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Será que quem tem amnésia alcoólica tem mesmo amnésia, ou é apenas uma mentira para abafar as memórias vergonhosas dos momentos sob efeito do álcool? Não costumava beber muito, mas às vezes o fazia e nunca tinha tido uma amnésia alcoólica, gostaria de experimentar da sensação de não saber o que realmente fiz enquanto estava bêbada, porque sinceramente, era horrível lembrar de tudo e ter plena certeza de tudo o que foi feito.
Mesmo depois de um mês, minha mente ainda era tomada pelas memórias que eu gostaria que a amnésia alcoólica tivessem levado para o limbo do esquecimento.
— Vocês o quê? — Mi-ah aumenta seu tom de voz me deixando um pouco desesperada. — Não acredito que você e o Jungkook transaram e você só me fala isso um mês depois — soa indignada.
— Eu esqueci — minto.
— Esqueceu o meu ovo, mentirosa. Que tipo de amigas nós somos? Como você me omite algo tão importante quanto isso? E olha que eu pedi pra você me contar tudo, hein? — Me acusa.
— Não achei que fosse importante, a gente tava bêbado, foram só algumas vezes, nada demais. — Dou de ombros minimizando o acontecimento.
— Algumas vezes? — Bate palmas e ri. — Como assim algumas vezes? Vocês estão transando desde o dia do casamento?
— Não! Algumas vezes naquela noite, não vejo o Jungkook desde que voltamos. Ele não precisou mais de mim. — As últimas palavras são quase um miado tristonho. No fundo esse sumiço dele me deixava bem consternada, mas não ia admitir isso assim. Para mim, era no mínimo estranho Jungkook ter sumido do mapa desde que voltamos de Busan, fazia um mês que literalmente não o via. Ouvi apenas dizer que o final do semestre estava puxado para ele e que as publis do Jimin no Instagram estavam rendendo muitos trabalhos para os dois já que Jungkook fotografava e filmava para Jimin, mas fora ouvir algumas coisas, verdadeiramente não soube nada dele.
— Como assim não vê ele? Vejo o Jungkook todo dia — diz pensativa.
— Você é a namorada do melhor amigo dele, né? Já eu não, nem ando como os amigos dele, nem nada parecido. Acabamos não nos encontrando, — Dou de ombros de novo.
— Será que ele não gostou? Digo, da noite de vocês...? — questiona e me encara. Rolo os olhos, empurrando essa hipótese para bem longe de mim, já tinha ficado paranóica sem ser assombrada com isso há duas semanas atrás, antes de decidir que não ligaria para Jeon idiota Jungkook. Se ele precisasse de mim, sabia onde me encontrar, certo? Nosso acordo era apenas para nos encontrarmos, o sexo foi um erro ocasional que realmente não deveria voltar a acontecer, então não havia motivos para que eu ficasse com dúvidas sobre se tinha sido bom ou não. Bom ou ruim, aconteceu e não deveria mais acontecer, esses eram os fatos incólumes independentes da postura do tatuado idiota.
— Nada a ver — respondo. — Jungkook sabe onde me encontrar, se não me procurou é porque não precisou.
— Como foi? Me conta tudo, não aceito menos que todos os detalhes, sua salafrária. — Sorri, pulando em minha cama para obter mais alguns detalhes.
— Enchi a cara, nem me lembro direito o que aconteceu, só sei que foi divertido e ele aguenta bem. — Fiz um resumo do resumo, porque era mentira, eu lembrava de tudo, só não queria explanar muito o assunto porque me causava uma inquietação estranha. Não consegui atrelar Jungkook à sexo casual, porque conheci a família dele e soava estranho. Éramos próximos sem ser. Não conseguia explicar a forma como me sentia.
— Ai como você é sem graça, meu Deus, me dá mais detalhes — incita.
— Ai como você é fofoqueira — imito seu tom de voz. — O detalhe que importa é que vamos nos atrasar se não começarmos a nos arrumar logo.
— Bom, acho que esse um mês sem ver o Jungkook acaba hoje, de qualquer forma — muda de assunto drasticamente.
— Por que?
— Ele com certeza vai pra festa, se o Jimin não vem aqui me buscar é porque os três patetas vão juntos — explica.
