraçando, era a Molly, ela tentava me acalmar mas minhas lágrimas não paravam de cair, meu amigo se foi e eu não tive ao menos a chance de me despedir...
Depois disso a Sra. Weasley, Gui, Rony e Hermione e eu reunidos em torno da Madame Pomfrey. Precisávamos saber onde estava Harry e o que lhe acontecera.
Todos nós nos viramos quando Harry, Dumbledore e o cachorro preto entraram no nosso campo de visão, e a Sra. Weasley deixou escapar um grito abafado:
- Harry! Ah, Harry!
Ela fez menção de correr para o garoto, mas Dumbledore se colocou entre os dois.
- Molly - disse ele, erguendo a mão -, por favor, ouça-me um momento. Harry passou uma provação terrível esta noite. Acabou de desabafá-la comigo. Do que ele precisa agora é de sono, paz e silêncio. Se ele quiser que vocês todos fiquem com ele - acrescentou o diretor, abrangendo com o olhar Rony, Hermione, Gui e eu- vocês podem ficar. Mas não quero que lhe façam perguntas até que ele esteja pronto para respondê-las e, certamente, não será hoje à noite.
A Sra. Weasley concordou com a cabeça. Estava muito pálida. Ela se virou para Rony, Hermione e Gui, como se eles estivessem fazendo barulho, e sibilou:
- Vocês ouviram? Ele precisa de silêncio!
- Diretor - disse Madame Pomfrey, encarando o cachorro preto que era Sirius -, posso perguntar o que...
- Este cachorro vai ficar com Harry por algum tempo - disse Dumbledore com simplicidade. - Posso lhe assegurar que ele é muitíssimo bem treinado. Harry, vou esperar até você se deitar.
- Voltarei para vê-lo assim que estiver com Fudge, Harry - disse Dumbledore. - Gostaria que você ficasse aqui amanhã também, até eu me dirigir à escola. - E saiu.
Quando Madame Pomfrey levou Harry a uma cama próxima, ele avistou o Moody deitado imóvel em uma cama no fundo da enfermaria. Sua perna de pau e o olho mágico estavam pousados na mesa de cabeceira.
- Ele está OK? - perguntou Harry.
- Ele vai ficar bom - respondeu Madame Pomfrey, entregando ao garoto um pijama e colocando os biombos à sua volta.
Contornamos o biombo e nos sentamos em cadeiras dos lados da cama. Rony e Hermione espiaram o amigo quase cautelosamente, como se sentissem medo dele se machucar.
- Eu estou bem - disse Harry a eles. - Só cansado.
Os olhos da Sra. Weasley se encheram de lágrimas quando alisou as cobertas da cama sem a menor necessidade.
Madame Pomfrey, que acabara de sair apressada de sua sala, voltou segurando uma taça e um frasquinho contendo uma poção púrpura.
- Você vai precisar beber tudo isso, Harry. É uma poção para dormir sem sonhar.
O garoto tomou o cálice e bebeu alguns goles. Antes que pudesse terminar a poção, antes que pudesse dizer mais alguma coisa, sua exaustão o adormeceu.
Depois de algumas horas...
- Vão acordá-lo se não calarem a boca!
- Por que é que estão gritando? Não pode ter acontecido mais nada ou pode?
Harry abriu os olhos borrados. Eu havia tirado seus óculos para dormir.
- É a voz de Fudge - sussurrou Molly. - E a outra é da Minerva McGonagall, não é? Mas por que estão discutindo?
Agora Harry os ouvia, também; gente gritando e correndo em direção à ala hospitalar.
- Lamentável, mas mesmo assim, Minerva... - dizia o ministro em voz alta.
- O senhor nunca deveria tê-lo trazido para o interior do castelo! - berrou a professora. - Quando Dumbledore descobrir...
Foquei o olhar na porta quando Gui afastou os biombos, Harry se sentou e tornou a colocar os óculos.
Fudge entrou em grandes passadas pela enfermaria. Os Profs. McGonagall e Snape vinham em seus calcanhares.
- Onde está Dumbledore? - Fudge interpelou a Sra. Weasley.
- Não está aqui - disse a senhora zangada. - Isto é uma enfermaria, ministro, o senhor não acha que faria melhor...
Mas a porta se abriu e Dumbledore entrou decidido.
- Que aconteceu? - perguntou energicamente, olhando de Fudge para McGonagall. - Por que estão incomodando estas pessoas? Minerva, você me surpreende, eu lhe pedi para ficar vigiando Bartô Crouch...
- Não há necessidade de vigiá-lo mais, Dumbledore! - gritou ela. - O ministro já providenciou isso!
Nunca vira a professora se descontrolar daquele jeito. Havia manchas vermelhas de raiva em seu rosto, as mãos estavam fechadas em punhos; ela tremia de fúria.
- Quando informei ao Sr. Fudge que tínhamos apanhado o Comensal da Morte responsável pelos acontecimentos desta noite - disse Snape, em voz baixa -, parece que ele achou que sua segurança pessoal estava ameaçada. Insistiu em chamar um dementador para acompanhá-lo até o castelo. Levou-o para a sala em que Bartô Crouch...
- Avisei a ele que você não concordaria, Dumbledore! - vociferou a Profa Minerva. - Avisei a ele que você não permitiria que dementadores entrassem no castelo, mas...
- Minha cara senhora! - rugiu Fudge, que parecia igualmente mais zangado do que eu jamais vira. - Como ministro da Magia, sou eu quem decide se quero trazer uma proteção pessoal quando vou entrevistar alguém possivelmente perigoso...
Mas a voz da Profa McGonagall abafou a de Fudge.
- No momento em que aquela... aquela coisa entrou na sala - berrou ela, apontando para Fudge, o corpo todo tremendo - o dementador avançou para Crouch e... e...
Senti um frio no estômago, enquanto a professora procurava encontrar palavras para descrever o que acontecera. Sabia o que o dementador devia ter feito. Aplicara o beijo fatal em Bartô Crouch. Sugara a alma do rapaz pela boca. Ele estava pior do que morto.
- Pelo que todos dizem, não se perdeu nada! - vociferou Fudge. - Ele parece ter sido responsável por várias mortes!
- Mas ele agora não pode prestar depoimento, Cornélio - disse Dumbledore, encarando Fudge com insistência, como se o visse direito pela primeira vez. - Ele não pode testemunhar por que matou essas pessoas.
