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ꕥ12 - Maldiçãoꕥ

Namorar com Jeon Jungkook tinha lá as suas vantagens, mas também tinha desvantagens. Definitivamente não conseguia mais manter a pose perto dele, Jungkook a cada dia que se passava conseguia entender um pouco mais sobre como eu funcionava, o que gostava, o que não gostava, onde me tocar, o que fazer para me desdobrar e conseguir o que ele queria e eu odiava isso.

Odiava ser totalmente envolvida pelo seu charme incomparável e me pegar vez ou outra totalmente entregue ao tatuado. Sério, que diabos de força era essa que ele exercia sobre mim? Era pra estarmos "brigados", para conseguir pressioná-lo a pressionar o Jimin, mas não, cá estava eu o esperando em uma cafeteira, depois de um telefonema seu.

Sorri para mim mesma ao pensar em como estava irrevogavelmente fodida e pelo menos podia dizer que era de todas as formas possíveis, ao menos isso. Mesmo que fosse muito mais perigoso que qualquer outra coisa, era tão bom também.

— Te fiz esperar muito? — duas mãos tapam meus olhos, mas não preciso saber realmente de quem se trata, pois a voz é totalmente inconfundível.

— Não, estou esperando a 10 minutos, acho que cheguei cedo — respondo me virando para encarar meu namorado. Jungkook consegue ser ainda mais absurdamente bonito de cabelo curto e pisco algumas vezes tentando não sucumbir a tanta beleza.

ㅡ E aí? O que seus pais disseram sobre mim? — ele questiona, sentando na cadeira diante de mim após repousar sua mochila na cadeira ao lado. Havíamos encontrado meus pais no fim de semana passada e como eu bem imaginava, ele queria saber o veredito dos sogros.

— Hm… Eles te amaram — respondo sem muitos rodeios. Jungkook abre um sorriso largo mostrando todos os dentes e enrrugando um pouco os cantos dos olhos com isso. 

— É realmente difícil resistir ao meu charme — brinca. Rolo os olhos. Assisto Jungkook mudar de expressão quase que imediatamente ficando sério. — Me sinto mal porque eles são tão legais, seus pais são realmente muito legais e se importam com você de um jeito que me fez ficar triste — lamenta enquanto se explica. — Não que seja ruim eles serem bons pais é só que me senti pra baixo vendo como pais realmente deveriam ser com um filho. O tipo de coisa que não conhecia até esse fim de semana passado — suspiro após ouvir o que diz. Jungkook não tinha deixado explícito, mas deu para perceber no dia do jantar que a atitude dos meus pais o havia atingido.

— Não é culpa sua — digo estendendo a mão até alcançar a dele em cima da mesa, entrelaçando os nossos dedos  — e também não estou te cobrando bons sogros. Para mim isso parece ser algo que não vou alcançar e tudo bem, já me conformei — gostaria que fosse diferente, mas a essa altura já sabia que a mãe de Jungkook nunca me aceitaria. Pelo menos sua ex era uma sombra distante nos dias atuais.

— Mesmo assim, me senti meio lamentável — sorri tristonho ao terminar de falar.

— Meus pais agora são seus pais também, não precisa sentir que não tem alguém legal pra dar suporte, você pode se juntar com eles para falar mal de mim, com certeza terão muitas pauta — brinco e ele não consegue conter o riso.

— Tô falando sério MiCha-Ah — chama a minha atenção.

— Bom, eu também estou, minha mãe deu o número dela para você, então quando quiser falar mal de mim pode ligar pra ela que com certeza terá apoio — ainda é difícil me acostumar com o fato de que Jungkook conheceu meus pais, conversou com eles, tivemos uma noite agradável e agora ele fazia parte do círculo social da minha família, quando começamos tudo isso não poderia imaginar o caminho que as coisas tomariam.

— Por falar em apoio, precisamos conversar — Me alerta e mudo de posição para ouvir o que diz.

— Foi por isso que você me ligou, né? — questiono.

— Sim, estive pensando sobre muitas coisas esses dias, tô com tempo de sobra pra isso? Não mesmo, mas enquanto procrastino para concluir o seminário pensei sobre algumas coisas e não quero me meter nos assuntos do Jimin, mas acho que as coisas já foram longe demais, também não quero ficar estranho com você por causa de outros, então pensei em nós dois conversarmos com o Jimin, deixar ele saber que você sabe talvez o tire dessa zona neutra onde ele se esconde da Mi-ah — sugere abertamente.