— Bom pra ele — digo desinteressada.
— Kwon MiCha você não sabe disfarçar, tá caidinha pelo Jeon — zoa comigo.
— Tu sabe que não, né? Não sou louca, Jungkook tem um problemão enorme nas costas, Deus me livre. — Tendo dito isso, levanto da cama, indo procurar algo para vestir. Hoje haveria uma das festas mais importantes do ano no campus e eu estava realmente a fim de ir e curtir um pouco, andava meio tensa e precisava relaxar.
Catei uma calça jeans preta com um rasgo no joelho, coloquei um cropped e um casaco por cima, me maquiei e fiz algumas ondas no cabelo com babyliss dando bastante volume ao meu cabelo. Apesar de estar um caco de tão cansada, me sentia bonita quando usava roupas assim.
Fui dirigindo até o local da festa, encontrei dificuldades para estacionar, mas depois de um tempo rodando, finalmente achei um lugar seguro e que não me renderia uma multa, ainda estava dura desde o acidente com meu carro e como Jungkook não me chamou mais pra sair, realmente não tinha grana, apesar de que nem contava mais com esse dinheiro, talvez o tatuado só tivesse precisado de mim mesmo para ir até Busan, já que sua ex e família nem moravam aqui em Seoul. Enfim...
Acabava sempre voltando meus pensamentos para o idiota tatuado mesmo que não quisesse e isso estava me incomodando um pouco. Gostaria de conseguir ficar com alguém hoje a noite pra ver se tirava o gosto de Jungkook da boca.
Lembrava de cada mísero detalhe da noite que tivemos, do calor de seu corpo, dos gemidos roucos e em forma de rosnados baixinhos, da testa vincada e séria, dos olhos selvagens nada parecidos com os olhos do idiota bobão com um dinossauro tatuado no braço, do abdômen definido e cheio de gominhos, da cintura fina, das costas musculosas e marcadas por minhas unhas, da forma como mexia o quadril de encontro ao meu em uma dança lenta sensual, o som que nossos corpos se chocando faziam, a forma como usava sua força física e parecia gostar de unir prazer a exaustão muscular em umas posições mais difíceis... Eu precisava ficar com outra pessoa só para afastar a sensação de que fora a melhor transa da minha vida.
Jeon idiota Jungkook não podia ganhar o título de melhor foda, eu não iria jamais admitir em voz alta isso e negaria para mim mesma até onde desse.
A música soava alta, tocava algo animado e estava lotado de jovens, todos com suas bebidas em mãos conversando alto e rindo, se divertindo. Esbarrei em um grupo para conseguir alcançar uma mesinha vazia. Era um tipo de balada que havia todo ano em comemoração ao aniversário do time de baseball da faculdade, por isso era tão frequentada, até mesmo por estudantes de outras universidades.
Avistei ao longe Taehyung junto do meu crush supremo, Kim Namjoon, que estava ao lado de Jung Hoseok e seus outros dois sunbaes, Kim SeokJin e Min Yoongi, ambos ex estudantes da universidade e que vez ou outra apareciam nas festas universitárias para visitar seus hobbaes. Se Kim Taehyung estava aqui, significava que outra pessoa também estava aqui. Dei uma olhada em volta procurando conhecidos fora eles, não queria ficar em sua turma, porém Mi-ah me puxou pelo braço diretamente para lá.
— Oppa — Mi-ah cumprimentou Namjoon, ela tinha muito mais intimidade com esses meninos do que eu, simplesmente porque andava com Jimin e Jimin sempre andava com eles. Mas chamá-lo de oppa? Estava nesse nível? — O Jiminnie já chegou? — pergunta voltada para o Taehyung agora.
— Hm, foi buscar algumas bebidas com o Jungkook. — Ele responde. Jungkook já está aqui, somente ouvir seu nome me causa tensão. Novamente olho em volta, mas não sei dizer exatamente o que procuro, então tento me concentrar na conversa dos jovens à minha frente, algumas garotas se aproximam para conversar com os sunbaes, atrás de ficar com eles, provavelmente, e rolo os olhos ao perceber como são óbvias.