- Por que ele as matou? Ora, isso não é mistério, é? - esbravejou o ministro. - Ele é doido de pedra! Pelo que Severo e Minerva me disseram, ele parecia pensar que tinha feito tudo isso seguindo instruções de Você-Sabe-Quem!
- E ele estava seguindo instruções de Lorde Voldemort, Cornélio - respondeu Dumbledore.- A morte dessas pessoas foi apenas um produto secundário do plano para restaurar as forças de Voldemort. O plano foi bem-sucedido. Voldemort recuperou seu corpo.
Fudge parecia ter levado uma pancada violenta no rosto. Atordoado e piscando, ele olhou para Dumbledore como se não conseguisse acreditar no que acabara de ouvir.
Começou a balbuciar, ainda de olhos arregalados para o diretor.
- Você-Sabe-Quem... retornou? Absurdo. Ora, vamos, Dumbledore...
- Conforme Minerva e Severo sem dúvida lhe contaram, ouvimos Bartô Crouch confessar. Sob a influência do Veritaserum, ele nos disse como foi contrabandeado para fora de Azkaban e como Voldemort, tendo sabido por Berta Jorkins que ele continuava vivo, foi libertá-lo da guarda do pai, e usou-o para capturar Harry. O plano funcionou, posso lhe garantir. Crouch ajudou Voldemort a retornar.
- Olhe aqui, Dumbledore - disse Fudge, e fiquei espantado de ver o sorrisinho que apareceu no rosto do ministro -, você... você não acredita seriamente nisso. Você-Sabe-Quem voltou? Ora, vamos, ora, vamos... com certeza Crouch deve ter acreditado que estava agindo sob as ordens de Você-Sabe-Quem, mas aceitar a palavra de um doido daqueles, Dumbledore...
- Quando Harry tocou na Taça Tribruxo esta noite, ele foi transportado diretamente até Voldemort - disse Dumbledore com firmeza. - Ele presenciou o renascimento de Lorde Voldemort. Explicarei tudo a você se quiser vir ao meu escritório.
Dumbledore olhou para Harry e viu que o garoto estava acordado, mas sacudiu a cabeça e disse:
- Receio que não possa permitir que você interrogue Harry hoje.
O curioso sorriso de Fudge perdurou.
Ele também olhou para Harry, depois se voltou para Dumbledore:
- Você está... hum... disposto a aceitar a palavra de Harry neste caso, Dumbledore?
Houve um momento de silêncio, interrompido por um rosnado de Sirius. Tinha os pelos do pescoço em pé e seus dentes se arreganharam para Fudge. Não julgo também não acredito como um idiota desses conseguiu um cargo no ministério.
- Certamente que acredito em Harry - disse Dumbledore. Seus olhos brilharam de fúria. - Ouvi a confissão de Crouch e ouvi o relato de Harry sobre o que aconteceu quando ele tocou a Taça Tribruxo; as duas histórias fazem sentido, explicam tudo que tem acontecido desde que Berta Jorkins desapareceu no verão passado.
Fudge ainda conservava aquele sorriso estranho no rosto. Olhou mais uma vez para Harry antes de responder.
- Você está disposto a acreditar que Lorde Voldemort voltou, porque assim dizem um assassino louco e um garoto que... bem...
- Não vou permitir que insulte meu amigo dessa forma! - Falei ficando em frente ao Harry de braços cruzados e um olhar irritado. Sirius veio ao meu lado como se me desse apoio para proteger Harry daquele asqueroso.
- Minha jovem eu não disse...
- O senhor tem andado lendo Rita Skeeter, Sr. Fudge - disse Dumbledore calmamente provavelmente evitando uma discussão.
Rony, Hermione, a Sra. Weasley e Gui, todos se assustaram. Nenhum deles percebera que Harry estava acordado.
Fudge corou ligeiramente, mas surgiu em seu rosto uma expressão de desafio e obstinação.
- E se tiver? - perguntou, fitando Dumbledore. - E se descobri que você me tem ocultado certos fatos sobre o garoto? Ofidioglota, é? E tem desmaios esquisitos a toda hora?...
- Presumo que você esteja se referindo às dores que Harry tem sentido na cicatriz? - perguntou Dumbledore friamente.
- Você admite que ele tem tido dores, então? - perguntou Fudge depressa. - Dores de cabeça? Pesadelos? Possivelmente... alucinações?
- Escute aqui, Cornélio - disse Dumbledore dando um passo para perto de Fudge. - Harry é tão mentalmente são quanto eu ou você. Aquela cicatriz na testa não afetou o cérebro dele. Acredito que doa quando Lorde Voldemort está por perto ou experimente sentimentos assassinos.
Fudge se afastara meio passo de Dumbledore, mas não parecia menos obstinado.
- Você vai me perdoar, Dumbledore, mas nunca ouvi falar em uma cicatriz deixada por um feitiço funcionar como uma campainha de alarme antes...
- Olhe, eu vi Voldemort ressurgir! - gritou Harry. Ele tentou novamente se levantar da cama, mas a Sra. Weasley forçou-o a deitar. - Eu vi os Comensais da Morte! Posso dar os nomes! Lúcio Malfoy...
Snape fez um movimento repentino, mas quando Harry se virou, o olhar do professor retornara a Fudge.
- Malfoy foi inocentado! - disse Fudge visivelmente afrontado. - Uma família muito antiga, doações para causas excelentes...
-Pelo visto eles tem dinheiro suficiente para comprar o Ministério e suas loucuras. - Falei ainda irritada vendo a fúria nos olhos de Fudge.
- Mcnair! - continuou Harry.
- Também inocentado! Agora trabalha para o Ministério!
- Avery, Nott, Crabbe, Goyle.
- Você está apenas repetindo os nomes dos que foram absolvidos da acusação de serem Comensais da Morte há treze anos! - disse Fudge zangado. - Poderia ter achado esses nomes em relatórios antigos sobre os julgamentos! Pelo amor de Deus, Dumbledore, o garoto esteve com a cabeça cheia de histórias malucas no fim do ano passado, também, as invencionices dele estão cada vez mais mirabolantes, e você continua a engoli-las, o garoto é capaz de falar com cobras, Dumbledore, e você ainda acha que ele merece confiança?
- Seu tolo! - exclamou a Profa McGonagall. - Cedrico Diggory! O Sr. Crouch! Estas mortes não foram o trabalho aleatório de um doido!
