08
'"A comunicação com a terra demora cerca de algumas horas para chegar até nós, e vários dias para chegar até eles, nunca entendi muito bem isso, eu não sou a expert quando o assunto é espaço, ou contínuo espaço tempo, eu sou boa mesmo é com plataformas, construções, desenhos, e contas, só sei que quando voltar para a terra, tudo estará diferente, o país que eu conhecia não estará mais o mesmo, terá se passado anos, décadas, e tudo o que conheço morreu ou está quase, também não me importo, no momento em que retornarei tudo estará velho e eu nova, é estranho isso não ? Eu penso nisso desde o momento da primeira comunicação com a terra, logo após as primeiras pessoas terem sido resgatadas, viver aos 100 anos é uma conquista para poucos, e eu terei essa idade ainda nova, antes mesmo de chegar aos 50 anos de aparência, o tempo aqui é muito diferente do da terra, é mais lento, e sem contar a beleza desse lugar, as variadas espécies que habitam ele, e todo o mistério que mora nesse planeta"
Eu li isso do diário que Aline escreve, ela vai nele de dia e noite, ela deixou ele aberto em cima da mesa e aproveitei para dar uma espiada.
Os soldados que levaram as ferroadas daqueles animais que parecem aranhas, vem só se agravando o estado deles, os cientistas e biólogos que estavam aqui antes foram chamados para ver a situação deles, eles disseram que nunca tinham visto tal cena ou ferimentos, e deram a opção de matar os soldados que estavam sofrendo, então começou uma discussão por vidas desnecessárias, eu sei que isso é um pouco frio da minha parte, e eu não era o único que pensava assim.
Trouxemos os sobreviventes durante o dia, a discussão foi a noite, e enquanto todos dormiam, alguém com uma faca degolou os dois soldados atacados, e como a noite aqui é sempre muito longa, mais até que o dia, Kleber acordou e foi no banheiro, e viu uma luz acessa no quarto onde estavam os feridos, ele foi lá e encontrou 2 poças de sangue no chão, ele vendo o que tinha acontecido voltou acordando a todos gritando:
– AEEE ! MATARAM OS SOLDADOS FERIDOS, MATARAM OS FERIDOS – Disse ele segurando uma pistola 9mm.
– Calma rapaz, solta a arma, vamos ver o que aconteceu, e então conversamos sobre, Ok ?– Disse o capitão europeu.
Ele abaixou a arma, fomos até os falecidos, eles eram europeus, ficamos conversando e discutindo quem pudesse fazer tal atrocidade com tamanha frieza, esse nem foi o ponto alto da noite, porque o que chamou a atenção de toda a tripulação, foi fato deles estarem mais inchados do que um cadáver normal.
Um biólogo europeu então foi dissecar um deles, assim que ele enfiou a faca na barriga de um deles, e o abriu, ele estava cheio do que parecia caroços pretos entre os órgãos e ossos, e o mais estranho é que são todos do mesmo tamanho, então o outro biólogo europeu fez o mesmo no outro corpo, e ele tinha os mesmos caroços dos mesmos tamanhos e nos mesmos lugares, o capitão brasileiro perguntou fazendo cara de nojo:
– Mas o que é isso?
– Não sei, ele está pulsando– Disse o biólogo encostando nos caroços.
– Pulsando ?– Disse o outro biólogo também encostando nos caroços– Pior que estão mesmo... Merda não são caroços, são ovos.
– OVOS ? Porra, o que fazemos com isso ?– Disse o capitão americano.
– Eu sugiro deixarmos eles em confinamento para estudarmos essas criaturas– Disse um cientista sobrevivente.
– Aqui na nave ? HAHAHA, você está louco ?– Disse o capitão brasileiro.
– Qual o problema capitão ?– Disse um dos cientista levantando a voz.
– Estamos em uma nave, com capacidade de pessoas estourada, se esses ovos se chocarem e seja lá o que tiver ali dentro escapar desse "confinamento", será perdida quantas vidas para esse seu estudo de merda ?– Disse o capitão olhando no fundo dos olhos do cientista.
Enquanto eles discutiam, os ovos do corpos que foi aberto primeiro começaram a rachar, e foi saindo de cada ovo cerca de duas criaturas parecidas com as aranhas que nos atacaram mais cedo, todos ali presentes se calaram e começaram a observar as criaturas, mais ovos começaram a se quebrar e dentro de cada um deles foram saindo mais criaturas, nós então corremos para pegar as armas, um dos soldados levou os outros que não eram soldados para as salas de limpeza, elas não tem ventilação.