— Não acho uma ideia ruim, para falar a verdade acho que a Mi-ah meio que já sabe que algo está acontecendo, tenho sido super evasiva com ela e estou meio incomodada por saber a verdade e por ela não mover um dedo para resolver as coisas também — desabafo sobre como estou me sentindo sobre minha amiga e a sua vida amorosa que estava sendo um tema bem delicado de se tratar.

— E se colocássemos os dois frente a frente? — Jungkook parece ter um plano e lhe dou ouvidos. — Eles ainda não se encontraram e se déssemos um jeito de pô-los juntos, sozinhos… — a ideia não parece ruim, talvez Jimin crie coragem de falar a verdade diante dela e possamos encerrar esse assunto de vez.

— Não é uma ideia ruim, mas onde? — Me questiono, não poderia ser no meu dormitório porque dificilmente conseguiremos atrair Jimin para lá, tão pouco no dormitório de Jungkook, porque Mi-ah não iria lá nem se fosse para salvar a minha vida, então onde?

— Não pensei nos por menores, na verdade essa ideia acabou de me ocorrer, podemos pensar juntos em alguma coisa enquanto assistimos um filme que tal? — semicerro os olhos desacreditada, Jungkook era mestre em contornar as coisas para deixá-las a seu favor, olha só, me atraindo como presa para o abate na cara de pau.

— Jungkook você não presta, — brinco — mas infelizmente adoro isso em você — ele ri.

— Que foi? Eu não fiz nada! — se defende.

— Ainda não, né? — não iria discutir, gostei de pensarmos em uma solução e gostei mais ainda de saber que estaria em seus braços enquanto fazíamos isso, afinal tudo se tratava de resolvermos os impasses diante de nós.

ꕥꕥꕥ

— Por que o Taehyung se mudou? — pergunto a Jungkook enquanto assistimos a um filme qualquer que ele colocou na TV de seu dormitório. Estou deitada em seu peito, de costas para si, minha mão repousa sobre sua coxa e nossos dedos se encontram ali, brincando, se entrelaçando e fazendo pequenas carícias. O braço esquerdo de Jungkook apoia a lateral de meu corpo e a mão repousa em meus cabelos, enquanto brinca com uma mecha, vez ou outra ele desde para a orelha, acariciando ali, coisa que me faz querer dormir. Desde que começamos a namorar, não houve uma única vez em que pudemos ficar assim, relaxados, à vontade, em paz. Era gostoso e reconfortante, o peito de Jungkook subia e descia enquanto respirava e isso movimentava meu próprio corpo, sua respiração batia em minha orelha, sempre mostrando que ele estava mesmo ali, não era fruto da minha imaginação ou apenas das minhas vontades.

Estávamos mesmo juntos como o casal que eu queria que fôssemos.

— Para ficar mais perto das aulas dele. Você sabe que esse dorm é meio distante das áreas de humanas, tava muito contra mão pra ele, vocês fazem curso juntos, já deve ter visto ele chegando atrasado um par de vezes — explicou rapidamente e era verdade. Taehyung vivia atrasado.

— Então agora são só você e o Jimin? — indago.

— Sim e eu espero que continue assim por um tempo. Me acostumar com uma nova pessoa… Acho chato. Estava totalmente acostumado e confortável sendo nós três — Jungkook não fazia muito o tipo que gostava de mudanças muito bruscas em sua vida e já tinha deixado isso claro algumas vezes. Aproveito que estamos em um clima ameno para perguntar algo que me ocorreu há alguns dias atrás e que no fim sempre esquecia de mencionar.

— Queria te perguntar uma coisa — começo me ajeitando para conseguir olhá-lo. Ele assenti ainda olhando para a TV antes de se voltar para mim. — E a sua ex, ainda apareceu? — sua expressão muda para algo que não sei explicar exatamente. As sobrancelhas vincam sério.

— Vamos falar da minha ex mesmo? — pergunta suavizando a expressão quase que instantaneamente. Sorrio franzindo o nariz.

— É que nunca mais você comentou nada, me pergunto se ela simplesmente desistiu — insisto. Era algo que eu realmente queria saber.