- Não vejo nenhuma evidência em contrário! - gritou Fudge, agora equiparando sua raiva à da professora, o rosto roxo. - Parece-me que vocês estão decididos a começar uma onda de pânico que irá desestabilizar tudo pelo que trabalhamos nesses últimos treze anos!
Não consegui acreditar no que estava ouvindo. Sempre pensara em Fudge como uma pessoa bondosa, um pouco espalhafatosa, um pouco pomposa, mas de índole essencialmente boa. Mas agora via à sua frente um bruxo baixo e furioso, que se recusava terminantemente a aceitar a perspectiva de um esfacelamento do seu mundo confortável e ordeiro - a acreditar que Voldemort pudesse ter ressurgido.
- Voldemort retornou - repetiu Dumbledore. - Se você aceitar imediatamente este fato, Fudge, e tomar as medidas necessárias, talvez ainda possamos salvar a situação. O primeiro passo, e o mais essencial, é retirar Azkaban do controle dos dementadores...
- Que despropósito! - gritou outra vez Fudge. - Retirar os dementadores! Eu seria chutado do Ministério se sugerisse uma coisa dessas! Metade da população só se sente segura quando se deita à noite porque sabe que os dementadores estão guardando Azkaban!
- A outra metade não dorme tão bem, Cornélio, porque sabe que você deixou os seguidores mais perigosos de Lorde Voldemort aos cuidados de criaturas que irão se juntar a ele no momento em que ele pedir! - retorquiu Dumbledore. - Eles não irão permanecer leais a você, Fudge! Voldemort pode oferecer um espaço muito maior para os poderes e prazeres deles do que você! Com os dementadores a apoiá-lo, e a volta dos seus antigos seguidores, você vai ter muita dificuldade para impedi-lo de reconquistar o poder que tinha há treze anos!
Fudge abria e fechava a boca como se não tivesse palavras para expressar sua indignação.
- A segunda medida que você precisa tomar, e imediatamente - continuou Dumbledore -, é mandar enviados aos gigantes.
- Enviados aos gigantes! - gritou o ministro em tom agudo, afinal recuperando a fala. - Que loucura é essa?
- Estenda-lhes a mão da amizade, agora, antes que seja tarde demais ou Voldemort irá persuadi-los, como já fez antes, que somente ele entre os bruxos concederá aos gigantes direitos e liberdade!
- Você... você não pode estar falando sério! - exclamou Fudge, sacudindo a cabeça e se afastando um pouco mais de Dumbledore. - Se a comunidade mágica ouvir falar que eu procurei os gigantes, as pessoas os odeiam, Dumbledore... a minha carreira termina...
A cada segundo que ouço aquele homem falar mais e mais ódio surgem em meus olhos.
- Você está cego de amor - disse Dumbledore, sua voz elevando-se agora, a aura de poder palpável ao seu redor, seus olhos mais uma vez esbraseados - pelo cargo que ocupa, Cornélio! Você atribui demasiada importância, como sempre fez, à chamada pureza do sangue! Você não consegue reconhecer que não faz diferença quem a pessoa é ao nascer, mas o que ela vai ser ao crescer! O seu dementador acabou de destruir o último membro de uma família de sangue puro tão antiga quanto a de outros, e veja em que foi que ele transformou a própria vida! Digo-lhe agora, tome as medidas que sugeri e você será lembrado, no cargo ou fora dele, como um dos ministros da Magia mais corajosos e sábios que já conhecemos. Não faça nada, e a história irá lembrá-lo como o homem que se omitiu e permitiu que Voldemort tivesse uma segunda oportunidade de destruir o mundo que tentamos reconstruir!
- Está demente - sussurrou Fudge, ainda se afastando. - Enlouqueceu...
-Não se atreva a falar com nosso diretor dessa forma, todos aqui estão muito bem, pois entenderam a situação a única pessoa que se recusa ver a verdade aqui é você. - Falei tentando não surtar de vez.
E então, todos se calaram. Madame Pomfrey estava postada, imóvel aos pés da cama de Harry, as mãos cobrindo a boca. A Sra. Weasley continuava curvada para Harry, a mão no ombro do garoto para impedi-lo de se levantar. Gui, Rony e Hermione tinham os olhos arregalados para Fudge.
- Se a sua determinação de fechar os olhos levou você a esse ponto, Cornélio - disse Dumbledore -, chegou o momento em que os nossos caminhos se separam. Você fará o que acha que deve. E eu agirei como acho que devo.
A voz de Dumbledore não continha sequer uma sugestão de ameaça; parecia fazer uma simples constatação, mas Fudge se encrespou como se Dumbledore estivesse avançando para ele com a varinha em punho.
- Agora, escute aqui Dumbledore - disse sacudindo o dedo na cara do diretor. - Eu sempre o deixei agir livremente. Tenho muito respeito por você. Posso não ter concordado com algumas de suas decisões, mas fiquei calado. Não existe muita gente que deixaria você contratar lobisomens ou manter Hagrid ou decidir o que ensinar aos seus alunos, sem consultar o Ministério. Mas se você vai trabalhar contra mim...
- A única pessoa contra quem pretendo trabalhar é Lorde Voldemort. Se você é contra ele, então continuamos, Cornélio, do mesmo lado.
Aparentemente Fudge não conseguiu pensar que resposta dar a Dumbledore. Balançou-se para a frente e para trás sobre os pés diminutos por um momento, girando o chapéu-coco nas mãos.
Finalmente, disse, com um quê de súplica na voz:
- Ele não pode estar de volta, Dumbledore, simplesmente não pode...
Snape se adiantou, passou por Dumbledore, ao mesmo tempo em que levantava a manga esquerda de suas vestes. Esticou o braço e mostrou-o a Fudge, que se retraiu.
- Olhe - disse Snape asperamente. - Olhe. A Marca Negra. Não está tão nítida quanto estava há pouco mais de uma hora, quando ficou realmente negra, mas o senhor ainda pode vê-la. O Lorde das Trevas marcou com este sinal todos os Comensais da Morte. Era uma maneira de nos reconhecermos e um meio de nos convocar à presença dele. Quando ele tocava a Marca de qualquer comensal, devíamos desaparatar e aparatar instantaneamente ao seu lado. A Marca se tornou mais nítida durante esse ano. A de Karkaroff também. Por que o senhor acha que o professor fugiu esta noite? Nós dois sentimos a Marca queimar. Nós dois sabíamos que ele havia voltado. Karkaroff teme a vingança do Lorde das Trevas. Ele traiu muitos companheiros comensais para ter ilusões de ser bem recebido no seio do rebanho.