— Aqui. — Vejo Mi-ah levantar o braço para chamar atenção de alguém e quando me viro para a direção em que olha, deparo-me com Jimin carregando um balde de gelo com cervejas dentro e Jungkook logo atrás dele com outro balde com mais cervejas. Ambos colocam as bebidas em cima da mesa e analiso o tatuado rapidamente. Usando uma blusa preta e jeans, seu cabelo está amarrado em um coque samurai. Pisco sem saber o que fazer, devo fingir que nada estava acontecendo ou devo fingir que sou a sua namorada? De repente não tenho muita certeza de como me comportar perto dele, quando volto a olhá-lo, o Jeon me encara e arqueia apenas uma sobrancelha em forma de cumprimento, pelo menos ele não estava fingindo que não me conhecia. Dou um sorriso mínimo de volta, ainda confusa sobre como me comportar.
Droga, não era uma boa Jungkook estar na mesma festa que eu, se minha ideia era curtir, estava indo pelo ralo, porque só conseguia me sentir super tensa perto dele nesse momento.
Os rapazes se servem das cervejas e Mi-ah me oferece uma, beberico de forma desconfortável e em um segundo de distração, Jungkook não estava mais entre nós. Olho em volta, mas não o vejo, talvez não tenha querido ficar aqui conosco, talvez realmente estivesse me evitando como cheguei a cogitar, mas a pergunta era: por que raios esse idiota iria me evitar? Estava arrependido de ter dormido comigo? Foda-se, eu também nem queria ficar brincado de ser sua namorada.
Era melhor assim. Bufo chateada e nem mesmo sei o porque.
Alguns minutos se vão e já consigo me sentir mais relaxada sem a pressão que a presença do bobão com o cabelo idiota amarrado em um coque causava em mim, quando sinto mãos passando por minha cintura e me prendendo de encontro ao corpo de alguém, com o susto acabo cuspindo um pouco de cerveja, mas não tenho nem tempo de protestar, pois os lábios em meu ouvindo me fazem perder o fio da meada.
— Preciso que seja a minha namorada hoje. — A voz rouca e anasalada que ironicamente me era familiar, soa urgente. Preciso fechar os olhos por um momento para absorver o que diz.
Tava bom demais para ser verdade.
Passo as mãos pelos cabelos tentando arrumá-los, acabo de acordar de mais um dos sonhos que venho tendo com ela. Enfeitiçado por seus beijos e seu corpo. Mesmo que tenha tentado, não consigo tirá-la da cabeça.
— Merda Jungkook — esbravejo chateado. Tentei dormir um pouco pela tarde, pois iria para uma festa de noite e acabei tendo outro sonho onde eu e ela nos pegavamos intensamente, revivendo e remoendo as sensações que senti ao me afundar nela. Só eu mesmo pra ficar chateado por ter um sonho erótico!
O problema é que depois de acordar, não conseguia me livrar da ereção que insistia em latejar até que aliviasse aquele desejo insano que me tomava. Não estava mais me reconhecendo.
Chamei a garota para fingir ser a minha namorada na esperança de que ela não se apaixonasse por mim, mas quem não parava de pensar nela era eu? Que raios de ironia do destino era essa? Cai na minha própria armadilha?
Depois de me aliviar, tomei um banho, amarrei meu cabelo em um coque samurai e gostei da forma como pareci sexy com o cabelo assim. Tirei uma self para talvez postar mais tarde e esperei até que o — sempre atrasado — Park Jimin terminasse de se arrumar.
Não consigo me sentir 100% animado para curtir, ouço os caras tagarelando sobre coisas aleatórias, mas não dou muita bola, meu pensamentos novamente se voltam para ela. Será que irá para a festa? Será que finalmente a veria? Andei tão ocupado que fui incapaz de procurá-la, e quando tive tempo disponível acabei não achando nenhuma desculpa que justificasse estar diante dela, achei que essa sensação estranha em meu peito passaria depois de algumas dias, mas até agora só aumentava.