— Não, ela não desistiu. Mas na minha frente nunca mais apareceu. Manda mensagem, liga e todas as coisas chatas que já sabemos, mas eu só ignoro mesmo é por isso que ultimamente atendo só você, o Jimin ou alguma ligação realmente importante é por isso também que ignoro todo mundo por mensagem, assim mal chego a ver o que ela manda — dá de ombros. Pondero o que diz por um momento. É tão estranho alguém tão obcecada como ela ter dado uma trégua, ou será que Jungkook não estava me contando tudo? Bom, desde que começamos a namorar oficialmente não houve uma vez sequer que ele tenha aberto mão de ficar comigo para atender algum capricho da ex e não me sinto mais como antes, como se ele pudesse me largar aqui e agora e correr para atendê-la, coisa que tive medo há não muito tempo atrás. — Que foi? — perguntou depois de perceber que eu o encarava por tempo demais sem dizer nada.

— Sendo bem sincera, acho estranho ela ter sumido assim — resolvo ser sincera.

— Ela não sumiu, só não apareceu mais pessoalmente. Ah, vamos parar de falar nela, tenho a sensação de que toda vez que verbalizo alguma coisa sobre, ela se materializa na minha frente tipo o Voldemort, sabe? E tenho vivido dias bons demais para ser verdade — conclui e rio rolando os olhos. — A gente tem tanta coisa melhor pra fazer, não vamos ficar falando sobre isso não, hm? — Jungkook me abraça e me puxa para junto de si na cama, me aninhando em seu peito para voltarmos à posição anterior e assistir ao filme que ele escolheu. E no fundo ele tinha razão, além de termos coisa melhor para fazer, era a primeira vez que experimentamos momentos comuns entre nós e não era hora de deixar essa oportunidade passar.


Meu coração experimentava dias de paz.

Gostar de alguém e estar bem com essa pessoa, viver um relacionamento saudável, sem grandes preocupações era algo tão único e inédito para mim, que me enchia de paz.

Sabe quando você está tão apaixonado que não consegue parar de pensar na pessoa, o coração não para de bater forte e as borboletas no estômago não se vão mesmo longe da pessoa? Era assim que me sentia agora enquanto lembrava da tarde maravilhosa que tive com MiCha essa semana. Colocamos os pingos nos nossos is, nos resolvemos e tivemos um tempo incrível. A cada dia que se passava sentia que as coisas entre nós ficavam um pouco mais intensas, como uma tatuagem que vai sendo feita em várias seções, até ficar perfeita. Camadas e camadas de sentimentos se sobrepondo e me deixando cada vez mais amordaçado por ela.

Totalmente dela.

Tínhamos um plano para juntar Mi-ah e Jimin em um mesmo espaço e iríamos colocá-lo em prática hoje. Um plano simples e acredito que muito eficaz. Se esses dois não se resolvessem hoje, na minha opinião, não seria nunca mais.

Minha aula acabou e caminhei direto para o refeitório da faculdade a fim de encontrar Park Jimin e dar início ao plano "junta cabeças duras''. Caminho tranquilamente para meu destino sabendo que estou no tempo.

— Jungkookie…? — ouço alguém me chamar enquanto cruzo o gramado em frente à biblioteca, lugar onde MiCha costumeiramente está, olho em volta procurando quem me chama até girar em meus próprios calcanhares. A figura muito menor que eu me encara com olhos enormes, quase igual ao gato de Botas, tão chantagista quanto. Suspiro pesado deixando meus ombros caírem por um breve momento.

Sério, eu falei que mencionar essa garota era como conjurar uma maldição que não devia ser conjurada. Nunca. Jamais.

Porém como se soubesse exatamente que penso isso dela, minha ex namorada se materializa bem diante de mim. Sua mera imagem me causa ansiedade automaticamente, nem abriu a boca ainda e já sei que será extremamente cansativo de lidar. Coço a cabeça empurrando os fios curtos do meu cabelo para trás. Já não atrapalhavam tanto a minha visão, mas mesmo assim não perdi a mania.

— Você cortou o cabelo — constata e rolo os olhos. — Eu amo quando você está com o cabelo assim — diz tão serena que não parece a mesma pessoa. Seus olhos estão marejados e pisco totalmente impaciente.

— O que você está fazendo aqui? — pergunto soando meio rude.