Fudge recuou para longe de Snape, também. Sacudiu a cabeça. Não parecia ter absorvido uma única palavra do que Snape dissera. Olhava, aparentemente repugnado, para a feia Marca no braço de Snape, depois ergueu os olhos para Dumbledore e murmurou:
- Não sei do que você e seus professores estão brincando, Dumbledore, mas já ouvi o bastante. Não tenho nada a acrescentar. Entro em contato com você amanhã para discutirmos a administração da escola. Preciso voltar ao Ministério.
Já chegara quase à porta quando parou. Virou-se, voltou para a enfermaria e se deteve junto à cama de Harry.
- Seu prêmio - disse brevemente, tirando uma grande bolsa de ouro do bolso e largando-a na mesa de cabeceira do garoto. - Mil galeões. Deveria ter havido uma cerimônia de premiação, mas nas circunstâncias...
E enfiando seu chapéu-coco na cabeça, ele saiu da enfermaria, batendo a porta ao passar.
No instante em que desapareceu, Dumbledore se voltou para o grupo ao redor da cama de Harry.
- Temos trabalho a fazer - disse. - Molly... estou certo em pensar que posso contar com você e Arthur?
- Claro que pode - disse a Sra. Weasley. Estava pálida até nos lábios, mas parecia decidida. - Ele sabe quem Fudge é. É a afeição de Arthur por trouxas que o tem mantido no Ministério todos esses anos. O ministro acha que falta a ele o orgulho que espera de um bruxo.
- Então preciso mandar uma mensagem a ele - disse Dumbledore. - Todos os que pudermos persuadir da verdade devem ser avisados imediatamente, e Arthur está bem colocado para entrar em contato com as pessoas no Ministério que não sejam tão míopes quanto o Cornélio.
- Vou procurar papai - disse Gui, levantando-se. - Vou agora.
- Excelente - exclamou Dumbledore. - Diga-lhe o que aconteceu. Diga-lhe que entrarei em contato com ele em breve. Mas que ele precisa ser discreto. Se Fudge achar que estou interferindo no Ministério...
- Pode deixar comigo - disse Gui.
O rapaz deu uma palmadinha no ombro de Harry, beijou a mãe no rosto, vestiu a capa e saiu rapidamente da enfermaria.
- Minerva - disse Dumbledore virando-se para a Profa McGonagall -, quero ver Hagrid no meu escritório o mais depressa possível. E também, se ela concordar em vir, Madame Maxime.
A professora aquiesceu com um aceno de cabeça e saiu sem dizer nada.
- Papoula - disse Dumbledore a Madame Pomfrey -, será que você me faria a gentileza de ir à sala do Prof. Moody, onde acho que encontrará lá um elfo doméstico chamado Winky em grande sofrimento? Faça o que puder por ela e leve-a de volta à cozinha. Acho que Dobby cuidará dela para nós.
- Claro... claro que sim - respondeu a enfermeira parecendo espantada, e ela também saiu.
-Senhorita Lovegood, acho que seu pai pode ser de grande ajuda para nós. - Começou.
-Enviarei uma mensagem pela minha coruja Alba, provavelmente ele gostaria de conversar com o senhor pessoalmente.
- Claro, peça para ele vir me encontrar no Vilarejo de Hogsmeade no próximo dia.
Dumbledore certificou-se de que a porta estava trancada e que o ruído dos passos de Madame Pomfrey tinha morrido na distância, antes de tornar a falar.
- E agora - disse ele - está na hora de duas pessoas deste grupo se reconhecerem pelo que são. Sirius... se puder retomar sua forma habitual.
O cachorrão preto ergueu a cabeça para o diretor, depois, num segundo, voltou a ser homem.
A Sra. Weasley gritou e se afastou da cama.
- Sirius Black! - tornou a gritar ela com voz aguda, apontando para o bruxo.
- Mamãe, cala a boca! - berrou Rony. - Está tudo bem!
Snape não gritara nem saltara para trás, mas a expressão do seu rosto era uma mescla de fúria e horror.
- Ele! - rosnou o professor, arregalando os olhos para Sirius, cujo rosto exprimia igual desagrado. - Que é que ele está fazendo aqui?
- Está aqui a meu convite - disse Dumbledore, olhando para ambos - como você, Severo. Confio nos dois. Está na hora de porem de lado as velhas diferenças e confiarem um no outro.
Acho que Dumbledore estava pedindo quase um milagre. Sirius e Snape se entreolhavam com a maior repugnância.
- Aceitarei, a curto prazo - disse Dumbledore, com uma certa impaciência na voz -, que suspendam as hostilidades ostensivas. Os dois apertem as mãos. Estão do mesmo lado agora. O tempo é curto e, a não ser que os poucos de nós que conhecem a verdade se mantenham unidos, não haverá esperança para ninguém.
Muito devagar - mas ainda se olhando feio como se não desejassem um ao outro se não o mal - Sirius e Snape se aproximaram e apertaram as mãos. Mas as soltaram bem rápido.
- Já é o bastante para começar - disse o diretor se interpondo aos dois homens mais uma vez. - Agora tenho trabalho para cada um de vocês. A atitude de Fudge, embora não seja inesperada, muda tudo, Sirius. Preciso que você comece imediatamente. Alerte Remo Lupin, Arabella Figg, Mundungo Fletcher, a turma antiga. Fique escondido com Lupin por enquanto, entrarei em contato com você lá.
- Mas... - começou Harry.
O garoto queria que Sirius ficasse. Não queria dizer adeus novamente tão depressa.
- Você voltará a me ver em breve, Harry - disse Sirius, virando-se para o afilhado. - Prometo. Mas preciso fazer o que posso, você compreende, não?
- Claro. Claro... que sim.
-Espero vê-la novamente Luana. - Falou me olhando galanteador o que me fez ficar vermelha de vergonha, ainda mais aqui com todos olhando.
Sirius apertou a mão de Harry brevemente, se despediu de Dumbledore com um aceno da cabeça, voltou a se transformar em cachorro preto e correu para a porta, cuja maçaneta abriu com a pata. Então desapareceu.