Tinha sido só uma foda, uma foda muito espetacular, mas só isso, o problema foi a forma como MiCha me tratou. Foi diferente, foi gentil, foi meiga do jeito dela. Ninguém nunca havia demonstrado se importar comigo quando se tratava do assunto da minha ex como a Kwon havia feito nas poucas horas em que estivemos juntos. A maioria das pessoas só falava que eu estava exagerando, dentro da minha própria casa não tinha apoio nenhum, já que minha mãe sempre ficava do lado da minha ex e praticamente me tratava como um monstro por não querer mais namorá-la. Então a forma como MiCha me fez sentir, não consegui superar aquilo.
E depois ter seu corpo colado ao meu, de tê-la dormindo em meus braços, de ouvir sua respiração ressoar calma e segura, caramba!, aquelas sensações me tomaram, era gostoso demais para ser superado rapidamente. Kwon MiCha arrebentou as portas da minha torre de gelo onde escondia meus sentimentos mais profundos, derrotou o dragão e estava quase chegando lá, e ela nem estava tentando nada de verdade.
Droga!
Taehyung estacionou o carro do primo dele e logo entramos na balada, estava lotado. Rapidamente vasculhei o local procurando por um sinal de que ela já tivesse chegado. Gostaria de poder ver seu rosto, de saber se não estava ficando louco, de ver como ela era tão linda quanto em meus devaneios e lembranças.
A ânsia em meu estômago me fez ficar de boca seca, caramba, eu estava muito afetado. Meu coração batia rápido em expectativa e precisei suspirar algumas vezes para aliviar aquela compressão em meu peito.
Taehyung achou nosso hyung e os sunbaes em uma mesa e logo pediram para que eu e Jimin fôssemos buscar bebidas para a mesa. Senti meu celular vibrar e enquanto esperava as bebidas ficarem prontas chequei as mensagens.
"Estou aqui fora"
Suspirei. Não era possível que essa maluca tenha me seguido até a balada! Ignorei a mensagem pegando o balde de bebida e voltando para a mesa. Quando estávamos nos aproximando ouvi alguém chamando e a avistei ao lado da namorada do Jimin, virada para a minha direção, me encarando. Minhas mãos começaram a suar imediatamente e quase larguei o balde de bebida, meu coração palpitou irregular na altura da jugular.
Droga.
O que eu deveria fazer agora? Cumprimentá-la? Ignorá-la? Abraçá-la? Dizer oi? Droga, não deveria ter amarrado meu cabelo porque ela disse que gostava dele grande. Aish, eu estava ficando louco!
Coloquei a bebida na mesa e a encarei de novo, tão bonita com os cabelos soltos e volumosos, espalhados em ondinhas fofas, seu rosto estava ruborizado e me lembrava muito da noite em que a tive nua em meus braços com o rosto ruborizado pelo esforço físico. Seus olhos se voltaram para mim e endureci em meu canto, decidindo não ignorá-la a cumprimentei de uma forma muito desengonçada e ruim e recebi de volta um sorrisinho tímido, pelo menos ela não parecia estar com raiva de mim.
Senti meu celular vibrando de novo e de novo e de novo. O pessoal na mesa bebia e conversava animadamente, mas eu não conseguia relaxar, estava tenso e não conseguia ser eu mesmo. Senti o celular vibrando de novo e então resolvi checar o que estava acontecendo, já havia recebido mais de trinta e cinco mensagens iguais.
"Se você não vier aqui fora me ver, eu vou entrar"
— Merda — esbravejo e sem pensar muito caminho rapidamente para a saída do local, procuro na pequena multidão de pessoas fora da festa pela criatura que atormenta minha vida. Do outro lado da rua, ela sorri e acena para mim segurando o celular na mão. Atravesso a rua a passos largos e logo estou diante dela.
— Jungkookie... — soa melosa e sinto vontade de vomitar.
— O que você quer? O que está fazendo aqui? — pergunto irritado.
— Sua mãe me trouxe pras compras em Seul e pensei em te fazer uma visita, mas quando cheguei em seu dormitório você estava saindo então resolvi ver para onde você ia. Como vi que estava sozinho, pensei que talvez você quisesse uma acompanhante. — Pisca parecendo inocente, mas sabia que de inocente ela não tinha nada.
— Eu estou acompanhado — rebato.
— Não estou vendo a tal aqui — diz.