— Precisamos conversar e você não me atende, nem me responde, vim de Busan só para falar com você — responde, a analiso por um breve momento. Um dia já gostei muito dessa garota, hoje só consigo enxergar problemas nela e isso sempre me causa estranheza, pois na cartilha da vida ela deveria ser alguém importante e especial, o primeiro amor, o primeiro beijo, a primeira transa. Mas só conseguia sentir raiva de mim mesmo por ter dado a ela o poder de ser dona das minhas primeiras vezes. Se arrependimento matasse…

— Estou ocupado agora, aproveita que ainda é cedo e pega o trem para Busan de volta — lhe dou as costas totalmente decidido a sair dali rapidamente, tudo o que não preciso é que MiCha nos veja juntos logo depois de eu ter lhe dito que nunca mais havia visto essa garota. Infelizmente uma mão segurou meu braço me impedindo de seguir meu caminho.

— Jungkookie por favor… — seus olhos estavam cheios de lágrimas e havia uma tristeza profunda ali, desviei o olhar tentando não ser atingido por isso. Para mim, mesmo reunindo toda a minha raiva, ainda era difícil ser rude e grosso com quem quer que fosse. — Eu preciso mesmo falar com você — insiste.

— É sério, eu tenho coisas para fazer — empurro a sua mão que segura meu braço para que me solte. — Volte para Busan, não temos nada para conversar — enfatizo o máximo que posso para ver se ela não me segue.

— Por favor… — a ouço soluçar enquanto me afasto. Caminho, caminho e caminho na direção do refeitório sem olhar para trás, tenho medo que esteja me seguindo, que insista ou pior que faça uma grande cena na frente da faculdade toda. Eu não merecia isso, mas principalmente MiCha não merecia isso, não queria que ninguém atrelasse seu nome a essa garota, nem ao nosso passado, menos ainda as coisas das quais estou tentando aprender a lidar. Passo pelas portas do refeitório e praticamente corro para dentro.

Jimin está sentado em uma mesa com alguns caras do curso dele e me sento de frente para a porta.

— Qual foi cara, parece que viu fantasma — Jimin percebe automaticamente o estado em que estou.

— Não foi nada, tô com fome — asseguro encarando as portas do refeitório enquanto tamborilho meu pé nervoso. Os minutos se vão e ela não aparece, solto a respiração muitas vezes até conseguir relaxar minimamente. Mas algo paira em minha mente, me atormentando enquanto os minutos se vão, por que ela não me seguiu? Ela sempre me seguia. Apenas tê-la mandando ir embora foi o suficiente? Sério? Outras vezes somente isso não funcionava e quase sempre acabava em alguma tentativa tosca de acabar com a própria vida, mas dessa vez ela nem insistiria? — Então, você vai pra festa do pessoal da engenharia hoje, né? — pergunto checando se o plano corre bem enquanto me perco em angústia e pensamentos confusos.

— Vou sim, tô precisando encher a cara até esquecer o meu nome — diz, sorrio minimamente, mas meu sorriso se desfaz no momento em que me ocorre que ela pode ter ido procurar a MiCha, talvez não tenha me seguido porque viu uma oportunidade melhor de ferrar com tudo. Meu coração palpita frenético só com a possibilidade de tê-la importunando a garota que gosto e os estragos que isso pode causar. No mesmo segundo em que penso isso, avisto MiCha entrando no refeitório ao lado de Mi-ah, os olhos de minha namorada encontram os meus instantaneamente, como se já entrasse no recinto procurando por mim. Será que ela viu algo e interpretou errado? Será que deu tempo da minha ex interceptá-la e importuná-la? Preciso lhe contar o mais rápido que posso sobre o ocorrido, para que não haja mal entendido, mas ela apenas pisca o olho para mim de forma cúmplice, dando um sorrisinho e caminha na direção oposta do refeitório acompanhando a amiga, aparentemente estava tudo bem. Que bom, um problema a menos para resolver.

"Nos vemos mais tarde"

Foi a mensagem que chegou em meu celular pouco tempo depois para confirmar o encontro de logo mais e me acalmar. Isso não diminuía a sensação estranha em meu peito ao perceber que minha ex realmente tinha desistido, mas ao menos não precisava me preocupar com MiCha.

Apesar de tentar focar na conversa dos caras na mesa do almoço, lá no fundo minha mente mente estava anuviada de questionamentos sobre o comportamento da minha ex. Tinha algo errado, eu tinha certeza disso. Pensei em talvez ligar para entender o que estava acontecendo, mas ligar para ela ia contra tudo o que eu vinha tentando desfazer, procurá-la poderia lhe dar esperança ou fazer com que ela entendesse tudo errado, só que eu estava cheio de medos e questionamentos. E se aconteceu algo? E se ela estivesse tramando algo perigoso contra ela mesma ou pior contra alguém? A dúvida não me deixava raciocinar muito longe dos piores cenários. Coisa horrível de sentir.