- Severo - disse Dumbledore, voltando-se para Snape -, você sabe o que preciso lhe pedir para fazer. Se estiver disposto... se estiver preparado...
- Estou - disse Snape.
O professor parecia um pouco mais pálido do que o habitual, e seus olhos frios e negros brilharam estranhamente.
- Então, boa sorte - e o diretor acompanhou, com uma certa apreensão no rosto, Snape partir em seguida a Sirius sem dizer palavra.
Passaram-se vários minutos até Dumbledore tornar a falar.
- Preciso ir lá embaixo - disse finalmente. - Preciso ver os Diggory. Harry, tome o resto da sua poção. Verei todos vocês mais tarde.
Harry se deixou cair nos travesseiros enquanto Dumbledore desaparecia. Hermione, Rony e a Sra. Weasley ficaram olhando para o garoto. Nenhum deles falou durante muito tempo.
- Você tem que tomar o resto da sua poção, Harry - disse finalmente a Sra. Weasley. Ao apanhar o frasco e a taça, ela bateu com a mão no saco de ouro à mesa de cabeceira. - Durma bastante. Tente pensar em outra coisa por um tempo... pense no que vai comprar com o seu prêmio!
- Não quero esse ouro - falou Harry com a voz sem emoção. - Pode ficar com ele. Qualquer um pode ficar com ele. Eu não deveria ter ganhado Deveria ter sido de Cedrico.
Ele piscou e ficou encarando o teto.
- Não foi sua culpa, Harry - sussurrei triste.
- Eu disse a ele que apanhasse a Taça comigo.
Agora a sensação de ardência passara à garganta, também.
A Sra. Weasley deixou a poção em cima da mesinha, abaixou-se e passou os braços em volta de Harry, como faria uma mãe. Todo o peso do que vira aquela noite pareceu desabar sobre eles quando a Sra. Weasley o apertou contra o peito.
Ouviu-se uma pancada e a Sra. Weasley e Harry se separaram. Hermione estava parada junto à janela. Apertava alguma coisa com força na mão.
- Desculpem - sussurrou.
- Sua poção, Harry - disse a Sra. Weasley depressa, enxugando os olhos com as costas da mão.
Harry bebeu a poção de um só gole, ele tombou sobre os travesseiros.
No dia seguinte...
Foi com uma opressão no peito que arrumei meu malão no dormitório, na véspera do regresso à minha casa.
Estou preocupada com Harry, ele andava evitando o Salão Principal quando estava cheio, desde que deixara a ala hospitalar, dando preferência a comer quando ficava quase vazio, para evitar os olhares dos colegas.
Quando entrei no salão, notei imediatamente que não havia as decorações de costume. O Salão Principal em geral era enfeitado com as cores da Casa vencedora na Festa de Despedida. Esta noite, no entanto, havia panos pretos na parede ao fundo onde ficava a mesa dos professores. Eram um sinal de respeito por Cedrico.
O verdadeiro Olho-Tonto Moody estava à mesa, a perna de pau e o olho mágico nos lugares. Mostrava-se extremamente inquieto e assustadiço todas as vezes que alguém lhe falava. O lugar do Prof. Karkaroff estava vazio. Me pergunto, ao sentar-me com os colegas da Grifinória, onde andaria o bruxo; se Voldemort já o teria alcançado. Madame Maxime continuava em Hogwarts. Estava sentada ao lado de Hagrid. Falavambentre si baixinho. Mais adiante na mesa, ao lado da Profa McGonagall, estava Snape. Seus olhos se demoraram em Harry por um momento quando o garoto olhou em sua direção. Sua expressão era difícil de traduzir. Parecia tão amargurado e desagradável como sempre. Harry continuou a observá-lo muito depois do professor ter desviado o olhar.
Que será que Snape fizera por ordem de Dumbledore, na noite em que Voldemort ressurgira? E por que... por que... Dumbledore tinha tanta convicção de que Snape estava realmente do lado deles?
Prof. Dumbledore se levantou à mesa dos professores. O Salão Principal, que por sinal tinha estado menos barulhento do que costumava ser em uma Festa de Despedida, ficou muito silencioso.
- O fim - disse Dumbledore olhando para todos - de mais um ano. Ele fez uma pausa e seu olhar pousou na mesa da Lufa-Lufa. A mais silenciosa de todas antes do diretor se levantar, e continuava a ser a mais triste e de rostos mais pálidos do salão. - Há muita coisa que eu gostaria de dizer a todos vocês esta noite mas, primeiro, quero lembrar a perda de uma excelente pessoa, que deveria estar sentado aqui - ele fez um gesto em direção à mesa da Lufa-Lufa -, festejando conosco. Eu gostaria que todos os presentes, por favor, se levantassem e fizessem um brinde a Cedrico Diggory.
Todos obedeceram; os bancos se arrastaram e os alunos no salão se levantaram e ergueram seus cálices e ouviu-se um eco uníssono, alto, grave e ressonante: Cedrico Diggory.
De relance, vi a menina Chang entre os colegas. Havia lágrimas silenciosas correndo pelo seu rosto. Ele baixou os olhos para a própria mesa quando todos tornaram a se sentar.
- Cedrico era o aluno que exemplificava muitas das qualidades que distinguem a Casa da Lufa-Lufa - continuou Dumbledore. - Era um amigo bom e leal, uma pessoa aplicada, valorizava o jogo limpo. Sua morte nos afetou a todos, quer vocês o conhecessem bem ou não. Portanto, creio que vocês têm o direito de saber exatamente como aconteceu.
- Cedrico Diggory foi morto por Lorde Voldemort.
Um murmúrio de pânico varreu o Salão Principal. As pessoas olharam para Dumbledore incrédulas, horrorizadas. Ele parecia perfeitamente calmo ao observar os presentes até pararem de murmurar.
- O ministro da Magia - continuou Dumbledore - não quer que eu lhes diga isto. É possível que alguns pais se horrorizem com o que acabo de fazer, ou porque não acreditam que Lorde Voldemort tenha ressurgido ou porque acham que eu não deva lhes informar isto por serem demasiado jovens. Creio, no entanto, que a verdade é, em geral, preferível às mentiras, e qualquer tentativa de fingir que Cedrico Diggory morreu em consequência de um acidente ou de algum erro que cometeu é um insulto à sua memória.