— Claro, tive que largar ela lá dentro só pra atender aos seus caprichos — reclamo.
— Mentiroso, ela não veio com você, porque não é a sua namorada — esbraveja.
— Então vai ver você mesma se dúvida de mim — solto irritado, mas me arrependo no segundo seguinte, o que eu tinha feito? Agora com certeza ela entraria na festa, dei aval para que fizesse isso mesmo que inconscientemente. Merda!
— O que fez com o seu cabelo? Que porcaria é essa Kookie? Por que não volta a ser meu Jungkookie que eu amo tanto? — Muda de assunto rapidamente. Desvio o olhar dela muito irritado mesmo, minha vontade era de ir embora, mas ao mesmo tempo queria muito voltar para a festa e tentar me aproximar da MiCha de alguma forma.
Não a respondo, espero que isso seja suficiente para que ela entenda que não ligo para a sua opinião de merda. Minha ex contrariada com o silêncio começa a caminhar atravessando a rua.
— Não vai comprar uma entrada para mim? — questiona.
— Não — respondo. — Você não foi convidada. — Dou as costas para ela e volto para dentro da festa rapidamente, sabia que ela daria um jeito de entrar, então precisava agir rapidamente.
Meu coração palpita frenético com uma boa desculpa para poder me aproximar de MiCha agora.
A avisto de costas para mim entretida com a galera na mesa, balançando o corpo lentamente ao som da música e sou incapaz de conter minha vontade de me aproximar dela. A abraço pela cintura sem pensar muito no que estou fazendo ou em quem está vendo e sussurro em seu ouvido:
— Preciso que seja a minha namorada hoje. — Era real, precisava mesmo, minha ex não poderia me ver longe dela nessa balada, ou qualquer esforço que havíamos feito para evoluir de nada teria adiantado, mas também precisava que ela fingisse ser a minha namorada para que eu tivesse uma mínima chance de tocá-la, e talvez até mesmo beijá-la nessa noite.
Por algum motivo que não era tão desconhecido assim por mim, estava nervosa. A mão de Jungkook em minha cintura, me puxando para junto de si com certa possessividade me deixava meio desconcertada. O que eu diria? Ele acabara de me abraçar na frente de todo mundo que estava na mesa, não daria para simplesmente fingir que não estava acontecendo nada.
— Oh! Vocês estão juntos? — Jin sunbae é o primeiro a comentar apontando para nós dois.
— Hyung não sabia que eu tenho uma namorada? — Fechei os olhos com força por um segundo tentando raciocinar, lá ia descendo ralo abaixo qualquer chance que eu poderia ter um dia com Kim Namjoon, Jungkook estava me assumindo para todos os nossos conhecidos e agora não teria volta.
— Oh J.K, meu garoto tá crescendo hein? — Jin estende a palma e faz um highfive com o tatuado. Ótimo, eu queria matar Jeon Jungkook por me fazer passar por isso assim, não esperava que ele fosse tornar algo oficial na frente das pessoas da faculdade, Jungkook era muito conhecido na Universidade e logo todos me veriam ao lado dele, agora poderia esquecer qualquer chance de me divertir essa noite, porque tudo o que teria seria raiva, frustração e uma tensão inexplicável que não me deixava relaxar perto dele.
Um a um, todo mundo da mesa foi se dissipando, os meninos arranjando garotas para dançar e beijar, até que acabamos ficando somente eu, Jungkook, Jimin e Mi-ah. Quando nenhum deles estava perto o suficiente para ouvir, me virei para Jungkook, que nesse meio tempo havia soltado o cabelo e estava com ele repartido no meio, tão bonito quanto estava antes com o cabelo amarrado, passando a mão para arrumá-los. O idiota que tirava a minha paz, vagava seu olhar parecendo distraído, sentei a tapa no braço dele o assustando. O rapaz se retraiu com o susto o me encarou com os olhos arregalados, aqueles olhos que não lembravam em nada o olhar selvagem da outra noite.
— Ah, você me assustou — reclamou.
— Que merda você pensa que está fazendo? — pergunto irritada.
— Ah, por quê você está brava? — pergunta endireitando a postura.