Não importava como, precisava lutar contra todos esses sentimentos para mantê-la afastada, para que não houvesse dúvidas de que eu não a queria em minha vida, mesmo que estivesse me corroendo por dentro para saber o que de fato estava acontecendo e por isso, tratei de distrair para esquecer, ou enlouqueceria.

ꕥꕥꕥ

O plano era o seguinte, iríamos a festa do pessoal da engenharia e na primeira oportunidade trancaríamos Jimin e Mi-ah no banheiro, eles não teriam outra alternativa a não ser se resolver. Para continuarem juntos ou terminar de vez. Particularmente eu ainda achava que não deveríamos nos meter nesse assunto, mas preferia estar bem com a MiCha ao invés de ter a razão, por esse motivo topei participar dessa missão.

— A MiCha-ssi não vem? — Jimin me pergunta enquanto caminhamos em direção ao local da festa.

— Vem sim, a gente vai se encontrar lá — respondo calmamente.

— E a Mi-ah? — o encaro de soslaio preferindo mentir para que não desconfiasse de nada.

— Sobre ela não perguntei — Jimin sabe que se fosse em outra circunstância eu realmente não saberia da garota simplesmente porque não perguntaria sobre ela se não fosse algo que realmente precisasse.

— É melhor assim, pelo menos posso encher a cara em paz, até ficar fodido de tão bêbado — comenta e eu apenas aquiesço.

Minha missão era deixar o Jimin levemente alcoolizado para ficar mais fácil de conduzi-lo ao banheiro no momento certo, por esse motivo chegamos na frente. Então basicamente o que fiz durante os primeiros minutos da festa foi oferecer bebida a um Jimin que nem precisava de ajuda, ele mesmo já estava entornando tudo o que podia pela frente, só que eu não poderia deixar que ele ficasse muito bêbado logo, senão não haveria como ele ter uma conversa com a sua namorada.

Me encosto no balcão das bebidas ouvindo a música tocar segurando uma cerveja na mão. Checo a hora no celular só para saber se minha namorada já está perto de chegar.

— Oi… — uma voz feminina soa próximo a mim e levanto a cabeça para olhar. Não conheço a garota que também está recostada sobre o balcão com uma cerveja na mão e sorri para mim, tem tatuagens nos braços e pescoço. Pela expressão já sei que ela pensa que estou sozinho. Vislumbro Jimin dançando no centro da pista de dança, não posso perdê-lo de vista, ele ri e parece se divertir.

— Oi — cumprimento educadamente a moça tirando um gole da minha cerveja.

— Tá sozinho? — pergunta e sorri novamente.

— Tô… Esperando uma pessoa — respondo.

— Seria eu a pessoa que você sempre esperou? — tenta flertar comigo. Sorrio para ela sem jeito, essa parte de dar fora nas pessoas era sempre muito complicada.

— Ah... Já achei quem eu tanto esperava. A minha namorada, que inclusive está para chegar — tento ser o mais educado possível porque não quero problemas.

— Anota meu número, não tenho problema em dividir — se oferece e insiste me deixando um tanto desconfortável.

— Não obrigado, não sou um brinquedo que pode ser dividido. Meu coração tem dona e é todo dela — espero que seja o suficiente para que entenda que não estou interessado. Ela dá de ombros.

— Você quem sabe bonitão, se mudar de ideia, só me procurar por aí — ao terminar de falar se afasta. Tiro outro gole da minha cerveja coçando a testa, mais que coisa! Detestava gente insistente demais, achava muito inconveniente e zero atraente.

— Jungkook-ah — agora ouço MiCha me chamar e olho em volta a procurando na massa de universitários que se movem dançando, bebendo e se pegando. Minha namorada está de mão para cima para chamar a minha atenção e se aproxima de mim. Me demoro enquanto selamos nossos lábios aproveitando para abraçar seu corpo menor que o meu e pra ver se todos presentes percebem logo que tenho alguém, pra não precisar ter que dispensar mais ninguém.