Começamos a atirar, elas eram muitas e logo o segundo corpo começou a rachar os ovos, passaram de muitas para incontáveis, era tiro para todos os lados, elas são pequenas e saltam, então as vezes tínhamos que usar a faca, e sem contar que não sabíamos o que uma filhote fazia no corpo de alguém, a adulta não tinha veneno mas mesmo assim mordia e a ferroada dela injetou os ovos, até que uma pequena pulou no pescoço de um soldado brasileiro e mordeu ele, ele caiu gritando e atirando para todos os lados, logo todas as aranhas começaram a ir na direção dele, ele não aguentando tanta dor implorou para que acabasse com a for dele, eu não aguentei ver ele sofrendo mas não tinha como eu atirar ele, ele estava coberto dessas aranhinhas, eu então jogo uma granada, a explosão matou quase todas as criaturas, descarregamos ainda mais 2 pentes de munição, quando achamos que tinha acabado, vemos um vulto preto passando logo atrás de onde estavam os corpos, um soldado americano foi verificar, não achou nada, e quando estava voltando ele foi pego pelo pescoço por uma pata de quatro dedos com enormes garras e levantado, era a criatura de que os sobreviventes falavam, ela apertou o pescoço dele com tanta força que deixou ele sem ar, não atiramos por que não tinha visão dela, ela estava em cima da porta, levantou o soldado, e ele começou a gritar muito, fomos correndo até ele, quando chegamos lá só encontramos um rastro de sangue levando até a sala de armas, seguimos ele e fomos nos deparando com dedos, braços, pernas, tronco e por fim a cabeça dele espetada no cano de uma M4, perdemos ela de vista, ela é muito rápida, fomos até a sala da limpeza onde estavam os demais, e a porta tinha sido arrancada e dois cientistas desaparecidos, perguntamos onde eles foram e eles disseram que foram arrastados para a direita, onde dava no estoque de medicamentos.
Fomos correndo para lá, logo que entramos o primeiro soldado foi atacado, ela avançou na cintura dele, começamos a atirar, chegamos até acertar, o sangue dela tem a coloração azul, ela fugiu, o soldado com o ataque que sofreu quebrou 2 costelas deixando elas expostas, e quando foi arremessado quebrou o pescoço virando a cabeça, os cientistas estavam inteiros e bem aparentemente, a criatura pegou eles como isca, procuramos ela por toda a nave e não achamos, sangue dela era só onde estavam os medicamentos.
Agora tínhamos dois problemas, um assassino a sangue frio junto á nós, e uma criatura rápida, esperta, forte, e que não sabemos quando volta.
Reunimos todos para conversar sobre o que fazer, voltar com os sobreviventes, ou ficar e recolher recursos que leva a lutar contra um inimigo que não temos conhecimento.
– É óbvio que vamos ficar e lutar, não conhecemos o inimigo, ótimo, ele também não nos conhece, isso já é o suficiente– Eu disse querendo motivar a todos a não desistirem por causa de uma criatura.
– Vocês não tem ideia do que ela fez conosco, sofremos muito nas patas dela, e agora que temos a chance de sermos livres vamos ficar e sofrer novamente ?– Disse uma cientista sobrevivente.
– Vocês não vão sofrer, vamos matar essa criatura, e cumprir nossa missão, viemos aqui por um propósito, e não vamos desistir só porque apareceu um inimigo– Disse Kleber.
– Talvez a melhor opção seja pedir por reforços lá da terra– Disse um soldado sobrevivente.
– Só a viagem gasta muito tempo e dinheiro, fomos treinados por mais de 5 meses e depois 10 anos de viagem fomos mandados até aqui, 10 ANOS, para vocês podem ter passado rápido, mais lá não é nem um pouco rápido– Disse um soldado brasileiro.
– Eu sei que vocês não estão aqui para morrer, mais sim para descobrir, inventar, estudar e analisar o planeta, mas nós soldados estamos aqui para lutar e morrer, viemos aqui para lutar e morrer por vocês, eu sei que com a explosão daquela nave ficamos em menor número, e as mortes vieram só aumentando com o tempo, tudo o que está acontecendo e vai acontecer não vai ser para mim, ou para vocês, vai ser para seus filhos, netos, e toda a nova geração que virá, isso sim vale o esforço, sacrifício e sofrimento. Se estão com medo, não sejam egoístas, parem de pensar só em vocês mesmos, e comecem a pensar no amanhã, em um novo tempo, não desistam, lutem, vamos em frente como um time, mesmo que ele diminua com o tempo, somos passageiros, então façam essa merda de viagem valer a pena– Eu disse.
– E se ficarmos e essa criatura atacar enquanto todos dormem, e matar silenciosamente um por um ? – Disse Aline.
– Ae morreremos por uma causa maior– Disse Kleber.
– Vamos fazer uma votação, tomara que vocês tenham uma boa visão do futuro próximo que virá– Disse o capitão americano.
Contamos os votos das 45 pessoas ali presentes, e 9 votaram para irmos embora, e 36 para ficarmos, foi quase unânime, reunimos e começamos a pensar em uma estratégia de combate contra a criatura, para que quando ela aparecer novamente, não perdemos mais homens e exterminar ela de uma vez por todas, vamos vingar as mortes que ela causou.
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