— Você tinha que ter ao menos me avisado antes né? Me pedir assim do nada pra ser a sua namorada e me assumir na frente da Universidade inteira, não estava pronta. — Cruzo os braços chateada.
— Surgiu um imprevisto — fala fazendo bico, o encaro desconfiada. — Minha ex me seguiu até aqui — sussurra. Abro a boca embasbacada.
— Mentira! É sério que ela tá aqui? Onde? — Olho em volta tentando reconhê-la entre tantos rostos.
— Ela e minha mãe estão em Seul e então fui surpreendido por ela lá fora. Não sei se entrou, mas conhecendo a peça, ela deve estar nos observando agora mesmo. — Que coisa bizarra. Me sentia como em um reality onde você está sendo observado sem saber de onde os olhos e câmeras vinham. Suspiro derrotada, pelo menos havia um motivo para fingir ser a sua namorada, não era uma brincadeira do idiota.
— Okay, serei a sua namorada hoje — concordo com essa maluquice e Jungkook abre um sorriso que parece satisfeito demais para meu gosto, que reação era aquela agora?
Desvio o olhar do dele por um momento tentando raciocinar sobre o que estava ocorrendo, e me deparo com Jimin e Mi-ah aos amassos bem diante de nós dois. Posso ver as línguas passando entre eles e penso que ao menos alguns estão aproveitando a noite. Ouço um pigarro do Jungkook e sei que pareceu tão desconfortável para ele quando era para mim ficarmos vendo esses dois se pegando, mas era isso que namorados faziam, né? Se pegavam na balada aproveitando a companhia um do outro.
— Quer ir dançar? — O ouço perguntar e volto a encarar o motivo da minha dor de cabeça recém adquirida. Meneio a cabeça aceitando o seu pedido, de vela era que eu não queira ficar.
A música é animada e a massa de pessoas dança cada um a sua forma, está lotado e é impossível dançar distante de Jungkook, balanço o corpo ao som da música me sentindo um pouco tímida por estar fazendo isso com ele na frente de todo mundo, mas não demora muito para que comece a me soltar e ficar mais divertido. O Jeon dança de um jeito engraçado e bobão que me faz rir, ele segura em minha mão e me faz girar, está apertado e alguém me empurra, vou de encontro a ele que me recebe em seus braços para me proteger.
Repouso minhas mãos em seu peitoral e sinto as batidas de seu coração, fortes, rápidas, imponentes. O peito dele sobre e desce rapidamente, talvez pelo esforço da dança, mas não tenho muita certeza. O encaro e seus olhos negros me encaram de volta, não eram selvagens, eram grandes, quase inocentes demais para acreditar. Jungkook agora não lembrava em nada o Jeon de antes.
As pessoas continuam dançando, mas tudo parece passar em câmera lenta. Sou tomada pela vontade inesperada de beijá-lo igual aconteceu em sua casa há semanas atrás. Jungkook me dá um risinho ladino arrasador e tenho certeza nesse momento de que foi uma péssima escolha ter aceitado ser a sua namorada. Era tudo muito complicado e Jungkook era muito atrativo, uma combinação perigosa.
— Desculpa por ter sumido — diz, estamos perto o suficiente para que a música não me impeça de ouvi-lo perfeitamente, o Jeon ainda me tem em seus braços. — As coisas foram insanas no final do semestre — explica.
— Não precisa se explicar — digo.
— Mas eu quero — rebate.
— Por que? — Não consigo frear a vontade de saber o porquê dele querer se explicar, já que não éramos nada de verdade e também não prometemos nada um ao outro.
— Porque me importo o suficiente para querer que você não fique brava comigo por ter sumido. — Sou pega de surpresa com as suas palavras. Tento me afastar porque me bate um enorme receio do que diz, não sei se é certo e me sinto momentaneamente confusa, mas o tatuado me segura entre os seus braços. — Fica.
Abro a boca pra falar, mas não sei o que dizer, o que estava acontecendo aqui? Ainda posso sentir seu coração batendo na caixa torácica sob minha mão, está tão acelerado quanto o meu. Não sei o que dizer, as palavras fogem e sinto que o erro que cometi era o erro mais assertivo de todos. Não conseguia explicar o quanto esse errado era certo, mas Jungkook me fazia sentir como se errar fosse o melhor a se fazer e eu sei que esse pensamento estava mergulhado em confusão, mas não conseguia não achar bom.