Atordoados e temerosos, cada rosto no salão voltava-se para Dumbledore agora... ou quasebtodos. Na mesa da Sonserina, vi Draco Malfoy cochichar alguma coisa para Crabbe e Goyle. O garoto senti no estômago um espasmo nauseante e quente de raiva.
Forcei a olhar para Dumbledore para nãofazer alguma besteira.
- Há mais alguém que deve ser mencionado com relação à morte de Cedrico - continuou Dumbledore. - Estou me referindo, naturalmente, a Harry Potter.
Um murmúrio atravessou o salão e algumas cabeças se viraram em direção ao garoto antes de tornarem a fitar Dumbledore.
- Harry Potter conseguiu escapar de Lorde Voldemort. E arriscou a própria vida para trazer o corpo de Cedrico de volta a Hogwarts. Ele demonstrou, sob todos os aspectos, uma bravura que poucos bruxos jamais demonstraram diante de Lorde Voldemort e, por isso, eu o homenageio.
Dumbledore virou-se solenemente para Harry e ergueu sua taça mais uma vez. Quase todos os presentes no Salão Principal seguiram seu exemplo. E murmuraram seu nome, conforme tinham murmurado o de Cedrico, e beberam em sua homenagem. Mas, por uma brecha entre os que estavam de pé, vi que Malfoy, Crabbe, Goyle e muitos alunos da Sonserina, num gesto de desafio, tinham permanecido sentados, os cálices intocados. Dumbledore, que afinal de contas não possuía olhos mágicos, não os viu ou não se deu ao trabalho de se quer olhar.
Quando todos se sentaram mais uma vez, o diretor continuou:
- O objetivo do Torneio Tribruxo era aprofundar e promover o entendimento no mundo mágico. À luz do que aconteceu, o ressurgimento de Lorde Voldemort, esses laços se tornam mais importantes do que nunca.
O olhar do diretor foi de Madame Maxime e Hagrid a Fleur Delacour e seus colegas de Beauxbatons, daí para Krum e os alunos de Durmstrang à mesa da Sonserina. Krum, parecia preocupado, quase temeroso, como se esperasse Dumbledore dizer alguma coisa desagradável.
- Cada convidado neste salão - disse o diretor e seu olhar se demorou nos alunos de Durmstrang - será bem-vindo se algum dia quiser voltar para cá. Repito a todos, à luz do ressurgimento de Lorde Voldemort, seremos tão fortes quanto formos unidos e tão fracos quanto formos desunidos. "O talento de Lorde Voldemort para disseminar a desarmonia e a inimizade é muito grande. Só podemos combatê-lo mostrando uma ligação igualmente forte de amizade e confiança. As diferenças de costumes e língua não significam nada se os nossos objetivos forem os mesmos e os nossos corações forem receptivos." e nunca tive tanta esperança de estar enganado, que estamos diante de tempos negros e difíceis. Alguns de vocês, neste salão, já sofreram diretamente nas mãos de Lorde Voldemort. As famílias de muitos já foram despedaçadas. Há apenas uma semana, um aluno foi levado do nosso meio. "Lembrem-se de Cedrico Diggory. Lembrem-se, se chegar a hora de terem de escolher entre o que é certo e o que é fácil, lembrem-se do que aconteceu com um rapaz que era bom, generoso e corajoso, porque ele cruzou o caminho de Lorde Voldemort. Lembrem-se de Cedrico Diggory."
O resto da refeição foi silenciosa, no máximo alguns alunos murmuravam entre si.
O malão estava pronto; Alba está presa na gaiola em cima do malão.
Estávamos eu e Luna nos despedindo uns dos outros na entrada do castelo quando ouvimos de longe a Delacour se aproximar gritando por Harry.
- Arry!
Ele olhou. Fleur Delacour vinha correndo. Para além da garota. A carruagem de Beauxbatons estava prestes a partir.
- Nos verremes utrra vez, esperro - disse Fleur, que estendeu a mão quando o alcançou. - Estou querrendo arranjar um emprrego aqui para melhorrar o meu inglês.
- Já é bastante bom - disse Rony com a voz meio estrangulada. Fleur sorriu para ele; Hermione amarrou a cara para o amigo.
- Adeus, Arry - disse Fleur, virando-se para ir embora. - Foi um prrazer conhecerr você!
O estado de ânimo de Harry não pôde deixar de melhorar um pouquinho ao observar Fleur correr pelos gramados de volta a Madame Maxime, seus cabelos prateados ondeando ao sol.
- Como será que os alunos de Durmstrang vão voltar para casa? - indagou Rony. - Vocês acham que eles são capazes de comandar aquele navio sem o Karkaroff?
- Karkaroff non comandou - disse uma voz ríspida. - Ficou na cabine e deixou o trrabalho conosco. - Krum viera se despedir de Hermione. - Posso lhe darr uma palavrrinha? - pediu ele.
- Ah... claro... tudo bem - respondeu a garota, e parecendo ligeiramente afobada acompanhou Krum pela aglomeração de alunos até desaparecer de vista.
- É melhor você se apressar! - gritou Rony para ela. - As carruagens vão chegar a qualquer momento!
Mas ele deixou com Harry a tarefa de vigiar a chegada das carruagens e passou os minutos seguintes esticando o pescoço por cima dos colegas para tentar ver o que Krum e Hermione poderiam estar fazendo.
-Rony pare de ser encherido, deixe os dois se despedirem. - Falei enquanto o menino mostrava a língua para mim.
Os dois voltaram bem depressa, mas o rosto da garota estava impassível.
- Eu gostava de Diggory - disse Krum abruptamente a Harry. - Erra semprre educado comigo. Semprre. Mesmo eu sendo de Durrmstrrang, com Karkaroff - acrescentou ele, fechando a cara.
- Vocês já têm um novo diretor? - perguntou Harry.
Krum sacudiu os ombros. Depois estendeu a mão, como fizera Fleur, apertou a de Harry e em seguida a de Rony.
Rony parecia estar sofrendo um doloroso conflito interior. Krum já começara a se afastar quando ele falou de supetão.
- Pode me dar seu autógrafo?
Hermione se virou rindo para as carruagens sem cavalos, que agora vinham saculejando pelo caminho, quando Krum, com ar de surpresa, mas muito satisfeito, assinou um pedaço de pergaminho para Rony.
Claro que eu e Harry não deixamos de dar risos baixos da cena.