— Já podemos colocar o plano em prática, vou chamar a Mi-ah para irmos ao banheiro, vou dar uma leve desculpa e sair, nesse momento você joga o Jimin lá dentro, ok? — diz ansiosa assim que nos separamos.

— Tá bem — concordo.

— Depois aproveitamos a festa — MiCha sela seus lábios no meu mais uma vez antes de se virar e sair por onde veio, meus olhos não saem dela, que cata a amiga pelo braço e caminha em direção ao banheiro.

Vou até onde Jimin está dançando e o pego pelo braço, dar um pouco em bebida para ele antes foi mesmo a melhor ideia que tivemos, pois o Park nem questiona para onde estamos indo, mas dou uma desculpa mesmo assim.

— Vamos pegar mais bebida — digo o puxando na mesma direção do banheiro.

— É aqui? — Jimin pergunta quando paramos em frente ao banheiro. Bato na porta para avisar a MiCha que já estamos aqui, ela sai e tudo o que faço é empurrar um Jimin confuso para dentro.

— Espero que o seu plano funcione — digo a MiCha enquanto esperamos.

— Não tem como não funcionar — diz perto do meu ouvido, pois a música está alta.

— Depois eu quero falar com você — sinto que preciso contá-la o que aconteceu mais cedo para que não fiquem pontas soltas que a induzam a desconfiar de mim por qualquer motivo que seja, mesmo que esse seja um assunto chato e delicado, preciso atualizá-la. Às vezes ainda sinto que preciso provar que ela pode confiar em mim e esse era um bom jeito de fazer isso.

— Aconteceu alguma coisa? — pergunta impaciente.

— Não, não é nada demais, relaxa — tento manter o tom normal — é só algo para conversar depois. Assim que termino de falar a porta do banheiro se abre de uma vez e Mi-ah dispara pela porta chorando, MiCha corre e a alcança na sequência. Me aproximo para ver se aconteceu algo.

— Como você pôde MiCha? — Mi-ah grita com a amiga que segura em seu braço. — Você sabia? Sabia de tudo? Por isso me colocou naquele banheiro com ele? Para me machucar ainda mais? Eu já não estava machucada o suficiente para você não? — questiona descontroladamente.

— O que aconteceu? Eu só queria ajudar…

— Vai pro inferno MiCha você não tinha que ter se metido nisso, eu não queria saber que tava levando chifre, porra, eu preferia não saber dessa merda — Mi-ah esta visivelmente transtornada e não estava reagindo bem as notícias. Vejo nos olhos de MiCha o quanto ela está assustada com os questionamentos da amiga e percebo nesse momento o tamanho do erro que ela cometeu, devíamos ter deixado isso para lá, devíamos ter deixado eles resolverem as merdas deles da maneira deles, não da nossa — Me solta, me solta caralho — ela empurra o braço da MiCha que a solta. — Não vem atrás de mim, vai se foder, vocês dois, vocês três — grita e se vira para ir embora. Pisco atônito.

Acho que as coisas não ocorreram muito bem. Nunca vi a Mi-ah falar tanto palavrão, a verdade realmente deve ter doído nela. Puxo MiCha para junto de mim, ela permanece calada e visivelmente em choque, não sei bem o que dizer a ela. Eu avisei? Não acho que seria uma boa, mas eu bem que avisei. Nessa parada de casal a gente não deve se meter, cada um se entende com seu cada qual, colocar nossos ideais dentro do relacionamento alheio era sinônimo de merda.

Digo isso porque já estive em um relacionamento onde eu não queria que ninguém metesse o bedelho. Queria lidar com todas aquelas merdas sozinho, até hoje ainda é assim e acho que no fim todo mundo é assim quando se trata de relacionamentos. Mesmo que eu ache que a reação da Mi-ah foi extremamente exagerada, ela estava machucada, como animal que acaba de levar um tiro e tenta fugir dando patada em tudo e todos que estiverem no caminho.

Algumas lágrimas escorrem pelo rosto de MiCha até que ela me encara.

— O que foi que eu fiz? — pergunta.

— Tá satisfeito Jungkook seu grande filho da puta? — Jimin aparece visivelmente alterado.

— Jimin, o que rolou cara? O que você falou pra menina? — indago meu amigo.

— Eu falei a verdade do jeito que você disse que eu deveria fazer e adivinha só? — diz e ri sarcástico. — Seu pau no cu você estragou tudo parabéns — ele bate palmas.