— Pessoal... — Alguém fala no microfone e saio da bolha que criamos, olho em volta libertando meu olhar do de Jeon e percebo que a música acabou e as luzes do lugar foram acesas para o discurso dos jogadores do time. Jungkook relaxa a postura e me solta de seu enlaço.
— Vamos pra mesa — diz segurando em minha mão e me rebocando de volta para a mesa onde seus amigos estavam juntos de novo.
Entorno a cerveja de uma vez, sentindo minha garganta queimar. Jungkook se põe detrás de mim e passa seu braço em volta da minha cintura me puxando para junto de si, me fazendo sentir como se de alguma forma eu fosse dele, é uma abraço possessivo, mas que me agrada muito e odeio gostar disso porque ainda me sinto confusa sobre o que é certo ou errado entre nós. Sinto quando seu nariz roça no alto da minha cabeça, ouço o suspiro que solta ao inalar o cheiro dos meus cabelos e ele faz isso mais de uma vez.
Okay, o que tava rolando aqui? O que isso significava?
Novamente voltei a sentir tensão ao estar ao lado dele dessa forma. Todos conversavam animados, eles eram divertidos juntos, contavam piadas e riam enquanto bebiam. Jungkook se transformava no maknae fofo deles quando estavam juntos e o ambiente eram bom, mas não consegui desfazer a tensão, meu coração batia errático me causando dificuldade para respirar e estava sendo particularmente difícil para eu pensar em algo mais que não fossem as mãos do tatuado idiota me tocando sem nenhuma timidez e de vez em quando apertando a minha cintura em um carinho que me deixava em alerta, como se fossemos super acostumados a estar juntos assim.
Que péssima decisão!
Pelo canto de olho consigo ver quando Jungkook pega o celular e lê uma mensagem, que parece ser enorme. Me viro para tentar ver melhor, mas ele trava a tela do celular e vinca as sobrancelhas parecendo preocupado e muito sério. Seus olhos se voltam para mim e me encaram por um momento, o encaro de volta sem entender e cheia de perguntas que estou pronta para fazer.
— Preciso ir pessoal. — Sou pega de surpresa pela segunda vez essa noite com algo que ele diz. Me pediu pra ficar e agora vai embora? — Aconteceu uma coisa e eu...
— Está tudo bem J.K? — O mais velhos dos sunbaes pergunta.
— Tá, eu só preciso resolver uma coisa — Jungkook me olha de novo e lá no fundo sinto uma leve esperança de que ele me convide para sair daqui junto com ele e que isso seja apenas uma desculpa para escaparmos e quem sabe terminar aquilo que não deveríamos fazer, mas que eu secretamente queria. — Desculpa. — É tudo o que diz e sinto uma pontada de frustração. — Não deixem a minha namorada sozinha hein? — Alerta, aperta a minha cintura com os dedos e logo depois vira as costas e sai.
Encaro sua silhueta se afastando na multidão boquiaberta. Que merda era essa? Por que Jeon Jungkook me pediu pra ficar e foi embora?
Eu sabia que era uma péssima ideia ter dado abertura para ele. E a vontade de chorar que sentia agora era prova mais que suficiente de que eu tinha feito sim as escolhas mais erradas possíveis.
O icon da MiCha a partir de agora vai deixar de ser um carro e virar um 🤡 kkklkkk
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Olha só, sem chororô hein? Vcs estão bem alimentadxs com um capítulo de quase 5mil palavras, atualização agora só depois que eu atualizar ITMB. Cap5 já está em andamento e tô me divertindo muito escrevendo ele, a relação da MiCha com o Jungkook é muito engraçada e divertida de desenvolver. Obrigada pelos quase 5k de views socorrooooo, obrigada MESMO!! Deem muito amor pra essa fic e se puderem compartilhem com as armygas que lêem fanfic, bora panfletar esse pãozinho aqui. Não esqueçam da estrelinha!! Até a próxima, amo vcs.
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