O tempo não poderia estar mais diferente na viagem de volta a King's Cross do que estivera na vinda para Hogwarts, em setembro. Não havia uma única nuvem no céu.
Eu, Luna, Hermione, Rony e Harry conseguimos uma cabine livre.
Conversávamos durante o percurso e tive a impressão de que o discurso de Dumbledore na Festa de Despedida de alguma forma os desbloquearam. Tornara-se menos doloroso para Harry falar sobre o que acontecera. Os amigos somente interromperam a conversa sobre as medidas que Dumbledore poderia estar tomando naquele instante para deter Voldemort, quando o carrinho de comida chegou.
Ao voltar do carrinho, Hermione guardou o troco na mochila e apanhou um exemplar do Profeta Diário que levava ali.
Harry olhou para o jornal, pouco seguro, mas Hermione, vendo-o olhar, disse calmamente:
- Não tem nada aqui. Pode ver por você mesmo, não tem nada aqui. Estive verificando todos os dias. Só uma pequena notícia no dia seguinte à terceira tarefa, dizendo que você ganhou o torneio. O jornal sequer mencionou Cedrico. Nenhum comentário sobre nada. Se vocês me perguntarem, acho que Fudge está obrigando o jornal a se calar.
- Ele jamais faria Rita se calar - disse Harry. - Não sobre uma história dessas.
- Ah, Rita não tem escrito nada desde a terceira tarefa - disse Hermione, com uma voz estranhamente contida. - Aliás - acrescentou, agora com a voz ligeiramente trêmula -, Rita Skeeter não vai escrever nadinha por algum tempo. A não ser que queira que eu ponha a boca no trombone sobre ela.
- Do que é que você está falando? - Perguntei sem entender.
- Descobri como é que ela fazia para escutar conversas particulares já que estava proibida de entrar nos terrenos da escola - explicou a garota depressa.
- Como é que ela fazia? - perguntou Harry na mesma hora.
- Como foi que você descobriu? - perguntou Rony, olhando admirado para a amiga.
- Bom, na realidade foi você, Harry, quem me deu a ideia.
- Eu? - exclamou Harry perplexo. - Como?
- Grampo - disse a garota satisfeita.
- Mas você disse que não funcionava...
- Ah, não um grampo eletrônico. Não, sabe... Rita Skeeter - a voz de Hermione tremeu de silencioso triunfo - é um animago clandestino. Ela pode se transformar...
Hermione tirou um frasco lacrado de dentro da mochila.
- ... em besouro.
- Você está brincando - exclamou Rony. - Você não... ela não está...
- Ah, está - respondeu Hermione com ar de felicidade, mostrando o frasco para os amigos.
Dentro havia uns gravetos e folhas e um grande e gordo besouro.
- Nunca... você está brincando... - sussurrou Rony, erguendo o frasco à altura dos olhos.
- Não, não estou - disse Hermione, com um largo sorriso. - Apanhei-a no peitoril da janela da enfermaria. Olhe com atenção e você vai notar as marcas em volta das antenas exatamente iguais às daqueles óculos horrorosos que ela usa.
Olhei e vi que a garota tinha razão.
- Havia um besouro em cima da estátua na noite em que ouvimos Hagrid falando com Madame Maxime sobre a mãe dele!
- Exatamente - confirmou Hermione. - E Vítor tirou um besouro dos meus cabelos quando estávamos conversando na beira do lago. E, a não ser que eu esteja muito enganada, Rita estava encarapitada no peitoril da janela da classe de Adivinhação no dia em que sua cicatriz doeu. Ela andou besourando pela escola o ano inteiro.
- Quando vimos Malfoy debaixo daquela árvore... - lembrei lentamente.
- Ele estava falando com a Rita segura na mão - disse Hermione. - Ele sabia, é claro. Foi assim que ela fez aquelas entrevistinhas simpáticas com os alunos da Sonserina. Aqueles garotos não ligariam se ela estivesse fazendo uma coisa ilegal, desde que pudessem contar barbaridades sobre Hagrid e nós.
Hermione apanhou o frasco da mão de Rony e sorriu para o besouro, que zuniu irritado contra o vidro.
-Estou impressionada Hermione, parabéns é uma menina muito inteligente. - Falei sorrindo para a mesma que se remexeu no assento envergonhada.
- Já avisei a ela que só vou soltá-la quando chegarmos a Londres. Lancei um Feitiço Antiquebra no frasco, entendem, para ela não poder se transformar. E avisei, também, que vai ter que guardar a pena só para ela durante um ano. Vamos ver se ela perde o hábito de escrever mentiras horríveis sobre as pessoas.
Sorrindo serenamente, Hermione tornou a guardar o besouro na mochila.
A porta da cabine se abriu.
- Muito esperta, Granger - exclamou Draco Malfoy. Crabbe e Goyle vinham atrás dele. Os três pareciam mais satisfeitos com eles mesmos, mais arrogantes e mais ameaçadores, do que Harry jamais os vira.
- Então - disse Malfoy, entrando lentamente na cabine e olhando para os três, um sorrisinho brincando em seus lábios. - Vocês apanharam uma repórter patética, e Potter voltou a ser o aluno favorito de Dumbledore. Grande coisa.
- Estamos tentando não pensar naquilo, é? - disse ele calmamente, continuando a se dirigir aos três. - Tentando fingir que não aconteceu?
- Dá o fora - disse Harry.
Ele não chegava perto de Malfoy desde que o vira cochichando com Crabbe e Goyle durante o discurso de Dumbledore sobre Cedrico. Sentiu uma espécie de zumbido nos ouvidos. Sua mão agarrou a varinha sob as vestes.
- Você escolheu o lado perdedor, Potter! Eu lhe avisei! Eu lhe disse que devia escolher com quem anda com mais cuidado, lembra? Quando nos encontramos no trem, no primeiro dia
de Hogwarts? Eu lhe disse para não andar com ralé desse tipo! - Ele indicou Rony e Hermione com a cabeça. - Tarde demais agora, Potter! Eles serão os primeiros a ir, agora que o Lorde das Trevas voltou! Sangues ruins e amantes de trouxas primeiro! Bom, em segundo lugar, Diggory foi o pr...
Foi como se alguém tivesse explodido uma caixa de fogos na cabine. Cego pelo clarão dos feitiços que voaram em todas as direções, surdo pela série de estampidos, pisquei olhando para o chão.