— Vai se foder Jimin, eu não fiz nada, você que é um covarde de merda que deveria ter feito isso antes — me altero porque não gosto da forma como fala, mesmo sabendo que me meter não era a solução certa.

— Vai se foder você — ele grita passando por entre mim e MiCha, nos separando. Minha namorada me encara e mais lágrimas escorrem pelo seu rosto. A trago para junto de mim a abraçando forte, decidido a sair dali, daquele barulho, daquela situação toda a guio para fora da festa.

— O que eu fiz? — Micha tem o rosto enterrado entre as mãos, estamos nas escadas da biblioteca que são iluminadas apenas pelos postes da rua. A asissti chorar pelos últimos dez minutos em silêncio.

— Você não fez nada, não é culpa sua, provavelmente as coisas seriam assim de qualquer forma — não seria não, mas eu não iria dizer isso para ela. Agora acho que conseguia entender finalmente a estratégia de Jimin, pelo visto Mi-ah era uma garota sensível demais para receber uma notícias dessas assim, em qualquer lugar, sem filtro algum e ele estava mesmo esperando o momento e lugar ideal. Talvez MiCha não conhecesse a amiga assim tão bem.

— Nunca vi a Mi-ah daquele jeito, viu como ela me olhou? Viu como falou comigo? — minha namorada me encarou por um momento, tirei os fios de cabelo que estavam grudados em seu rosto e afastei-os para trás da orelha.

— Eu vi sim, talvez o Jimin já soubesse que seria assim e por isso não estava conversando com ela — suponho.

— E agora? Ela vai me odiar pra sempre — a Kwon volta a enterrar o rosto entre as mãos chorando e desço minha mãos pelas suas costas lhe fazendo um afago.

— A Mi-ah precisa de um tempo para digerir o que aconteceu, dorme comigo hoje, vou mandar o Taehyung ir atrás do Jimin e ficar com ele hoje. Amanhã é um novo dia e nós iremos resolver isso com calma, hm? — seria bom para todos nós essa noite distante uns dos outros. A única pessoa que eu precisava junto a mim era MiCha, tudo o que eu mais queria agora era sentir de novo aquilo que senti quando ela dormiu pela primeira vez em meus braços lá em Busan. Fazia tempo que não tínhamos a oportunidade de dormir agarradinhos e eu queria muito sentir a familiaridade que era tê-la em meus braços, sem segundas intenções, apenas eu e ela agarradinhos na minha cama, como uma prévia de um futuro longínquo onde viveremos isso todos os dias de nossas vidas.

— Tá querendo me levar pro abate Jungkook? — ela brinca secando as lágrimas e sorrio de sua piada.

— Não seria uma má ideia, mas hoje não tenho segundas intenções e também acho meio difícil você conseguir dormir ao lado da Mi-ah queimando de ódio hoje, melhor dormir no meu peito, não? — bato no meu peitoral como se o gesto fosse um convite a aproveitar o que tenho de melhor a lhe oferecer.

— Preciso mesmo de uns cafunés hoje a noite, eu tô me sentindo horrível — desabafa e a puxo para junto de mim.

— Tá tudo bem, vai ficar tudo bem. Eu tenho certeza disso, eles só precisam de tempo — asseguro, sabendo que as pessoas eram assim mesmo, todo mundo às vezes precisava de tempo para respirar e colocar a cabeça no lugar. Tudo na vida precisava de tempo para se resolver, das coisas mais complexas as mais simples e cabia a nós aguardar esse processo e enquanto isso aguentar as consequências.

Boatos de que a Mi-ah acredita em chifre invisível. Aquele que existe, mas você não sabe.

Oieeeee, olha ela. Prometi e estou aqui com mais um capítulo enooooorme pra vcs.

Confesso que estou muito orgulhosa desse capítulo, da forma como foi narrado, mostrando os pontos em que Jungkook e MiCha precisam de ajustes e o quanto eles dois se apoiam um no outro mesmo sem nem perceber. Lindinho demais.

Espero que tenham gostado da leitura, estou um pouco triste com 50.000₩ pq os comentários caíram muito. Tipo MUITO MESMO. Gente os comentários são a gasolina que ajuda a fazer tudo pegar fogo pra um escritor e se não tem começo a achar que vcs não estão gostando. Que está ruim... isso desanima um pouco, mas enfim. Deixem comentários, estimula muito, sério mesmo.

Deixa a sua estrelinha também por favor 💜

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