14
Pensei em qual desculpa arrumar quando chegar á nave, estava um dia bem quente e tem um rio perto, passei e dei um mergulho, nem esperei secar totalmente, cheguei nela com as roupas molhadas e os primeiros que me viram foram Kleber e Aline que estavam do lado de fora da nave conversando, Aline assim que me avistou veio correndo em minha direção me abraçou e beijou. Kleber veio também mas não estava correndo e nem me abraçou ou beijou, só me deu um aperto de mão.
– Você fez ?– Disse Aline eufórica.
– Sim.
– E eles sofreram ?– Disse Kleber.
– Ah, então ela te contou ! Sofreram sim.
– Eles te contaram o porquê de fazer isso ?– Disse Aline.
Pensei bem na minha resposta, se falasse a verdade iria traumatizar ela, se mentisse iria magoar ela, então fiz o que achei que seria certo.
– Não, não contaram nada.
– Como assim não contaram nada ?– Disse Aline.
– Arranquei até o último suspiro deles, e não disseram nada.
– Ah tá, fiquei preocupada contigo, você saiu era de noite e volta só agora, o importante é que você está bem.
Como ela fica feliz quando recebe a notícia que matei dois homens brutalmente ? Isso não é algo para se alegrar, mas sim para me aprisionar.
– Kleber, não vai contar nada para ninguém né ?– Eu disse abraçado com Aline.
– Não cara, relaxa, sou um túmulo – Disse Kléber.
– Vamos entrar então– Eu disse.
Assim que entramos os soldados logo me receberam, e começaram a perguntar.
– Onde esteve ?– Disse Carlos.
– Estava dando uma volta.
– Você sumiu era noite, provavelmente no meio dela, ficou horas sem dá notícias, e agora de manhã chega com roupas molhadas e ainda disse que só estava "dando uma volta"– Disse Carlos.
– Estava calor quando acordei, saí para dar uma volta quando vi o rio e pensei em dar um mergulho, nado um pouco e me deu sono, adormeci perto do rio, acordei dei um último mergulho e vim para cá.
– Sabe o que é mais engraçado nisso tudo ? Os iranianos também sumiram, e você tinha uma rixa com um deles, aquele queimadinho lembra ?– Disse um soldado americano.
– Não sei de iraniano não. Saí sozinho e voltei sozinho.
– Hum. Eles devem ter saído para caçar ou algo do tipo– Disse o capitão europeu.
Como não tem leis contra caça aqui, está tudo liberado, tinha até soldados fazendo isso como um hobby, ou para simplesmente praticar tiro, como se fôssemos para a guerra. Mas não faziam isso só por diversão mesmo.
– É perigoso sair sozinho á noite, ainda mais todo costurado como está– Disse o capitão brasileiro.
– Ér, mas estou aqui né. Não vai acontecer de novo. Kleber, posso falar com você em particular ?
– Pode.
Saí com Kleber pela floresta e fomos conversando.
– Diga!–Disse Kleber.
– Cara, é que sinto a necessidade de falar isso para alguém.
– Então diga.
– Eles á estupraram inconsciente cara, por isso estava sendo congelada, eles iam cortar ela é dar de comer para todos. Será que fiz o certo em matar eles ?
– Eu não faria diferente. Como matou eles ?
– Um lhe cortei á língua, e o outro fiz sangrar por dentro usando cerol.
– Nossa... Estou sem palavras.
– Era só isso que vim te falar, não posso contar para Aline de jeito nenhum, vai traumatizar a coitada.
– É... Tem razão.
Voltamos para a nave e o capitão brasileiro queria falar comigo em particular. Fomos até a cabine de comando, e ele disse:
– Não sei se você sabe, mas a nave inteira é equipada com câmeras, e enquanto esteve fora fiquei analisando elas para descobrir quem fez isso com vocês dois, e olha as imagens que descobri.
Ele me mostrou as imagens, e tenho que admitir que eram fortes, mostrou os iranianos indo no nosso dormitório e dopando Aline, as câmeras gravaram tudo o que aconteceu depois, explicitamente com riquezas de detalhes e em alta definição, prefiro não dizer o que me mostrou, mas tudo o que foi mostrado já ouvi do filho da puta que matei e acabei de ver com meus próprios olhos, eu nunca me senti tão bem e mal ao mesmo tempo. Bem por ter matado a ele depois do que fez, e mal pelo o que ele fez.
– É chocante isso não ?– Disse o capitão.
– É... É muito chocante.
– Sabe o que é mais interessante disso tudo ?– Disse o capitão colocando a mão em meus ombros e olhando em meus olhos.
– Não ! O que é senhor ?– Disse olhando em seus olhos.
– Eles sumiram junto com você, e o mais engraçado de tudo é que viu eles e por isso foi nocauteado.