Malfoy, Crabbe e Goyle estavam caídos inconscientes à porta. Ele, Rony e Hermione estavam de pé, depois de cada um ter usado um feitiço diferente. E não tinham sido os únicos a fazer isso.
- Achamos que devíamos dar uma olhada no que os três iam aprontar - disse Fred factualmente, pisando em cima de Goyle, no que foi imitado por Jorge, que teve o cuidado de pisar em Malfoy ao entrar com o irmão na cabine.
- Que efeito interessante! - exclamou Jorge, olhando para Crabbe. - Quem usou o Feitiço Furnunculus?
- Eu - respondeu Harry.
- Que estranho! - disse Jorge descontraído. - Eu usei o das Pernas-Bambas. Parece que não se deve misturar os dois. Brotaram pequenos tentáculos pela cara dele toda. Bom, não vamos deixar os três aqui, eles não contribuem nada para a decoração.
Rony, Harry e Jorge chutaram, rolaram e empurraram os inconscientes Malfoy, Crabbe e Goyle - cada um com a aparência pior, dada a mistura de feitiços com que tinham sido atingidos - até o corredor, depois voltaram para a cabine e fecharam a porta.
- Alguém topa um Snap Explosivo? - convidou Jorge puxando um baralho.
Já estavam no meio da quinta partida quando Harry resolveu fazer a eles a pergunta.
- Então vão nos contar? - dirigiu-se ele a Jorge. - Quem é que vocês estavam chantageando?
- Ah - disse Jorge misteriosamente. - Aquilo.
- Vamos deixar pra lá - disse Fred, balançando a cabeça impaciente. - Não foi nada importante. Pelo menos a essa altura.
- Desistimos - disse Jorge encolhendo os ombros.
Mas Harry, Rony e Hermione continuaram insistindo e finalmente Fred falou:
- Está bem, está bem, se vocês querem mesmo saber... era Ludo Bagman.
- Bagman? - disse Harry na mesma hora. - Vocês estão dizendo que ele estava envolvido...
- Nãão - disse Jorge desanimado. - Nada a ver. Um debiloide. Não teria cérebro para tanto.
Soltei um riso acompanhado de Luna.
- Então, quem?
Fred hesitou, depois disse:
- Vocês se lembram da aposta que fizemos com ele na Copa Mundial de Quadribol? Que a Irlanda ia ganhar, mas Krum capturaria o pomo?
- Lembro - disseram Harry e Rony lentamente.
- Bom, o babaca nos pagou com aquele ouro de leprechaun que os mascotes da Irlanda tinham jogado.
- E daí?
- E daí - disse Fred impaciente - desapareceu, não é? Na manhã seguinte, tinha desaparecido!
- Mas... deve ter sido sem querer, não? - perguntou Hermione.
Jorge riu muito amargurado.
- É, foi o que nós pensamos a princípio. Achamos que se escrevêssemos a ele e disséssemos que tinha havido um engano, ele nos pagaria direito. Mas nada feito. Nem deu bola para a nossa carta. Continuamos tentando falar com ele sobre isso em Hogwarts, mas estava sempre arranjando uma desculpa para se afastar de nós.
- No fim ele começou a engrossar - comentou Fred. - Disse que éramos muito jovens para apostar em jogos de azar e que ele não ia nos dar nada.
- Então pedimos a ele que devolvesse o nosso dinheiro - disse Jorge amarrando a cara.
- Ele não teve a coragem de recusar! - exclamou Hermione.
- Acertou na primeira - disse Fred.
- Mas eram todas as economias de vocês! - disse Rony.
- Me conta uma novidade - disse Jorge.
- Claro que acabamos descobrindo o que estava rolando. O pai de Lino Jordan também tinha tido um trabalho danado para receber algum dinheiro de Bagman. O caso é que ele estava encalacrado até o pescoço com os duendes. Tinha pedido emprestado a eles uma montanha de dinheiro. Uma turma encurralou Bagman na floresta depois da Copa Mundial e tirou todo o ouro que ele levava nos bolsos, mas ainda não era suficiente para cobrir as dívidas. Os duendes o seguiram até Hogwarts para ficar de olho nele. O cara tinha perdido tudo no jogo. Não tinha mais nem dois galeões para esfregar um no outro. E sabe como foi que o idiota tentou pagar aos duendes?
- Como? - perguntou Harry.
- Apostou em você companheiro - disse Fred. - Fez uma aposta enorme que você ganharia o torneio. Apostou com os duendes.
- Então foi por isso que ele ficou tentando me ajudar a ganhar! - disse Harry. - Bom, e eu ganhei, não é mesmo? Então ele já pode pagar o ouro de vocês!
- Não - respondeu Jorge, balançando a cabeça. - Os duendes jogaram sujo com ele. Disseram que você ganhou com Diggory, e Bagman tinha apostado que você ganharia sozinho. Então Bagman teve que se mandar para salvar a pele. E foi o que fez logo depois da terceira tarefa.
Jorge deu um profundo suspiro e começou a dar as cartas outra vez.
-Olhando o lado bom vocês são muito sortudos em apostas. - Falei tentando consolar.
-Nem de apoio Luana se não eles vão continuar apostando. - Disse Rony Debochado enquanto ríamos.
O resto da viagem foi bem agradável;
Chegando a estação nos despedimos. Luna e eu corremos até papai o dando um grande abraço antes de ele nos levar para casa.
Já fazendo uma carta para Fred e Jorge combinando um dia de fazermos uma partida de quadribol e oferecendo minha ajuda com sua futura loja de travessuras.
Aproveitei que estava em casa com o papai e contei tudo que Dumbledore pediu para relatar, incluindo sobre o Sirius Black ser inocente, meu pai feliz da vida achou que o Sirius é na verdade Toquinho Boardman, vocalista de uma banda de Rock bruxa. Ele estava tão feliz por ter descoberto a "identidade secreta" do Black que eu não quis cortar sua felicidade. Ele escreveu no mesmo dia uma carta para Dumbledore mostrando seu apoio contra o Lorde das Trevas.
Ficamos a tarde brincando de cartas e conversando sobre todas as novas teorias que papai ia colocar no jornal.
Me pego pensando no Sirius e na nossa "conversa" estávamos tão perto...
Espero que tenham gostado do capítulo perdão se teve algum erro de ortografia.
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