– Conhecidencia ?
– Não, não é... Até por que também á imagens sua, fugindo da sala de armazenamento de pesquisas, resgatando Aline, dela indo pro laboratório contigo, e... (Ele deu uma pausa e deu uma risada) Sabe o que e mais engraçado do que eles sumirem junto com você, é você carregar eles para a floresta, um de cada vez, e não sei como você arranjou tanta força assim, afinal... Você está todo costurado.
– Capitão eu... Eu... É que...– Disse eu tentando achar uma desculpa.
– Não precisa mentir, não vou te punir, eu faria a mesma coisa, e faria de uma forma bem lenta e muito dolorosa, fala a verdade que ficará só entre nós, não haverá punição.
– Capitão ! Matei eles, ambos de forma dolorosa mas só um foi lento!– Eu disse olhando em seus olhos.
– Bom saber que foi honesto, agora me leve até o local dos corpos.
– Senhor, sim senhor.
Pegamos algumas armas e fomos onde estavam os corpos, assim que chegamos lá havia muitos animais comendo os corpos, havia um animal que parecia com uma centopeia só que muito grande, com cerca de um metro e meio de diâmetro.
O capitão atirou para cima, e todos foram embora.
– Bom... Aqui estão os corpos, ou o que sobraram deles.
Os animais comeram quase todo o que estava amarrado, sobrando pouco para o que se avaliar dele, o que se arrastou estava todo aberto no chão, e havia muito sangue dele espalhado ao redor.
– Como matou aquele amarrado e esse solto todo aberto aqui ?
– O amarrado lhe cortei a língua, e o outro injetei cerol nele senhor.
– Cerol ? Por que cerol ?
– Deu á ele uma morte muito dolorosa senhor.
– Certo– Disse ele agachando e tocando dentro do corpo aberto do iraniano.
– Senhor, vamos voltar para a nave ?
– Vamos.
Fomos então um do lado do outro, estava um silêncio perturbador quanto na floresta e entre nós dois, até que ele disse.
– Então, percebeu que só há três soldadas entre nós ?
– Percebi senhor.
– É engraçado também que não há muitas mulheres em toda a tripulação, mesmo resgatando aquela japinha dos destroços e achando aqueles sobreviventes.
– Sim senhor.
– Aqui não sei se percebeu também, mas não tem regras, somos animais racionais em meio a outros racionais. E também não tem um governante nisso tudo, então aquele que demonstra mais poder é o "rei" de tudo.
– É... Sim senhor – Falo me sentindo desconfortável com o assunto.
– Hum. Senhor ? Para de me chamar assim. Me chame de Nascimento (risos).
– (Risos)– Eu dei uma risada forçada com essa piada sem graça e disse.
– Sim senhor "Capitão Nascimento".
– Há três reis entre vocês, e não vai ficar assim por muito tempo, por que acha que a outra nave explodiu as turbinas ?
– Aves atacaram ela senhor.
– Aves... Podem até terem atacado ela, mas isso não iria explodir turbinas feitas para aguentar meteoros batendo nelas, afinal essas naves foram feitas para atravessar o espaço, não para dar uma voltinha pela terra.
– Você explodiu elas senhor ?
– Explodir ? Não, eu fui só a pessoa que deu o seu jeito para virar o rei dessa merda.
– Senhor... Eu...
– Não vou contar a ninguém. Tomara que seja esse o fim da sua frase. 3 já foram meu caro, faltam 2.
– Quer que eu faça o que senhor ?– Eu disse na tentativa de fazer ele achar que estou do lado dele.
– Eu... Deixe me ver... Ah, já sei, você vai fazer o seguinte– Disse ele colocando a mão em meus ombros e olhando para meus olhos.
– Diga senhor.
– Nunca mais vai me chamar de senhor, e vai ficar quietinho.
– Tá bom sen... Não vai se repetir.
– Não vai mesmo.
Ele disse isso enquanto apontava uma arma para minha barriga, e atirou duas vezes nela, quando fui apontar minha arma ele chutou meu braço jogando ela longe e logo em seguida bateu com a arma na minha cabeça. Caio e fico respirando ofegante, ele olha para mim, e me dá um terceiro tiro na barriga, agacha do meu lado e diz:
– Pena que nos meus planos você não está incluído. Considere isso uma despedida, não dou um tiro na sua cabeça e poupo seu sofrimento, justamente porque quero que sinta dor antes de morrer, seu verme, viveu sozinho e vai morrer sozinho– Disse o capitão e logo depois cuspiu na minha cara.
Não sei o porquê de tentar me matar, só sei que estava tudo escurecendo, e antes de apagar por completo senti algo me encostando, depois me segurando, e logo me arrastando.
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